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História

Para fazer fortuna

História de: Isaac Douek
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/12/2005

Sinopse

Isaac Douek nasceu em 1907 em Aleppo, na Síria. Imigrou para o Brasil com a família em 1926, fugindo da guerra na Síria, com o objetivo de fazer fortuna aqui na América do Sul. No Rio de Janeiro, foi comerciante de jóias e de roupas para senhoras. Atuou como chazan do Templo União Israel.

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História completa

R - __________ França __________ Londres, depois tem África, fim de 1937 chegou lá, passou dez meses na Argélia, depois três meses na França, no fim chegou na África. Na África chegou com mercadoria de vender, voltou. Esse tempo, 1938, 1939 não viver mais na África e eu estou sozinho. Eu não tinha conhecido, não tinha nada, nem capital, nem conhecido tudo lugar desconhecido, eu já fiz uma luta, trabalhou, trabalhou, trabalhou. 22 anos ficou... 2o. guerra, 2 anos __________ isso, isso e __________ e quando __________... Esse e um documento de Síria, Aleppo __________.

P/1 -  O senhor nasceu em 1905? 

R - E eu nasci em 1905 __________ 19 anos. 

P/1 -  E o senhor saiu de lá diretamente para cá? 

R - E pra cá e __________. 

P/1 -  O senhor não quer sentar aqui, a gente chega para lá? __________.

R - Pois não __________.

P/1 -  A gente queria botar o gravador perto do senhor. 

R - Ah! O gravador. 

P/1 -  Assim o senhor vai sentar aqui, a gente bota o gravador perto do senhor. 

R - Uma cadeira. 

P/1 -  Eu sento aqui. Vamos do começo. O senhor e sua família, nasceram com quantos irmãos, família grande, pequena, unida, amiga? 

R - Somos quatro, dois irmãos e duas irmãs. Eu e meu irmão e mais duas irmãs. 

P/1 -  Dois casais.

P/1 -  São todos nascidos em Aleppo? 

R - Em Aleppo. 

P/1 -  Família unida, o resto família grande? 

R - Unida, sim senhora, felizmente. 

P/1 -  E seus pais tinham mais irmãos, mais irmãs? 

R - Meu pai faleceu em 1921, 1921 faleceu, minha mãe faleceu em 1957 __________ essa semana... Hashkara... Sábado. 

P/1 -  E como que era a vida em Aleppo? 

R - A vida é difícil, eu era vendedor ambulante. Vendedor ambulante quer dizer: comprava fazenda e botava no meio da rua como um camelô e vendia por metro. Depois arranjei um emprego com um primo, trabalhar uma loja, mas nunca dava lucro, sempre trabalhando, sempre sem lucro, no fim resolvi viajar para o Brasil. Aqui tinha um parente, irmão da minha cunhada. Então, falaram que a vida aqui era boa, não sei o quê, e vim para viajar porque era o único país que tinha a porta aberta era Brasil, Argentina não permitia, América do Norte não permitia, então eu vim para o Brasil em 19... 19 de setembro, 1926. 

P/1 -  19 de setembro de 1926? 

R - Primeiro de Tishrei de 5687, chegada ao Brasil. 

P/1 -  O senhor veio direto para cá pro Rio? 

R -- Direto para cá, só fiquei em Marselha quarenta dias esperando navio chegar, estive com uma família também, passei quarenta dias em Marselha __________.

P/1 -  E a sua vida no Líbano? O senhor estudou aonde, que tipo de estudo?

R - Numa Yeshivá, Yeshivá.

P/1 -  O seu pai trabalhava com o que? 

R - Meu pai estava na Argentina, passou 1913 a 1920 na Argentina, ele e meu irmão mais velho. Chegou no Haleb na véspera de Rosh Hashaná morreu… Ficou 3 meses, 4 meses comigo, eu vi ele 3 meses com vida. Ele morreu do coração. 

P/1 -  Doença de Chagas, pegou doença __________.

R - Estava doente, barriga-cheia, barriga d'água. 

P/1 -  E ele veio da Argentina...

R - Veio da Argentina, de Buenos Aires, passou cinco anos, passou tempo de guerra lá e aguentava privado, com necessidade vivendo às custas de meus tios, irmão de meu pai e irmão da minha mãe sustentavam até que chegou meu pai meu irmão mais velho. 

P/1 -  Qual a idade do seu irmão mais velho? 

R - Ele faleceu há cinco anos atrás, era 20 anos, tinha sete anos mais. 

P/1 -  Vinte anos mais velho que o senhor? O nome do seu pai? 

R - Moisés, Moshe, Moshe. 

P/1 -  Seu pai tinha vindo para a Argentina para fazer fortuna? 

R - Isso mesmo. 

P/1 -  E conseguiu?

R - Creio que ele veio numa viagem em 1909, sozinho e voltou em 1913. Passou um ano na __________, depois ele foi viajar sozinho, não foi levar meu irmão mais velho porque ele tinha certeza que ia passar 2 anos, ia fazer uma grande fortuna. Chegou lá, arrebentou a guerra, chegaram em novembro começou a guerra, 1914. 

P/1 - - Guerra de 1914? 

R - Guerra de 1914. E a gente ficou. Minha mãe, coitada, sustentava a família. 

P/1 -  E como ela sustentava, o que que ela fazia para sustentar? 

R - Minha irmã mais velha trabalhava numa fábrica de papel de cigarro, aquele papel que __________ enrolava papel, cigarro com... e... e... ela fazia o papel, quer dizer, pega o papel grande, cortava e fazia...

P/1 -  __________.

R - E, já foi __________ eles adoram __________ minha neta esta __________. Bom, ...

P/1 -  E a sua mãe fazia o que para sustentar vocês? 

R - Fazia mil manobras para poder sustentar. Ia na fábrica, comprava renda, como esta que está atrás de você. 

P/1 -  Esse? 

R - Ela comprava, desfiava, fazia a linha para vender __________ porque não tínhamos linha, faltava linha. Mas ela fazia colchas, coisas tão grandes para desmanchar depois. Ela dizia “que pena desmanchar logo __________”, era comentário das casas dos muçulmanos das conhecidas ficava tão espantado que comprava. E a gente vivia com minha irmã, com minha mãe, depois que nasceu minha irmã menor, minha irmã __________ deve estar em Israel Ahuva, ...ela chama Ahuva. 

F- E a sua mãe se chamava como? 

R - Como? 

P/1 -  A sua mãe. 

R - Nizeha. 

E·- Nizeha? 

R - No, no, no, no: ene, i, ze, aga, a. Nizeha, conforme o que está escrito aqui, Nizeha. 

P/1 -  __________.

R - Não, não e árabe não. 

P/1 -  Em Aleppo, vocês só falavam em árabe? 

R - Árabe, árabe, eu falo francês, o pouco que eu aprendi na escola. Na escola que eu estudei, um professor dava aula de francês e aula de escrever árabe. Meu professor era...

[Interrupção na fita] 

R - ...sobrinho da minha mãe, sobrinho da minha mãe, chamava ________ . Ele criou mais que duzentos rabinos. O rabino de Buenos Aires, __________ , era aluno dele, __________ em México, __________ , também aluno dele, eu fui aluno dele, Haim Mizrahi também aluno dele. 

P/1 -  Mas apesar de tudo, vocês passavam necessidade mas se pode dizer... Que passava, que era uma vida miserável ou não em Aleppo? 

R - Aleppo? Tempo de guerra, miserável tempo de guerra, depois melhorou, quando acabou a guerra começaram a melhorar as coisas, começou a chegar mercadoria do estrangeiro, meu irmão que vinha de Buenos Aires em 1921, porto de Manchester na Inglaterra tecido... Negociar com pano de algodão, aquele que faz forro de fronha ou de colchão, essas coisas, forro. E quando, até que chegou a mercadoria para o alto, depois baixou o preço, começou a baixar o preço, trouxe até toalha de rosto e lá ia ele vender na rua, carregava uma porção de toalhas para vender nos botequins, nas casas _________. 

F- E seu irmão viajou para cá também ou só o senhor? 

R - Não, meu irmão ficou em Israel, não, em Haleb. Em 1948 ele mudou para Israel. Quando chegou a guerra da independência, todo mundo viajou para o Líbano, minha mãe ficou em Haleb durante 6 meses até liquidar… Vendeu os móveis, vendeu as coisas, depois viajou para Líbano e do Líbano foi para Israel, sofreu muita coisa, e uma história muito grande, para ela, até que chegou para Israel mas afundou o barco... do Líbano para foi de barco... barco estava clandestino não e, viagem livre, no meio da viagem, parece, afundou a barca, graças a Deus chegaram bem até Haifa. Já estava com a casa arrumada, minha família, minha irmã tem oito filhos... 

P/1 -  Lá em Israel? 

R - Em Israel, quatro filhas e cinco... Quatro filhos. Cinco homens e quatro mulheres, cinco homens e quatro mulheres. 

P/1 -  E lá vocês eram religiosos, seguiam todas as festas? 

R - Todas __________ . 

P/1 -  E vocês comiam Kasher?

R - E, e, e. Felizmente. Só aqui meus filhos, um dos filhos seguindo Kasher, __________ Kasher __________ Moises mais velho, Moisés, ele é direto da Talmud Tora e presidente da Talmud Tora. Moisés Duek, ele ficou duas décadas. 

P/1 -  Igual o nome do seu pai, né? 

R -É, ele chama Moisés, nome do meu pai, era costuma cada filho que nasce dar o nome do pai. 

P/1 -  Ao todo o senhor tem quantos filhos? 

R - Três. Um chama Moisés, o outro Nissim, uma menina chamada Nazira, minha senhora se chama Laura, ela é irmã desse senhor. 

P/1 -  De Damasco? 

I- Damasco. Conheci ela aqui, eu quando cheguei aqui não queria comer carne, queria comer kasher, procurava __________  uma senhora que dava pensão __________ kasher, depois __________ um pessoal desviou mais prático __________ uma vez, segunda vez foram __________ foi sozinho, fiquei sozinho fiel a minha comida, minha comida, não ia fazer uma especial. Depois falei com uma senhora que morava __________ eu disse: “olha, eu quero me casar, me apresenta uma moça”. “Eu conheço uma moça muito boa pra você”. “Está bom, __________ me apresenta a ela”. Eu tinha uma lojinha na Rua Regente Feijó, vendia gravatas, meias __________.

P/1 -  E o senhor tinha uma loja que vendia __________?

R -É, __________ , abrimos uma lojinha e ao mesmo tempo andava na rua para vender __________ centro da Cidade __________ gravatas, gravatas. 

P/1 -  __________ faziam também as gravatas, né? 

R - É, fazia gravatas, manda fazer gravatas. Até que chegou um dia que teve fiscalização, porque antigamente era gravata que levava um selo “D" __________  dez centavos. Então a gente, para não pagar o selo, botava o selo "2" que era um selo __________ fiscalização prendeu este selo arrancados e disse: “Oh, vocês vão ficar presos, melhor vocês sumirem daqui, sumam daqui”. Uma __________   e ela hoje e dividida com __________. De maneira que separamos lá um de nós quem quiser ir embora. Naquele ínterim quando conheci minha senhora estava na loja, ela veio comprar meias que a moça mandou, essa loja tinha dois __________. Ela também, coitada estava sofrendo, estava há cinco anos aqui, veio para casar, veio de Damasco 1924, ela e a irmã dela e não teve sorte de achar um partido. 

P/1 -  Teve a sorte de achar o senhor. 

R - Achou eu que apareci, disse: “Gostou?” “Gostei. Então eu quero casar.” “Quer casar comigo?” “Está bom, vamos casar.” Andamos durante um ano namorando até que escrever para a família dela em Damasco, mandaram para ela um dote, cem libras esterlinas, __________ e hoje é cinco conto, cem libras eram __________ cinco contos __________ dividimos metade para ela fazer o enxoval, metade para comprar móveis e fazer necessidades de casa e casamos em 30 de novembro de 1930. Agora fizemos bodas de ouro, havia __________ retratos __________ .

P/1 -  Família mais linda __________ filhas, netos __________. O senhor chegou aqui foi... Você disse que tinha alguém, parente que estava __________ . O senhor falou esse parente trabalhava, um ambulante? 

R - Um ambulante também. 

P/1 -  E vocês trabalhavam ligados a quem? Quem é que fornecia mercadoria para vocês, quem é que... 

R - Comprava à vista, comprava meias de senhora de seda, meias de seda. Tinha uma loja na Rua da Alfândega chamada __________ todos os nosso patrícios vai lá comprar mas tem um prazo de uma semana e depois você paga, se não pagar você não tem necessidade de ter o crédito. 

P/1 -  Me diga uma coisa, muitos que vem dessas regiões e mesmo de outras regiões da Europa trabalharam quando chegaram ao Brasil como ambulantes. Havia mercado para tanta gente trabalhar assim, viver e se desenvolver? 

R - Cada um vai pra um lugar, pra..., pra Catete, pra subúrbio batia de porta em porta... Meias, meias, meias, meias, meias de senhora, meias de senhora, de criança __________ um pouco porque só trabalho com senhoras. 

P/1 -  O senhor quando chegou aqui no Rio, o senhor morou aonde? 

R - Rua do Senado, 238. Com mãe do Leon Eliachar, __________. Leon Eliachar, Sarina Eliachar. 

P/1 -  Agora, o que era _________________ , ela alugava vagas? 

R - Quarto, quarto. Cesar Eliachar era marido dela, vendedor de livros lá para os estados de Santa Catarina, São Paulo, __________ tinha um filho que era Leon e tem outro, esse senhor menor que chama __________ e tem outra menina. Eu morei com ela junto com um rapaz chamado José Farhi. 

P/1 -  Jose Farhi? 

R - Esse primo de irmão __________ , de irmã __________ . 

P/1 -  Mas com seu parente o senhor não foi muito bem? 

R - Meu parente ficou aqui até 1955, depois foi para Israel e faleceu em Israel. 

P/1 -  O senhor foi lá visitá-lo, foi a Israel? 

R - Fui quando ele já tinha falecido. 

P/1 -  E o senhor voltou para o Líbano depois que já havia falecido, o senhor voltou para o Líbano depois que veio para o Brasil? 

R - Não, eu fui em 1951 para Israel visitar minha família que estava lá e convencer para trazer a família para Israel para morar em Israel e comprar uma casa em Israel, procurava comprar uma casa, comprar uma casa em Israel. Depois eu vi a família em 1952 parece. Assim espero ficar, ele chorava não acreditar que nosso jardim __________ minha senhora fica _________ lá tinha quatro irmãs e família grande, minha família é grande, ela não, não concordou ficar lá __________ trazer ela para o Brasil __________.

E- O senhor passou quanto tempo em Israel? 

R - Quase dois anos. 

P/1 -  Quase dois anos. E nesse meio tempo, o que que o senhor estava fazendo lá? 

R - __________ um irmão que tinha um restaurante de carne. 

P/1 -  Um restaurante? 

R - Restaurante de carne.

P/1 -  E era comida síria ou comida...

R - Comida síria. 

P/1 -  Comida síria. 

R - O pessoal do Carmel tudo árabe, como húmus e vinho e... Naquela época não tinha carne, não podia usar carne, era tudo verdura e legume, ovos, muitos ovos, na frigideira, fritava...

E – Lá em Israel? 

R - Israel. 

P/1 -  E lá na sua terra Aleppo comia-se a mesma coisa assim? 

R - Não, comia bastante verduras, havia fartura sim, não faltava nada, muito barato tudo, ótimo. 

P/1 -  E era uma comida diferente? Uma comida...? 

R - Ashkenazi e sefaradi, cada um tem uma costume de comida. Comida e, cada família tem costume e de comida. Umas tem __________, tem shochet kasher, tem __________ religiosas, __________ francesas, Alliance Française, tem tudo organizado, mas depois nós fomos viajar. Mas infelizmente saí de lá __________ meu filho, meu irmão __________ também está __________ nasceu a minha sobrinha __________.

P/1 -  E aqui o livro de rezas? 

R - É, este que a gente lê uma vez por ano na Oshana Raba, no fim de Sucot __________. Nasceu Mazal, filho do meio irmão Eliahu no dia de quinta-feira 25 de adar 5686 __________... 

P/1 -  Este livro está impresso em Viena, né? 

R - Viena, esse era do meu pai, era do meu pai, esse... Herança do meu pai.

P/1 -  Não tem assinatura. 

R - Depois comprei alguns livros em Israel e Síria, livros de reza, livros de chumash, Torá, Torá, Chumash. 

P/1 -  Se o senhor puder mostrar para a gente os livros….

[corte da gravação]

P/1 - E mesmo com essa viagem toda a família se manteve religiosa? 

R - __________ Moshe Duek... do meu pai. 

LADO II

R - __________ do meu pai. 

P/1 -  Essa aqui é a letra do seu irmão? 

R -- Essa é do meu irmão. __________  Mosher __________ .

P/1 -  A data desse... Aqui, desse... Tem uma data em hebraico?

R - Hebraico, __________ 602. 

P/1 -  6502? 

R - 5602, em Roma, em Roma, na Itália. 

P/1 -  __________ esses livros __________.

L - Yom Kipur e __________ . 

P/1 -  __________ foi impresso em Viena, né? __________... 

L- Viena. 

P/1 -  Todos estes foram do seu pai? 

R - É. Este comprei eu quando viajar comprei uma __________ . Isso escrito em __________ .

P/1 -  Todos são de __________ ou só esse, só o de Yom Kipur que é escrito em __________? 

R - Algumas... __________  em __________.

P/1 -  Hebraico? 

R - Hebraico. Umas explicações, com certeza __________ Espanha. 

P/1 -  __________.

R - Domingo, dia 20, domingo, dia 20. 

R – Domingo... Não, fala com ela. [interrupção]  __________ entrevista para a A.R.I. Explica no final dessa entrevista o que é. 

P/1 -  O final são vários... 

[desliga o gravador] 

R - E tem a loja na avenida Rio Branco, 120 - loja 20. 

P/1 -  Trabalha com que? 

R - Calças, calças __________. 

P/1 -  E o outro?  

R - O outro trabalha na companhia Embratel, engenheiro eletrônico. 

P/1 -  Engenheiro. E a sua filha?

R - Minha filha tem loja de joalheria. Vende pratas, agora não tem mais Joalheria, na rua Constante Ramos. Ela mora aqui, nessa rua.

P/1 -  Ela mora aqui? 

P/1 -  A loja dele é que é na...

R - Constante Ramos. 

P/1 -  Os três filhos moram aqui na Tijuca? 

R - Não, só a minha filha, os outros estão em Copacabana. Um na Avenida Vieira Souto e outro na... Qual a rua que mora Nissim? A rua que mora Nissim, como se chama... Aquela rua Anita Garibaldi. 

P/1 -  O senhor estava nos contando a sua lojinha de gravatas quando o senhor conheceu D. Laura. Depois que o fiscal veio fechou a sua loja, o que que o senhor passou a fazer? 

R -Passei... Depois procurei abrir urna outra na rua da Assembleia, vender gravatas. 

P/1 -  De novo. Com selo ou sem selo?

R -Com... Sem selo. A vida começou assim, muito dura. 

E O senhor já tinha casado, já era casado? 

R - Estava casado, tinha filhos, tinha __________ 65, outra 76, outra 39. Esse comecei a trabalhar, 194..., 35 também comecei a trabalhar, 1935, na rua da Assembléia, número 18. Abriram uma porta de escada, botaram o balcão primeiro andar aquele suporte de gravata e __________  tira e guarda e bota lá em cima tem um alfaiate, Francisco Alves, um alfaiate. 

P/1 -  Ele é que fazia as gravatas? 

R - __________ mercadoria __________ vendendo __________ 1965 __________ junto com minha filha. Primeiro comecei com Rafael Mizrahi. Trabalhamos juntos, depois separamos. Trabalhei com minha filha, com meu filho, a história é muito grande se vai escrever isso... 

P/1 -  É isso que a gente quer. 

R - Está gravando. E... Fomos assaltados de sábado para domingo, tá? Fechado eles do teto, arrancaram as telhas, desceram para baixo, quebraram os cofres e tiraram a mercadoria. Tornamos a consertar, fazermos o serviço direitinho, botar uma porta de ferro, janela de ferro, tudo de ferro e chegaram depois os __________ assaltar e não conseguiram entrar. Entraram pela loja de baixo, papelaria, mas papelaria não tem nada de valor __________ . Levantaram a porta, abriram, eles queriam entrar. Tinha uma escada de madeira, serraram um degrau de madeira e subiram lá em cima, queriam entrar, não tinha porta para entrar, estava tudo fechado. Aí pegaram uma picareta, a parede entrou lá dentro e começaram a procurar o cofre com uma picareta de ferro deste tamanho __________. Sábado e domingo não tem ninguém, trabalharam direitinho. Chegamos segunda feira achamos tudo arrebentado. 

P/1 -  Nunca descobriram as pessoas, nunca descobriram quem tinha feito, nem desconfiaram? 

R - São só assaltantes, esse pessoal vem de manhã, vem durante a semana olhando... Assim... Espia, finge que quer comprar e no fim da semana vem um grupo de três ou quatro fazer o serviço. Depois pronto __________ liquidamos, minha filha quis continuar a trabalhar sozinha e começou a trabalhar __________ estou vivendo de renda de apartamentos alugados que dá uma mixaria. Agora vamos ver se melhora um pouco __________ CZ$400, CZ$500, CZ$600, esse congelamento paralisou tudo. 

P/1 -  Então, o senhor ficou com jóias de 1960 e poucos até...

R - Até setenta... Até oitenta e cinco. 

P/1 -  Até 1985. As joias já foram praticamente 25 anos, né? E a gravata ficou... 

L.D - Eu queria falar, conversar com um sócio da comunidade da __________. É sobre haver um lugar, um salão...

R - Ela quer arranjar... 

L .D - __________ um salão casamenteiro, casamenteiro para chamar atenção, divertir para ir para chamar atenção para desquitado, separado, para divorciado, para pessoas que são solteiras porque muita gente da nossa colônia, nosso, casando com outra religião e a maioria vê tudo isso da timidez, parte da moça e parte do rapaz com timidez se casa com outras religiões e se os pais fizessem propaganda iam chamar atenção para que domingo, Silvio Santos não tem parte de casamenteiro se casa __________  para se alegrar o coração do judeu essa rapaziada __________ não ficar com medo. Aqui tem de tudo: moça, rapaz, escolha, não precisa acanhação, não precisa de timidez, não precisa para, evita muito casamento misto, evita muito. Eu estou dizendo a meu marido onde se teve... 

R - __________ como este, ela quer falar com um __________ como este que __________ na televisão se pode… Senhora __________ casamenteiro, casamenteiro. 

P/1 -  Isso é fácil, é só ligar para ele. 

R - __________ que hoje oito e meia na rádio mundial israelita, oito e meia, rádio mundial. 

P/1 -  Para falar com ele não é muito difícil. 

R -  A senhora sabe que os clubes hoje estão muito ocupados estão fazendo isso, estão fazendo encontros para meia idade, para pessoas descasadas, desquitadas que possam se encontrar. A A.R.I. está fazendo isso, a Hebraica está fazendo isso, o C.I.B. está fazendo. Tem para pessoas desquitadas, de pessoas de 30, 40 anos. Ela quer as moças, a juventude também. 

L.D - __________ meu parente, ele é acanhado, quer casar, jovem ainda, quer casar mas ele é tímido, vergonha de entrar e sentar e pedir o __________. Nós temos que tirar isso como o brasileiro faz, a gente não para não, porque é pena, todo dia acho que tem casamento: fulano vai casar com fulana, e gói fulano que vai casar com fulana, gói, todo dia escutar isso, não tem mais __________, não tem mais o que dizer porque eles se casam com gói. Se ele se força esse programa, era forçar para casamento. Viúva, separada, desquitada... 

R - Solteiros. 

L.D - Não acha que vale a pena falar... 

P/1 -  Claro, vale. 

L.D - Uma coisa assim __________: é dia de casamento para ninguém ficar com medo, com vergonha, isso não é  vergonha. Todo mundo é __________, cada um aparece uma __________ e se apresenta que quer casar. 

P/1 -  É verdade. Isso a gente vai pensar até ver se marca um encontro com o senhor __________. Mas tudo bem. O senhor, então, voltou, ficou com a gravata até ir pra Israel? 

R - É. 

P/1 -  Certo. O senhor foi para Israel, passou dois anos lá e voltou. O que o senhor vez na volta? O senhor voltou não tinha mais nada, não é? 

R - É, não tinha nada. 

P/1 -  O que tinha devia ter gasto na viagem...

R - Necessidades do __________.

P/1 -  Aí o senhor voltou e fez __________.

R - __________ joias. 

P/1 -  Entrou nas jóias direto. O que o senhor gostaria ainda de contar, uma coisa mais marcante que possa servir de lição, por exemplo para as gerações. 

R - Como? 

P/1 -  Uma mensagem que possa servir de exemplo, de lição? 

R - __________ conhece __________? 

P/1 -  Conheço de nome. 

R - __________ era __________ na Assembleia, estava endividado, muito dinheiro __________ todos os títulos dele estavam em protesto lá no cartório __________ Michel Levy dez mil cruzeiros e passei cheque com ele e... Para ele pagar a dívida dele e __________ ficar com a metade. Eu, com pena, com interesse, entrei com dez mil... Dez contos de réis com ele, ele pagou todos os títulos que estavam em protesto, começou a trazer mercadoria e trabalhar e levantar a firma. E ele trabalhava, ele e a família, tem sete ou oito filhos. Ele __________ retirada __________ retira, não retirou, passaram-se quase dois anos e nós éramos... Cada um do grupo precisasse __________ mercadoria, cada empresa uma mercadoria. No fim __________ também estava dividida com uma companhia Ultragaz. Ultragaz tinha na rua da Assembleia, 56, parece, 56, 58. Eles exigiram sair logo daí, ele não tinha mais contrato, expulsaram a gente de lá. Tiramos as mercadorias, tiramos os móveis, botamos tudo num canto __________ lá, casa de __________ e depois cadê? - Fico devendo, não tenho, não tenho. Depois disso fui trabalhar com outra firma vendendo linho para __________. Eu, já sei o que vou fazer, comprei uma loja na rua Marechal Floriano, 144, tinha uma loja no __________, 144. Acabei que comecei a vender camisas, pijamas, gravatas. 

P/1 -  E o senhor foi vender as mercadorias que estavam...

R - Encalhadas. Depois, ela se __________ grande na rua da Alfândega mas __________ entrar em protesto __________ dele e viva e se não ele ia ser protestado nunca... Mas não é nada, eu falava, o filho dele me perguntava: É verdade que você __________ com filho dele Henrique, Henrique. A vida passou assim: __________ bem jogando mal, um dia a gente acha.

P/1 -  Pelo menos __________ os filhos, depois os netos. Na sinagoga quando é que a gente pode ir fazer os... Quando a gente pode ir para a sinagoga para tirar os retratos e ver as coisas?

R - Domingo. 

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