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Oscar Arruda dAlva - História de Mudança

História de: Oscar Arruda dAlva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/08/2005

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História completa

P – Qual o seu nome, data e local de nascimento? R – Oscar Arruda DAlva. Nasci no Rio de Janeiro, em 1975. P – Qual o nome do seu projeto? R – Instituto Sertão, inicialmente situado em Santana do Acaraú, no Ceará, e agora em outros municípios do interior do estado. P – O que estava acontecendo na sua vida quando você conheceu a Ashoka? R – Estava saindo da Universidade. Estudei em São Paulo, mas minha família é toda do interior do Ceará. Ter nascido no Rio foi uma casualidade. Sou formado em Administração de Empresas e, no final do curso, ao pensar no meu futuro profissional e quais as direções que eu teria que tomar, me deu vontade de voltar para o Ceará. Sempre me inquietou muito a questão do modo de vida na zona rural; a questão do semi-árido, as condições e as oportunidades para essa região. Quando ouvi falar da Ashoka, eu acabara de participar de um concurso de projetos sociais, onde apresentei a idéia do aproveitamento de uma palmeira, a carnaúba, resistente às condições do clima semi-árido e com muitas possibilidades de uso. Esse projeto, que chamei de Árvore da Vida, não foi aprovado, mas posteriormente consegui um pequeno financiamento e voltei para o Ceará. Comecei a implantar a idéia no município de Santana do Acaraú, paralelamente ao assentamento rural na região. Estava com 22 anos, recém-formado, e praticamente morando nesse assentamento rural, quando entrei em contato com a Ashoka. Mas só um ano depois é que fui entrevistado e me disseram que a idéia estava bem no início. Nesse ano, 1998, me dediquei inteiramente a esse trabalho e com algumas pessoas da comunidade implantamos o primeiro núcleo de beneficiamento da carnaúba.

Depois da primeira etapa, a certeza de que ia dar certo
P – Como foi e o que representou esse processo de seleção? R – Ainda em 1998 eu fui entrevistado pela segunda vez e estava no meio da execução do projeto, com uma série de dificuldades, porque eu não tinha como me manter. Os poucos recursos não eram suficientes, o projeto ainda não estava concretizado e minha idéia foi considerada ainda imatura para ser acolhida pela Ashoka. No ano seguinte, em 1999, participei da terceira e decisiva entrevista, que durou sete horas. Eu já estava mais seguro porque havia sido bem-sucedido na primeira concepção do modelo do projeto. Quando você sabe que cumpriu uma etapa e tem certeza que se encaixa no conceito de empreendedor social, de compromisso com a ética, você passa a acreditar que sua idéia realmente pode se concretizar. E o fato de você se expor tanto e defender ferrenhamente sua idéia te fortalece, embora seja duro, mas é um dos pontos positivos da Ashoka. P – Como foram os primeiros três anos? R – Quando me tornei fellow da Ashoka, já tinha um círculo de pessoas unidas em torno de idéias na comunidade em que estava trabalhando, mas ainda me sentia muito sozinho, num mundo de sonhos, de idéias, despreparado e tendo que enfrentar uma série de coisas, sem saber ao certo, apesar de todo processo, qual o próximo passo a ser dado. No primeiro ano, comecei a atirar para todos os lados, a enviar projetos, tentando multiplicar a idéia. No meio de tudo isso, havia a contradição entre a cidade – sou muito urbano – e o trabalho em área rural. E o que me deu força foi o fato de os agricultores acreditarem e se apropriarem do projeto.

Mais educação do que pura e simples alternativa econômica
No segundo ano, já como fellow, e com a participação de alguns amigos, criei o Instituto do Sertão. Com esse grupo de pessoas, voluntárias como eu, o projeto começou a crescer. A idéia, que antes estava só restrita ao aproveitamento da carnaúba, foi ampliada para a busca de outras soluções para o semi-árido, como trabalhar com a comunidade, com o ser humano. Com essa perspectiva, outras pessoas foram chegando e hoje o Instituto do Sertão trabalha muito mais com a educação do que com alternativa econômica pura e simplesmente. O trabalho está mais focado na questão da transformação do indivíduo, através da formação dos adolescentes. A carga de trabalho no segundo ano foi intensa, com a aprovação de projetos, e fiquei estressado. No final do segundo ano saí do projeto por um tempo, viajei para o Amazonas para refletir no meio do mato, pensar em tudo o que estava fazendo. Nesse meio tempo, minha filha estava para nascer e isso foi muito importante para eu sentir que não estava batalhando sozinho por um sonho. Voltei para o projeto com mais energia e com a certeza de que é isso o que vou fazer em toda a minha vida. E uma das coisas em que pensei muito foi na palavra perseverança, que ouvi durante o processo de seleção. Por mais que seja complicado, a gente não pode deixar a peteca cair. É importante também passar isso para as outras pessoas, porque as transformações acontecem com o tempo. P – Nesse período como foi a relação com a Ashoka? R – A Ashoka é feita de pessoas muito especiais, tanto dentro da organização quanto no grupo que ela acolhe, os fellows. Percebi isso desde o princípio e se criou uma relação de confiança, que normalmente você não encontra em outros grupos, em outros lugares. E acredito que esse espírito tem de ser preservado. Profissionalmente, essa relação depende de como anda o projeto. Nos momentos em que precisei de informações sobre financiadores, sobre cursos, sempre fui atendido. Tive a oportunidade de sair do país para participar de um evento na Áustria, depois de uma capacitação na Califórnia, e nas duas vezes a intermediação foi da Ashoka. Outro fato importante é estar ligado à Ashoka, o que dá muita credibilidade, além da possibilidade do relacionamento com os fellows.
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