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História

O valor das pequenas coisas

História de: Carlos Eduardo Pires
Autor: Carlos Eduardo Pires
Publicado em: 10/12/2020

Sinopse

Pequenas coisas que não valorizamos até perde-las

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História completa

O PRAZER DAS PEQUENAS COISAS

 

Eu tinha uns vizinhos que moravam na primeira esquina, subindo a rua de minha casa, aqui em Rio Preto. Nunca soube seus nomes. Como típico paulistano, minha rotina de trabalho me levava ao simples, velho e comum, bom dia! 

 

Eu, a caminho do trabalho, logo cedinho passava defronte à casa deles e lá estava o doce velhinho, beirando os 80 anos, (ou seria dos 60?) a varrer sua calçada, sarjeta e um pouco da rua.  Como sua casa era na esquina, ele tinha cerca de 8 árvores, todas Oitis.

 

Sem pressa ele fazia sua rotina diária: varria, juntava e coletava as folhas.

 

Com o tempo, nosso encontro diário passou a ser mais afetuoso. Passou a ser um um pouco mais “bovino”, tipo *Bom Diiiiiiiiaaa!!*, e, claro,  com o  sorriso no rosto.

 

Ficamos tristes, aqui em casa, quando soubemos de sua morte, junto com a esposa, num acidente automobilístico na rodovia aqui próxima. Um dos primeiros atos dos herdeiros foi cortar as árvores. Todas elas!

 

Na minha vida profissional tive alguns chefes e alguns superiores hierárquicos. O que diferencia os dois termos é que no segundo caso, o respeito profissional era maior que no primeiro.  Márcia primeiro foi minha amiga, depois virou, também, minha superior hierárquica.  Mulher extremamente dinâmica, sorridente, brincalhona e DURA quando, assim, a situação o exigia.  Competente, envolvida e “workaholic”. 

 

Para justificar esse último termo, certa vez almoçamos juntos sem trocarmos uma única palavra, pois ela ficou o tempo todo resolvendo “pepinos” ao celular. Enviava e-mails em qualquer horário, a qualquer dia da semana.

 

Viajamos juntos algumas vezes em função do trabalho e numa dessas vezes perguntei-lhe se ela se imaginava aposentada, varrendo a calçada e recolhendo as folhas das árvores! Não lembro a resposta!

 

Ontem, depois de 45 dias, fui ao médico para a retirada de um cateter duplo J. Ansiedade pelo momento que poderia me libertar de vários dissabores e a insegurança se realmente iriam embora!

 

Hoje, acordei cedo como sempre, mas a rotina recente foi ligeiramente diferente.  Primeiro, tomei meu café, depois fomos caminhar com a Athena, minha adorável “street dog” e na sequência, *fui varrer as folhas das árvores.*

 

Pequenas coisas. Adoráveis e prazerosas coisas... mas entre cada uma delas a mais prazerosa de todas:  *Urinar sem sentir dor!*.

 

Geralmente não temos idéia da alegria de termos o que temos!

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