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O Sonho de Ser o Melhor.

História de: Depoimento de Luiz Carlos Cassiano Cardoso
Autor: Kathleen Loureiro Reis
Publicado em: 21/07/2021

Sinopse

Em 14 anos de empresa Luiz Carlos presenciou muitas fases da Aché. Nesta entrevista ele nos conta esses processos de mudança: primeiro veio a melhoria dos carros, para os propagandistas se locomoverem de cidade em cidade, depois veio a mudança na própria forma de conduzir a empresa onde se tem liberdade com responsabilidade. Luiz acredita muita na parceria com os médicos e vê seu futuro atrelado a seu trabalho duro e amizade profissional.

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História completa

Projeto Aché.


Realização Museu da Pessoa.


Depoimento de Luiz Carlos Cassiano Cardoso   


Entrevistado por Immaculada Lopez


 24 de janeiro de 2002


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Transcrito por Cristina Eira Velha


Revisado por Juliano de Lima.

 

Revisado por: Lara Eloiza Dan Della Mura.

 

P/1 - Cassiano, eu gostaria de começar pedindo para você me dizer teu nome completo, data e local de nascimento.



R - Sim. Meu nome é Luís Carlos Cassiano Cardoso, data de nascimento 18 de setembro de 60, nascido em Santo Anjo, no Rio Grande do Sul. 



P/1 - Onde você vive até hoje.



R - Correto.



P/1 - Como foi a tua entrada no Aché, em que época?



R - Bom, foi em 88. Anteriormente a esse período eu trabalhei no Bradesco. Então é uma atividade totalmente diferente, de uma parte burocrática para uma parte de propaganda. Na época, eu saí antes do banco, e coincidentemente na época eu estava desempregado. Então, eu fiz o teste no Aché, o gerente me entrevistou, eu tenho uma certa facilidade em decorar as coisas. Então, foi me dado um produto para decorar e você tinha que fazer a apresentação para o gerente na hora da admissão, do acerto posterior. Só que na hora deu um branco, eu não consegui dizer absolutamente nada, só a primeira frase, digamos, da parte decorada. Ainda o gerente disse: "Você não sabe nada disso." Então, a parte do sistema nervoso naquela hora me bloqueou. Mas graças a Deus depois a gente conseguiu desenvolver esse trabalho de decorar taxas e coisas que é uma frequência no nosso trabalho.



P/1 - E o senhor nunca tinha tido experiência na indústria farmacêutica, inclusive teus pais tinham uma experiência de trabalho bem diferente, não é?



R - É. Veja que na nossa região a atividade é essencialmente agrícola, né? Então, os meus pais, assim como os outros componentes da família, são família de agricultores. Então essa é a atividade, a soja, o trigo, o milho.



P/1 - Você foi o primeiro propagandista da família.



R - Com certeza.



P/1 - E você lembra dos seus primeiros dias de trabalho, como é que foi, começar essa rotina nova?



R - Ah, lembro, sim, com certeza. Bom, eu estava desempregado. Aí eu disse assim, na época, tem que ter carro. Então foi mais uma coisa que eu tive que dizer para o gerente: "Eu vou comprar o carro. "Então ele diz: "Pô, tu chega aqui: não sabe taxa, não sabe nada, não tem carro, tu não vai comprar carro coisa nenhuma." "Me admite que eu compro um carro." Aí eu vim na filial, fiz o curso, voltei para a minha região e comprei o carro. Comprei um Fiat maravilhoso, 147, amarelo, entrava mais poeira dentro do que fora se ficasse na beira da estrada, com certeza. Então comecei assim. E até hoje ainda digo para uma médica, na cidade de Horizontina, no Rio Grande do Sul, foi a primeira propaganda que eu fiz. Ainda digo para ela: "Ô, doutora, por favor, a senhora prestigie meus produtos, que a senhora foi a primeira médica que eu fiz a propaganda." 



P/1 - E foi tranquila essa propaganda?



R - Foi meio enroscada. Até porque tinha determinados produtos, por exemplo, o Cauterex na época era meu produto, tinha uma substância chamada Desoxirribonuclease, é meio complicado na época para dizer. Mas foi, ela entendeu, e tal, que era a primeira propaganda. E foi tranquilo. 



P/1 - Você falou da poeira da estrada, não é?



R - Certo.



P/1 - Você rodou muito a estrada, que área você abrange, como é trabalhar numa área tão grande?



R - É, tem que viajar bastante, praticamente a gente fica uma semana fora de casa. E hoje não, hoje já tem asfalto em bastante lugares, praticamente hoje tem uma pequena parte do setor que não tem asfalto, mas na época não, na época realmente aquela poeira, o barro, carro atolado, era uma coisa bastante frequente, tinha que chamar um trator para vir carregar. 



P/1 - Que região é? Descreve para a gente.



R - Região das Missões, é a região que faz fronteira com a Argentina. Então tem a região dos Portos, que a gente chama, que justamente é a área fronteiriça com a Argentina, no rio Uruguai. Naquela região somente agora há pouco chegou o asfalto. Então anteriormente era poeira, era barro, era tudo isso. E o que a gente fazia... por isso que eu te disse que o Fiat entrava poeira mais dentro do que fora, pela idade que ele já tinha. 



P/1 - E nessas andanças: muitas histórias boas, Cassiano?



R - Muitas histórias. 



P/1 - Tem alguma mais marcante?



R - É, tem história do coleguismo, o próprio pessoal do Aché, que em muitas cidades somente o Aché visitava. Até a gente coloca para os médicos: "Doutor, o senhor continue prestigiando." Porque quando era pedra, quando era barro, só nós vínhamos aqui. 



P/1 - Isso em que época?



R - Isso até... antes, em torno de 90. Entrei em 88, os primeiros cinco anos com certeza a gente enfrentou esse problema da falta de asfalto, tal.



P/1 - Era o único propagandista que chegava naquela cidade?



R - Sim, os laboratórios ditos grandes, eles acham que são, pelo menos fazem uma parte, hoje eles estão indo porque tem asfalto, está fácil. 



P/1 - E como era chegar na cidade? O pessoal já te reconhecia lá, propagandista do Aché?



R - Sim, com certeza. O relacionamento médico - propagandista é muito bom. Principalmente nessas localidades pequenas eles têm uma amizade muito grande com você. Então, você chegou, ele está atendendo, ele abriu a porta para liberar o paciente, já manda você passar, é uma cultura. Os pacientes que estão esperando já sabem que o propagandista tem que ser atendido primeiro porque ele viaja. Se eventualmente ocorre alguma reclamação de algum paciente, então o médico já diz logo: "Vou liberar ele porque ele tem que viajar." Porque muitas vezes, lá no meu setor, assim como a grande maioria dos setores de viagens para o Estado do Rio Grande do Sul, você faz às vezes três, quatro ou cinco cidades em um dia só. São cidades que têm dois, três ou até quatro médicos. 



P/1 - E além de poeira já enfrentou muito frio aí nessas andanças? 



R - Ah, frio, com certeza. Porque é uma característica do Sul, no Rio Grande do Sul é o frio, algumas regiões tem a neve. Na nossa não vai a neve, porque depende de umidade, aí é para outro pessoal falar sobre isso, mas geada com certeza, muita, muita geada.



P/1 - Algum dia em especial que geou que você pudesse contar para a gente?



R - É, a gente, geada, até que no Rio Grande do Sul, é extremamente comum no inverno. Então, de você sair, assim, e os campos estarem todos, campo, mato, tudo branco é normal, isso é normal. Zero grau é barbadinho. Até tem uma foto em casa que a gente tirou com um colega, quando nós tínhamos a viatura comunitária do Aché. Essa foto, então, tinha uma pessoa só para tirar, tirei eu e meu colega com as maletas, ao fundo uma cidade, a cidade de Planalto, no Rio Grande do Sul, que estava neblina, foi um dia extremamente frio, a gente está encasacado, então é um dos momentos que a gente registrou pelo menos. Fora o que a gente tem registrado de frio enorme.



P/1 - Você tem algum relacionamento com algum médico, ou algum produto, algum lançamento, que você tenha alguma história mais marcante para contar?



R - O mais recente, até pode ter algum que a gente não lembra normalmente, mas mais recente nós lançamos o Biofenac Aerosol, um produto que revolucionou o Diclofenaco em Aerosol, é o único do mercado, tal. E ocorre muito que muitos médicos não acreditam em um tratamento tópico anti-inflamatório. Então, cheguei para o médico: "Doutor, é uma revolução..." "Mas isso não funciona, você sabe que não funciona." "Doutor, funciona. Eu vou lhe deixar, se o senhor precisar usar, o senhor faça uso. De repente um familiar vai usar, alguma coisa desse tipo." Aí na outra visita eu cheguei, ele abriu a porta e disse assim: "Teu santo é forte, hein?" "Por que, doutor?" "O meu filho estava jogando bola, se machucou e eu tive que usar o Biofenac Aerosol, é muito bom, só pode ser tu que rogou praga." Eles falam esse termo "rogar praga", quer dizer tentar fazer com que aconteça alguma coisa para a pessoa para que aquilo que você tinha a finalidade de acontecer, aconteça. "Não, doutor, eu falei que se o senhor precisasse usar... E o bom é que agora o senhor vai poder prescrever porque o senhor sabe que funciona o produto." 



P/1 - Você citou a história do carro, o que mudou? Você pegou a fase do carro próprio, da viatura compartilhada, agora é um carro para cada um.



R - Exatamente.



P/1 - Sem ser o carro, o que mais mudou nesses anos, quase 12 anos, não é? Não, mais de 12.



R - Não, quase 14.



P/1 - 14 anos de trabalho, na rotina do propagandista.



R - Ah, hoje mudou muita coisa. Pode-se dizer, assim, que quando a gente entrou, além desse fator carro, que hoje inegavelmente é uma vantagem excepcional. Trabalhávamos com um carro, muitas vezes um carro velho, em certas condições, até porque tudo era muito simples. Não tinha verba para comprar um carro novo, e um carro novo no meio da pedra, no meio da poeira, também ia terminar. Então, depois que veio o carro, foram facilidades tremendas que o Aché proporcionou. Outro detalhe importante é o próprio, digamos assim, o desenvolvimento do trabalho, relacionamento com superiores. No início tinha uma certa... um sistema um pouco diferente. Hoje você tem mais liberdade, digamos assim, mas sempre não esquecer... liberdade com responsabilidade. Porque você é cobrado pelo teu desempenho no setor. Então você tem o teu desempenho no setor. Na verdade é o seguinte: hoje você tem uma tranquilidade maior para trabalhar. A própria... dizia-se assim, quando nós entramos, uma diária, por exemplo, que era o reembolso da despesa, dava para comer um pastel e um refrigerante. Hoje você pode almoçar, fazer as refeições com tranquilidade. É um fator que é importante, queira ou não queira, é importante o bem estar do funcionário para que ele possa realizar um bom trabalho. Certo?



P/1 - E a relação com a... agora tem a presença mais forte da concorrência também, isso fez com que mudasse o teu trabalho?



R - Ah, com certeza, porque hoje em dia... no início, como a gente coloca em conversa, era só chegar e deixar a caixinha. Claro que não era só deixar a caixinha, mas, assim, para resumir. Deixar a caixinha e o médico estava prescrevendo. Hoje não, hoje tem a presença maciça da concorrência, tem a presença dos genéricos, e os similares, aquele que o balconista vende para ele ganhar, a troca da receita na farmácia. Então, com certeza hoje, comparando quando eu entrei, você tem que trabalhar muito mais tecnicamente, sabendo mais as coisas, se reciclando sempre. Então, hoje o trabalho é bem diferente de quando a gente começou no Aché, com certeza.



P/1 - Eu queria que você falasse um pouquinho desse coleguismo. Como é a relação com os propagandistas? As pastas são os inimigos? Como é isso?



R - Correto, exatamente. É o que eu sempre digo. Por exemplo, no Rio Grande do Sul, a gente costuma fazer churrasco, é meio tradicional. Então a gente joga bola junto, faz o churrasco, brinca. Porém, na hora do trabalho, dentro do consultório, aí ele passa a ser inimigo, porque o médico tem que primeiro prescrever o teu. Depois, se sobrar, prescreve o do concorrente. Senão, fica só no teu.



P/1 - Quase 14 anos de propagandista. Como é que é? Qual é o teu sonho como propagandista?



R - O meu sonho como propagandista é ser o melhor propagandista. Eu trabalho, sempre trabalhei em relação a isso, para tentar alcançar o melhor desempenho possível para realizar, então, no fundo, o que é o objetivo final da propaganda: concretizar a venda. Que o importante é você concretizar a venda na visita ao médico. Não é só a propaganda. Você faz a propaganda, mas você tem que convencer o médico a prescrever o teu produto. E isso, cada vez que eu levanto, eu tenho essa idéia: "Hoje eu tenho que convencer o médico a prescrever o meu produto."



P/1 - A gente já vai finalizando, eu queria te perguntar o que você acha do Aché ter decidido contar a sua história?



R - Eu acho muito interessante, porque... até para as gerações futuras, 35 anos é uma longa história. E como se diz: "Povo que não tem memória não tem história." É mais ou menos isso. Então, eu acho nesse sentido extremamente importante, porque deve ficar registrado. Uma empresa da grandeza do Aché tem que ter um registro para que as pessoas que sejam admitidas depois saibam o que antigamente o Cassiano, os colegas deles enfrentavam para levar o nome do Aché e fazer com que hoje o Aché seja essa empresa do porte que é, uma grande empresa do mercado nacional.



P/1 - E o que te agrada e atrai no Aché? Qual a característica mais marcante?



R - No Aché o que me agrada sobretudo é essa vontade que você encontra em todas as pessoas que você conversa, vontade de vencer, de alcançar objetivos. Isso aí eu acho que toda pessoa que você vai realizar um empreendimento, você tem que ter o objetivo final de alcançar o objetivo, de vencer os obstáculos. Sempre, todas as reuniões que a gente faz, a gente tem essa idéia. Quanto mais forte a empresa, mais nós vamos crescer. Você vê os números que tem hoje, não mentem.



P/1 - Muito obrigada pela participação.



R - Ok.

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