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História

Palmeirense desde o nascimento

História de: Marcelo Palaia Giannoni
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 20/12/2013

Sinopse

Em seu depoimento Marcelo lembra a sua origem italiana e como desde cedo começou a torcer pelo Palmeiras. Fala da emoção de assistir os jogos nos estádios, afirmando que o estádio é um local de culto ao futebol. Recorda alguns jogos marcantes do Palmeiras e a participação do Brasil em copas que assistiu. Finalizando falando sobre o trabalho que desenvolve na área de marketing esportivo e a sorte de ter um enteado, também palmeirense, que é atualmente o seu grande companheiro de estádio.

 

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História completa

Meu nome é Marcelo Palaia Giannoni, nascido em São Paulo, capital, na Avenida Paulista.  Eu nasci em dia 21 de outubro de 1969. Meu pais são de São Paulo também, da capital. E meus avôs da Itália, tanto por parte de pai quanto por parte de mãe. Eu sou italiano, mas é uma mistura entre Brasil e Itália, porque meu avô de parte paterna é brasileiro e minha avó é italiana. E o meu avô de parte materna é italiano e minha avó é filha de italiano, é brasileira, todos são italianos. E é uma mistura interessante, porque é uma mistura da baixa Itália com a alta Itália, então eu realmente sou italiano, em todos os sentidos. Acho que como todo italiano que vinha naquela época, vinha em busca de fuga da pobreza, de um novo horizonte, busca de dinheiro, da guerra, aquela história toda da vinda do povo italiano para o Brasil. Meu avô trabalhava com ferro e aço. Ele fazia compra e venda de ferro e aço, inclusive, meu pai até hoje faz isso também. Ele era comerciante, então ele trabalhava com chapas, tinha uma empresa de venda de ferro e aço, trabalhava muito com a indústria automobilística, muito com a indústria automobilística na fabricação dos carros. A minha avó era dona de casa, cozinheira de primeira. Cuidava dos filhos. O meu avô materno veio como sapateiro. E assim, veio como sapateiro, depois foi dono de fábrica de sapato, depois meus tios montaram uma imobiliária, então mexeu com compra e venda de imóveis, locação de imóveis.

Meus avós maternos moraram em Pinheiros e Vila Madalena, os paternos em Bom Retiro, sempre nas colônias italianas.  O pai da minha mãe, meu avô materno, era amigo do meu avô paterno e acabou que os filhos se casaram. Moraram em Pinheiros também. Sempre por aqui assim, por Pinheiros. Minha primeira casa foi na Heitor Penteado, Vila Madalena. Depois eu vim para Vila. Agora eu moro na Pompéia de novo.

Tenho dois irmãos. Sou o último. Meu irmão chama Renato, minha irmã chama Nair. Na escadinha é meu irmão, minha irmã e eu. A diferença é uma diferença relativamente interessante, meu irmão tem nove anos de diferença para mim, a minha irmã tem seis, então eu fui raspinha do tacho. Eu era o último, o pequenininho, cheio de cuidados pelos meus irmãos, tinha uma relação com eles muito legal e até hoje perdura assim. Minha casa era grande, tinha um quintal, a gente jogava bola, começou ali a paixão pela bola. Um sobrado, tinha uma cozinha grande, casa antiga.  Um caso interessante é que minha casa virou sede do metrô da Vila Madalena, da Estação Vila Madalena. Hoje é umas das bases de controle de metrô a minha casa.

A bola sempre esteve muito presente, sempre gostei muito de esporte, meu irmão também sempre gostou muito de esporte, meus primos também. No quintal de casa a gente jogava bastante bola, nos colégios onde eu passei, que eu também joguei muita bola, mas não necessariamente o futebol, eu pratiquei todos os esportes, sempre. O esporte que eu me dediquei mais foi o handebol, onde eu joguei mesmo em clube, depois até fez parte da minha vida profissional num momento. Mas na verdade eu acho que o esporte em si, ele fez parte da minha vida desde a infância, em todos os momentos. Eu não me lembro de algum momento que não seja fazendo esporte, praticando esporte.

Cresci no estádio de futebol, vendo jogo de futebol. Eu me lembro do primeiro jogo que eu fui: Palmeiras e São Paulo no Pacaembu. Se você me perguntar o resultado, eu lembro que foi um resultado de empate, mas eu não lembro efetivamente de quanto. Eu acho que 0 a 0, decepção. Ir a primeira vez e não ter gol. Eu não lembro exatamente, mas eu sei que foi no Pacaembu, foi meu pai que me levou.  Nasci palmeirense, todos nascem palmeirenses na minha família. Fui sócio do Palmeiras. Na verdade, a minha história com o Palmeiras é uma história que vem de família, porque meu avô de parte de pai foi conselheiro vitalício do Palmeiras por muito tempo.  A gente tem ainda um sítio em Valinhos, perto de Campinas, onde meu avô era tão palmeirense, que ele construiu uma concentração para o Palmeiras.  E a minha família de parte de mãe, ela tem uma profunda participação na história do Palmeiras. O meu tio, o irmão da minha mãe, foi basicamente todos os cargos possíveis do Palmeiras, até presidente. Ele foi diretor de futebol, diretor financeiro, vice-presidente, chegou a ser presidente numa época. Então, é muito ampla a história da família com o time.

Quando você nasce torcedor de um time, você não tem muita coisa que faça com que você lembre efetivamente daquilo. As lembranças eram as camisas, era a cor, a cor do Palmeiras é uma cor verde, então é muito impactante. Então, quando você é criança, aquilo te atrai demais. Então, eu lembro vestidinho de criança de palmeirense sempre, já ficando nervoso, já torcendo, desde pequenininho. No caso do futebol, em geral, eu tenho algumas lembranças da seleção, uma lembrança que eu tenho muito clara na minha cabeça foi na Copa de 74, assistindo à Copa em TV branco e preto ainda, era na Alemanha. Depois a Copa da Argentina, em 78, eu lembro muito mais. Lembro-me da tristeza da Copa de 82, essa claramente, essa eu tenho uma lembrança muito triste, era luto, parecia que alguém tinha morrido.

Eu ia no Parque Antárctica e no Pacaembu também, são dois estádios de maior frequência. O estádio é um local de culto, é um local onde você consegue transferir algumas emoções, transferir não é a palavra certa, mas talvez soltar algumas emoções, onde na vida real você é mais contido, você tem algumas barreiras, onde você não pode demonstrar tanto amor, tanta paixão, tanto nervoso, tanta alegria, tanta felicidade, como dentro de um estádio de futebol. Eu realmente tive o prazer e a minha vida inteira eu fui um torcedor de estádio.  Nunca gostei de escudar pelo rádio. Eu sou da época que as pessoas da minha idade sofreram muito com o Palmeiras na infância. O Palmeiras ficou um tempo sem ganhar título, então, a gente teve uma carência muito grande de vitória naquela época. O último título tinha sido em 73, se eu não me engano, ou 76, eu tinha sete anos, depois foi ganhar em 93. Então, esse buraco trouxe para gente muito sofrimento. Em compensação, depois que ganhou os títulos, a gente teve muita alegria, ganhou o título em 93. Depois de 93, eu posso te falar de alguns que são meus ídolos dentro do futebol até hoje. O primeiro, sem dúvida nenhuma, o Edmundo. Na minha modesta opinião e no que eu vi em campo, talvez o maior jogador que tenha vestido a camisa do Palmeiras, deu muita briga por causa disso. Tem outros, óbvio, São Marcos, que é o nosso eterno ídolo, também um cara que trouxe muita emoção para gente, suas defesas extraordinárias, seu jeito de ser, sua forma palmeirense, aquela conexão com a torcida do Palmeiras. Outros jogadores também me encantaram muito, Evair me encantou demais, também um craque, Mazinho me encantava demais também, Paulo Nunes, Antônio Carlos, Cafu, Roberto Carlos.

Eu estudei na Rainha da Paz, estudei no Palmares, estudei no Rio Branco, estudei no Fernão Dias Paes, estudei no Objetivo. Sempre pouco, nunca tive uma escola que eu fiz minha vida inteira, sempre foram dois, três anos, e eu mudava. Não era muito bonzinho, nunca fui muito bonzinho. Sempre fui da quadra, então quem é muito da quadra é difícil ser da classe. É um pouco diferente. Mas eu praticava muito esporte nas escolas, disputava no colégio campeonatos.

O primeiro título do Palmeiras na minha vida foi em 93. Claramente, eu estava lá. Palmeiras e Corinthians no Morumbi. Era praticamente uma seleção. Não existia a menor possibilidade de não ter ganhado, era um time muito forte mesmo, era praticamente uma seleção brasileira. Lembro do Morumbi, lembro daquela euforia de estar ganhando um título depois de tanto tempo, lembro disso. Você ia para Paulista comemorar e tal. Chorava abraçado aos meus primos, a minha irmã, a minha irmã sempre foi uma companheira de estádio. É engraçado isso, mas era a minha irmã. O meu irmão foi muito a estádio comigo, mas a minha grande companheira de estádio, por muito tempo, foi a minha irmã. Ela realmente era uma palmeirense fanática, tanto quanto eu.

Lembro-me da Copa em si, a de 74. Eu me lembro de 78, a Copa na Argentina, eu lembro claramente da Argentina sendo campeã, mas também não lembro com quem e como. E depois eu me lembro de 82, aquela grande tristeza, o luto do Brasil perdendo da Itália ainda, que era assim, nossa família, nosso amor. Que hoje é um dos meus amores. É óbvio que eu torço pelo Brasil, eu sou brasileiro, mas eu fico bem complicado. Na final de 94, quando o Brasil ganhou da Itália nos pênaltis, eu assisti ao lado o meu avô, que era italiano, e o Brasil não ganhava o título há muito tempo, há 24 anos, na verdade. Ele ganhou em 70, depois ele foi ganhar em 94. E eu lembro que eu assisti à final ao lado do meu avô, de mão dada com o meu avô. Eu via nos olhos do meu avô a tristeza pela Itália perdendo, mas a alegria de ver a família toda feliz, porque a família dele era brasileira, ele tinha feito uma família brasileira.

Na verdade, pelo meu lado esportista, meu caminho sempre foi trabalhar com esporte. Eu desejava o esporte, eu queria trabalhar com esporte. Eu fiz Educação Física em Mogi das Cruzes. Eu ia e voltava todo dia. Muita gente fazia esse trajeto de trem, a gente fazia num ônibus fretado. A gente pegava um ônibus fretado de manhãzinha bem cedo e voltava depois do almoço. E a faculdade de Educação Física é muito legal, você pratica muito esporte, você faz muito esporte, você aprende muito esporte, você está o tempo inteiro sem camiseta tomando sol na pista de atletismo, na piscina. Você está trabalhando aquilo, o esporte em si, e normalmente é outdoor, em alguns momentos ginásios. A gente está sempre bronzeado e não está naquela coisa da sala de aula. Obviamente que a gente tinha aulas teóricas também, mas era uma proporção igual. Então, enquanto as outras profissões faziam 100% de aulas teóricas, a gente fazia 50, e 50 aulas práticas. Então, foi uma faculdade muito legal, uma fase muito legal da minha vida a minha época de faculdade, eu tenho amigos até hoje dessa época. Eu acho que eu tenho muito mais lembrança dessa época do que da minha época de escola, eu acho que a faculdade foi muito marcante para mim. Na verdade, na área de educação física, eu fiz um pouquinho de tudo. Eu trabalhei em academia, eu trabalhei em escola e eu trabalhei com esporte, especificamente, sendo técnico de handebol por muito tempo. Então, a área onde eu mais me identifiquei foi na parte de treinamento, como técnico. Fiquei quase oito anos trabalhando como técnico de um colégio em São Paulo, formei grandes atletas. Então, isso foi muito legal. Eu sabia que estava me faltando algo dentro da cadeia do esporte, eu queria alcançar outros objetivos mesmo, como objetivo de vida, nada fora isso. Eu fui procurar estudar, fui me especializar em algo que eu não sabia. Comecei com uma pós-graduação de Comunicação na ESPM. Fiz essa pós-graduação, dessa pós-graduação eu já comecei a trabalhar em agências específicas em marketing esportivo.  Comecei numa agência chamada Impact Sports Marketing, depois eu trabalhei numa produtora de eventos portuguesa chamada João Lagos, que trabalhava com tênis e golfe. Eu tive a minha primeira agência, chamava Visa Esportes. Eu tive os meus primeiros clientes. Eu estou te contando os principais, mas eu tive outros, “N” clientes importantes e outros projetos bem importantes dentro do esporte. Mas depois disso eu comecei a trabalhar com a Gol, empresa de aviação, também num projeto de plataforma esportiva, onde a gente teve todo tipo de ações. Começou com uma equipe de atletas patrocinados e virou vários eventos.  Acho que começou em 2001 ou 2002. A gente começou com oficinas para alunos de graduação, depois a gente começou com cursos de férias, inclusive cursos de férias que eu dou até hoje.

Eu acredito que no futebol sempre teve investimento. No futebol, quando a gente fala de investimento, a gente está falando já um tempo maior, uma história mais antiga. Mas no esporte realmente, eu acho que quando o Brasil anunciou o Pan-americano, isso foi em 2004, mais ou menos. Mais ou menos em 2004, 2003, 2004, quando o Brasil anuncia que vai ser sede de Pan-americano. Eu acho que as pessoas começam a enxergar o esporte como realmente uma ferramenta.

Eu tenho alguns companheiros hoje de estádio, mas eu acho que talvez o meu maior companheiro de estádio hoje seja meu enteado. Eu tenho um enteado que considero como filho, que é palmeirense também. Tive a sorte de encontrar um palmeirense na minha vida também, já nascido palmeirense.

 

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