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História

O trem que salvava vidas

História de: Paulo César Tomás de Oliveira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/02/2021

Sinopse

Paulo nos conta sobre sua infância como filho de ferroviário em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. Comenta sobre a época em que as pessoas se deslocavam pelas cidades da região pela viação férrea e o impacto da ferrovia na vida das pessoas, inclusive em um caso que salvou sua vida quando criança.

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História completa

 

P/1 - Oi, tudo bem? 

 

R - Tudo bem.

 

P/1 - Por favor, o senhor poderia começar falando seu nome completo, a data e o local de nascimento?

 

R - Sim. Eu sou natural de Santa Rosa, Rio Grande do Sul. Meu nome é Paulo César Tomás de Oliveira, estou no momento com 63 anos de idade. 

Tive a minha infância ao lado dos trilhos da viação férrea de Santa Rosa, mais especificamente no bairro Cruzeiro. Foi onde eu tive a minha primeira infância, lá a gente morava ao lado dos trilhos. 

A casa onde nós morávamos… Todos os trabalhadores da viação férrea moravam no mesmo bloco. Eram só divididos os terrenos, [mas] era uma casa grudada na outra. Foi ali que a gente começou a nossa infância e o meu pai, como ferroviário… Era uma família de dez filhos e hoje nós estamos em seis. Meu pai faleceu há pouco tempo, oito anos; minha mãe faleceu em 78. E mais quatro irmãos faleceram jovens, com dezoito e 21 anos. 

A gente viveu praticamente até o período de o meu pai se aposentar - ele se aposentou em 76 - no lado dos trilhos. 

Quando o pai era transferido de cidade para o trabalho, a gente fazia toda a mudança nos vagões de carga. Não ia a família no trem de passageiros, pelo contrário; a gente ia junto com a mudança nos vagões de carga. Era uma luta a cada vez que [ele] era transferido. Mas o grande período mesmo foi em Cruzeiro, em Santa Rosa, que a gente morava. Toda a família estava junta naquela época. 

Era muito interessante, porque a gente brincava demais com todos os filhos dos outros funcionários da viação férrea. Era divertido, era muito boa aquela época. Tinha espaço pra criançada jogar futebol e brincar. 

Os ferroviários faziam períodos de festejo - Páscoa, Natal - e faziam reunidos, reuniam todos os funcionários e as famílias. Na época, era em torno de dez, doze famílias, então os eventos eram feitos assim: todo mundo colaborando, todo mundo participando das brincadeiras e atividades. 

     

P/1 - Quais eram as brincadeiras que você mais gostava de fazer?

 

R - Na verdade, pros guris era jogar futebol. Essa era a nossa maior atividade. Mas a gente tinha também aquele momento de todo mundo trabalhar, fazer um servicinho, colaborar em casa; todos os filhos dos trabalhadores faziam. Quando a gente brincava, todo mundo brincava junto, porque as casas eram emendadas uma na outra, era bem interessante. 

A gente guardou boas lembranças daquele período, mesmo com as mudanças depois. Cada um foi sendo transferido, um prum lado, outro pro outro; se aposentaram também. Mas pra cada região que a gente ia, a viagem era sempre de trem. O nosso veículo de viagem era o trem. 

A gente também brincava muito nos vagões de trem, porque a gente ficava muito próximo da estação ferroviária. A gente ia brincar nos vagões que ficavam estacionados. Subir nos vagões, pular dos vagões pros barrancos… Às vezes, a gente fazia umas artes;  o trem passava meio devagar e a gente dava um jeitinho de pegar carona. (risos) Era muito perigoso, mas às vezes a gente fazia essas brincadeiras que não eram… Pra nós era divertido, mas deixava os pais furiosos. 

 

P/1 - E iam pra onde? 

 

R - É que quando eles passavam na turma - a gente chamava de turma as casas dos trabalhadores - pra estação ferroviária dava cerca de quinhentos metros. Era o espaço que a gente aproveitava. (risos)

Às vezes a gente fazia isso, mas a maior brincadeira era mesmo o futebol com a gurizada. Depois eram os festejos com todas as famílias juntas. Fazia fogueira no tempo de São João, fazia pipoca, quentão. A gente se divertia muito. Depois, no Natal, sempre faziam eventos com os familiares.    

 

P/1 - Tinha muitos amigos? Algum amigo que o senhor lembra mais?

 

R - As amizades eram boas demais, porque era em torno de doze famílias ali - em Cruzeiro, principalmente. Todo mundo tinha vários filhos e muitos regulavam as idades, então a gente tinha realmente bastantes amigos ali - sem contar os outros amigos do bairro, que vinham participar conosco. 

 

P/1 - Mas tem alguma amizade especial que o senhor lembra?  

 

R - A gente lembra de alguns, mas o distanciamento que houve quando a viação férrea foi transferindo os funcionários… Na época, quando eles começaram a fazer essas transferências, eu tinha em torno de dez anos de idade, então nessas mudanças a gente perdeu um pouco daquilo. Mas nas outras cidades que a gente ia… No caso do meu pai, ele foi transferido de Cruzeiro para um lugarejo próximo de Cruz Alta, a quarenta quilômetros, chamado Porongos. Não sei se alguém aqui já ouviu falar, mas é um lugarejo que era muito pequeno na época, nem escola tinha. A escola que tinha lá ia até a terceira série e nós já estávamos acima da terceira série, então ficamos pouco tempo nesse lugar. 

Na viagem que nós fizemos, o trem chegava em Cruz Alta - ele saía de Santa Rosa e ia a Cruz Alta, pra depois pegar a região de Passo Fundo. Como ia pra região de Passo Fundo, tinha que fazer a baldeação em Cruz Alta. Na mudança, o vagão ficava lá, esperando um trem de carga pra poder levar. No nosso caso, nós ficamos dois dias em Cruz Alta, esperando um trem pra transferir… Vinha com as cargas prontas, aí nós ficamos um período ali, pra seguir com a mudança. Tinha essas coisas na metodologia de ações da viação férrea naquela época; isso faz em torno de cinquenta anos. 

Nós ficamos pouco tempo nesse lugarejo. Nós não tínhamos como estudar, devido à falta de um colégio que desse condições, aí o pai foi novamente transferido para outra cidade pequena, próxima à Erechim. Viadutos é uma cidade pequena também e lá nós ficamos três anos, tivemos boas amizades, só que no primeiro momento a turma [de ferroviários] era fora da cidade, então ficava um pouco distante. 

Foi a época que nós saímos do lado dos trilhos pra podermos estudar na cidade; apesar de pequena, tivemos que fazer isso. Meu pai alugou uma casa pra morarmos dentro da cidade, pra podermos estudar. Ficamos em Viadutos esses três anos e meu pai tinha que se deslocar pra ir até a viação férrea pegar o veículo de trabalho dele e fazer a manutenção dos trilhos. 

Meu pai era responsável pelo cuidado de ver onde aparecia algum defeito, alguma coisa que estivesse fora do nível; na função dele, ele tinha que verificar sempre onde havia qualquer defeito que pudesse causar algum acidente. 

Nós só nos divertíamos quando dava pra viajar de trem, principalmente nos períodos de férias. No período de férias nós podíamos viajar no trem [de] passageiro. Era muito bom fazer essas viagens longas; quando íamos a Porto Alegre, embarcávamos de manhã e chegávamos no outro dia, de manhã. Eram viagens de doze, treze horas para Porto Alegre. 

 

P/1 - Vocês iam pra Porto Alegre. 

 

R - Sim, nós tínhamos parentes lá. Em período de férias, a gente pegava… Tinha direito de viajar no trem [de] passageiro, então se aproveitava esses períodos pra fazer viagem. 

 

P/1 - Ia a família toda?

 

R - Geralmente ia, mas dependia também do objetivo. Às vezes iam todos, às vezes só alguns. Era bem interessante. 

A viação férrea, pra minha vida… Eu nasci do lado, tive toda a minha adolescência ali, amizades. 

Quando eu estava em torno dos vinte anos, eu fui fazer um concurso pra viação férrea, mas não tive êxito. 

 

P/1 - O que o senhor achava do trabalho do seu pai? Como o senhor via o trabalho dele?

 

R -  Pra nós, era um trabalho que… A gente tinha uma relação muito boa; ele contava, às vezes ele mostrava, a gente via eles trabalhando. Como eles trabalhavam na extensão da linha - eles teriam que fazer vários quilômetros para chegar ao trabalho - eles tinham que preparar a alimentação, porque se alimentavam no trecho, como diziam na época. 

Quando crianças, nós aguardávamos o pai ansiosamente às cinco horas da tarde. Quando ele chegava do serviço, ele sempre carregava uma caixa com o material de uso pessoal e das refeições; a primeira coisa que a gente ia era na caixinha onde ele tinha guardados os alimentos, [porque] ele sempre deixava um pouquinho pra nós. (risos) 

Depois, quando eu tinha uns treze anos, a minha responsabilidade com o pai era levantar às seis horas da manhã e preparar o café dele. Ele pegava às sete horas da manhã na viação férrea, então eu levantava às seis, preparava o café dele e ele saía com o café pronto. Se eu não acordasse por conta própria, ele me chamava.         

          

P/1 - E por que o senhor era o responsável?

 

R - Porque nesse período, meus outros irmãos já estavam saindo de casa. Em cada período, era um filho que auxiliava. 

Em certo período, nós éramos em dez; pra minha mãe atender a todos… Era quase uma creche dentro de casa, né? Tinha cinco irmãos e cinco irmãs, então ela dividia as atividades. Era bem participativo, pra não carregar só um e nem ela. Ela já tinha trabalho demais, cuidando das encrencas que a gente criava. 

 

P/1 - Ela trabalhava fora? 

 

R - Não. A minha mãe não trabalhava pra fora. 

 

P/1 - Só trabalhava dentro, né?

 

R - Fazia o serviço do lar, que era bastante. Cuidar de dez não era fácil, não. (risos)

E tinha os mais arteiros, davam mais trabalho pra ela. 

 

P/1 -  Quais são as memórias mais fortes com a sua mãe?

 

R -  A gente tinha uma vida boa, porque ela sempre tinha tempo pra conversar conosco, de explicar as coisas, de questionar… A maneira que ela nos educava, a firmeza quando era pra ser firme. Era uma dedicação... 

Quando a minha mãe faleceu, eu estava com vinte anos. Estou com 63, vai fazer 43 anos. Isso emociona demais, porque no período em que ela esteve enferma a gente esteve o tempo contínuo ao lado dela. Quando ela faleceu, o último filho que tinha falado com ela tinha sido eu, aí fica difícil de fazer comentários de um momento… Que a gente viveu. 

A educação que eu tenho hoje, o caminho que eu tenho caminhado como ser humano foi exatamente aquilo que ela nos ensinou, exemplificou. Mesmo com o tempo passando dessa forma, a emoção e o sentimento são vivos. 

Dela é mais complicado falar, porque ela representa pra mim a minha vida. O que eu sou hoje, a maneira com que eu me relaciono com as pessoas é graças à educação que ela nos deu. 

 

P/1 - Dê um exemplo do porquê ela foi assim. Uma história em que você aprendeu com ela.

 

R - As histórias que a gente aprendeu com ela… Ela sempre demonstrou pra nós, sempre cobrou da gente a honestidade, a sinceridade, a firmeza, a busca de objetivos e o sentido da vida. Ela nos mostrou onde a gente encontra um sentido verdadeiro pra viver da melhor maneira possível. [É] dentro desse ponto que, pra nós, ela significa tudo. 

Essa condição que o pai tinha, do trabalho dele, e a nossa relação, era formidável. 

 

P/1 - Ela faleceu do quê?

 

R - A minha mãe teve problemas do coração e também de diabetes. Ela teve essas complicações, aí ficou um período na UTI em coma. Ficou quinze dias em coma, antes do desencarne - ou do falecimento dela. O que levou ela foi realmente a questão do coração. 

Ela faleceu com 56 anos de idade, era bem nova. A gente ainda estava na juventude, no nosso desenvolvimento, e a presença dela seria fundamental pra auxiliar no discernimento das coisas. 

P/1 - O senhor se lembra da primeira escola? Como era? 

 

R - A primeira escola em que estudei [foi quando] eu ainda estava em Cruzeiro, Santa Rosa; volta e meia a gente cruza lá por perto. Era a escola que se chamava sempre pelo apelido de Paquito. Quando [se] chegava no bairro onde nós morávamos, [se] falava em Paquito e todo mundo sabia qual era a escola a que se refere. Foi a primeira escola em que eu estudei, até a quarta série. 

Depois o pai foi transferido de Santa Rosa para Porongos, próximo de Cruz Alta; depois ele foi transferido para Viadutos e trabalhou ali três anos. Foi ali que perdemos os primeiros dois irmãos, faleceram em Viadutos - um com dezoito e uma moça com dezenove.

 

P/1 - O que aconteceu com eles? 

 

R - O meu irmão, que faleceu primeiro, teve três vezes, em sequência, pneumonia. A minha irmã, pelo que consta na época - eu tinha onze anos, mais ou menos, quando ela faleceu - é que ela tinha leucemia. Devido a essa questão, o pai foi transferido novamente, de Viadutos nós viemos pra perto de Passo Fundo - [pra] uma cidadezinha que tem ali, Sertão, onde nós ficamos até o pai se aposentar, em 76, aí ele retornou pra Santa Rosa. 

Na época, quem estava com ele ainda era só eu e outro irmão. Voltamos pra Santa Rosa; os demais já estavam ali. Depois eu vim pra Santo Ângelo, já com uma situação bem diferente. 

Aqui, a questão da viação férrea foi que a gente sempre cruzava, chegava aqui na estação… Era bem próxima do Centro de Cultura. Não era onde está a estação nova hoje. Na época, quando o trem chegava na estação ferroviária de Santo Ângelo, ele tinha que recuar até uma altura, pra ir pra Catuípe. Ele fazia esse movimento diferente, quando vinha de Santa Rosa pra Santo Ângelo. 

Aqui a gente tinha também amigos do meu pai. Às vezes, eles eram todos transferidos pra desenvolver um trabalho, principalmente quando aconteciam acidentes graves com um trem - um tombamento, ou coisa assim. Os funcionários  se reuniam, de vários lugares, pra atender essas questões, então sempre havia essa relação. Eu tinha inclusive um padrinho da viação férrea que morava aqui, em Santo Ângelo. enquanto nós estávamos em Santa Rosa. 

A gente tinha esse bom relacionamento com os funcionários - na época, se chamavam os ‘tucos’. Na viação férrea, os trabalhadores que vinham fazer a manutenção dos trilhos eram os ‘tucos’. 

Meu pai tinha a função de imediato; o imediato fazia o trabalho de reparação, de ver onde estava o defeito nos trilhos. Depois dele, era o feitor, que era o responsável pela equipe - se chamava turma, na época. Tinha toda essa hierarquia no trabalho dos ferroviários. 

 

P/1 - Nesse trabalho dele, teve alguma história de descarrilamento? Como era naquela época? 

 

R - Não era seguido, mas acontecia. Não só descarrilamento como tombamento mesmo, de vários vagões. Era o trabalho mais complicado pra eles, porque era um trabalho muito pesado, tinha que ser rápido e com todos os cuidados pra não acontecer acidentes com os próprios trabalhadores.             

Teve um acidente que me marcou, por eu ter visto. Chegaram com um trabalhador ferido, caiu um tonel em cima desse senhor. Levaram ele pra ser atendido no ‘trolo’ - era o veículo que levava os ‘tucos’ pro trabalho, pro trecho. Quando esse fato aconteceu, eu tinha em torno de uns sete anos.      

Outra situação que me marcou também foi em 64, na revolução, quando o trem saiu de Santa Rosa com militares nos vagões de passageiros e familiares de alguns trabalhadores da viação férrea que estavam no exército. Passaram naquele trem enorme, carregando centenas de militares pra revolução de 64. 

Marcou muito ver o pranto dos familiares, dos próprios militares que estavam no trem. O trem foi tão carregado de soldados… Eles estavam na plataforma, na escada da entrada [do trem]... Essa imagem me marcou. 

 

P/1 - Como era a sua casa? Como vocês se dividiam na sua casa na infância?

 

R - A casa era da viação férrea. Não era lá muito grande, mas a gente se dividia assim: cada um tinha a sua atividade da semana, que a mãe nos colocava como responsabilidade. Dentro dessas divisões, cada um já sabia mais ou menos o que tinha que fazer naquela semana. 

Era bem tranquilo. Nós tínhamos o quarto que era do pai, depois o quarto das irmãs e o quarto dos guris. [Tinha] sala, cozinha e o pátio, que tinha os dois lados; [as casas] eram todas grudadas, uma na outra. 

A nossa maneira de viver era bem tranquila. Era uma casa que recebia muitos… O pessoal todo se envolvia, minha mãe tinha uma relação muito boa com as vizinhas. Era muito saudável a forma que nós convivíamos ali, tanto na família quanto as famílias vizinhas. Era muito interessante. A gente nunca teve nenhum problema, nem com as crianças. Às vezes as crianças aprontavam e acabavam criando problemas pros pais. 

Graças a Deus, aquele período foi saudável. Nós nos entendíamos muito bem, então não criávamos problemas pros pais. Meu pai saía às sete horas e ia pro trecho e todos os trabalhadores também, então ficavam só as mães com as crianças.           

               

P/1 - Na sua trajetória de estudante, teve algum professor que marcou mais? 

 

R - Tive os que marcaram [de forma] positiva e negativa também. (risos) Isso é bem interessante. A gente teve dificuldade em certas regiões em que fomos morar, principalmente quando a gente estava na adolescência. Era o período em que eu estava fazendo a sexta, sétima série. Ali foi um pouquinho mais complicado, mas teve algumas situações em que o professor foi fundamental naquilo que a gente tinha se proposto a fazer. 

Eu tive também aqueles [professores] que se pudessem derrubar, que se pudessem trazer desânimo pra gente… A gente hoje enfrenta ainda muitas discriminações; posso dizer que na escola ouvi muitas vezes professores [questionarem] pra que eu ia estudar. O que eu fazia na escola? Não precisava estudar, tinha que ver outra maneira de vida. 

Tive também professores que motivaram mais pra área do esporte do que pra qualquer outra situação, era assim a coisa; eu sou muito grato mesmo pela educação que a minha mãe nos deu. Ela que nos ensinou a enfrentar essas situações, essas atitudes que não são as mais adequadas e que a gente tem que aprender a lidar. A maneira que ela nos ensinou a lidar com as coisas é o que nos tornou pessoas melhores, pelo menos no esforço, na busca de ter uma relação saudável com as pessoas. Isso é um ponto fundamental. 

P/1 - O senhor se lembra de alguma situação específica dessas, em que o senhor se sentiu acuado?

 

R - No período de estudo eu tive várias, não só com um professor, mas a gente aprendeu a enfrentar a situação de uma maneira… Pelo menos, sem criar qualquer tipo de violência. Não fomos educados pra isso, aprendemos a respeitar. 

 

P/1 - Mas o senhor se lembra de algum caso específico?

 

R - Eu estou trazendo esse aí, mas não [é] algo que possa causar mal estar, de forma a [ter] atrasado a minha vida ou que tenha modificado o caminho a ser seguido. Acho que nem valeria a pena a gente trazer esse assunto pra algo que é bem mais importante, que é o que significou a viação férrea naquele momento em que o pai trabalhava e a gente tinha boa relação com todos os trabalhadores da viação. Quando a gente fazia as viagens, se divertia no trem… Isso vale mais a pena lembrar do que casos que foram pontuais.                

                      

P/1 - E uma viagem que ficou na memória? 

 

R - As viagens, a gente guarda praticamente todas [na memória]. Elas sempre traziam alguma coisa interessante pra nós. Andar de trem era uma coisa maravilhosa. A gente aproveitava pra olhar a paisagem, o trem proporcionava isso pra gente porque qualquer viagem levava várias horas. Tinha regiões de paisagens muito bonitas. 

Quando a gente vinha da região de Santo Ângelo pra Porto Alegre, ou ia a Cruz Alta ou Santa Maria, eram viagens longas. Daqui a Santa Maria era uma média de seis horas de viagem, naquela época. Depois veio o [trem] minuano, já era bem mais rápida a viagem. 

Essas viagens eram bem divertidas pra nós, eram momentos de turismo. Na adolescência, quando o pai nos dava oportunidades de viagem, a gente passeava de vagão pra vagão e olhava toda a paisagem; encontrava às vezes pessoas conhecidas do trabalho do pai, então era bem interessante esse período.

Mesmo nos dias atuais, com a rapidez das viagens… Aproveitar uma viagem de trem é bem diferente. 

P/1 - Na juventude, o que o senhor costumava fazer? Namorar, amigos… Qual era o seu lazer?

 

R - A minha juventude teve momentos muito interessantes, mas eu sempre fui mais ligado ao esporte. O tempo livre do trabalho… Eu tive que começar bem cedo, aos quatorze anos já estava trabalhando. Aos dezesseis, eu já trabalhava no serviço pesado. Chegavam os trens de carga, para levar calcário para os fazendeiros, agricultores; eu trabalhava meio período, descarregando esses vagões de trem, e levava direto para as lavouras. 

Fora o trabalho, a minha vida era mais esporte, jogar futebol. Quando era possível, [ia a] um cinema; raramente acontecia de ter bailes, a gente ia, mas basicamente era no esporte. O esporte foi onde tive maior tempo pra aproveitar as horas fora do trabalho. Durante a semana, era trabalho de dia e à noite ia pro colégio; [no] final de semana, era jogar futebol. 

Na época, os bailes não eram tão frequentes, não eram toda semana, era mais bater papo com os amigos e jogar um futebolzinho.

 

P/1 -  O dinheiro que o senhor ganhava era seu ou pra ajudar a família? 

 

R - Teve um bom período que a gente ajudava em casa. Na adolescência, logo que eu comecei a trabalhar… Eu precisava trabalhar, precisava manter o material de estudo e até [ter dinheiro] pro final de semana, então tive que trabalhar aos quatorze anos, já em serviço de… Não só aquele trabalho de auxiliar em casa. Tive que trabalhar pra fora mesmo, pro meu sustento. 

Na adolescência, foi essa mescla: trabalhar pra se manter e para os estudos. E nas horas de folga, o futebol com os colegas. A gente tinha os times que participavam de torneios, campeonatos, nessa fase. Foi basicamente dessa forma, não tinha nada de especial, a não ser essa relação, até os vinte anos, com as orientações da minha mãe e o pai um pouco mais presente. Era mais ou menos assim.

 

P/1 - O senhor estudou até quando? 

 

R - Eu concluí o ensino médio, só não fiz o ensino superior. Casei bem cedo, aos 22 anos. 

Parece que as coisas não acontecem como a gente quer, mas não me arrependo de nada, em termos de não ter conseguido superar a questão da instrução. Se eu tivesse duas faculdades e não tivesse a educação que eu tive, não iria adiantar. Pra mim valeu muito mais ter alguém que me mostrou um olhar para o mundo, um sentido de vida diferente, mesmo sabendo que hoje é extremamente necessária a instrução. 

Sempre busquei motivar meus filhos pra que eles pudessem fazer o desenvolvimento na área da instrução, não só na educação como ser humano.

Graças a Deus, tenho dois filhos que conseguiram se formar no ensino superior e isso é muito bom. Hoje tenho quatro netos também, na caminhada, então a gente fica feliz porque conseguiu de alguma forma transformar o que não foi conquistado através do estudo. Foi válido, em termos de pessoa. 

 

P/1 - Seus filhos fazem o que hoje?

 

R - Eu tenho um que está comigo agora que se formou em Educação Física e é preparador na escola do Grêmio, aqui em Santo Ângelo. Tem outro que é formado em Administração e mora em Nova Prata, aqui no Rio Grande do Sul. E tenho dois, que por mais que a gente tenha conversado pra que continuassem a estudar, não quiseram, mas foi uma questão que eles depois, já maduros, não fizeram essa continuidade. Estão muito bem, um é motorista em Veranópolis e o outro viaja com seguros. Ainda assim, a gente está feliz porque eles encontraram o caminho deles, da forma deles. Não faltou pra eles a motivação, o incentivo; aquilo que eu aprendi com meus pais eu transmiti pra eles. E aquilo que eu vou aprendendo no dia a dia, porque a vida é um aprendizado, diariamente. A gente vai crescendo como seres humanos, isso é que foi muito importante pra mim - vencer aquelas dificuldades que eu tive na adolescência, devido a essas circunstâncias de condições de estudar. 

 

P/1 - Como o senhor conheceu sua esposa? 

 

R - Na verdade, no primeiro casamento eu me separei. Ficamos [juntos por] dezessete anos. Nesse caso, a gente se conheceu num momento mais triste, porque foi quando a minha mãe já estava hospitalizada na UTI, em coma; ela era enfermeira da minha mãe. Foi uma situação bem… Diferente. (risos) 

O fato aconteceu e dali a alguns meses eu fui procurá-la pra conversar, conhecer melhor. 

Tivemos três rapazes, que são hoje jóias da gente, e temos netos. Estamos nesse aprendizado da vida. 

 

P/1 - Eu quero saber mais. Como foi essa conquista? Foi fácil? Conte aí.

 

R - (risos) Não foi tão fácil assim. Desde o primeiro momento foi uma história bem engraçada, porque ela é de origem alemã e eu tive bastante resistência com alguns familiares dela. Um negrão entrando numa família alemã foi bem complicado, né? Era bem interessante, porque os pais dela não falavam ‘brasileiro’, então eu só podia falar com eles com um intérprete. Ela era a minha intérprete. (risos)

Quando chegava na hora da refeição, quando eu ia fazer visita, eu olhava pra ela e ela ficava vermelha, porque estavam falando mal de mim. (risos) Foi um caso bem… Mas aprendemos a conviver. 

Depois eu consegui entender algumas coisas que eles falavam, mas [falar com] o meu sogro, no primeiro momento, era só com intérprete. Se não tinha ninguém pra interpretar o que eles falavam em alemão, eu ficava… E eles também não entendiam o ‘brasileiro’. 

Foi uma boa história, pelo menos. A gente aprendeu a conviver bem. Os sogros me receberam muito bem, apesar de alguns irmãos dela não. Tivemos essa história bem engraçada, né? (risos)

 

P/1 - E como foi o casamento? 

 

R - Ah, esse foi complicado.(risos) Essa eu acho que vou deixar pra outra oportunidade…

 

P/1 - Mas aqui não falamos só sobre a história da ferrovia. É [sobre a] sua história de vida, mesmo. É isso que é bacana, adorei saber essa história. A não ser que o senhor não queira mesmo [contar]... Pode contar.  

 

R -  Foi bem tranquilo. Eu tinha ido trabalhar em Porto Alegre; quando eu estava lá é que decidimos nos casar. Eu a levei pra Porto Alegre também, já que eu estava trabalhando lá, mas ela não se adaptou com o tamanho da cidade. Tivemos que retornar pra Santa Rosa. 

Estivemos em Santa Rosa até 82. Depois é que eu vim, transferido pela empresa em que eu trabalhava, pra Santo Ângelo. Como ela era enfermeira, conseguiu trabalho aqui no hospital. Nós nos separamos em 96, ficamos juntos [por] dezessete anos. 

Agora eu estou no segundo relacionamento, há 23 anos. 

A vida é interessante porque ela vai nos ensinando a cada momento a conviver com as pessoas. O importante é que somos amigos até hoje, os filhos têm um relacionamento ótimo…

 

P/1 - Os filhos são da primeira esposa ou da segunda? 

 

R - Três [são] da primeira e tenho um do segundo casamento. Mas a gente tem um relacionamento muito bom [entre] os irmãos, eu com os filhos e até com a ex a gente se dá bem. 

[O término] nunca foi por briga, foi uma situação que nós entendemos que era o momento, cada um tinha as suas razões. Hoje a gente conversa naturalmente. Discutimos algumas situações em relação aos netos, aos próprios filhos… Não ficou nenhuma situação de inimizade ou de guardar sentimentos negativos do outro; sempre um motivando o outro pra superar as nossas dificuldades do dia a dia.   

 

P/1 - E a segunda esposa, como foi que o senhor a conheceu?

 

R - A gente se conheceu praticamente no trabalho. Chegamos a trabalhar um período juntos.

 

P/1 - Em qual trabalho? 

 

R - Ela hoje está aposentada como funcionária pública municipal. Foi aí que a gente se conheceu. Também temos uma relação muito boa. 

O que eu sempre digo é que aquilo que a gente aprendeu de educação, que me conduziu a procurar sempre ter um relacionamento saudável, não impede que a gente possa… Viver distante das pessoas, mas convivendo bem, se relacionando bem e sem sentimentos negativos com o outro. Esse foi um ponto fundamental pra mim, em relação a elas também. 

Nesse outro casamento estamos há mais de vinte anos juntos.

 

P/1 - O senhor tinha algum desejo, quando era pequeno… O que queria ser quando crescesse?

 

R - Quando eu estava com uns oito, nove anos, que a gente conversava muito com a mãe e com o pai, eu sempre dizia que queria ser engenheiro. Não cheguei a ser engenheiro na área que eu gostaria, até porque não fiz nenhum curso superior.

Talvez, se eu tivesse chegado a fazer eu teria ido pra essa área, mas não guardei nenhum ressentimento por não ter ido por esse lado. Hoje eu me sinto melhor até naquilo que eu faço, que aparentemente é uma função simples, mas é a forma com que a gente se relaciona com as pessoas. Esse é o ponto fundamental pra mim. 

Se eu tivesse alcançado alguns sonhos que eu tive na adolescência, talvez eu não seria o que hoje eu sou. Até poderia estar bem em posição social e financeira, mas talvez não [estaria] realizado como ser humano como eu me sinto hoje.

A gente vai adaptando e as coisas vão acontecendo naturalmente. 

 

P/1 - O senhor faz o que hoje?

 

R - Hoje eu trabalho na empresa em que eu presto serviços gerais, serviço de faxina e cuidar do pátio. Mesmo nessa função, eu sempre vejo razões de ter um relacionamento com todas as pessoas de uma forma saudável e construtiva também. Se a gente se conhecesse em uma posição que desse retorno financeiro muito grande, talvez não fosse o que me realizaria. 

 

P/1 - Fale mais um pouquinho do seu pai, da época da ferrovia. Qual a importância da ferrovia quando o senhor foi crescendo - não só quando pequeno, quando fazia viagens, mas na sua adolescência… A importância do trabalho do seu pai, como você via isso?

 

R - O trabalho que meu pai desenvolvia na viação férrea e na convivência que eu tive com todos os demais trabalhadores da viação, em várias áreas… Eu via o desenvolvimento que na época o trem trazia pra economia daquelas regiões. A gente via os trens cargueiros chegarem, a forma que eles atendiam… A viação férrea, pra mim, significou muito, porque a gente conviveu vendo a ação do trabalho que era ali realizado. Como os trabalhadores se sentiam também, a gente podia [saber] nas conversas com eles; os filhos deles, [com] quem a gente se relacionava na juventude, principalmente, a gente trocava ideias em relação à função que os pais tinham. Graças a Deus, nós sempre vimos essa relação saudável dos filhos. 

A gente via uma união sincera, porque era um trabalho pesado, logicamente, mas ao mesmo tempo era para todos nós o sustento. [Havia] também a alegria com que eles se relacionavam fora da função; a gente nunca teve dificuldade em ver como era bom a forma como eles conversavam, conviviam. Quando eles iam pro trecho, ma hora que eles voltavam… E os filhos também ali, próximos, quando estavam chegando do trabalho...               

Depois, na juventude, quando a gente fazia viagens, a gente via como os passageiros se comportavam no trem, principalmente nas curvas, que dava pra gente observar quem estava indo no vagão da frente ou nos de trás. Aquela alegria das pessoas na janela, os jovens iam mais pras plataformas, pra pegar o vento… [Se] precisasse fazer uma viagem, era o trem o veículo que se tinha na época. Era raro ônibus naquela época. 

Na estação de trem, quando a gente morava bem próximo, aquele movimento de pessoas chegando para pegar o trem, ou quando estavam desembarcando… Aquela movimentação era uma alegria. A gente ia pra outra cidade e observava também esse detalhe, tanto na quantidade de pessoas que embarcavam quanto na alegria das pessoas quando estavam desembarcando. Essas lembranças, esses fatos que a gente via são inesquecíveis. 

Hoje, às vezes eu vejo algumas fotos da estação de trem ou cruzo com alguma estação… Aquele vazio, está morto, né? Sem vida, sem sentido. A gente lembra: “Poxa vida, aquilo era quase um ponto mágico; as pessoas embarcando e desembarcando do trem…” Hoje já não tem mais essa relação. 

A gente vai numa rodoviária pra ver os ônibus, é totalmente diferente a forma que as pessoas embarcam e desembarcam. No trem era sempre uma viagem turística. 

Essa é uma lembrança que a gente guarda e até sente falta. [Dá] até tristeza de ver as estações de trem fechadas, sem nenhum movimento. Os trilhos parados, se perdendo no tempo, e a economia do país nessa ‘careza’ que está pra se fazer uma viagem. 

Nesse ponto, eu vejo que a viação férrea teve o seu processo na economia do país que hoje não se valoriza. Não se tem interesse em fazer com que retorne um trabalho onde as pessoas tenham mais facilidade pra fazer suas viagens. E o próprio trem de carga: observando o número de vagões que um trem pode carregar - às vezes, vinte, trinta vagões carregados de mercadorias… Na economia do país, eu vejo um desleixo em ver tanto investimento feito no passado e hoje [tudo] está entregue às traças, como se pode dizer. A gente olha, a gente sente… Quantas vezes as viagens significavam pras pessoas.

Eu mesmo tenho uma história de como foram importantes essas viagens de trem, passando cidade por cidade. Quando eu nasci, eu tive [um] problema de saúde e a minha mãe me levou em vários médicos, tanto em Santa Rosa… Veio pra Santo Ângelo… E sempre essas viagens eram de trem. Ela me levou a Porto Alegre pra descobrir se [havia] alguma doença em mim. 

Retornando da viagem de trem a Porto Alegre comigo - sem esperança, porque o médico disse que eu não viveria um ano - uma senhora, conversando com ela no trem, disse: “Olha, tem um senhor em Cruz Alta, quem sabe a senhora leva…”

Minha mãe desembarcou do trem em Cruz Alta, nem foi direto… Perdeu a passagem, porque depois ela iria pegar outro [trem]. E [Cruz Alta] foi onde eu fui curado. 

Essas viagens de trem e esse movimento de pessoas, de embarque e desembarque, pra mim foi um ponto fundamental; até hoje estou aí, vivo. Quem não ia durar um ano… Graças a Deus, estou com 63. 

O trem traz também esses mistérios que ninguém imagina; às vezes [as pessoas] estavam fazendo viagens [e] buscando recursos pra saúde também. O trem teve essa importância na vida das pessoas.                                               

                                     

P/1 - E o que o senhor tinha? O senhor sabe?

 

R - Eu nunca soube exatamente o que tinha. O que me contaram é que, da forma que eu nasci, eu não [me] desenvolvi [em] nada até perto de um ano. Tudo que eu me alimentava, botava pra fora. Dizem que, em vez de eu engordar, eu só perdia peso. Eu era um fio de cabelo. Diziam que eu não iria durar um ano e a minha mãe, desesperada, buscando recursos - pegava o trem, ia pra uma cidade, ia pra outra cidade… Quando retornava da última viagem, de Porto Alegre a Santa Rosa, aí ela parou no meio do caminho… O trem trouxe uma vida nova, também. (risos) É importante, isso. 

 

P/1 - Bela história, hein?

 

R - Foi importante porque o movimento que se tinha pra buscar recursos de vida na época era sempre esse, a distância que tinha… 

Eu lembro que quando nós morávamos nesse vilarejo que eu falei, próximo a Cruz Alta, o único veículo que tinha na região - fora o trem, que passava a quinze metros da casa onde morávamos - era cavalo. Só passava boiada; não passava carro, não tinha ônibus que passasse ali. Eram os dois movimentos que tinha na época. 

O trem tinha muito significado pra economia da época. 

 

P/1 - Quais são as coisas mais importantes pro senhor hoje? 

 

R - A coisa mais importante é a vida das pessoas com quem eu convivo. Onde eu estiver, com quem eu convivo, são pessoas importantes pra mim. O sentido da vida, como a gente procura conduzi-la… A gente vai dar importância pra quem está ao nosso lado, convivendo naquele momento. No momento que eu estou no meu lar, o mais importante é a minha família; se eu estou no trabalho, naquele momento o importante é o trabalho, a forma com que eu me relaciono com os colegas. 

A nossa família realmente é o nosso conforto do dia a dia, mas se eu não tiver uma boa convivência quando estou fora de casa… Não vai ter muito sentido se eu não souber valorizar aquele momento. 

 

P/1 - E quais são os seus sonhos? 

 

R - Meu sonho de agora, nessa idade, é viver com saúde, respeitando e me relacionando bem com as pessoas. Se a gente conseguir manter o equilíbrio da saúde e viver saudavelmente com as pessoas, esse é o ideal. 

 

P/1 - E como foi pro senhor contar a sua história hoje, aqui? 

R - Eu estava um pouco apreensivo porque não sabia como ia ser o andamento, quais os caminhos que iam ser trazidos para a conversa, né? Às vezes a gente não imagina que vão tocar naquele ponto. Achei bem interessante. Até cheguei a me sentir um pouquinho mais à vontade pra contar coisas que quase não contava pra ninguém, coisas só minhas, mas estou me sentindo leve, tranquilo. 

 

P/1 - Que bom. Muito obrigada por ter compartilhado a sua história aqui com o Museu da Pessoa. Agora a sua história vai ficar pra eternidade, no portal do museu. Daqui a um tempo o senhor pode acessar e ver a sua história.

 

R - Ok, muito obrigado. Eu agradeço o convite e a oportunidade que me foi concedida de conversar. Espero que eu possa ter conseguido [contar] alguma situação que se esperava desse diálogo.

 

P/1 - Muitas. (risos)

 

R - Obrigado. Foi um prazer estar aqui, participando desse trabalho de documentação que está sendo realizado. 

 

                 

              

             

 

                              

 




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