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História

Orgulho de ser Maranhense e Alumarense.

História de: José Jacinto Tavares Amorim
Autor: Valdir Portasio
Publicado em: 13/06/2021

Sinopse

Infância em São Luís, onde nasceu em 1956. Brincadeiras, as mais comuns: bola de gude, soltar pipa, pular do bonde, jogar bola. Colégio Marista; Academia da Marinha, no Rio; Eletromecânica no Senai. Foi piloto por dois anos, ingressou na Alumar em 1984. Chefia equipe de manutenção há 20 anos, tem orgulho dos excelentes resultados em termos de manutenção preditiva. Participação em ações sociais da empresa. Orgulha-se de ser maranhense e alumarense.

História completa

Projeto Alcoa Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de José Jacinto Tavares Amorim Entrevistado por Lenir Justo e Clarissa Batalha São Luís, 28 de outubro de 2008 Código: ALCOA_HV022 Transcrito por Regina Paula de Souza Revisado/editado por Paulo Rodrigues Ferreira Sou maranhense, da Capital. Nascido em 1956, um dos sete filhos de ‘seu’ Carlos e dona Paula, ele português, ela maranhense. Meu pai já teve padaria, como bom português, mas depois ingressou na área de imóveis. E minha mãe é funcionária pública aposentada. Guardo a lembrança de uma infância feliz e saudável, com muitas brincadeiras: bola de gude, empinar papagaio e jogar bola. Mas a principal era andar na lateral do bonde, com direito a quedas ocasionais. Estudei no Colégio Marista. Em determinado momento, fui para o Rio de Janeiro estudar na Academia da Marinha mas não me adaptei, abandonei e retornei a São Luís. Fui trabalhar, inicialmente, com meu pai e, em seguida, no Instituto de Tecnologia da UEMA. Tentei o ramo da aviação civil, fui piloto por dois anos e mais tarde fiz o curso de Eletromecânica, no Senai, ingressando então na Alumar. Nela me mantenho até hoje, atualmente como encarregado de manutenção preventiva na área da redução. Ajudado, incentivado pela empresa, eu me graduei em Administração de Empresas e me pós-graduei em Gestão de Qualidade. Porém, creio estar longe de me considerar satisfeito e planejo continuar a estudar: penso em fazer, em breve, uma outra pós-graduação. Casei-me com uma pessoa que conheci ainda nos tempos de colégio, temos três filhos e curtimos quatro netos – três meninas e um menino. Orgulho-me de ser pescador de fim de semana, daqueles que levam para casa a satisfação do lazer e de estar com os amigos, mas nenhum peixe. Este, só levo para o almoço se passar numa peixaria a caminho de casa. Porém, orgulho mesmo eu tenho é de ser maranhense e alumerense. Na Alumar, além de adquirir toda uma bagagem técnica, eu aprendi que: … A gente pensa que é a gente que faz, mas a gente só faz se tiver ajuda de outras pessoas. O meu início na Alumar, em 1984, coincidiu, como eu costumo dizer, com a partida da empresa. Significa dizer que começamos juntos. Ela ia começar a operar e eu então participei, com muito entusisasmo, desse momento. Como mecânico de manutenção. Cada dia era um novo desafio a gente operar a fábrica. Mas eu sabia que, ao lado dos desafios, abriam-se excepcionais oportunidades para mim. De crescimento profissional, reconhecimento da minha dedicação, até em circunstâncias inesperadas. Como, por exemplo, quando eu fui promovido a encarregado de turno. Naquela ocasião eu estava afastado do trabalho, em São Paulo, assistindo o meu pai gravemente enfermo. Um ano depois eu fui surpreendido com nova promoção: passei a encarregado de manutenção preditiva. Foi, como eu sempre digo, “um leque de oportunidades gigantesco.” Simplesmente eu entrava em uma etapa da minha carreira – de desenvolvimento, alavancagem da mesma – marcada pela aquisição de novos conhecimentos em novas tecnologias. Em linguagem simplificada, a manutenção preditiva permite estender a vida útil do equipamento, ou seja, fazê-lo manter-se em operação a despeito de algum defeito, mas dentro de rígidos padrões de segurança. Aí se manifesta a importância da prevenção. Hoje eu considero a minha principal realização nos quadros da Alumar, estar há 20 anos à frente da equipe de manutenção – uma equipe altamente capacitada, profissional e dedicada – e, importante: sem qualquer incidente. Veja, e nós trabalhamos com equipamentos energizados! Um outro aspecto que merece destaque nessa minha já prolongada permanência na Alumar – leia-se grupo Alcoa, em última análise – é o que se refere às suas ações sociais em benefício de seu entorno, a comunidade local e a sociedade de uma maneira ampla. Aí se pode elencar a escola de primeiro grau, mantida pelo grupo empresarial; o projeto Bravo, dirigido à Sociedade Pestalozzi e a ação intitulada ‘O Mês do Serviço Comunitário’, todas elas manifestações de cunho solidário e social extremamente gratificantes para quem participa e muito importantes para quem dos mesmos é beneficiário. E em que... … A gente recebe muito mais do que dá. ***************************** TRANSCRIÇÃO CORRIGIDA (REVISÃO) P/1 – Bom dia, Amorim! Vamos começar com você nos falando o seu nome completo, o local e a data de nascimento. R – O meu nome é José Jacinto Tavares Amorim, eu nasci em São Luís, no Maranhão, em 1956. P/1 – Qual é a sua atividade atual aqui na Alumar? R – Hoje eu estou como encarregado de manutenção preventiva na área da redução. P/1 – Quais os nomes dos seus pais? R – O meu pai, Carlos Ramos Amorim, ele é português de nascimento. A minha mãe é Paula Francinete Tavares Amorim, maranhense. P/1 – E quais são - ou eram - as atividades profissionais deles? R – O meu pai, como todo português, começou com uma padaria e depois foi para a área de imóveis. P/1 – E a sua mãe? R – A minha mãe trabalhou um tempo como funcionária pública, depois saiu e ficou em casa, se aposentou e ficou em casa cuidando dos filhos. P/1 – A origem da sua família, você já falou que seu pai é português... R – Isso! P/1 – … E a mãe maranhense, é isso ou...? R – Isso! P/1 – ...Tem mais algum outro ramo, alguma outra coisa? R – Não, não! É de origem portuguesa. P/1 – E você tem irmãos? R – Tenho sete irmãos, sendo mais dois homens e quatro mulheres. P/1 – E na sua infância, onde você morava? Era aqui mesmo em São Luís? R – É, eu morei em São Luís, nasci e me criei em São Luís. Na rua Grande, no final da rua Grande havia, naquela época, vários locais - praças, bosques - onde a gente brincava muito. P/1 – E como era a casa, o cotidiano, você se lembra? R – Minha casa... A casa dos meus pais era de dois andares, tinha um subsolo onde havia um grande quintal no qual a gente também brincava muito. Tinha um tanque muito grande, que era um reservatório de água e que, às vezes, a gente fazia como se fosse uma piscina. Minha mãe brigava muito por isso, porque tinha que trocar a água, não é? Havia muitas frutas. Foi uma infância bastante saudável e sapeca, com muito puxão de orelha dos pais. P/1 – Entre as várias brincadeiras, quais eram as preferidas? R – Ah, a gente tinha bola de gude - jogo de bolinha de gude - empinar papagaio, o que a gente chama de pipa, não é? Brincadeira de (chuchu?). P/1 – (Chuchu?)? R – (Chuchu?) é uma brincadeira que você... Era uma haste metálica que você fazia na terra. Você brincava de fazer um...De cercar e matar o inimigo, que era o seu oponente, no chão, desenhado no chão. P/1 – Interessante. Já contaram para a gente, em Itapissuma, com outro nome! [riso] Em cada local tem um nome diferente, não é? As brincadeiras. E você falou um pouquinho da cidade, quer contar um pouquinho mais? Assim... Como era São Luís naquela época? R – Tá! Na minha infância e adolescência, São Luís era uma cidade bem pacata, dava para a gente contar o número de automóveis. E eu peguei uma época em que ainda tinha bonde, ainda andei muito de bonde... De bonde elétrico, não é? E havia umas brincadeiras que a gente usava para andar na lateral do bonde e numa dessas até peguei uma queda, me machuquei um pouco. Mas São Luís era muito pacata, era uma cidade bem provinciana. P/1 – Quais são as lembranças mais marcantes dessa época? R – Brincadeiras de papagaio, empinar pipa; bola, o jogo de bola, porque tinha uma quadra numa praça chamada Praça Deodoro e que a polícia não gostava que a gente jogasse lá. E, de vez em quando, ia lá e tomava a bola da gente, mas a gente sempre persistia, [riso] até que um dia a gente se reuniu - todos os jogadores - e nós fomos até o quartel de polícia. E a gente solicitou que eles parassem de estar nos chateando. Aí acabaram liberando e a gente passou a jogar bola sem perder as bolas. Porque eles tomavam, já que era proibido jogar. P/1 – E os estudos? Como você iniciou os seus estudos? Aonde? R – Eu estudei no Colégio Marista, depois fui para o Rio de Janeiro. Nessa época, eu comecei a estudar para a Academia da Marinha, mas não gostei. Voltei para São Luís e fui trabalhar com o meu pai. Em seguida, fui trabalhar no Instituto de Tecnologia da UEMA. Depois fui para o ramo de aviação: fui piloto, profissionalmente, durante dois anos. E depois saí, fiquei desempregado. Fiz o curso no Senai, de Eletromecânica, e surgiu, nessa época, a vaga na Alumar. Eu me inscrevi, fiz as provas, passei e estou até hoje aqui. P/1 – E em que ano foi isso? Que você entrou na Alumar? R – Eu entrei em 1984, julho de 1984. P/1 – Tá, mas o seu primeiro emprego foi lá com o seu pai, é isso? Você considera assim? R – Isso! O meu primeiro emprego foi com o meu pai e, em seguida, no Instituto de Tecnologia da UEMA, no laboratório de mecânica P/1 – E quando você começou aqui, você já tinha escutado falar? Quando você começou a Alumar já funcionava? R – Já. Em 1984 a Alumar já estava...Ia partir, ia começar a operação e eu participei dessa partida, como mecânico de manutenção. P/1 – E você já tinha escutado falar antes da Alcoa? R – Já, da Alcoa já! P/1 – Você já tinha ideia? R – Já, já tinha! Eu tinha vindo aqui, eu já tinha feito visita, eu conhecia a fábrica. P/1 – Então, quando veio, na verdade, já estava formado o consórcio? Já era Alumar? R – Já era Alumar! P/1 – Então você participou da partida. Conte para nós como é que foi essa partida. R – A partida foi um desafio, novos equipamentos, novas tecnologias... Embora a gente já tivesse visto nos cursos, não é? E na prática, no lado da aviação também, eu tive a parte de pneumática, a parte hidráulica. Mas foi um desafio. Novos equipamentos e tudo novo, tudo. A gente aprendendo a ver como funcionava, a detectar os defeitos. Então, cada dia era um novo desafio a gente operar a fábrica. Mas outro ponto também importante é que a gente tinha um pouco de dificuldade em (spare parts?), não é? Como era tudo importado e, às vezes, faltava peça, a gente tinha que arrumar aqui mesmo na fábrica, na própria fábrica, com os recursos que nós tínhamos. P/1 – Então tinha que ter criatividade? R – Bastante! P/1 – Qual foi a primeira impressão que você teve quando começou a trabalhar aqui? R – De que eu estava em frente... Em frente a um grande desafio e também uma janela de oportunidades. Eu não diria nem que era uma janela, era uma porta bem grande com muitas oportunidades de desenvolvimento, de crescimento profissional. P/1 – Você já falou um pouco da partida, mas você se lembra, especificamente, assim, do primeiro dia? R – Do primeiro dia de fábrica? P/1 – Do seu trabalho aqui. R – Ok. O meu primeiro dia foi bem interessante. E, eu diria, com uns trabalhos, assim, de maior dificuldade na área... Na área do lingotamento, que era a troca de resistência de forno. Então, o meu primeiro dia foi uma troca de resistência de forno e com o forno, embora etiquetado, bloqueado, mas super quente! Então, era uma tarefa que você suava até a meia. Às vezes eu me perguntava: “O que eu estou fazendo aqui?” Porque era uma tarefa difícil. Mas fizemos a tarefa. E depois dessa tarefa, a gente viu que já tinha até a oportunidade de melhorar para a próxima vez que nós fôssemos fazer. E a gente já modificou as portas, que eram com parafusos, e já colocou dobradiça, nós fabricamos um dispositivo para tirar essa resistência do forno sem estar em um contato mais próximo... Então, a gente já não sofria tanto com o calor, já verificamos a possibilidade de uso de roupas de couro, não é? A gente já foi melhorando, a próxima já foi uma facilidade muito grande. P/1 – E a sua trajetória a partir daí, como foi? Conte um pouco para a gente. R – Eu passei dois anos no lingotamento, como mecânico de manutenção. E nessa época, meu pai caiu doente. Depois de dois anos que eu estava trabalhando aqui, ele caiu... Ficou muito doente. Ele teve que ir para São Paulo e eu pedi ao meu chefe se eu poderia acompanhá-lo porque ele ia ter que fazer uma ponte e, naquela época, era uma operação muito arriscada, ele estava muito nervoso. E eu fui com ele, não é? E para contrabalancear essa época, que eu estava um pouco para baixo, eu recebi uma boa notícia daqui, da fábrica. É que eu fui promovido a encarregado de turno. Então deu uma contrabalançada no emocional, não é? E eu fui promovido a encarregado e logo que ele se restabeleceu, com uma semana, eu voltei para cá e assumi o cargo de encarregado de turno. P/1 – E o que faz um encarregado de turno? R – Olha, ele atende diversas áreas - tanto a parte elétrica quanto a parte mecânica. E nessa época, nós atendíamos toda a redução, exceto ponte rolante. Então, nós atendíamos a área do lingotamento e toda a área de distribuição de alumínio, e banho. A gente tinha uma equipe de três mecânicos e dois eletricistas e ficávamos atendendo as emergências. Qualquer equipamento que quebrasse, tanto elétrico como mecânico, a gente recuperava, consertava, colocava em funcionamento. P/1 – E depois, quanto tempo você ficou nesse cargo? R – Encarregado de turno eu fiquei um ano. Fiquei um ano e, depois desse um ano, eu fui promovido, fui convidado para ser encarregado de manutenção preditiva. Então, em abril de 1987, eu entrei na manutenção preditiva e vi que era uma outra porta, só que agora muito maior, com um leque de oportunidades gigantesco, porque era entrar numa fase de tecnologia, de aprendizado para novas tecnologias. P/1 – E o que se faz na manutenção preditiva? R – Hoje a manutenção preditiva busca maximizar a vida dos equipamentos, o que significa operar ao máximo o equipamento, mas com segurança. E detectar defeitos antes que eles aconteçam. Não é só simplesmente: “Oh, está com defeito? Troca.” A gente procura maximizar... Embora com defeito, a gente procura estender, ao máximo, a vida útil do equipamento. P/1 – E é esse o cargo em que você está até hoje, é isso? R – Isso, isso! P/1 – E dentro disso aí, quais foram os grandes desafios que você teve? R – Quando nós começamos, em 1987, nós começamos a monitorar 255 equipamentos. Destes, 50% - 50 a 55% - estavam alarmados, quer dizer, estavam em estado de quebra eminente, não é? E era um desafio reverter esse quadro. Então, com a ajuda de uma equipe bastante compromissada, a gente começou a trabalhar e a melhorar esses números, a melhorar esses resultados. E depois de dois anos, nós subimos esse número de equipamentos para em torno de 1.500 equipamentos, 1.600 equipamentos. Os níveis de alarme já estavam em torno de cinco a seis por cento, um decréscimo gigantesco. E hoje a gente está com 4.700 equipamentos e o número de alarme está 0,92. Então é um crescimento, em termos de monitoramento e de decréscimo de equipamentos em alarme, muito grande. P/1 – E como funciona, assim, na prática, o processo para fazer essa manutenção? R – Hoje nós temos uma equipe formada por quatro mecânicos e dois eletricistas. Na área mecânica nós temos um software chamado Odyssey. Nesse software Odyssey a gente coloca todas as nossas rotinas e essas rotinas são geradas semanalmente. Periodica e semanalmente o que a gente deve inspecionar. Isso, já feita uma programação prévia no ano. Aí, nós fazemos, semanalmente, essas inspeções. Então, o inspetor vai para a área com o coletor de dados, coleta os dados, descarrega no computador e, a partir daí, faz uma análise. E dá um diagnóstico se o equipamento deve ser reparado ou não. Na elétrica também a gente trabalha com a mesma performance, da mesma maneira. A gente tem as rotinas implantadas no software, vai para o inspetor, o inspetor vai na área, faz as termografias e depois descarrega, faz a análise e, em seguida, emite um laudo para reparar ou não o equipamento. P/1 – E as pessoas que trabalham com esses equipamentos, elas ajudam você de alguma forma? Avisam: “Olha, está acontecendo tal coisa”? R – Elas... Eu diria que no processo, elas são as pessoas mais importantes, porque são as pessoas de primeira linha, elas é que realmente sustentam o processo. Elas detectam o problema, analisam e informam as áreas. A gente só gerencia esse processo. P/1 – Tem um trabalho nesse sentido, então, eu acredito, assim... R – Tem todo um aparato de treinamento para essas pessoas. Elas foram treinadas, foram capacitadas para fazer esse diagnóstico. P/2 – E desde 1987 que existe esse setor de manutenção preditiva? R – É, um pouco antes. A preditiva começou logo que a fábrica partiu, ela começou em 1984 mas começou em áreas separadas, começou um grupo independente, que atendia toda a área. Depois resolveram separar as preditivas: tem uma preditiva para refinaria, uma preditiva para oficina central e uma preditiva para redução. Essa separação aconteceu em 1987. P/2 – E nesse começo, então, dessa separação, já existia esse software, esse trabalho já era feito dessa forma ou era de uma maneira diferente? R – Não! Esse trabalho, em 1987, era todo feito manualmente. O planejamento era manual, eram planilhas, não em excel, planilhas em papel. Porque a gente tinha todos os equipamentos, tinha feito um planejamento anual e os laudos eram feitos à mão, não tinha cópia, não tinha xerox. Então a gente fazia manualmente, com o papel carbono, e mandava uma cópia para a área. E a área dava o ok, confirmando ter recebido aquele laudo que teria que ser executado. P/2 – Por que o senhor acha que, desde o começo, a fábrica já tinha essa preocupação em prever o problema? Isso é comum acontecer? R – É uma visão gerencial diferenciada, uma visão maior da fábrica, onde você procura detectar o defeito bem antes que aconteça. E isso sai mais barato, é um processo em que você economiza dinheiro, evita desperdícios, evita emergências, não é? P/1 – Você pode falar um pouco para a gente sobre a gestão sustentável da Alcoa? Porque a Alcoa trabalha em cima disso, não é? O que você acha? R – É um orgulho trabalhar numa empresa que tem essa preocupação. Porque eu fico imaginando uma empresa que não se preocupa com isso como é que vai ser eu entregar a minha cidade, entregar o meu estado, o meu país para a geração seguinte. Como é que isso se processa? Vou entregar totalmente destruído, não é? Como é que a próxima geração vai se sustentar? Como é que os meus netos vão viver? A gente fica preocupado e, trabalhando numa empresa que se preocupa com isso, a gente sente orgulho. P/1 – E o parque ambiental aqui da Alumar você conhece, com certeza, não é? R – Com certeza! O parque é fantástico, é uma iniciativa importantíssima da fábrica criar isso aí e abrir para a sociedade, para as visitações. Eu já trouxe a minha fámília duas vezes, meu netos já vieram também comigo duas vezes, já estão querendo vir a terceira vez, eu estou tentando arrumar uma vaga, uma brecha na programação para trazê-los. P/1 – E o relacionamento com a comunidade, como você vê isso? Com o entorno, a comunidade do entorno? R – É um outro ponto, assim, fantástico para a Alumar. Porque a Alumar, a Alcoa em si, coloca para a sociedade essa preocupação com o entorno. Não só da fábrica, a sociedade como um todo. Mas voltada mais para o entorno da fábrica. É como se fosse uma distribuição de riqueza, passar aquela tecnologia, passar aquela informação para a comunidade local e, principalmente, com o empreendimento da escola. A Alcoa construiu uma escola próxima à fábrica, entregou à comunidade. P/1 – Pode contar para a gente sobre essa escola sua, o que você sabe? R – Tá, eu não sei detalhes, mas é um projeto fantástico. P/1 – É uma escola, é... R – É uma escola de primeiro grau. P/1 – Então, Amorim, você falou, assim, num geral do relacionamento com as comunidades, não é? Mas e essa parte das ações sociais? Do Bravo... O mês das relações... Você participa disso? R – Eu sou bravista, eu participo para a Sociedade Pestalozzi, é uma sociedade de assistência a crianças com problema... [interrupção na entrevista] P/1 – As ações sociais, especificamente os programas: o Bravo, o mês do serviço comunitário... Eu gostaria que você falasse um pouquinho sobre isso. R – Tá! Eu sou bravista. Eu participo de trabalhos na Sociedade Pestalozzi, é uma sociedade de assistência a crianças com dificuldade motora e especiais. E é um programa que a gente desenvolve de maneira bastante... A gente recebe muito mais do que dá. É gratificante a gente estar ajudando outras pessoas na comunidade. P/1 – Que tipo de trabalho você faz lá? R – Lá a gente capina, a gente arruma livro, encaderna, ajuda a coletar materiais para artesanato local de lá, do colégio, busca sócios que possam contribuir financeiramente para a sociedade. P/1 – E o que você acha do fato da Alcoa incentivar esse trabalho comunitário dos funcionários? R – É fantástico isso aí. Eu acredito que ela deu o pontapé inicial. É como se fosse um estopim, ela acendeu essa chama e hoje ela propagou na fábrica como um todo. Hoje você vê nos projetos sociais a participação de todos. O engajamento de todos é muito grande. P/1 – É uma participação muito grande por parte dos funcionários, como um todo. R – Como um todo. É muito grande. P/1 – E quais são as grandes alegrias que você tem aqui? R – A gente tem bastante. O dia-a-dia da gente... Não tem um dia igual ao outro. Na área de manutenção, todos os dias são novos desafios e as alegrias são em sobrepor esses desafios. Tem um amigo meu que gosta, de vez em quando, de falar esse ditado: “Onde há trabalho, não há surpresa.” Mas então a gente trabalha para não ter a surpresa da quebra do equipamento, não é? Então, só isso aí te dá um sentimento de cumprimento do dever muito grande. P/1 – Como encarregado você tem uma equipe que trabalha com você. Você pode falar um pouquinho sobre como é esse relacionamento? R – Tá! A nossa equipe, como eu falei há pouco, ela é formada de quatro mecânicos e dois eletricistas. Eu diria que são a peça fundamental nesse processo, são pessoas engajadas, responsáveis, e elas fazem acontecer. Então, eu tenho muito orgulho da minha equipe, é uma equipe que tem muita responsabilidade e atende às nossas expectativas. P/1 – E o que você considera a sua principal realização na Alumar? R – Olha, são muitas. Uma delas é ter atingido 20 anos de trabalho na equipe de manutenção, não ter tido, nesses 20 anos, nenhum incidente com a equipe, já que nós trabalhamos com equipamentos energizados. E de ter, também, este ano, atingido o menor índice de equipamentos alarmados em toda a história da preditiva. P/1 – Aqui, na Alumar, ou na Alcoa como um todo? R – Na Alumar, na Alumar! P/1 – Você tocou nesse ponto de não ter incidentes. Isso, aqui, é uma coisa muito forte, essa parte de evitar acidentes e incidentes, não é? Você quer falar um pouquinho sobre isso? R – Ok. O programa de controle de incidente zero na Alumar é um programa que exige muito de todos nós no sentido de trabalhar com segurança, buscar a melhor maneira de fazer, a maneira certa de fazer. E isso só tem benefícios, você tem uma equipe onde todos entram inteiros na fábrica e saem inteiros. Isso é de uma importância fundamental. P/1 – Houve - e ainda está havendo - o projeto de expansão da Alumar. Você, a sua equipe, de alguma forma participa disso, ou não? R – Nós não participamos diretamente, nós participamos de uma forma indireta, com o pessoal da refinaria, indiretamente. Se eles precisam de algum apoio, de equipamentos e peças de reposição para os equipamentos de medição, a gente prontamente tem atendido. Recentemente nós demos um apoio ao pessoal de Juruti, à equipe de manutenção preditiva de Juruti. Eles vieram até a Alumar, fizeram treinamento conosco, de três, quatro meses e a gente assessorou toda a parte de software, de radware para que eles fizessem o ‘startup’ da mina, na planta. P/1 – Você sempre trabalhou aqui na Alumar? Nunca foi para outra unidade da Alcoa? R – Não, eu sempre trabalhei na Alumar, mas já fizemos alguns trabalhos em outra planta. Mas sempre a sede é aqui na Alumar. P/1 – E quando você sai, assim, para fazer trabalhos em outra planta, como é isso? R – A gente foi convidado, recentemente, a fazer um trabalho lá em Poços de Caldas num compressor. Passamos dois dias lá em Poços e retornamos a São Luís. P/1 – Vai fazer um trabalho específico e volta, não é? R – É isso! P/1 – Nós falamos da sua equipe, mas e o relacionamento entre os colegas, no geral, assim, na Alumar? Como é? Como acontece? R – Tá! O relacionamento da equipe é muito bom, as pessoas são abertas, adultas, é uma equipe bastante adulta, responsável. E com respeito à interação da equipe com as áreas é uma interação, eu diria, fantástica. Muito boa! Porque resolvem as coisas muito rapidamente. Uma solicitação de um técnico da preditiva é muito bem aceita e atendida rapidamente. Há indicadores, inclusive, sobre os laudos que eles emitem para as áreas, do cumprimento desses laudos. P/1 – O fato de aqui ser um consórcio interfere? Como funciona o seu relacionamento como um todo, na Alumar, em relação a ser um consórcio? Tem alguma coisa diferente ou não tem? Como é isso? R – Eu não entendi bem a pergunta. [pequeno corte na entrevista] P/1 – É, eu acho que você pode responder à pergunta que eu lhe fiz. R – Ok. Hoje a gente trabalha na Alumar, a empresa para a qual nós trabalhamos é a Alumar, embora ela seja constituída de vários parceiros, vários donos, mas nós trabalhamos para a Alumar. Ah, corta novamente, eu não... [entrevistado demonstra estar confuso quanto a sua resposta] P/1 – Não existe uma divisão? R – Não, não existe! Não existe essa divisão. P/1 – Você pode falar isso, que não existe divisão. R – Aí eles fazem a edição e cortam, não é? P/1 – É isso! Pode continuar. R – Ok. Hoje nós trabalhamos para a Alumar, não existe uma distinção de empresas aqui dentro. P/1 – Você tem, ao longo desses anos todos que você está aqui, algum caso pitoresco para contar para a gente? R – Tem, tem vários! Mas um deles, interessante, assim, bem pitoresco, é que a gente estava, recentemente... Recentemente, não! Desculpe! [Vai editar aí, não é?] Nós temos... Nós temos casos pitorescos. Um deles aconteceu há alguns anos. Nós tínhamos recebido um novo software e a gente estava em processo de treinamento. E clica aqui, clica aqui, vai por aqui e, de repente, a gente falando, disse: “Ah, agora sai.” E a pessoa, em vez de sair do software, saiu da cadeira. Então, todo mundo começou a rir, brincar com ele: “Não, sai do software, não sai da cadeira, continua.” P/1 – Agora vamos falar um pouquinho da sua família, não é? Qual é o seu estado civil? R – Eu sou casado. P/1 – Qual é o nome da sua esposa? R – Mirandolina Guerra Amorim. P/1 – Como você a conheceu? R – Nós nos conhecemos no colégio. Ela estudava com a minha irmã, de vez em quando ia estudar com a minha irmã lá em casa e começaram aquelas trocas de olhares, a gente acabou namorando. P/1 – Quantos filhos você tem? R – Eu tenho três filhos - duas meninas, que são gêmeas, e um rapaz. P/1 – Já tem netos? Quantos netos? R – Eu já tenho quatro netos, são três meninas e um garoto. P/1 – E todos os filhos já são casados? R – Só as duas meninas. P/1 – O que mais você gosta de fazer na sua hora de lazer? R – Ler, pescar de vez em quando. Eu sou aquele pescador que vai para pescar mas não traz peixe, tem que passar no açougue. No açougue, não! Na peixaria. E comprar o peixe para levar para casa. Eu tento, não é? E conversar com os amigos, com os irmãos; geralmente no fim de semana a gente sempre se reúne. P/1 – Durante esses anos todos, como você acha que a Alumar contribuiu para o desenvolvimento de São Luís e do estado do Maranhão? R – Ok! Contribuiu de forma bastante intensiva no desenvolvimento do estado: primeiro com a formação de mão-de-obra, o uso de mão-de-obra local e capacitação da mão-de-obra local. E depois com a distribuição de renda através dos seus funcionários. E trazendo tecnologia, abrindo oportunidades de novas empresas estarem, em paralelo, acompanhando esse processo de desenvolvimento. P/1 – A Alumar é considerada umas das plantas mais modernas do mundo. O que você acha que contribuiu para isso, ou contribui? R – Eu diria que: primeiramente, a flexibilidade, a adaptação que tem o povo brasileiro. De se adaptar a novas situações, não é? A gente procura atender... Corta aí. [riso] [interrupção na entrevista] P/1 – O que você acha que contribuiu e contribui para isso? Você estava falando da flexibilidade do povo brasileiro. R – A Alumar é considerada uma das plantas mais modernas do mundo. Eu acredito que seja devido à tecnologia empregada nos processos e à flexibilidade do pessoal que trabalha na planta, a capacidade de aprendizado, em querer fazer. Esse é que é o grande diferencial. São as pessoas. Isso torna a fábrica a melhor do mundo. São as pessoas. P/1 – Como você vê a atuação da Alcoa como um todo no Brasil? R – Essa área eu... P/1 – Não? R – Não, eu não. É uma área que é muito estratégica, não é? P/1 – É, a gente pergunta, assim, no global. A Alcoa tem várias unidades. Qual seria a sua visão a respeito disso? R – Tá. P/1 – Qual é o fato mais marcante que você presenciou, ao longo desses anos, aqui na Alumar? R – Um dos fatos, assim, mais marcantes não foi um fato bom, foi um fato ruim. Foi quando nós perdemos a linha II. A gente ficou... Todo mundo cabisbaixo, porque é a perda de uma linha de produção. P/1 – E como foi que perdeu a linha? R – Havia problemas no retificador e esse retificador falhou. Então, houve essa perda da linha. Embora todo mundo estivesse cabisbaixo, mas o nosso gerente, o Nilson Ferraz, ele foi bastante, eu diria, ele deu muita ênfase para a recuperação e rapidamente a planta foi recuperada e voltamos a produzir. Então, isso foi um fato marcante na minha vida de manutenção. P/1 – E quando acontece essa perda tem que refazer toda a linha? Como funciona? R – O processo foi: primeiro, recontruir os retificadores que foram destruídos. Foi um curto-circuito. E depois, religar a sala de cuba, as cubas. P/1 – Amorim, quais foram os maiores aprendizados de vida que você obteve trabalhando aqui na Alumar? R – Muitos! Muitos, não é? Primeiro, um relacionamento com as pessoas. Às vezes, a gente pensa que é a gente que faz, mas a gente só faz se tiver ajuda de outras pessoas. Isso foi um grande aprendizado, trabalhar com as pessoas, fazer com que as pessoas me ajudem a fazer, esse é o ponto mais importante. Eu acredito que foi o meu aprendizado aqui na fábrica, além do aprendizado técnico. Eu me desenvolvi muito na área em que eu atuo. E agradeço os investimentos que a companhia fez em mim. P/1 – Você chegou a fazer, depois, mais cursos? Porque você falou que parou, que foi lá para o Rio, daí voltou, depois já começou a trabalhar. Depois você fez alguma faculdade, ou não? R – Ok! Eu comecei a fazer a faculdade de Química Industrial, aí parei no sexto período, tranquei. Fui então para o ramo da aviação. Depois voltei a trabalhar no mercado normal. Em seguida, fiz os cursos do Senai, de Eletromecânica, entrei para a Alumar. Depois, na Alumar, eu fiz o curso de Administração de Empresas, a empresa me ajudou a fazer e eu me formei. A seguir, eu fiz o curso de pós-graduação em Gestão de Qualidade, uma pós-graduação de dois anos e, por enquanto, eu estou parado na área de estudos, mas pretendo fazer uma outra pós-graduação em breve. P/1 – Você falou que a empresa lhe ajudou. Ela tem um programa de ajuda aos estudos? R – Isso. A empresa partilha com você, ela lhe dá uma parte, um incentivo aos estudos. P/1 – E o que é, para você, ser um alumarense? R – Ok! É encher... Estar sempre com o peito cheio de orgulho da gente trabalhar numa empresa que é ponta de mercado, na ponta da tecnologia. Sempre buscando novas tecnologias, acreditando nas pessoas que trabalham nela, fazendo com que as pessoas se desenvolvam para que ela se desenvolva. Então, é motivo de orgulho para a gente ser alumarense e ser maranhense. P/1 – Como você avalia o fato de a Alcoa estar registrando a sua história através da história das pessoas que trabalham nela? R – Eu diria que é o fechamento, assim, com chave de ouro nesse processo de reconhecer as pessoas. A gente se sente muito grato, a gente fica gratificado, orgulhoso de estar participando de um processo desses, em que a gente está dando parte do depoimento de vida - fora da companhia e dentro da companhia - a respeito do que a Alumar contribuiu para o nosso processo de vida, de aprendizado, de crescimento pessoal, crescimento financeiro. É fantástico! P/1 – Tem alguma coisa que a gente não tenha perguntado e que você gostaria de deixar registrado aqui? R – Não, eu acho que vocês perguntaram bastante. [riso] P/1 – O que você achou de ter participado dessa entrevista? R – Eu achei um processo, assim, bastante descontraído. Eu confesso que, no começo, estava um pouco nervoso. Eu tinha até feito o meu scriptzinho do que eu poderia falar, eu pensei que não fosse no modo de entrevista. Inclusive, é uma oportunidade até de falar para as pessoas que estão vindo, como é o modo. Porque não me foi passada essa informação, de que seria no modo de entrevista. Por isso é que eu tinha preparado um scriptzinho. P/1 – E as nossas perguntas abrangeram aí o seu script? R – Bastante! Foram bem mais do que eu esperava, bem além! P/1 – Então, Amorim, obrigada! R – Espero que eu tenha contribuído bastante, embora eu não tenha nenhuma experiência nessa área de ser entrevistado, foi a primeira vez. [riso] Mas foi muito legal. Parabéns à equipe pela maneira profissional... Profissionalmente como vocês estão fazendo os estágios. É muito legal! P/1 – Bom, em nome da Alcoa e do Museu da Pessoa, a gente agradece a você. R – Eu é que agradeço. Obrigado! [FIM DA ENTREVISTA]
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