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O urgente desejo de ser professor

História de: Lucas Cristovam Lemos
Autor: Curso Matemática UEMG/Divinópolis
Publicado em: 14/08/2017

Sinopse

Memória e história do professor de Matemática Lucas Cristovam relatada às estudantes kélbia Núbia e Márcia Santos do 1o período do Curso de Licenciatura em Matemática da UEMG/Divinópolis/MG.

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História completa

Entrevistadoras: Kelbia Núbia e Márcia Santos

Entrevistado: Lucas Cristovam Lemos

P- Qual o seu nome completo, onde nasceu e qual sua data de nascimento?

R- Meu nome é Lucas Cristovam Lemos, nasci em Belo Horizonte, no dia 20 de Dezembro de 1995.

P- Qual o nome dos seus pais e qual a importância deles na sua vida pessoal e profissional?

R- Meu pai se chama Airton José Lemos e minha mãe Ângela Maria de Jesus. A importância deles na minha vida pessoal é total. Agora na vida profissional também é muito importante eles pra mim, porque eles sempre me dão suporte, para que eu possa crescer sempre mais.

P- Como foi a sua infância e adolescência?

R- É... super tranquila, sempre calma, com apoio dos pais e tudo, e... super tranquila.

P- Como foi a vida escolar, sua vida escolar? Foi dentro da escola que você se interessou pelo curso de matemática?

R- Eu estudei uma parte da minha escolaridade em escola pública e conclui o ensino fundamental dois e o médio em escola privada. Eu nunca pensei em fazer matemática, desde que eu estava na escola básica, eu entrei no curso por uma oportunidade que eu tive de, é... cotas do governo e me interessei bastante depois que eu estava dentro do mesmo do ensino superior e quis continuar que eu achei uma carreira muito esplêndida e gostei.

P- Como foi sua vida acadêmica e surgiram dificuldades durante esses períodos? Quais?

R- Minha vida acadêmica é ela sim, hoje ainda eu estou na vida acadêmica né. Problemas sempre surgem né, mas são problemas que não são, é.., podemos dizer que não são complicados, nós enquanto os professores que somos pesquisadores a todo momento a gente sempre tem que buscar um jeito de driblar esses problemas né, da melhor maneira possível, então é alguns problemas são que eu possa dizer, às vezes algumas faltas de companheirismo na faculdade, algum conteúdo que gente tenha mais dificuldade mas nada que seja algo demais, só coisa simples.

P- Como foi à sensação da primeira aula?

R- Minha primeira aula no ensino superior foi, eu achei muito bacana, foi uma professora que, professora de didática, didática geral e que ela já lecionava há muitos anos, e que nos deu uma visão muito boa do que é ser professor, do que é essa profissão do magistério, eu achei muito, muito legal e fiquei encantado pela primeira aula.

P- Isso te motivou pra continuar mais ainda no curso?

R- Sim, motivou sim, o professor ele faz gerar um profissional às vezes motivado ou não, então se o professor for um professor motivado que cativa seus alunos e que saiba passar não só o conteúdo dele, mas a visão da sua profissão é... sem dúvidas te motiva sim.

P- Como foi à primeira sensação da primeira aula que você deu?

R- Muito ruim! (risos). Porque eu tinha muito pouco tempo de curso de matemática licenciatura e eu não tinha, não estava preparado para entrar numa sala de aula, eu entrei também por uma oportunidade, porque eu não estava trabalhando e me apareceu a oportunidade, onde eu comecei a lecionar, mas eu senti que minha bagagem pedagógica não era suficiente para lidar com os alunos, mas eu continuei fui procurando as melhores formas de poder trabalhar, foi buscando suporte dos meus professores e pesquisando sempre e superei (Risos).

P- Quais seus critérios de avaliação do aluno dentro de sala de aula que você aplica?

R- Avaliação escolar?

P - Isso!

R - Avaliação eu avalio, desempenho, eu avalio desempenho não só no conteúdo, mas desempenho do aluno próprio, eu avalio muito o desempenho e empenho do aluno principalmente o que mais vale. Há várias maneiras de avaliação que podemos fazer dentro de sala de aula com os alunos.

P- Quais são seus métodos mais utilizados para o ensino de sala de aula?

R- Eu procuro utilizar bastante o método do Piaget né, o construtivismo, e da interação que é o de Wallon. Eu acho que os dois são muito importantes, quando você vai lecionar, porquê eles sem dúvidas são suporte muito bacana para você poder lecionar. É, você pode repetir a pergunta? (Risos). Sim!

P- Quais são os métodos mais utilizados para o ensino em sala de aula?

R- Ah sim! Eu utilizo o método expositivo, por que a matemática não há possibilidades nenhuma de você fugir da exposição, o professor precisa do quadro não tem jeito. Mas também a matemática você consegue brincar muito com ela, principalmente se for no ensino fundamental II, você consegue fazer vários jogos, você consegue levar a matemática pro cotidiano do aluno, você consegue fazer várias pesquisas, é podemos dizer estatísticas, o que trabalha com matemática, então há várias maneiras pra você poder ensinar o aluno, e maneira essas que cativam os mesmos.

P- Você, como professor, transmite seu conhecimento?

R – Professor, eu digo, que não é transmissor de conhecimento. Professor é um instigador. Professor é um pesquisador. Professor deve instigar o aluno para conhecer mais o conteúdo. Professor não transfere conhecimento. Então o professor precisa dar o norte para o aluno para que o aluno possa buscar o conhecimento e o próprio aluno construir o seu conhecimento. Conhecimento não deve ser transferido.

P- Quanto tempo de profissão tem e quais são os momentos marcantes encontrados ao decorrer dela?

R - Eu possuo dois anos e meio de profissão como professor, ou seja, que eu leciono. (Pede para repetir a pergunta) Os momentos marcantes eu acho que é sempre quando o aluno deixa de ser aluno, porque o ano letivo já terminou, e depois ele te dar um retorno muito legal que, eu acho que é relembrar alguns momentos bons que o aluno e o professor tiveram. É... esse aluno lembra você como uma pessoa que teve um papel importante na vida dela. Que fez ele buscar algo a mais na sua carreira escolar.

P- Você tem algum acontecimento dentro da sala de aula que queira nos contar?

R- Acontecimento pode ser bom ou ruim?

P – Pode

R - Bom há vários, ruim também. (risos) Eu acho que um dos melhores momentos que tem, équando o aluno se interessa de verdade, o professor conseguiu fazer o aluno se interessar pelo conteúdo. E momentos ruins são às vezes, que toda sala de aula possui conversas, às vezes a gente é preciso alterar um pouco o tom de voz, para poder um controle – controle que eu digo, gente, é não o controle dos alunos, mas o controle da aula –, mas, no mais nunca aconteceu algo totalmente de inesperado comigo não.

P- Qual é o seu ponto de vista sobre o ensino brasileiro?

R- O ensino brasileiro hoje, eu acho que está um caos. Por quê? Porque nós hoje vemos todos os professores jogando a culpa para os alunos, falando que hoje os alunos não estão interessados. Igual Mario Sergio Cortela fala: “Tolice é continuar fazendo as mesmas coisas e esperar resultados diferentes.” Então hoje os professores são muitos, como podemos dizer, não são dinâmicos. Eles continuam naquele conhecimento utopista de ensino, ou seja, de só aula expositiva, aula expositiva, na pedagogia da nuca, que é aluno atrás de aluno e não procuram fazer algo diferente e esperam que os alunos melhorem. Nós temos que ter um discernimento que os alunos que eram de antigamente, deste a época da palmatória até hoje são modelos diferentes, do mesmo jeito que o modelo de carro de antigamente é diferente de hoje, o modelo de casa é diferente da de hoje, o modelo de aluno que a gente tinha antigamente é diferente do de hoje. Então, nós temos que saber trabalhos com os alunos que temos hoje. O método que era utilizado anteriormente ele era muito bom, hoje já é preciso rever se esse método é eficaz mesmo. E ... o professor que deve discernir isso, se esse método dele está sendo eficaz para suas aulas e se deve continuar com ele. Então, eu acho que está sendo um problema geral. Tantos os alunos que não têm uma educação em casa, que a educação deve vir de casa, professor não é educador, ele ajuda na educação, mais, o professor escolariza. É ... tanto do professor, tanto do aluno que não quer saber de nada, às vezes a direção das escolas, então a educação no geral está um caos no Brasil. Hoje, nós temos os nossos políticos dando os nossos exemplos.

P- Se você pudesse mudar alguma coisa na sua profissão, o que seria?

R- Mudar algo na minha profissão? Eu gostaria de ... , isso é uma utopia, não ..., eu não digo que é uma utopia, mais às vezes é criar um método de escola de educação matemática. Uma educação matemática que é baseada na Escola da Ponte de Portugal e na Escola da Serra em Belo Horizonte, onde o aluno busca seu conhecimento, mas, não só o conhecimento didático mais sim o seu conhecimento aplicado no seu cotidiano. Então, se eu pudesse mudar algo eu tentaria fazer a matemática mais ainda do cotidiano do aluno, eu já tento fazer isso o máximo possível, mas se possível eu queria fazer mais ainda.

P- Qual é o seu sonho dentro da educação brasileira?

R- O meu sonho? (Risos) O meu sonho ... eu não digo que é a educação voltar a ser o que era. Ela funcionava bem, mas ela não era significado de conhecimento. Nós tínhamos alunos comportados, nós tínhamos alunos educados, mas nós não tínhamos alunos com conhecimento. Então eu acho que meu sonho é que hoje na educação possamos ter professores melhores remunerados para que eles possam trabalhar menos e preparar melhor o seu trabalho, as suas aulas, eh .... alunos cada vez mais interessados diante da educação que lhe está sendo passada. No mais é isso, uma revira volta total da educação. Tanto na educação, quanto nos alunos.

P- Para finalizar, deixe uma mensagem para seus amigos de professão?

R- A mensagem que eu deixo é, gente, eh ...Ubiratan D’Ambrósio, precursor da etnomatemática no Brasil, eu assistir uma palestra dele e ele disse “Que a mais difícil profissão que existe é a do professor.” Professor é um pesquisador. Ele nunca para. Ele sempre está pesquisando para poder melhorar. Então o que eu digo para vocês gente é que é difícil, é ... dependendo do ponto de vista. Tudo o que você faz - não digo por amor, porque amor não pode ser cobrado, então porque a gente gosta, quando a gente faz o que a gente gosta eh... a gente ver essa recompensa que são alunos que às vezes já viraram os profissonais também, é muito gratificante. Então não desistam, batalhem. A nossa educação pode e será melhorada deste que nós nos esforcemos para isso.

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