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História de: Anatália maria Duarte Silva Lopes
Autor: Anatália maria Duarte Silva Lopes
Publicado em: 12/12/2013

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História completa

Por muitas vezes em minha vida repeti a seguinte afirmação: Não penso sem caneta ou lápis à mão. Sempre que me colocava ao lado de um aluno para uma explicação, antes de começar sempre pedia por um lápis ou caneta. Era um ritual, uma mania, sei lá... Só sei que sempre foi assim. E hoje, me vejo contradizendo esta regra que sempre regeu meus pensamentos. Cá estou, na minha cama, sem sono, com a caneta a postos e nenhum pensamento. O coração está livre, o cérebro disponível e o tempo à mercê de minha vontade e não sei sobre o que tratar, o que escrever... Diante dessa inesperada falta de assunto fui buscar construir algum pensamento num terreno onde o imprevisível, o imaginário se juntam, onde não há amarras, não há partida, nem chegada, só caminho. Resolvi trilhar por aí. Meu sonho durante toda vida foi escrever - não só escrever, mas me dar a conhecer: queria publicar. Mas nunca consegui algum jeito, uma fórmula que me ensinasse como fazê-lo. Há uns sete anos atrás descobri que poderia compor - letra e música, harmonicamente e com isso ser feliz e penso que até fazer feliz. Desde menina me vi envolvida com a música. Festivais, estudei piano. Como tocadora sou medíocre. Como assoviar e chupar cana são para mim tocar e cantar, fiquei com o cantar. Cantei composições minhas, mas sempre as achei infantis. Faltava um quê, que eu não sabia qual era. Foi então, num curso de Canto Pastoral em Aparecida, São Paulo, senti que, se eu permitisse, se abrisse minha alma e deixasse fluir, a música brotaria sem medo. Nasceria o canto do meu coração, a expressão mais verdadeira do que eu sou e sinto. Assim como dar à luz a si mesmo. Eu que já tive três filhos, sinto que compor traduz a sensação do nascer. É uma dor tão profunda que parece não doer, é um êxtase que transcende o instante, tem gosto do infinito no agora. Eu me sinto inteira em cada nota, em cada palavra. Na verdade, eu sou aquela música. Ela me revela, escancara minhas verdades ao mundo. Sou plenamente, sem reservas. Sou simplesmente. Eu. Tomar conhecimento disso, foi o marco zero onde começaria o meu futuro. Nos momentos em que a razão queria falar mais alto, o espelho mostrando que estava meio velha para começar tal empreitada; me mirava em mulheres que começaram também maduras e que chegaram lá, felizes! Se elas puderam, porque eu não? Eu também posso. E vou.
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