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Objetivo e realização

História de: Vanda Felipe Ferraz
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 15/06/2020

Sinopse

Nasceu em 1945 em São Paulo. Pai era gerente na Singer e abriu uma loja em Sorocaba, cidade que morou desde dos 17 anos. Mãe é espanhola, veio com 12 anos para o Brasil, já o pai era filho de alemães. A mãe era católica e o pai protestante, conviveu com a religião protestante e católica. Tinha uma perfumaria, depois fechou. Em seguida entrou para a Natura como promotora, participou de muitas convenções. Casada e tem três filhos.

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História completa

P/1 – Vanda, a gente sempre começa pelo princípio e eu queria saber, assim, quando, onde você nasceu e o seu nome completo.



R – Nome: Vanda Felipe Ferraz, nasci em São Paulo, capital, e depois fui pra Sorocaba que adotei pro resto da vida.



P/1 – E você nasceu em que ano?



R – Mil novecentos e quarenta e cinco.



P/1 – Em que dia?



R – Trinta e um de março.



P/1 – Por que você foi pra Sorocaba?



R – Meu pai trabalhava na Singer e ele era um gerente que designava os pontos e abria lojas, e Sorocaba foi a última loja que ele abriu.



P/1 – E você tinha quantos anos quando foi pra lá?



R – Quatorze anos.



P/1 – E a sua infância foi em Sorocaba?



R – Foi.



P/1 – Foi essa a sua infância?



R – Olha, eu mudei bastante, né, porque meu pai, por ele trabalhar na Singer, mas eu era filha única, então eu acho que toda filha, acho que todos filhos são felizes, toda infância é maravilhosa, é a melhor época da vida.



P/1 – Seu pai se chamava como?



R – Sebastião Felipe.



P/1 – E a sua mãe?



R – Josefa Rodrigues Felipe.



P/1 – Fala um pouquinho deles pra gente, como eles eram com você, qual era a relação… 



P/2 – Só um instantinho.



R – Tive uma infância feliz, decente, eu acho que eu sempre, minha vida toda eu fui feliz, meu pai, embora o nome dele não seja um nome de santo, ele foi escolhido em prol de São Sebastião, porque ele nasceu em janeiro a época do dia de São Sebastião. Meu pai era filho de alemão e o Felipe é uma naturalização de um nome alemão que seria Filipowski, quase russo, né, eles eram prussianos. Meu pai era uma pessoa maravilhosa, de bastante diálogo, mas bem rigoroso daquela linhagem alemã, casou com a minha mãe espanhola, minha mãe veio com 12 anos da Espanha. Então era o oposto, pra começar da religião, um era protestante, o outro era católico, meu pai de família de pastores, minha mãe de família de madres, mas eles tinham uma harmonia muito interessante, discutiam religião, conversavam sobre religião, a alimentação era diferente, então foi, assim, uma coisa muito harmônica o relacionamento deles, e por isso que eu acho um mundo harmônico a vida harmônica, porque tem que se adaptar com isso daí, não é?

 

P/1 – O que você acha que você, Vanda, carrega deles, dessas tão diferentes nacionalidades?



R – Eu acho que um pouco de cada um, né, inclusive aceitação de tudo também e você analisa e vê o que é bom, porque eu era uma filha só, duas religiões diferentes, né. Meu pai era vegetariano, minha mãe comia carne, né, alimentações diferentes, então você faz um balanceamento, vê que tudo é bom, tudo serve e dali você faz uma opção de vida do que é melhor ou não pra você, acho que a gente sempre tem que analisar o que é e o que não é.



P/1 – Mas quando você se olha no espelho e vê a Vanda, você fala: “Isto é do meu pai, isso da minha mãe.” Quais são esses valores?



R – Eu acho que fisicamente eu sou minha mãe e se eu tiver um pouco de docilidade eu sou ela e se tem um pouco de paciência, também sou ela. Agora, a determinação, opinião pra fazer as coisas, a garra: “Vou fazer, vou fazer e tá acabado.” Isso daí é do meu pai, meu pai era uma pessoa muito determinada.



P/1 – Quando você foi à Sorocaba você tinha 14 anos… 



R – É 14, olha, nem 14, minto, 16 anos, eu já tinha acabado o ginásio, eu fui pra Sorocaba com 17 anos, no terceiro ano do colegial.



P/1 – E você foi estudar numa escola, finalizar em Sorocaba, como que é?



R – Terminei o colegial que antigamente falava, né, curso técnico de contabilidade em Sorocaba, meio, os últimos meses, meio semestre, já fui trabalhando lá pra Sorocaba.



P/1 – Vandinha, você tava falando que com 16 anos você foi pra Sorocaba… 



R – Dezessete.



P/1 – Dezessete, é, e foi fazer o colegial.



R – Acabar, fiz o segundo semestre em Sorocaba, me formei em Sorocaba no colegial.



P/1 – E aí o que você foi fazer, você foi trabalhar?



R – Eu já trabalhava, quando eu fui pra Sorocaba, como eu tinha… Morei em Poá, conhece Poá?



P/1 – Conheço.



R –  Então, meu pai, como a Singer eles recolhiam as máquinas usadas, faziam troca, né, das máquinas usadas, então meu pai comprava essas máquinas da Singer e reformava as máquinas à noite e punha na loja pra vender máquinas usadas e eu tomava conta da loja da máquina usada.



P/1 – Ajudava o pai?



R – Ajudava.



P/1 – E onde era a paquera, o “footing”, onde você tirava a linha, onde era isso?



R – Ah, como eu morava em São Paulo era mais difícil, né. No ginásio, eu tinha sempre, assim, né, aqueles menininhos que a gente achava mais interessantinhos. E em Sorocaba, quando eu fui eu achei uma coisa tão interessante, acho que é sui generis pro interior, na praça o pessoal ficava rodando em volta, os meninos ficavam parados, assim, nas calçadas e as meninas rodando uma de braço dado com a outra. Eu achei isso tão interessante, tão criativo e diferente, porque ali cada um já tinha aquela seleção natural, né, já olhava a menina, a menina já passava e olhava, eu achava um barato isso daí.

 

P/1 – E você conheceu seu marido assim, no “footing”?



R – Não.



P/1 – Onde foi?



R – As minhas primas foram passear lá em Sorocaba, né, porque aí eu já me entrosei, né, meu pai chegou, quer dizer, era uma pessoa relativamente enfronhada no comércio, porque é o gerente de uma loja de porte, né, elas foram, aí nós fomos num baile, tinha um baile muito importante lá que chamava-se o Baile do Rubi, que era de formatura da faculdade de Direito. Aí eu ganhei convites, né, que nessa época eu namorava um rapaz que fazia Direito e o irmão dele tinha se formado em Direito. Então as minhas primas foram e o meu marido se interessou por uma das minhas primas, sabe, então nós fomos no baile, tudo juntas, elas tinham terminado um namoro tava toda triste e esse meu namorado convidou colegas para ir com as minhas primas, né, porque eram três meninas, ele não ia poder levar as quatro no baile, né, então ele convidou colegas, e nesse meio tava o meu marido que era colunista social, ele falou: “Olha, é meu irmão, é minha formatura, tem essas meninas que vem de São Paulo etc.” Então, convidou ele, que na época era colunista social.



P/1 – Você já casou estrelando?



R – (Risos). Aí depois minha prima foi embora, né, eu também terminei com esse rapaz, tenho amizade até hoje, nada a ver, coisinha de jovem porque antigamente era um relacionamento mais, assim, muito de amizade, né, ainda mais por Sorocaba ser uma cidade de… Ela tem um pouco de preconceitos, né, então quando chega uma pessoa de fora, eles vão estudar, assim, se a pessoa tinha “berço”, aquelas coisas assim tradicionais do interior, né, ou se entrosar, como eu entrosei bem lá, depois até terminei com ele e comecei namorar meu marido e casei.



P/1 – Você tem filhos?



R – Tenho, três.



P/1 – Como eles são?



R – São um diferente do outro, completamente, fisicamente tem dois parecidos que é o mais velho e a menina, do meio, tem um que ele tem mais o meu perfil, o mais velho é mais fechadão, todos eles são muito bonitos.



P/1 – Como começa essa sua aventura essa história com a Natura, quando que acontece esse caso?



R – Então, depois que eu parei de trabalhar na Singer, que o meu pai saiu, eu comprei uma loja de cosméticos, fiquei 10 anos, mas 10 anos certinhos, de agosto a agosto de 10 anos depois. Então, aí eu trabalhava com cosméticos, presentes, era uma loja de perfumaria, chamava Vanda´s Perfumaria. Eu trabalhava com Helena Rubinstein, com a Payot, todas essas empresas, né, que vendiam cosméticos, sempre gostei, achava fascinante. Trabalhava com a Wella, porque vendia tintura; sempre fiz cursos, fiz curso na Orbac Cosméticos, na Wella, na L´Oreal pra saber vender pras pessoas, né. Nesse meio tempo que eu tinha a loja, isso aqui é um caso sui generis, mas não é da Natura, passou na minha loja um rapaz, abriu uma colônia e mandou experimentar, era uma colônia, na época no mercado, diferente que era a colônia Rastro, foi a primeira colônia cítrica que eu tinha visto na minha vida dentro daquele meu universo de perfumes, né, aí eu falei pra ele: “Nossa, que colônia diferente, vai agradar homem e agradar mulheres, é uma colônia ativa, ela lembra dinamismo, lembra não sei o que.” Ele falou pra mim: “Quer fazer o lançamento dessa colônia na Fenit [Feira Nacional da Indústria Têxtil]?” Eu falei: “Mas Fenit não é de roupa?” Ele falou: “É, mas o (como é que chama aquele que morreu?) Denis… 



P/1 – Estilista? Dener.



R – Dener: “Ele vai me deixar ficar no estande dele pra mostrar a colônia.” Era o Aparício, da Rastro. Aí fui eu lá, né, de Sorocaba pra lá. Me deu roupa, pagou hotel tudo, fui eu com família e marido, foi todo mundo pra São Paulo. Fiquei lá, conheci o Dener, apresentei. Aí achei interessante você apresentar as coisas, porque eu nunca tinha feito… Apresentava na loja, né, mas ele falou: “Se eu contratasse uma pessoa pra falar da minha colônia, ninguém ia falar como você falou, tão espontânea.” Foi a primeira coisa que eu fiz freelancer fora da loja, dali uns tempos apareceu um convite pra eu trabalhar na Helena Rubinstein, também ser freelancer que eu falei pra você, aí quando entrei na Natura, tinha uma linha inteirinha da skin dior da Helena Rubinstein que eu tinha ganho pra fazer, a de demonstração e a minha, aí troquei tudo, primeiro salário meu só comprei Natura, você acredita? [... Colar de pedrinha,  colar ai e uma vitória, olha, lógico… É… Ainda que eu tenho quatro… Uma etapa da campanha pra vir na convenção, tenho duas opções pra vir na convenção como eu tinha mais de 20 anos eu podia só fazer volume, mas eu cumpri todas as etapas… ] Agora, como eu entrei na Natura?



P/1 – Isso.



R – Eu vendi a minha loja, porque o meu marido achava que eu ficava muito, ele viajava, ele queria que eu fosse viajar com ele, eu não podia viajar com ele porque eu tinha a loja, né. Então eu vendi a loja e fiquei um ano parada na minha vida, porque a vida toda eu trabalhei e os meus olhinhos já estavam fazendo assim ó: “Plim plim.” Acho que foi a pior época da minha vida, aí saiu um anúncio no jornal, pessoa disponível, carro, telefone, pá, pá, pá, aí fui lá. A entrevista era nove horas, oito e meia eu tava lá e uma coisa interessante que eu levei crochê pra eu fazer que eu falei: “Sei lá, se isso demora.” Nunca tinha feito entrevista, nunca tinha sido empregada de ninguém, né, então vou lá e chegou o gerente que ia fazer a entrevista, que chamava-se Norberto, foi o primeiro gerente de vendas do interior de São Paulo, ele entrou em maio na empresa para abrir o interior. Aí fez várias entrevistas, fez comigo, falou que ia me dar a resposta no outro dia, mas uma das coisas que ele perguntou pra mim, ele falou: “A senhora conhece Natura?” Eu falei: “Não.” “O quê a senhora acha que é?” Eu olhei assim pra ele e falei: “Ovos.” Ele falou: “Não, é uma empresa de cosméticos.” Aí eu falei: “Não, não é possível, eu conheço todas, todas, não é possível, nunca passaram pra vender isso daí pra mim na loja.” “Não, é porque é de venda domiciliar.” Aí que eu fui entender, ainda até associei, venda domiciliar como a Singer? Porque a Singer vendia máquina de casa em casa, de porta a porta, aí passei no teste, entrei, ganhei um quinto do Estado de São Paulo, meu mapa que eu tenho lá, o setor, um quinto do Estado.



P/1 – Como que era a Natura nessa época, como ela tava alternada?



R – Era uma firma, sempre foi uma firma muito gostosa de trabalhar e muito humana, mas ela era pequena, era bem aconchegante. Hoje é uma empresa enorme, né, que você quase não conhece todos, mas sempre foi. Fui fazer o treinamento, já me apaixonei pelos produtos, era antigamente, sempre os conceitos, né, apaixonam a gente.



P/1 – E você entrou já como promotora?



R – Entrei como promotora. Era a primeira promotora que tinha… (Pausa).



P/1 – Você entrou como promotora?



R – Entrei com cinco meninas, ele abriu Sorocaba, Campinas, Ribeirão, Presidente Epitácio e Porto Ferreira, só fiquei eu.



P/1 – Como você fazia pra captar consultoras, como que é o seu trabalho?



R – Como não era muito divulgado e naquela época a Natura tinha uma linha profissional e o nosso maior foco era, então, na época, esteticistas, cabeleireiros, e depois no próprio salão você já arrumava a cliente, a esteticista indicava outra que usou, gostou, tinha a linha cliente. Começamos quase que basicamente a montar, a princípio com cabeleireiros, depois começou a vir a linha de perfumaria, então começou a vir outras linhas, mas ela usava… A esteticista usava a linha profissional e usava a linha cliente, aí as clientes começaram a despertar para o produto e você chegava, perguntava: “Você usa, conhece, não, uma linha assim.” Podia perguntar até nos próprios salões, na rua e uma pessoa jeitosinha.



P/1 – E quais eram as suas estratégias de vendas, como você fazia pra esses cabeleireiros, essas esteticistas?



R – Ah, você sempre tinha o pedido mínimo, né, como tem agora, só que era por itens, passar era bem artesanal, passava o produto, o pedido pra gente, a gente captava o pedido, depois passava pra empresa por telefone ou senão punha no malote, hoje a empresa é outra, é um outro mundo.



P/1 – Mas você tava contando que você foi na Fenit pra falar da Rastro, como que você fazia pra falar da Natura… 



R – Da mesma maneira quando você fala da Rastro, eu falei, né, como falava dos produtos da Helena, agora a Natura que eu amei eu falava com muito mais… 



P/1 – Você fazia experimentação?



R – Sim, a gente fazia a reunião de clientes, a consultora pra ela captar bastante cliente, para conhecer o produto, a gente tinha o enxoval, ela marcava uma reunião dos clientes dela, dos amigos dela, a gente ia, fazia a demonstração, a pessoa ficava encantada porque via a pele diferente, né, era um trabalho artesanal mas muito gostoso, é gratificante, você vê, a pessoa passa o produto e fica contente, feliz, ela vê a pele ficar diferente, ela se incentiva.



P/1 – E quais os desafios que você vive… 



P/2 – Posso fazer uma perguntinha? Vanda, tem alguma história dessa época que você começou, assim, em particular, alguma coisa engraçada, alguma coisa que, por exemplo, quando você chegou lá, você pensou em fazer de um jeito e aí quando a pessoa ouviu você teve que se adaptar na hora, alguma coisa… 



R – Não, quando eu fazia uma região, toda a empresa sabe que… É uma história sui generis. Eu fui pra uma cidadezinha pequenininha quase vizinha, lá do Paraná, fazer o cadastro de uma menina e a estrada é assim, não lembro, acho que é Apiaí ou Ribeira, agora tá com a Márcia Leitão, porque o médico acho que ele tava num lugar, acho que é Ribeira que não tinha médico. A estrada ela é, assim, um parafuso é a Rodovia do Tomate, quer dizer, ela só sobe e desce tomate, é serra, e começou a chover horrores e eu não tive coragem de subir a serra, porque desce muito caminhão e já era a noite, né, então eu falei: “Como é que eu vou fazer?” Na cidade não tinha local pra dormir, tinha um posto de gasolina que tinha uns quartinhos, assim, que os caminhoneiros dormiam. Eu encostei ali, 300 caminhoneiros olharam pra mim, naquele tempo eu era mais nova, né, eu falei: “Não, não é aqui.” Voltei pra cidade falei: “Vou bater em alguma casa e ver se alguém quer me dar pousada, né.” Passei em frente da Santa Casa, do hospital, falei: “É aqui!” Cheguei lá na portaria e falei: “Olha, eu tô passando mal, sou de Sorocaba, não tenho coragem de viajar, que eu não estou bem, como é que eu faço?” “Ah, moça, mas o médico não tá aí, o médico só vem amanhã às oito horas.” Eu falei: “Oh, minha filha, tá aqui meus documentos, você me interna, amanhã eu espero um médico, porque olha, tô morrendo de medo até de ficar fora, tô passando mal.” A moça olhou pra mim, não era enfermeira, não era nada, me internou, tomei banho, dormi, fiquei lá, no outro dia cedo: “Tchau!”



P/1 – Deu o golpe no hospital?



R – Deu golpe não, porque eu assinei, né, antigamente não é como agora que nada atende, antigamente você tinha uma carteira registrada, você tinha direito a, que falava Inss, né, assinei, tudo direitinho. O café da manhã era seis e meia, o médico ia chegar oito e meia, nove horas tinha que fazer as duas cidadezinhas, passei, era outra menina que tava na portaria, passei de malinha e vim embora, tinha outra coisa pra mim fazer?



P/1 – E desafios, além desse, são desafios que você tem que enfrentar, quais outros você teve que encarar nessa fase inicial da Natura aí?



R – Olha, concorrência não tinha muito, porque tinha várias linhas que estavam se lançando no mercado, mas não tinha o padrão da Natura, não tinha o conceito da Natura e eu estava lá para propagar a Natura, as outras eram as outras. Antigamente tinha Jafra, tinha Algemarin, que eram linhas também, assim, mais elitizadas e mais, assim, digamos que dava uma certa conotação da Natura, mas não tinha, não. Se você chega, se você fala, você vende o produto, se você gosta você vende, entendeu, não tem muito, não tem concorrência se você gosta daquilo, você, quando ama, ele não é o melhor do mundo? Então.



P/1 – O que mudou a sua vida, a sua pessoa, sua forma de ver o mundo, trabalhando como promotora?



R – Ah, você trabalha com pessoas, né, é gostoso, cada uma é uma pessoa, cada uma você aprende um pouquinho. Você passa, você ensina, você vê a consultora ter sucesso, você vê a empresa crescer, você vê os produtos avançarem no mercado, você, cada vez mais top de linha, cada vez, como é que se diz, a empresa sempre é pioneira em lançamentos, então isso daí te dá uma satisfação muito grande, não é? O próprio trabalho em si, o dia a dia, você passar informações, você cobrir uma meta, é um desafio muito gostoso.



P/1 – E materialmente, o quê você conseguiu com esse trabalho, o que você conseguiu mudar na sua vida?



R – Ah, a realização profissional com dinheiro é uma coisa muito gratificante, você não acha? Eu acho que é o que todo mundo quer, você trabalha, você luta, você tem a sua compensação, principalmente como mulher, você pega o seu dinheiro, você faz o que você quer com ele, eu acho que não tem, precisa passar por esse mundo e viver isso.



P/1 – Quantas convenções você participou, Vanda?



R – Ah, sei lá, não me pergunte isso, eu acho que eu não fui na África e não fui em Miami, porque nessa época teve uma divisão no meu setor, porque meu setor sempre foi crescendo e foi dividido, foi dividido dez vezes. Na décima vez eu não consegui me recuperar tão rápido dessa divisão, que você tem uma meta, né, como é, assim, as mulheres foram e os números ficaram. Então, essa daí acho foram duas que eu não fui porque eu não tive, não cumpri as metas que eram necessárias, mas o resto acho que todas.



P/1 – Qual delas que te marcou, que você tem alguma lembrança especial?



R – Ah, muitas, muitas, porque cada uma na sua época representa um objetivo, um sonho seu naquela época. Quando eu ganhei o meu primeiro carro, né, quando eu fiz 10 anos, quando eu tinha 15 anos também, e, assim, de emoção que eu senti que me contagiou, das minhas colegas todas foi a de 20 anos, mas cada uma é uma, cada uma é um momento maravilhoso, cada uma é um momento divino que você passa. Quando eu tinha 15 anos também eu já não tinha, eu já sou useira e viseira de dançar com o seu Luiz, não era a primeira vez nos meus 20 anos, com 15 anos também eu já era a mais antiga da empresa, então é um estigma que eu carrego: “Ah, ela é a mais antiga.” Mas é uma coisa muito gostosa você pertencer há tanto tempo.



P/1 – Quando você fez 20 anos vocês fizeram… 



R – Foi a mais, assim, emocionante, entendeu, no sentido de, porque eu sou muito difícil de chorar, né, de ver as pessoas, de sentir como eu era amada e como aquela minha realização era um sonho de todas. Eu quero que todas façam 20 anos, sabe, mas é uma coisa inexplicável, você passar por isso e ver que elas estavam com, muito felizes, muito emocionadas e eu também, querendo que elas passassem por isso, quero que todas façam 20 anos.



P/1 – As outras promotoras, as mais jovens, elas te procuram para pedir conselhos, orientações?



R – Elas, quando elas estão um pouquinho, assim, aborrecidas: “Ai, como é que você aguentou tanto tempo, né, ai como é que você faz?” Eu falo: “Calma, tudo é normal, não se estresse, não vale a pena, se possível para, pensa um pouquinho que você vai ver uma outra visão.” Quando a gente tá muito nervosa, muito estressada, a gente parece que tá com um cabresto, se você parar um pouquinho, respira fundo, Deus já te dá uma outra luz e você consegue sair, porque tem que sair, não pode ficar ali, sabe, não pode tropeçar num grão de areia, jamais… 



P/1 – Num grão de areia?



R – Não pode, porque se você ficar olhando pro grão de areia ele se transforma numa montanha.



P/1 – Essa convenção dos 20 anos que é muito marcante, você lembra o hino, a canção que tocava, qual era a música?



R – O nome eu não sei, mas é uma música muito bonita que minha mãe cantava, eu até falei pro seu Luiz: “Minha mãe cantava.”



P/1 – Você sabe cantar?



R – Não.



P/1 – Nem um pedacinho?



R – Ah, pula essa parte.



P/1 – Tem vergonha?



R – É, porque aí você vai mexer com o meu equilíbrio, muda aí.



P/2 – Posso te fazer uma perguntinha?



R – Pode.



P/2 – Se vier agora uma moça aqui, jovem, começando, sabe nada, zero, o que você falaria pra ela?

 

R – Pra ela aprender, pegar a trilha dela, ir em frente, que ela vai ser uma ótima profissional, vai ter grandes felicidades, grandes realizações, que, é isso aí, não desistir de nada, se planejar, se programar, porque a nossa vida ela é muito eclética, precisa, às vezes, as pessoas novas elas têm vontade, é lógico, de fazer e sem o planejamento, sai atirando pra todo lado. Aí pode ser que peque um pouco e não alcance os objetivos, assim, com tanta precisão que é necessário. Então a pessoa sempre tem que parar um pouquinho, pensar e depois caminhar, a nossa vida é um sinaleiro, a gente tem o que pode parar, dar o alerta e o que pode avançar ou não, né. Então isso daí a gente mesmo segue, cada uma tem um perfil de trabalho, um perfil de comportamento, um perfil de relacionamento com as pessoas e a gente vai se moldando, né, pra você, hoje as pessoas falam pra mim: “Você é muito segura.” Mas pra mim ganhar essa segurança, eu fui conquistando até isso de mim mesma: “Será que eu vou fazer isso, tá certo?” Assim como também, quando entra uma menina nova, ela vem com ideias novas, com um outro tipo de garra e a gente aprende com elas, eu gosto de ouvi-las falar, porque todo dia a gente aprende alguma coisa, todo dia tem uma ideia diferente, a nossa cabeça é muito rica. É mais rica que um computador, porque o computador você implanta lá e ela não, ela flui naturalmente, então todo mundo tem alguma coisa pra dar, todo mundo tem alguma coisa pra ensinar, e naturalmente para aprender também.



P/1 – Quais são seus sonhos, Vanda, seus desejos?



R – Ah, eu quero continuar trabalhando até que eu tenha saúde, né, não penso muito em doença, porque trabalhar faz bem, trabalhar é uma terapia, sabe, faz bem pra mente, faz bem pro bolso, né, agora, no sentido da empresa é isso daí. Na minha vida pessoal, eu gosto muito de sair, eu gosto muito de passear, meus filhos já estão criados, graças a Deus, todos encaminhados, dentro do mundo de hoje, são maravilhosos, né. Ali ninguém bebe, ninguém fuma, ninguém nada, todo mundo cuida da sua vidinha. Acho que também penso em trabalhar para um mundo melhor, porque o mundo tem muita necessidade, né, nosso país também tem muita necessidade, então me satisfaz trabalhar pra isso. Pertenço ao Lions, faço, sempre que posso, alguma outra atividade, assim, mas acho que viver é bom, né, viver com meu marido que eu amo. Única coisa que me preocupa de vez em quando é, eu acho morrer antes dele, não quero morrer depois não, ele que sofra, eu sou egoísta.



P/1 – Pra gente fechar, eu gostaria que você dissesse  o que é pra você a beleza de ser promotora Natura?



R – Olha, pra mim é uma vida maravilhosa, tenho que agradecer muito a Deus, porque é uma vida de muitas gratificações, muito conhecimento, muito aprendizado, muita adrenalina, né, percalços lógico também, mas que a gente vai superando. É uma vida, olha, que eu desejo pra todos porque é uma glória ser uma promotora, tanto pela realização, pelo que você colhe, pelo que você planta, pelo que você faz, pelo que você propaga, pelo amor aos produtos, pelo amor a empresa, é fantástico.



P/1 – Esse sorriso aí?



R – É fantástico, sei lá, é isso aí.



P/1 – Vanda, hiper obrigada, a gente tem um tempo, estamos atrasadíssimos. 

 

  

   

--- FIM DA ENTREVISTA ---




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