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História

O valor da capacitação

História de: Vera Zenília Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/03/2020

Sinopse

Em seu depoimento, Vera Zenília conta sobre a humanização da saúde no SUS e os processos de trabalho que tornam a Política Nacional de Humanização possível, como, a valorização e capacitação do profissional da saúde para promover a melhoria dos serviços e também facilitar a realização de exames e consultas para os usuários.

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História completa

P/1 - Sueli Andrade

R - Vera Zenília Braga Santos Menezes Silva


P/1 – Boa tarde!


R – Boa tarde!


P/1 – Pra gente começar, eu queria que você dissesse seu nome completo, local e data de nascimento.


R – Meu nome é Vera Zenília Braga Santos Menezes Silva, nasci no Rio de Janeiro em 19 de junho de 1953.


P/1 – Qual a sua profissão?


R – Eu sou enfermeira do Ministério da Saúde. Trabalho no Instituto Municipal de Cardiologia, no Rio de Janeiro, há 27 anos.


P/1 – Vera, o que é humanização da saúde pra você?


R – Humanizar a saúde cria uma polêmica danada, porque os profissionais questionam o termo humanizar [com] quem é humano, mas não é nada disso. É humanizar o SUS, humanizar os processos de trabalho, humanizar as ações de saúde visando qualidade, visando resolução e acolhimento, avaliação de risco, tudo isso faz parte da política do SUS.


P/1 – Você conhece a Política Nacional de Humanização?


R – Conheço. Inclusive, participei da primeira reunião no Rio de Janeiro, [que] foi na minha instituição, em novembro de 2003. Na época, era um programa, e cresceu tanto, teve tantos braços que se tornou uma política de saúde.


P/1 – Você, enquanto trabalhadora, identifica situações humanizadas? Você poderia falar alguma?


R – Identifico por experiência pessoal. Você humaniza bem quando tem uma boa ambiência, quando você dá resolução aos problemas dos nossos usuários, quando você valoriza o sujeito da ação dessas ações de trabalho que geram qualidade, resolução e quando você se empenha e tem compromisso e cria um vínculo com o usuário do Sistema de Saúde. Você quer uma ação específica: a gente tem ambientes adequados, a gente tem uma visita aberta, porque o paciente se recupera melhor junto da família. A gente tem capacitação, que é fundamental em relação ao servidor, ao funcionário da saúde, do Ministério, do SUS como um todo. Ele precisa estar capacitado pra ter plena consciência daquilo que faz, e é isso que a gente quer como profissional da saúde.


P/1 – E uma situação de desumanização?


R – As filas. Não são as filas que a gente conta nas portas dos hospitais, [são] as filas para cirurgias ortopédicas, cardíacas, transplantes de modo geral, cirurgias de glaucoma, as filas para exames preventivos pra criança, pra mulher, pro idoso, tudo isso é muito desumano. E esse é o melhor sistema de saúde considerado no mundo e ele precisa funcionar sem _______, uma política realmente.


P/1 – E pro trabalhador e usuário do SUS, o que mudou com a Política Nacional de Humanização?


R – Em relação ao usuário, [teve] uma organização melhor desse sistema, da união das três esferas que é o Governo Federal, os Estaduais e o Municipal, essa rede funcionando bem. Regulamentação de leitos, a própria regulamentação dos serviços de emergência que faz o acesso com avaliação de risco, o tempo menor entre as consultas, a resolutividade da equipe, a clínica ampliada. Não é só porque é ortopedia que eu não vou cuidar do coração, pelo menos eu encaminho. Tudo isso é uma melhoria para o usuário. O próprio atendimento de primeira instância e pro trabalhador é a valorização do profissional que executa essas atividades. A gente não valoriza com salário, valoriza com capacitação também.


P/1 -  Pra gente encerrar, eu queria saber o que você achou de ter participado dessa entrevista?


R – Eu fiquei preocupada, porque eu nunca dei entrevista na minha vida, mas é o que a gente faz há muito tempo, há 27 anos. E nos últimos quatro anos, a gente faz com muito carinho e com muito empenho, porque nós temos projetos das nossas instituições e todas as outras. E no país inteiro, vai do Acre ao Chuí. Então é muito importante que a política seja reforçada não só pelos profissionais, mas pelos usuários também.


P/1 – Obrigada, Vera!


R – Obrigada a vocês pela oportunidade!


[Fim do depoimento]

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