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História

Os mais de 50 anos da Sorveteria do Geraldo

História de: Renato Caramori
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/06/2021

Sinopse

Lembrança dos avós vindos de Treviso, Itália. Memórias da infância na Vila Virgínia.  Mudança para São Paulo. Crescimento e responsabilidade com a sorveteria. Lembranças do centro antigo da cidade de Ribeirão Preto. Lazer e tempo livre. O comércio e suas lições. Sorvetes e seus tipos. Escola e faculdade de Direito. Expansão e pensamentos sobre o futuro. Tipos de clientes e fregueses. Feedback dos clientes.  Novos sabores.

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História completa

          Meu nome é Renato Caramori, e eu nasci em Ribeirão Preto, no dia 3 de dezembro de 1964. Meu pai e o irmão mais velho haviam arrendado umas terras para o plantio de hortaliças e batatas, por isso ele foi para Franca um período e depois voltou a São José da Bela Vista. Foi quando meus pais se conheceram e se casaram, em São José da Bela Vista, Franca.

          Mas eles tiveram um problema com  geada, então ele juntou algum dinheiro, e veio para Ribeirão tentar algo novo para melhorar essa situação, e entrou como empregado numa sorveteria chamada Oscarino. Aí, depois de um tempo, ele resolveu montar a própria sorveteria; ele saiu e alugou um ponto na Rua General Osório, número 71. Meses depois, veio um outro funcionário da primeira sorveteria, que é o José Aparecido Cândido, e ele está conosco até hoje. Nós temos um carinho especialíssimo por ele. Aliás, por todos os funcionários. São pessoas que herdaram a sorveteria. Eu tenho um respeito enorme por eles todos. Vivem muito bem, apesar de ser um comércio simples.

          Eu digo que a sorveteria parece um comércio antigo por fora, mas é moderna por dentro. Todos... todos vivem bem. Não só eu, mas todos. Meu pai teve essa visão, de não querer só para ele. Isso fez com que perdurasse. Vocês estão fazendo a pesquisa de um comércio que ficou 56 anos em pé. É difícil.

          E ele inaugurou essa sorveteria com pouco dinheiro; na época ele não tinha dinheiro nem para pôr letreiro. Eles pintaram: “Aqui, breve, uma sorveteria”. Mas o meu pai tinha uma mão muito boa para cozinha, ele aprendeu muito bem. Ele começou a criar receitas próprias, ele fazia um sorvete, com aquele vermouth Florio. Existe até hoje, é bem caro hoje em dia. Ele fazia o crocante com torrone especial e sorvete de coco. Tudo era muito mais difícil. Até ontem, eu lembrava com o Zé que a gente não tinha um fornecedor, porque tudo que se faz na sorveteria, os sorvetes de frutas, eles são feitos com frutas, mesmo. O sorvete, hoje, migrou para uma produção mais industrializada, mais fácil, vamos dizer. Mas nós temos o sitiante, ainda, que nos fornece a goiaba, nós temos o sitiante que traz o mamão. Então, nós temos uma ligação na cidade, muito antiga, uma coisa até gostosa.

          Nós estamos agora com o cajá. Uvaia, melancia sempre, agora, porque não há problema - antes, havia uma questão de sazonalidade. Aí vieram outras espécies de abacate. Você só tinha o abacate manteiga, mas hoje começaram com o avocado e outros... outras frutas. Mas também não adianta, às vezes o exótico não vende!

          Eu sempre acompanhei a sorveteria, sempre foi uma paixão. Mesmo desde os primeiros anos de Direito, eu acompanhava o meu pai. Eu era o famoso “resolvedor de problemas”, há muitos anos, desde o primeiro ano. Então eu sempre estive envolvido em tudo. Inclusive, uma coisa interessante: nós nunca tivemos uma reclamação trabalhista, em 50 e poucos anos.

          Já o nosso sorvete tem que ser equilibrado, para ter uma consistência. Então, ele não dura muito. Eu teria que mudar toda a sistemática (pra durar mais). Em 2019 eu ia para São Paulo, fazer um reconhecimento de várias marcas italianas. Tem uma ítalo-polonesa, tem várias máquinas que eu estou estudando, para uma série de produtos.

          E eu tenho fregueses velhinhos, muitos velhinhos. Esses dias - foi até muito triste, com essa situação da pandemia -, uma senhora completou 98 anos, e pela primeira vez ela não pôde comemorar, porque ela adora chupar um sorvete. Pela primeira vez, ela não pôde comemorar: “Mas vocês não têm um jeito aí de me receber escondidinha?” Eu falei: “Olha, é complicado”. É bastante complicado isso. E mesmo assim, todos os funcionários ligaram para ela. Ela ficou numa alegria!

          Nós ficamos 21 dias fechados, três semanas. Mas tão logo nós pudemos, fomos a todo vapor. Ninguém perdeu. Ainda estamos tendo uma queda considerável de vendas. Agora, sobre a conservação, para entregar o sorvete, a embalagem: nós trabalhamos com embalagem de conservação grossa, larga. Nós temos pessoas de São Joaquim da Barra que ligam: “Ó, eu vou passar hoje aí, vocês deixam aí”. O que nós fazemos? Nós colocamos na embalagem, no isopor, e deixamos um tempo no congelamento. Ele fica mais firme, e o sorvete fresco, cremoso, chega tranquilamente e dura bastante, até quase uma hora. Aqui em Ribeirão Preto, se você pegar no nosso ponto, ele chega.

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