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História

Os desafios de um geólogo

História de: Pedro Moura de Macedo Júnior
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/10/2021

Sinopse

Pedro Moura de Macedo Júnior nasceu em Brasília no Distrito Federal no dia 12 de dezembro de 1976. 

Foi o primeiro neto por parte dos avós paternos. A família morava no município de Paracatu e foi à Brasília para que Pedro nascesse perto dos avós maternos e paternos. 

Seus avôs maternos e paternos migraram do Piauí no período de construção de Brasília. 

Seu pai é geólogo de formação com especialização em mineração e sempre foi uma inspiração para Pedro. Por causa de sua carreira profissional a família mudava bastante de cidades. 

Sua mãe é pedagoga de formação, empregava-se nas escolas dos municípios onde eles moravam.

Seus pais se conheceram na época de escola quando ainda moravam em Teresina. As famílias chegaram juntas à Brasília e continuaram em contato.

Pedro tem uma irmã dois anos mais nova. 

Depois do nascimento dos filhos, a família se mudou para o Rio de Janeiro. Durante esse período seu pai viajava bastante enquanto eles ficavam na cidade. Eles moravam no Leblon em frente ao Clube do Flamengo que frequentavam como torcedores do time. Lembra-se dos treinos do Zico com o Sócrates que ele adorava ver. Pedro estudou no Colégio Estella Maris.

Após 6 anos, com 10 anos de idade, junto com sua família, se mudou para o município de Araputanga no Mato Grosso na divisa com a Bolívia. Moravam na vila da empresa e estudavam na escola do Sesi. Sua mãe era a diretora da escola. 

Com 13 anos, Pedro passou a treinar e disputar campeonatos de montaria a cavalo, o que o forçou a ter contato com os moradores da cidade. 

Morou no Mato Grosso até os 15 anos, quando mudaram para Brasília. Não se lembra de ter tido dificuldades em se adaptar a vida na cidade grande. 

Na época do vestibular comprou o guia do estudante que dizia que a área de engenharia estava um pouco saturada e que a área de geologia estava em crescimento, decidiu cursar geologia. Ingressou na Universidade de Brasília – UNB, em 1995, mesma graduação que seu pai fez. Muitos de seus professores foram colegas e professores do seu pai. Senti que a cobrança por esse fato foi um pouco maior que para outros alunos. Isso o fez escolher se especializar por geologia econômica e não mineração.

Já na Universidade, com 19 anos, seus pais se separaram. 

No final da faculdade, por causa da sua especialização, conheceu os Laboratórios de Goiânia. Em uma visita técnica se encantou com as instalações e os equipamentos. Orientado pelo funcionário de FURNAS, João Luiz Armelim, fez o processo seletivo para estagiário do Laboratório de Solos e passou. 

Em 2000, mudou-se para Goiânia indo com o pai e a madrasta. 

Assim que se formou, começou a trabalhar como autônomo e em 2001, retornou ao Laboratório como terceirizado. Trabalhava com estudos de inventário e de viabilidade dos novos empreendimentos da empresa.  Tem orgulho de ter trabalhado em muitos projetos da empresa, como Barro Alto, Jirau, Santo Antônio, Peixe Angical, Simplício, Batalha.

De 2000 a 2007 trabalhou ligado ao laboratório, de 2007 a 2012 trabalhou na área de projetos ligados à engenharia civil e a partir de 2012 passou para a área de recuperação de obras de segurança de barragens.

Por causa dos projetos trabalhou nos estados de SP, RO, MG, RJ e retornou para Goiás, quando assumiu funções gerenciais do laboratório, em 2017.

Buscando aprimorar e ampliar seus conhecimentos fez o curso de sistemas elétricos na Universidade de Itajubá, MBA de Gestão com ênfase no setor elétrico.

Nesses 20 anos em FURNAS, Pedro assumiu as seguintes funções na empresa: Geólogo, geólogo de projetos, geólogo de segurança de barragens, gerente de departamento e assistente de superintendente.

Pedro sente que os funcionários de FURNAS criam vínculos muito fortes com a empresa e chegam a formar uma família. 

Pedro é casado desde 2006 com Juliana de Moraes Soares. Eles se conheceram no laboratório. Juliana é advogada especialista em desapropriação. O casal tem três filhos. 

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História completa

Um pequeno excerto sobre a história de Pedro

 

O mais relevante assim que eu vejo no funcionário de Furnas, é a questão do orgulho, e da paixão, que os funcionários sempre tiveram em trabalhar na empresa, isso é uma coisa que é realmente diferente, porque você ver as pessoas no mercado trocando muito de situações, você passa, você vai trabalhar numa empresa, por conta de uma situação ou outra, acaba tendo que reduzir um quadro, aí o cara sai vai trabalhar em outra empresa. E aqui em Furnas não tem isso, a pessoa entra na empresa e muita das vezes ela aposenta trabalhando na empresa. Então existe esse vínculo, que a questão que acaba virando família, porque a gente convive. Tem gente, que conviveu uma pessoa com a outra, na empresa 30 anos, é uma vida. Isso não é uma coisa normal de você ver no mercado, eu acho que esse é o diferencial, em termos de relação entre os funcionários, que eu vejo em Furnas, de outras empresas no mercado aí.



Quando eu entrei no Laboratório de Goiânia em 2000, o que mais me impressionou foi a infraestrutura e a organização do local. É uma área, que nós temos umas 20 edificações. Então, vamos dizer assim, são 20 laboratórios, que cada um ali, faz algum trabalho específico. Na época que eu fiz o estágio, ele tinha duas grandes divisões, que era parte dos laboratórios de concreto e os laboratórios de solos, que eles chamam. E aí a parte de solo, entra a parte de rochas também. Quando eu cheguei, eu fiquei vinculado a esse laboratório de solos, vamos dizer assim, boa parte desses 20 prédios, dentro de cada um deles, você tem ali a especificidade dos ensaios que são feitos naquele laboratório. Os laboratórios de rochas, tinham lá umas prensas robustas, os laboratórios de caracterização de ensaio impermeabilidade, todos também com equipamentos específicos. E você vê que são equipamentos de ponta. E na época tinha também, outros laboratórios que estavam ampliando, tinha os laboratórios de sistemas construtivos os que eram mais voltados a parte de construção civil, parte de águas, química. Então um laboratório bem complexo, bem bacana.

Desenho de um círculo

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Em um empreendimento, a geologia é antes, inicia desde os estudos de inventário. O estudo de inventário é um trabalho que você vê dentro de um certo trecho do rio, já existe um mapeamento geral, do Brasil, das potencialidades dos rios, e os prováveis eixos de hidrelétricas disponíveis. Então você tem ali um certo trecho do rio, para você escolher ali dentro daquele trecho, qual a melhor alternativa de eixo, para você construir um empreendimento. Então a gente vai ali com topografia, com sondagem para fazer uma série de levantamentos, para você identificar, qual que é a melhor alternativa para você definir um eixo de uma hidrelétrica. Esse é o clássico tá Lucas, mas tem serviços nossos também, que ocorrem durante a construção também, porque existe todo um preparo da parte da fundação, para você conseguir ter um suporte, para você construir as estruturas de concreto, seja uma barragem de terra em cima de uma fundação existente, para você não ter nenhum encaminhamento, nenhum encaminhamento de água, ou uma saída algum fluxo embaixo de um empreendimento, que possa causar algum acidente, algum rompimento, algum dano maior.

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 Para subestação e linhas de transmissão, a atuação da Geologia é um pouco menor, vamos dizer assim, a influência, porque são estruturas ali, que não vão exigir tanto da fundação, mas tem também, é por isso mesmo, só por ser estrutura mais simples. Porque você imagina o que é uma capacidade de carga, uma influência de uma barragem, numa fundação. O que é uma linha de transmissão, ou um equipamento aí de uma subestação. Mas tem também, tem bastante coisa que influencia, inclusive, vou dar um exemplo aqui, em Santa Cruz, aí perto do Rio, nós estamos tendo bastante serviço lá ultimamente, ali é uma área, vamos dizer assim, a fundação é argila mole. Então você tem que fazer, qualquer equipamento, qualquer intervenção que você vai fazer naquela área, você precisa fazer um sistema de suporte em fundação, bastante agressivo, estacas profundas, para você ter uma capacidade de carga, para você conseguir construir alguma coisa ali. O pessoal assim, da Geologia, é um pouco mais robusto, com o pessoal da geração, do que com o pessoal da transmissão, mas também é importante. 

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Eu vou contar o caso mais legal, que foi na construção da hidrelétrica na Usina de Peixe Angical, que eu participei da obra toda, fiquei lá no período todo de construção. Nós tivemos um problema, como eu te falei a gente faz um serviço de tratamento de fundação, então durante as perfurações, a gente pegou um trecho, quando a gente tirou lá o material de perfuração, jorrou água. Jorrou água e a gente tendo que injetar calda de cimento ali. Então a gente injetava, quando desobturava ali, jorrava água de novo para cima. Então quer dizer, estava lavando tudo que a gente estava injetando ali para baixo. Então, esse período, foi um período bem grave, foi chamado consultor até dos Estados Unidos, para nos ajudar a resolver esse problema, antes de chegar no ponto do consultor dos Estados Unidos, foi chamada muita gente, o pessoal do IPT de São Paulo, os especialistas da Projetista, foram lá para o canteiro também, para trabalhar conosco, para tentar resolver o problema. E assim, o que eu te falei de passar 2, 3 dias, porque a gente tinha que fazer ali, intervenções constantes, para tentar sanar aquele fluxo de água e monitorando os arredores, para ver, para monitorar onde estava saindo aquele material, tudo mais. Então foi uma campanha de trabalho ali bem intensa, que a gente perdeu noites ali trabalhando, em rotina pesada, vamos dizer assim. Às vezes cochilava ali, num cantinho um pouquinho, para dar uma descansada, já voltava, a equipe já chamava de novo. Então foi um período bem intenso, que a gente ficou ali dedicado. Ficou famosa, a estaca 160 de Peixe Angical, foi um período marcante aí na minha carreira também profissional. (...) Ver um empreendimento desse porte feito é incrível! Eu tive oportunidade de ver, chegar num local que não tinha nada, não tinha nada, e depois… Apesar, de quando você está vivendo ali, a rotina, você vai no dia a dia, aquilo não marca muito os olhos, mas depois quando você volta lá, você passa um tempo e você volta, você lembra quando você foi e viu que não tinha nada, e vê agora aquele empreendimento construído, você fala: nossa Senhora, engenharia e fantástica. Bem bacana. E a gente fica orgulhoso de ter participado.

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Eu participei dos estudos de inventário das usinas de Barro Alto e Maranhão, aqui em Goiás. Fiquei praticamente 2 anos lá em Rondônia, lá perto de Porto Velho, para fazer os estudos das usinas do Rio Madeira, que era Jirau e Santo Antônio, acabou que Jirau nós perdemos o leilão e Santo Antônio acabou que nós somos sócios, até hoje lá. No tempo aí, vamos ver, bom, aí depois, vamos colocar as usinas de Simplício e Batalha. Então antes dessas duas, usinas de Batalha e Simplício, teve esse período que eu fiquei em Peixe, que foi ali em 2004, 2005, depois já entramos aí na fase de projeto, construção das usinas de Batalha e de Simplício, e ao final da construção dessas duas, aí foi quando eu já passei para área de recuperação de usinas, que já fui trabalhar com usinas construídas, na parte de obras, vamos dizer assim, de recuperação. Aí nesse período que eu já fui chamado para assumir um posto gerencial, aí comecei a me afastar um pouco da parte técnica. Essa época eu estava trabalhando em Franca, interior de São Paulo. Teve uma reestruturação da empresa que juntou a parte de geração e transmissão em departamentos únicos de construção, que foi quando eu mudei para Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Aí depois de Mogi, nova passagem pelo Rio de Janeiro, já no departamento que fazia uma assessoria para superintendência nossa de implantação para empreendimentos de geração. Aí em 2017 eu vim para cá, já com esse departamento agora de construção de novos empreendimentos de geração.

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Uma coisa que ficou bastante marcada na construção da Usina de Batalha, para mim, foi a questão do tratamento dos taludes. O material lá, a fundação, vamos chamar assim, o xisto grafitoso, o infinito grafitoso, que é um material, que tem ali suas características peculiares. Então o direcionamento do projeto, ia correr ali, uma escavação muito grande em rocha, é um direcionamento muito intenso, para fazer ali o tratamento dos taludes, para você encaixar ali a construção da hidrelétrica. Eu lembro que teve um envolvimento muito grande de construtores internos, e eu tive oportunidade de participar dessas reuniões, que foi de grande aprendizado para mim, onde foi revisitado todo esse trabalho de dimensionamento, em função do que já estava sendo visto lá, durante a construção. E foi muita coisa otimizada, e eu consegui participar ali, das discussões, daquele aprendizado, do porquê, o que estava acontecendo, o que estava levando todo mundo a tomar aquelas decisões. E foi muito, vamos dizer assim, econômico para o empreendimento, economizou muito recursos financeiros. E hoje a hidrelétrica está lá, está de pé, está construída, está bem feita, tá segura. Então esse aprendizado na usina de Batalha, foi o que mais me marcou, deste empreendimento. E falando de Simplício, Simplício o que eu posso dizer, para todo mundo, é que aquilo ali, ali tem tudo de Engenharia que um profissional do ramo pode ver, ali você tem escavação de canais, escavação em Rocha, tem construção de diques, que são verdadeiras barragens, tuneis, lá tem quase 10 km de túneis, que são as vias que unem os canais. Temos um túnel lá, de 3 km e meio, então toda a construção desses túneis eu participei. Então a usina de Simplício, em termos de aprendizado, foi onde eu consegui ver várias matérias, vamos dizer assim, na nossa área de atuação. E a convivência com profissionais ali, da melhor qualidade, que contribuiu muito com a minha formação, com tudo que eu conheço até hoje. Mas Simplício, fica a dica para quem quiser visitar, ali é um empreendimento, são 30 km de obra. Você imagina? São 30 km de construção de uma usina! É um empreendimento fantástico, em termos de Engenharia.

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Meu início em FURNAS foi como geólogo de campo, quando eu estive aqui nos laboratórios. Quando eu fui para o Rio, fiquei de 2007 até 2012, como geólogo de projeto. Aí 2012 fui trabalhar na área de segurança de barragens, como geólogo também, para a parte de segurança de barragens. E nesse período que eu assumi o primeiro posto gerencial, que foi para gerenciar as obras de segurança de barragem. Então, nesse período aí Lucas, eu acabei sentindo, que eu precisava de ter um pouco mais de conhecimento, porque eu não estava tratando só da parte de Geologia. Então eu fiz alguns treinamentos, até para entender melhor como funciona uma hidrelétrica, eu fiz um curso de qualificação profissional em Itajubá, de sistemas elétricos. Aí já como gerente de divisão, quando eu fui para o Rio, já num posto de gerente de departamento, assistente de superintendente, eu fiz um MBA de Gestão de negócios, com ênfase no setor elétrico. Aí já também, aprimorando minha visão, a minha formação em termos de gestão. E hoje estou nesse posto, por conta dessa linha aí. Então hoje muito mais na carreira de gestão, do que na de geólogo de fato. Hoje o Martelo está na gaveta.



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