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História

Os desafios do Sindicato dos Comerciantes

História de: Ricardo Arroyo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 10/07/2021

Sinopse

Neto de imigrantes espanhóis, pioneirismo da família na “boca do sertão”, lavradores de café e arroz. Histórias do pai, contabilista. A paixão pelo comércio e negócios começou daí, paixão está que foi passada de pai para o filho Ricardo. Se tornou advogado e após uma temporada nos Estados Unidos, entrou em sociedade com o pai nos empreendimentos e corporação Arroyo Ltda, ramo de construção civil. Ricardo carrega o legado da tradição familiar espanhola, sendo diretor da Casa da Espanha, e do amor pelo Sindicato do Comércio herdado do pai, pela defesa das empresas e empresários. As atividades no comércio, na construção e na agropecuária. Se orgulha da dedicação ao sindicato, especialmente num momento delicado para comércio e empresariado.

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História completa

            Meu nome completo é Ricardo Eládio di Lorenzo Arroyo, de São José do Rio Preto, nascido em 21 de agosto de 1957. Meu pai é Eládio Arroyo Martins, e minha mãe é Letícia di Lorenzo Arroyo. Minha mãe foi professora até se aposentar e depois foi juíza classista e dona de casa. Meu pai sempre foi comerciante: teve propriedade rural e mais tarde entrou na área de construção civil, em que nós estamos até hoje. Ele foi presidente do Sindicato do Comércio durante 36 anos e participou também do Sesc e do Senac, na diretoria de São Paulo, onde ele sempre colocou e se posicionou muito claramente em defesa do comércio e dos comerciários.

            No início, o meu pai se formou contador e foi trabalhar num sítio, como contador, e depois passou pra uma fazenda, conseguindo juntar um recurso. Aí ele veio pra são José do Rio Preto, onde comprou a firma Dente Farma, que era de material odontológico. No começo também tinha aparelhos eletroeletrônicos, depois passou a fazer venda de material médico e cirúrgico. Nós chegamos a ser o segundo em venda de filmes de raio X da Kodak, da região de São José do Rio Preto até Santa Fé do Sul.

            Eu estudei aqui em Rio Preto até 1983, quando fui fazer um estágio nos Estados Unidos e fiquei lá por um ano. Quando retornei, fui pra São Paulo fazer o cursinho no Objetivo e, na volta, eu fiz Direito. Mas em 1989, quando acabei de me formar, o meu pai perguntou se eu queria continuar na carreira ou se eu queria ser sócio dele nos empreendimentos: a corporação Arroyo Ltda, no ramo de construção civil. Acabei assumindo o cargo de vice-presidente do empreendimento que eu toco até hoje. Com o falecimento dele, passei pra presidência, sempre nesse ramo.

            Mas antes de tudo isso, na infância, eu sempre morei no centro da cidade. Nós morávamos num apartamento, porque a loja do meu pai ficava a um quarteirão, então era muito fácil pra ele trabalhar e retornar. Quando eu era jovem, eu ia muito à loja e acabei aprendendo o ofício de comerciante com ele. Eu ainda tinha nove anos de idade e já vendia gibi em frente à calçada - vendia revista usada, que a gente lia e depois revendia. Então, fomos pegando esse amor pelo comércio, que até hoje a gente tem no sangue.

            A loja ficava na Rua Jorge Tibiriçá, onde hoje é a Riachuelo. Nós vendemos o prédio pra Riachuelo e fomos pra Rua Voluntários de São Paulo, onde ficamos até que fomos roubados. Acabamos vendendo o estoque final e trazendo o negócio pra uma sala, onde ele se mantém até hoje, mas é uma venda bem menor agora - são os gerentes que tomam conta. A gente acabou tendo que assumir o sindicato, as propriedades de fora, os restaurantes, então diminuímos o comércio, mas estamos ativos até hoje.

            Quando nós começamos o empreendimento na área odontológica, Rio Preto ainda estava começando nesse ramo da medicina. De lá pra cá, é lógico, melhorou muito, e tivemos muitos avanços. Hoje nós temos aqui o Hospital de Base; tem a Santa Casa, que atende muito bem; tem o Santa Helena... então, são vários hospitais que se mantêm abertos. Temos também o D’Olhos; nós temos aqui o Hospital do Coração, o IMC, onde se faz muita cirurgia, muita coisa - as pessoas vêm trocar as válvulas. Hoje nós temos, no HB, o campo de transplantes, que é um dos maiores campos que nós temos no Brasil.

            Além disso, Rio Preto sempre foi um ponto de imigração. Tem muita família espanhola, turca e árabe. Os árabes são realmente muito unidos aqui, e eu tenho bastante amizade com todos eles. Hoje, o provedor da Santa Casa, o Doutor Nadim, é árabe e é muito amigo da gente. Todo domingo nós tomamos café juntos, num tradicional ponto do café, que é o Café Conte, onde se reúnem várias pessoas, e a gente fica ali batendo um papo. É um ponto de encontro. O Tarek, o dono, é uma pessoa muito gentil, muito boa, e também é árabe.

            O centro de Rio Preto é muito bom ainda. Ele não apresenta um aspecto de estar degradado, como muitas outras cidades. Inclusive, nós acabamos de receber o calçadão, que foi todo remodelado. Isso faz com que simplesmente o centro continue ativo, vivo, pra trazer as pessoas de fora e daqui de Rio Preto também, pra fazer as suas compras. Isso é muito importante para o desenvolvimento da cidade.

            Fora do centro, nós temos a Avenida Potirendaba, que é muito forte no comércio; nós temos a Avenida Bady Bassitt, que vai até o Shopping Iguatemi, também muito forte no comércio; nós temos aqui o Rio Preto Shopping, que também traz uma tradição - por ser o primeiro shopping de Rio Preto; nós temos, lá na zona norte, o Shopping Center Norte, que é de uma outra família tradicional, a Tarraf. Nós temos, ainda na região norte, algumas ruas que têm um comércio muito forte, que atrai a população da região. Inclusive, tem gente que nasceu na região norte que não conhece o centro de Rio Preto, porque acaba ficando lá. Ali tem banco, hospital, farmácia, tudo que é necessário. A população de lá é quase metade da população de Rio Preto. Mas temos ainda outras áreas que estão se desenvolvendo, como o São Deocleciano, os Villages Damhas, onde tem a churrascaria dos meus filhos. São vários condomínios fechados que estão crescendo, fazendo a região lá.

            Além disso, o setor hoteleiro hoje é muito forte em Rio Preto. Nós temos vários grandes grupos aqui, inclusive estão construindo mais um hotel na região sul, que deve ser inaugurado dentro de alguns meses. Isso traz uma grande novidade, até de cozinhas internacionais. É realmente um incentivo pras pessoas virem a Rio Preto. E mais forte ainda que tudo isso é o setor de franquias. Rio Preto é um dos grandes polos de franquias, se não for o maior do Brasil. Nós temos várias firmas que se instalaram aqui e foram virando franquias para o Brasil inteiro. E até algumas franquias internacionais.

            Quanto ao sindicato, eu acabei vindo pra cá através do meu pai, pois eu o acompanhava nas reuniões, ia à São Paulo participar das reuniões da federação. Com o passar do tempo, você acaba pegando amor. Meu pai sempre falou pra mim: “É um bichinho que te morde, que é difícil”. Ninguém quer entrar, mas quem pega amor por isso aqui, depois, fica difícil de sair, pois é uma coisa que você quer defender com unhas e dentes: as empresas, os empresários. A gente quer o setor mais forte a cada dia. Ninguém gosta de ver uma firma fechada. Nós procuramos, sempre que podemos, dar um apoio, nem que seja moral, para que realmente as pessoas continuem dando empregos.

            Os comerciantes não estavam preparados pra essa pandemia. A maior parte não tinha nem o tipo de vendas on line. Isso veio atrapalhar quase 99% das firmas. Algumas agregaram, outras criaram, mas veja bem: isso aí não representa 10% das vendas de uma loja num período normal. Tem muita gente que está consumindo as suas reservas particulares pra poder manter as suas lojas abertas. As vendas não cobrem o custo da luz hoje, por exemplo. Muito menos do aluguel. Nós temos aqui vários casos de pessoas que não estão pagando. Não é porque não querem pagar, mas com as lojas fechadas, não tinham recurso guardado e acabaram não tendo dinheiro pra poder pagar o aluguel.

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