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"O ViraVida me acordou"

História de: Dora
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 05/09/2019

Sinopse

Dora descobriu aos dez anos de idade que era filha adotiva. O comportamento rebelde veio da não aceitação deste fato e do desejo constante de conhecer sua mãe biológica. Passou a usar drogas; depois da passagem por algumas casas de recuperação, conheceu o Projeto ViraVida, onde conseguiu se encontrar. Seus dois filhos são sua motivação para seguir em frente no caminho de transformação. 


 

  

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História completa

Meus pais verdadeiros? Eu não os conheço, eu moro com meus pais de criação. De vez em quando ela fala que minha mãe, quando soube que estava grávida, disse que não ia querer; [disse] que a família, meus parentes verdadeiros, não aceitavam, aí ela tinha que dar pra alguém. Ela disse que se essa minha mãe que me criou não quisesse ela ia me matar, ia fazer qualquer coisa, mas não queria. Assim [é] a história que eu soube, que ela conta. 

A minha infância até os dez anos foi boa. Quando eu era pequenininha, eu lembro que gostava bastante de brincar de boneca. Como não tinha muita boneca, fazia as bonecas de folha de banana. Eu sabia, eu entendia que minha mãe não podia comprar as outras bonecas que eu queria, que minhas colegas tinham, então eu me acostumava com o que tinha. Eu brincava com meus coleguinhas. Mas até os dez anos eu soube de toda verdade.

Eu já tinha um pouco de desconfiança porque meus amigos, minhas colegas dali, vizinhas, elas sempre falavam. Meninas quando estão brincando são gente ruim, às vezes, porque são maldosas; viam que minha mãe e meu pai são brancos, meus irmãos. Eles falavam que eu era morena, me chamavam até de nega preta, essas coisas assim. Piadinha de coleguinha. Eu ficava sentida. Foi quando eu soube, aos dez anos minha mãe me chamou, conversou comigo. Quase não queria aceitar, mas fazer o quê? Eu fiquei muito sentida. Fiquei procurando, eu lembro que eu perguntei a ela quem era minha mãe, que eu queria conhecer. Até hoje, já pedi, mas eu não conheço. E ela nunca apareceu, então não posso fazer nada, só esperar pela fé de Deus se um dia ela aparecer, pode ser que eu a perdoe.

Eu não queria que isso tivesse acontecido. Mas era bom ela ter contado mesmo, porque se ela fosse contar agora grande eu ficaria mais revoltada, como eu me revoltei um tempo. Eu fiquei bastante revoltada. 

Passado um tempo, eu comecei a me envolver com drogas. Eu já não ligava mais pra eles, passava o maior tempo na rua, na casa das minhas colegas, não queria saber muito deles. 

A escola era boa, tinha umas professoras que ensinavam bem, só que eu não prestava bastante atenção, não ligava muito pro que eles passavam. Eu ia mais pro colégio, às vezes, só pra passar o tempo.

A primeira vez que eu usei drogas foi com uma amiga minha, que eu achava que era amiga. Amigo ninguém tem; antes eu achava que era minha amiga, tava do meu lado. Ela me ensinou a usar cigarro a primeira vez. Eu lembro que a primeira vez eu engasguei, ela disse que era normal. Depois que eu aprendesse, depois que eu pegasse a manha, eu ia ver, eu ia estar bem craque. Aí, eu comecei. 

Comecei diante desses problemas todos, de não ser filha verdadeira. A primeira foi a maconha. E aí ela misturava também. Ela misturava pedra de crack com maconha. E aí eu já tava bem acostumada e fui mais ela. Fui indo, fui indo. Não tinha dinheiro, a gente era obrigada a pegar umas coisas alheias (risos) pra poder... Minha mãe sofreu bastante na delegacia atrás de mim. Ela não me levou pra fazer as coisas erradas; eu ia. Ela falava, ela apenas incentivava. E eu ia. 

Nós saíamos caminhando pro mundo. Todo bairro, qualquer bairro aí; dava na nossa cabeça, festa de reggae, nós íamos. Às vezes só pra bagunçar, pra brigar, porque ela era bem marcada nesse tempo. Nós estávamos andando com ela, nós íamos ficar também. Só que às vezes, [em] negócio de briga, eu me afastava pra não poder… Se um dia eu quiser andar no bairro, é tão feio a pessoa andar marcada, Deus me livre! Eu ficava assim, distante. Mas depois, quando era pra usar algumas coisas nós íamos juntas. Eu lembro que eu tinha uns quinze pra dezesseis anos. Aos quatorze anos eu já andava nas festas.

Não dava pra pensar. A droga tomava conta, era ela que pensava por nós. Porque quem usa essas coisas não pensa; eles vão mesmo, não tem rumo, pra qualquer lugar tá bom. Sendo lugar perigoso, porque só vai pra lugar perigoso, né? Onde um pode chegar e matar, brigar por causa das drogas, porque às vezes tem um que quer e toma da gente.

Já trabalhei [vendendo drogas] pra eles, eu e minhas colegas, mas a gente via que lá não dava certo, não, porque a gente ficava de esquina - nesse tempo falava que era ‘bucha’, né? Porque se a polícia pega, a gente tinha que segurar o que estava vendendo. Faz de conta que não era nossa a droga, mas a gente tinha que dizer que era, porque a gente era menor e não ia pesar muito pro nosso lado. Então, a gente acabava vendendo, mas nós deixamos, era mais pra usar.  

É ruim. Passa o sono, tinha que ficar acordada a noite todinha. Eu queria ir pra casa dormir, e quando eu falava que ia pra casa dormir: “Que é isso, tu tá vacilando, tu vai embora agora?” As falas deles, né? “Tu vai embora agora? Não, tu não vai agora, não. Se eu não vou agora, tu vai ter que ficar com a gente.” Então eu ficava, era tipo obrigada. Não era obrigada, mas eu me sentia, então eu ficava. Pra ele não fazer nada comigo eu tinha que ficar, né? Eu me sentia mais segura ficando, porque se eu fosse pra casa, poderia fazer alguma coisa com minha família e comigo. Aí o negócio já era mais pesado, pois é. Aí eu acabava ficando, passava as noites fora de casa.

A gente pedia, ela roubava, vendia. O que ela roubava, ela vendia e repartia com a gente. Quando a gente saía pras festas, alguns rapazes nos viam, marcavam, e a gente saía, nós todos. Saíamos eu e mais duas - eram três, né? Nós saíamos. Elas faziam as coisas, eu esperava. No final, algum tinha que retribuir, pra ganhar algum dinheiro e matar a fome que a gente sentia e usar, porque a gente queria. Era isso. Eu não quis, porque é ruim a pessoa ficar com um homem que não gosta, não sente nada. Até que aparecia porque elas me indicavam, me diziam: “Dora, tem um fulano de tal que quer ficar contigo, que vai te dar isso e isso.” “Não, eu não vou ficar. Não conheço.” Aquela pessoa querendo me beijar - não, é nojento, sentia era nojo.

Era mais pedra e maconha, misturado. Os dois misturados. Teve até também um cheiro chamado loló nesse tempo também, deixava a gente bem zoado. Uma vez até a minha mãe pegou também com um vidro bem grandão. Foi aí que ela descobriu, nesse tempo, que eu tava usando droga; ela me pegou. 

Ela começou a me xingar, começou a me bater, me botou pra fora de casa. No outro dia eu nem me lembrava mais. Quando eu dormi, eu dormi cheirando. No outro dia eu nem me lembrava mais, era uma dor de cabeça danada. No outro dia eu ia pra rua, nem lembrava, não tava nem aí pra ela, não. Pode falar, não me importo, não. Aí eu saí.

Eu creio que foi minha mãe que denunciou. Ela contou. Como ela disse que todo dia ela chorava, não aguentava mais, então ela foi no Juizado de Menores. Eu lembro que ela conversou com o Fernando nesse tempo, o Fernando era de lá. Ela falou com ele, mandou me chamar e eu disse que não ia, não ia de jeito nenhum. 

Ele disse que eu ia pra uma casa de recuperação pra me recuperar, que minha mãe tava ficando doida, que não aguentava mais. Perguntou se eu não tinha pena. Nesse tempo eu não tava nem aí. Eu sabia o que foi que aconteceu tanto na minha família: eu não tinha mãe nem pai verdadeiro, nem muita atenção dos meus pais agora. Eles trabalhavam, mais trabalhavam do que ficavam comigo. Meu irmão me batia e minha irmã não ligava pra mim. Então eu ia no colégio um dia sim, outro não, e aí eles me levaram pra casa de recuperação. 

Foi lá, a partir de lá que eu comecei a me tocar que aquilo não era vida pra mim, que num lugar onde você não pode ir, não pode sair, todo o tempo trancada… Aquilo não era pra mim, eu era uma menina nova. Eu conversava bastante com as educadoras de lá. Elas falaram que se eu me comportasse, iria sair pra casa cedo. Eu jurava pra elas que eu ia me comportar, mas acabei aprontando lá dentro. (risos) Eram as meninas que mexiam comigo, como eu era bem esquentadinha eu não aguentava calada. Sei que eu briguei com uma menina lá dentro, foi que eu demorei mais um pouco. 

Com o passar do tempo foi que eu me comportei mais e aí eu saí. E quando eu saí eu soube que as outras estavam presas, as duas, e elas me procuraram assim que saíram. Aí, nós fomos curtir de novo. Foi o tempo que eu conheci um amigo dela, que é o pai da minha menina. Eu me envolvi bastante, brigava, e ele também era de reggae, aí deu no que deu. E com sete meses de gravidez ele me abandonou. Só acontecia coisas ao contrário, e eu não entendia por que. Tudo era ruim. Ele foi preso. Eu com sete meses de gestação, foi [aí] que eu fiquei só mesmo. 

Minha mãe nunca me abandonou. Apesar de tudo, ela nunca me abandonou. Da minha primeira menina eu fiquei lá com ela. Ela ainda me apoiou, porque disse que tinha pena da criança, que era pequena e não tinha culpa de nada, e eu fiquei com ela, mas o pai dela não serviu pra nada.

Ela sentia bastante raiva, ela brigava todo dia. “Pra que tu foi fazer isso? Pra que tu foi pegar menina? Eu podia te mandar embora.” Mas no fundo, no fundo, não era isso que ela queria, me abandonar. Eu ficava com raiva dela, brigava com ela também, começava a discutir. E assim a gente ia passando o tempo. Até eu ganhar a criança. Depois que eu ganhei, ela se apegou bastante com a menina.

Ele se apegou com a menina também, só que ele não saiu do mundo que ele vivia. Ele roubava, ele furava os outros, tentava até matar, essas coisas. Vivia sempre preso, vivia mais preso do que em casa. Até que um certo tempo ele ainda quis trabalhar, mas era só o desdobro dele mesmo, trabalhar pra sustentar o vício dele. Até hoje.

Cansei da vida que eu levei. Um ano e sete meses visitando ele [na prisão]. Toda vez, toda semana. Mas eu dizia que não queria mais e não fui mais, até que um certo tempo eu mandei uma carta pra ele, dizendo que eu não ia mais. Ele ficou revoltado, levou até uma foto minha e da neném, rasgou a minha foto, rasgou a da menina, disse que tava com raiva porque eu não ia mais. 

Fiquei com outro aqui fora, ele soube e quando saiu não quis mais nada comigo. Já não queria antes, né? Era eu que lutava. 

Comecei a me envolver com outras pessoas. Eu vi que ali não dava futuro. As outras também, só sofri, porque teve algumas que tentaram até me matar. Um rapaz que eu me envolvi tentou até me matar, e à minha família também. 

A mãe ficava mais ainda… Eu via o sofrimento da mãe, ela chorava junto comigo. Eu dizia, por quê? Eu perguntava bastante pra Deus porque eu não tava entendendo a vida que eu tava levando. Sempre caía, caía, eu sempre falava na minha mãe verdadeira. Sempre lembrava. 

E aí, passado o tempo, foi que apareceram os projetos - o ProJovem [ProJovem Adolescente, um dos quatro eixos do Programa Nacional de Inclusão de Jovens, lançado em setembro de 2007 pela Presidência da República], eu entrei também. (risos) Segui, tinha minha menina, recebi um benefício, aí eu fazia. Ia todo dia, não desisti, não. Eu não desisti fácil das coisas, não. Aí, apareceu outro projeto também, eu ia todo dia. Ali o benefício que eu recebia, o dinheirinho que eu recebia de cem reais, sustentava eu e minha filha; comprava as coisas, uma roupinha pra ela e meus pais sempre me ajudavam. Eu nunca pude dar o melhor, tudo, mas o que eu podia dar eu dava. Queria o melhor pra ela, até as festinhas dela eu fazia, tudo era pra ela, tudo foi pra ela. E tudo foi por causa dela.

Fui saindo aos poucos nas coisas que eu vivia. Por exemplo, eu andava em festa todo final de semana. Já ia um final de semana, quase não ia, assim eu saí. Usava cigarro, não era bom perto da minha filha. Minha filha nasceu com problema de asma e aí que me tocou, não podia. E eu saí, esqueci, de vez. Não usei mais nada, sentia nojo - até as bebidas, sentia nojo. Eu via que não era um futuro melhor pra minha vida, pra minha filha e pra mim, que eu era mãe e pai dela, eu tinha que olhar ela, era a minha missão estar sempre com ela, e aí eu saí dessas coisas. Passado um tempo eu nem me lembrava mais como consegui sair, graças a Deus, depois de todas as forças.

Ah, na Casa era bom demais, eu passava o dia todinho. (risos) Tinha as oficinas, tinha tudo que eu mais gostava, era dançar e cantar; todas essas instituições que eu passei tinham. Eu me desempenhava bastante, dava o melhor de mim lá dentro dessas instituições, me fiz lá dentro. E todo mundo gostava de mim, onde eu passava gostavam de mim. Apesar das minhas coisas, que eu aprontava, mas gostavam de mim. No fundo, no fundo gostavam porque falavam: “A Dora é esperta, mas que pena que tu faz isso. Mas menina, tu melhora!” E me davam conselho, abria meus olhos, conversavam bastante comigo.

Eu trabalhava, e até hoje se aparecer eu trabalho, de diarista. Trabalhei na bicicleta quase três anos. Trabalhei no centro fazendo propaganda. Sempre vivi trabalhando, sempre foi assim. Encontrei com uma colega minha de tempos, aí ela disse: “Dora, tu tá sabendo do projeto que tá tendo agora?” Eu digo: “Que projeto, menina?” Aí, ela: “Do ViraVida, tu ouviu falar?” “ViraVida? O que é isso mesmo, menina?” “É um projeto onde agrega todas as meninas, crianças e adolescentes, que são da área de risco, e que já passaram por várias coisas e ainda estão na situação de violência, essas coisas assim.” E começou a me explicar: “Como tu já passou e tu tá nessa vida aí, lutando, ralando, que tu é uma menina esforçada, vai lá pra ver se dá certo.” “E como é que eu faço pra entrar nesse negócio, hein?” “Pra ti fica mais fácil.” “Por quê?” “Porque tu já passou por várias instituições.” “E qual delas que eu vou?” “A Casa encaminha.” “Será que é lá mesmo?” Ela disse: “Mas também tem o Creas [Centro de Referência Especializado de Assistência Social], que é lá no Centro.” Ela me deu os endereços certinhos. 

Nós fomos lá. Quando chegamos tinha que conversar com a assistente social, a psicóloga; conversamos com ela. Sei que foram várias coisas: tivemos que cadastrar alguns dados, deixar alguns dados lá, o que elas queriam, contar nossa história de vida, de gueto, mas minha história é história! Vai ter um livro aqui, eu digo: “Tem certeza que tem que contar?” Porque toda vez que eu conto eu me emociono já, agora eu tô me acostumando a falar. 

Eu começava a falar com ela, ela me dava conselho, disse que era para eu aguardar porque pela minha história, por tudo que eu passei, ela disse que ia dar certo. Quando eu me espanto chega o aviso, o ViraVida me chamando. Diz que eu fui encaminhada pela Casa e o Creas também já tinha me encaminhado. Aí eu digo: se não dá por uma lado dá pelo outro, graças a Deus. Mas eu não tava botando muita fé nesse tempo porque eu descobri que eu tava com quatro meses de gravidez. (risos) Outra criança. E eu digo: “Eita, vai ficar mais difícil ainda.” 

Disseram que tinha ainda duas ou três seleções. Foram três seleções do ViraVida. Aí eu fui chamada, eu passei por essas três seleções. 

Sei que eu fui chamada. Eu não estava acreditando, com medo, porque eu tava gestante e com medo delas não me aceitarem porque eu já estava grávida de novo. Mas graças a Deus, quando eu tava com oito meses, quase nove, eu fui chamada lá pro ViraVida. Eu passei por duas semanas de acolhimento, aí foi que eu entrei de licença. Assim que eu entrei lá, eu entrei de licença. Aí eu acreditei. 

No começo, tudo o que eu escutei… É uma casa bastante acolhedora, faz com que o pensamento da gente seja eternamente bom, tudo o que a gente pensa é bom. Tudo lá passa energia positiva, faz com que a gente crie força pra lutar. Até tive oficina de autoestima, que a minha autoestima era eternamente baixa, muito baixa. Mas depois que eu entrei lá eu consegui ver a vida de outra forma, parece que era outra vida que eu tava vivendo, é outra vida que eu tô vivendo. Não é mais aquela. E quando eu lembro tudo o que eu passei, eu quase não acredito, como todos não acreditam. Pois é.

O ViraVida me acordou, aí foi que me deu mais força ainda para eu melhorar cada dia mais. Até no modo de falar entre as câmeras, que eu também não falava, me escondia na hora, até [pra] bater foto minha eu me escondia. [O ViraVida] me ensinou até a falar bem no meio do público, até apresentar um trabalho. Porque tudo lá que a gente vai fazer a gente apresenta, e nesse tempo eu era muito ‘chega pra lá’, não era pra ninguém falar comigo, não, que eu ficava muito tímida. Tudo o que eu passei... Não queria conversar com ninguém, nem demonstrar tudo o que eu passei, entendeu? Eu ficava mais na minha, mas o ViraVida me ensinou, me despertou, foi um acorda pra vida mesmo, melhorou bastante, cem por cento. 

Todo mundo fala: “O que era a Dora antes pra Dora agora! Mudou bastante.” Até a mãe, ganhar a confiança dela. [Ela] é mais alegre comigo, só que é com briga porque aquela vida também, com o marido… De vez em quando a gente briga, qual é o marido que não briga? Aí a mãe se mete nas nossas coisas. (risos) Só, fora isso tá tudo ótimo.

Outra felicidade que me aconteceu foi a minha formatura lá no ViraVida. Quem diria que um dia eu ia me formar de auxiliar administrativo. Essa felicidade eles me deram, mas eu creio que também foi com o meu esforço. Minha mãe não acreditava em mim quando eu entrei no projeto, mas agora ela acredita. Ela quase morre de felicidade também lá no dia. Tiramos foto, foi um dia feliz da minha vida, foi o dia que eu fiquei muito feliz. Eu lá toda bonitona, pagaram tudo pra mim (risos), falando bem lá na frente. Representei bem o ViraVida lá, falei com o Jair Meneguelli, inclusive pelo meu trabalho, esforço e dedicação que eu tenho. 

Eu pretendo terminar o Ensino Médio, fazer o ENEM [Exame Nacional do Ensino Médio], fazer Direito ou Enfermagem. Não vou desistir, não. Não desistir e conseguir trabalhar, para que no futuro meus filhos, quando estiverem grandes, me vejam ali: “Olhe, mamãe está ali num trabalho. A mamãe está ali, lutou pra me dar uma boa vida, um futuro melhor. E eu tenho que dar um orgulho pra minha mãe, então eu vou seguir o caminho dela ou o que eu mais gosto de ser.” Eu não me importo se ele for cantor, porque o meu sonho era ser cantora, mas não deu. 

Eu cantei lá, até na formatura. Algumas partes, dividindo todo mundo em grupo. Como eu trabalho em grupo lá, eu aprendi a aceitar e dividir o meu canto com todo mundo. Falo com todo mundo e gosto de todo mundo, sei interagir com todo mundo. Pois é. E sempre quando tem esse negócio, tem música, eu tô dentro.

Eu gosto de cantar, então eu vou cantar. E as meninas me metem no meio porque sabem que eu [me] encaixo bem. (risos) Elas até brincam falando: “A Dora tem a voz bonita. Ela se encaixa, ela vai cantar.” Até nas peças de teatro. 

Tudo isso que está acontecendo, Deus é maravilhoso. Coloco sempre Deus na frente porque eu sei que ele tá me apoiando, tá me ajudando e me dando força. Meus filhos também. E meu marido, lá! (risos) Pois é. É assim, a minha história foi essa.

 

“Nesta entrevista foram utilizados nomes fantasia para preservar a integridade da imagem dos entrevistados. A entrevista na íntegra, bem como a identidade dos entrevistados, tem veiculação restrita e qualquer uso deve respeitar a confidencialidade destas informações.”

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