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"O SENAC descortinou novos horizontes"

História de: Ademir Potiens
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 03/08/2005

Sinopse

Em sua entrevista ao Museu da Pessoa, Ademir Potiens conta sobre a sua juventude em Botucatu, onde estudou no Instituto de Educação Cardoso de Almeida, participando como redator do jornal dos estudantes e locutor de um programa de rádio dos secundaristas. O que lhe rendeu o seu primeiro emprego como jornalista esportivo na rádio local. Apaixonado pela língua portuguesa, cursou Letras em Botucatu e passou a ministrar aulas para diversos públicos, até chegar ao SENAC, onde passou de professor a assistente e gerente de diversas unidades do estado de São Paulo. Ademir nos conta sobre as grandes transformações que viu no SENAC até os dias de hoje e sobre a preocupação com o futuro.

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História completa

P/1 - Senhor Ademir, o senhor poderia começar nos dizendo o seu nome completo, local e data de nascimento?

 

R - Pois não. Ademir Potiens, nasci em Botucatu, estado de São Paulo, em 12 de abril de 1946.

 

P/1 - E o nome dos seus pais?

 

R - Meu pai se chamava Amilcar Romeu Potiens e a minha mãe se chama Ana Dias Potiens, a "dona Lá".

 

P/1 - E qual era a atividade de seu pai, senhor Ademir?

 

R - O meu pai, ele exerceu várias atividades, mas atividades de uma mesma natureza, quer dizer, no fundo ele era comerciante. Houve um momento que ele comerciou com gado, comprava e vendia gado. E houve um momento que ele comerciou coisas do ramo de armazém, né, secos e molhados. E durante uma fase da vida dele ele também foi comerciante de confecções.

 

P/1 - Sempre em Botucatu?

 

R - Sempre em Botucatu.

 

P/1 - E o senhor estudou também em Botucatu?

 

R - Estudei em Botucatu. Fiz o primário, era como se chamava na época em Botucatu, o ginásio também em Botucatu, o colegial clássico eu fiz em Botucatu também, aliás, numa escola muito tradicional, numa escola oficial do estado, pertencente à rede do ensino público. Aliás, essa escola, no tempo em que no estado de São Paulo havia cinco escolas normais, uma delas era essa. E isso criou uma auréola até de misticismo em relação à escola porque realmente ela exercia um processo de ensino-aprendizagem que garantia bastante resultado por quem passava por ela. Então, era uma escola em que eu tive muito prazer em estudar e eu me orgulho de ter estudado nela, né? E ali eu concluí o meu curso clássico e a partir da conclusão do curso clássico eu me encaminhei para a área de Letras. E fiz também em Botucatu na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, tendo cursado ali o curso de Letras, né, com interesse já bastante evidente, bastante evidenciado anteriormente, com interesse específico na área de língua portuguesa, que eu gostava muito. Eu gostava muito de ler, né, eu gostava muito da língua portuguesa. Então, a minha vida escolar ela se passou em Botucatu até a minha formação pela faculdade no curso de Letras.

 

P/1 - E, senhor Ademir, quando o senhor era criança, o senhor ia na loja do seu pai, ajudava ele um pouco?

 

R - Não, não eu nunca cheguei a ajudar em atividade de comércio não. Eu me limitava a estudar e a brincar, né, quer dizer, fazer aquilo que muitas crianças fazem, né? Eu gostava de jogar minhas peladas na rua, eu gostava muito de futebol e isso me ajudava a passar o tempo. Aí eu comecei a trabalhar cedo, né? Quando você pergunta se eu ajudava os meus pais, eu digo que não ajudava na atividade de comércio, né, não significa que não ajudava em casa. Eu ajudava em casa nas tarefas, algumas das tarefas domésticas, fazer compras inclusive, sempre que me pediam eu estava atendendo com muito gosto. Mas eu comecei a trabalhar cedo, mas comecei a trabalhar em outra coisa de que eu gostava também. Não sei se é cedo ou se é tarde.

 

P/1 - Com que idade o senhor começou?

 

R - Eu tinha dezesseis anos, que também não é muito cedo... Dezesseis não, eu tinha quinze anos. É meio relativo dizer se foi cedo ou se foi tarde.

 

P/1 - E qual era a atividade?

 

R - Eu sempre tive uma vontade muito grande de trabalhar em radio jornalismo, né, e eu sempre tive uma vontade muito grande de participar das coisas. Eu sempre fui muito participante de diferentes atividades, na escola, particularmente a partir do começo do ginásio, né, do começo do curso ginasial. Eu participava de grêmio, participava da organização de festas, de solenidades, de qualquer coisa que representasse alguma ação coletiva, eu estava no meio como participante da organização, do planejamento e da execução. E uma das atividades da qual eu participava como participante do grêmio estudantil, eu fazia parte da diretoria inclusive, mas uma das atividades das quais eu participava era a realização de um programa de rádio voltado para o público estudantil. Quer dizer, nós tínhamos um programa numa rádio local lá de Botucatu. Era o programa que era o porta-voz das ideias dos estudantes dessa escola onde eu estudei, que era o Instituto de Educação Cardoso de Almeida, e era o programa feito pelo grêmio estudantil. Como também o grêmio tinha o seu jornal, né, e eu fui o redator-chefe desse jornal também. Quer dizer, era alguma coisa de que eu gostava, né, tanto de estar participando das coisas, ajudando a construir, fazer, organizar, como também gostava de estar participando da manifestação daquilo que era o pensamento dos estudantes daquela época, né? E é interessante entender aquela época porque do tempo em que eu entrei no ginásio havia admissão ao ginásio, quer dizer, não era automático, quer dizer, hoje nós temos o primeiro grau, da primeira a oitava série, naquela época, não faz tanto tempo assim também, mas naquela época a pessoa concluía a quarta série do primário e tinha que prestar um exame de admissão para entrar na primeira série do ginásio. E era um exame duro pra danar, não era fácil não, precisava se preparar, estudar, fazer "cursinho”, né, tinha o preparatório para exame de admissão. Então, participar de uma escola como o Instituto de Educação Cardoso de Almeida eu acho que eu tive o privilégio de participar dessa escola, porque não era todo mundo inclusive que frequentava a escola, ainda que muito mais gente estivesse frequentando em comparação com tempos anteriores. Mas não era comum também as pessoas fazerem faculdade. Nesse tempo em que eu estava no ginásio, existiam poucas faculdades, não eram muitas. Então os movimentos estudantis, vamos chamar assim secundaristas, quer dizer, dos que faziam ginásio, dos que faziam colégio, eram movimentos fortes, então tinha um representação estudantil razoável. E essa representação, entre outros mecanismos, entre outras formas, se fazia por meio do jornal, por meio de programa de rádio, era onde nós propagávamos o nosso pensamento, propagávamos o pensamento daquilo que nós julgássemos de mais vanguarda e aquilo que nós julgássemos de mais validade para o pessoal que estudava, né, não só na escola, mas que estudava na cidade. Então essa experiência de ter sido redator-chefe do jornal estudantil e de ter sido o executor, um dos executores e um dos apresentadores do programa de rádio despertaram esse desejo de trabalhar com comunicação. E à partir desse despertar do desejo de trabalhar com comunicação é que eu decidi duas coisas, né, primeiro... aliás, não foi bem uma decisão minha, quer dizer, foi um convite que eu recebi que veio de certa maneira ao encontro do que eu... eu recebi um convite pra trabalhar na rádio, né, em função da apresentação do programa estudantil eu recebi um convite pra trabalhar na rádio.

 

P/1 - Isso durante a faculdade, ou ainda antes?

 

R - Ainda antes, eu estava, nesse momento eu estava no colegial clássico, né? E aí com muito gosto eu passei a trabalhar em rádio.

 

P/1 - Que programa o senhor fazia?

 

R - Eu fazia diferentes tipos de programas, mas a maior parte dos programas eram voltados pra radio jornalismo. E aí era um radio jornalismo de interesse mais amplo, os chamados jornais falados, né, e também o radio jornalismo esportivo. Eu trabalhei como locutor esportivo durante algum tempo da minha atividade em rádio, né? Aliás, tem uma passagem muito interessante porque... eu não sei, mas me parece que até essa questão de locução esportiva exerce um certo fascínio sobre as pessoas, né, tem pessoas que gostam de ser, que imaginam que gostariam de ser e tal, e tem ídolos aí inclusive que são locutores esportivos, né, você conhece vários exemplos. Mas eu me lembro quando eu estava treinando porque a gente treinava pra ser locutor esportivo e num determinado momento eu fui fazer pra valer uma narração esportiva e...

 

P/1 - De futebol?

 

R - De futebol. E fui fazer uma narração esportiva narrando escanteios, narrando tiros de cantos, né? Então tinha o narrador, o narrador da partida inteira, e quando era o escanteio do lado onde eu estava, quer dizer, eu assumia a narração. E a primeira vez foi osso duro porque eu comecei dizendo que o atacante estava correndo pra bola e eu disse que ele chutou a bola e aí eu disse que a bola subiu, subiu, e a bola não descia mais. (risos) Deu um branco completo, né, sabe, uma situação assim que você não...

 

P/1 - Mas tinha um narrador pra cada lado do campo?

 

R - Pra cada lado do campo. Sabe, aquela história da direção de esporte querer dinamizar a transmissão esportiva para tornar a transmissão mais atraente, né? Então você ter outras pessoas narrando pra não ficar sempre a mesma voz. Então, naquele momento tinha o narrador que narrava a partida inteira e tinha o repórter de campo ou dois repórteres de campo, um atrás de cada gol e narrando os escanteios que acontecessem atrás dos respectivos gols, e foi uma experiência interessante. Mas em função dessa participação, né, no jornal estudantil e no programa de rádio, aconteceram essas coisas na minha vida, eu trabalhei em rádio, em radio jornalismo esportivo e também decidi estudar alguma coisa que tivesse a ver mais de perto com comunicação. Foi onde eu tomei a decisão de fazer o curso de Letras, porque a língua portuguesa, que era a minha grande atração do ponto de vista de ensino, vamos chamar assim, ou aprendizado de idiomas, né, a nossa língua pátria, eu gostava muito de estudar a língua portuguesa, gostava muito de ler literatura portuguesa, literatura brasileira, e por ser nosso instrumento por excelência de comunicação, eu tomei a decisão de fazer o curso de Letras e não me arrependo, né? Nunca me arrependi.

 

P/1 - E como foi a sua trajetória profissional a partir da faculdade?

 

R - A partir da faculdade... Quer dizer, no fundo já deu pra perceber que eu tinha interesses diferentes, eu nunca gostei de me limitar, fazer coisas assim específicas, então, obviamente que trabalhar com a língua portuguesa do ponto de vista de ser Docente, de ser Professor de língua portuguesa, é algo fantástico, algo fantástico porque o campo é muito grande, inimaginavelmente grande. Então, não é alguma coisa que possa apresentar rotina, marasmo, ao contrário, é alguma coisa assim muito motivadora. Mas à partir de um certo momento a gente acaba também tendo oportunidades, outras oportunidades que podem significar uma amplitude maior para aquilo que a gente fazia de uma maneira mais restrita, né? Como docente de língua portuguesa eu posso dizer que exercia atividades diferentes até porque eu trabalhei com clientelas diferentes. Eu fui Professor de língua portuguesa pra preparação de candidatos aos antigos exames de madureza, que atualmente são os chamados exames supletivos, para as pessoas que não tiveram oportunidade de estudar no ensino regular aí de primeiro ou de segundo graus possam fazer de maneira mais concentrada, né, e com isso ter oportunidade de até fazer faculdade, né, cumprindo o pré-requisito aí de ter o segundo grau, né? Então, eu fui Professor de curso preparatório pra exame de madureza e fui também Professor de língua portuguesa pra ginásio, pra colegial científico, pra estudante de curso Técnico de Contabilidade; e fui também docente de língua portuguesa na própria faculdade onde eu estudei, como assistente da cadeira de Língua Portuguesa. Então eu era assistente dos docentes titulares da cadeira de Língua Portuguesa e desenvolvia atividades docentes pra alunos de primeiro ano da faculdade. Então eu desenvolvi atividades docentes pra diferentes públicos durante um certo momento da minha vida, no começo da minha vida profissional aí na área educacional. Mas aí surgiu o SENAC, né, aí surgiu o SENAC. No momento em que eu ingressei no SENAC eu já dei uma dimensão um pouquinho maior pra essa minha vocação, vamos chamar assim, pra docência de Língua Portuguesa, né? Porque quando eu ingressei no SENAC, eu ingressei pra ser o Orientador dos Professores de língua portuguesa do SENAC no Estado de São Paulo. Então aí, essa atividade, né, voltada pra língua portuguesa ampliou sensivelmente, quer dizer, eu já não estava mais dentro da sala de aula desenvolvendo atividade Docente pra clientela que estudava os diferentes cursos do SENAC, né, mas eu estava desenvolvendo atividades de organização, de planejamento, de avaliação e de orientação, apoio e supervisão a todos os Professores da rede do SENAC durante o tempo que eu exerci essa função de Orientador de Ensino.

 

P/1 - Que cursos do SENAC que mantinham, vamos dizer, a disciplina língua portuguesa?

 

R - A disciplina de língua portuguesa estava presente no Ginásio Comercial, né, que era um curso equivalente ao antigo ginasial, né, só que além de ter a equivalência com o ginasial o Ginásio Comercial ainda tinha a vantagem, eu considero assim, a vantagem de estar instrumentando as pessoas que passaram por esse tipo de curso para exercerem atividades comerciais e pra exercerem atividades também administrativas, né, atividades de rotinas administrativas, uma vez que esse tipo de curso preparava as pessoas pra área de vendas e preparava as pessoas também para a área de escritório, né? Então tinha uma polivalência de possibilidade de formação aí pra quem passava pelo Ginásio Comercial. Era realmente uma programação bastante enriquecedora pras pessoas além de ter as disciplinas da chamada educação geral, quer dizer educação geral: português, matemática, história, geografia, etc., todas essas matérias que fazem parte da educação geral estavam presentes no curso como também as disciplinas, ou as matérias aí de formação especial, né, pra preparar as pessoas aí para as atividades de venda e para as atividades de escritório. Além disso, né, em outro momento o SENAC também tinha o curso de Auxiliar de Venda e Escritório, que era um curso equivalente ao Ginásio Comercial, só que era realizado em menos tempo, em termos de duração, mas ele tinha equivalência com o Ginásio Comercial. E tinha a mesma possibilidade, quer dizer, ele dava para todos os alunos que passassem por ele, dava equivalência ao ginásio e ao mesmo tempo preparava as pessoas para exercerem atividades na área comercial ou diretamente ligado a vendas, a loja portanto, ou ao escritório. E também havia a disciplina no curso Técnico em Secretariado que a entidade mantinha nessa época, né? Particularmente as atividades de supervisão, de acompanhamento, de apoio, de planejamento que eu desenvolvia nessa área estavam voltadas para esses cursos. Com algumas incursões por alguns cursos de preparação mais rápida que o SENAC tinha, né? O SENAC tinha, por exemplo, cursos voltados pra preparação de pessoas em relação, por exemplo, à correspondência comercial, né? E aí a correspondência comercial tem tudo a ver com a língua portuguesa, né? Então, em alguns momentos era nosso papel também estar produzindo algum material pra estar sendo utilizado em programações dessa natureza.

 

P/1 - E quanto tempo o senhor ficou nessa função, senhor Ademir?

 

R - Eu não fiquei muito tempo nessa função, né? Talvez até por aquele fato que eu mencionei anteriormente, né, de ao mesmo tempo em que a gente começa a enxergar o trabalho de uma maneira mais ampla, a gente começa a enxergar a organização de uma maneira mais ampla, ao mesmo tempo em que isso acontece da parte da gente, quer dizer, a organização também passa a conhecer as pessoas. E a partir desse conhecimento maior que as pessoas têm da organização e das suas possibilidades dentro da organização, e a partir do momento que a organização conhece mais as pessoas, outros encaminhamentos profissionais acabam ocorrendo, né, dentro da atividade profissional das pessoas. Eu fiquei nesse trabalho não foi muito tempo não, eu acho que por volta de 60... eu comecei a exercer esse trabalho em outubro de 69, dia 1 de outubro de 69. Eu tenho a impressão que em 1971, metade de 71 por aí, eu não me lembro exatamente nesse momento a data precisa, mas acho que metade de 71 eu passei a exercer as funções de Assistente da diretoria regional do SENAC e aí eu deixei portanto a minha função de orientação de ensino dos docentes de língua portuguesa do SENAC. Começou aí uma nova, não é uma nova trajetória porque a minha trajetória é trajetória ampla, mas começou aí uma parte nova da minha trajetória no SENAC, como Assistente da diretoria regional do SENAC e, portanto, exercendo um papel de prestação de assistência imediata ao Diretor do Departamento Regional. E isso foi uma experiência interessante também na minha vida dentro do SENAC porque esse trabalho ampliou ainda mais a minha visão a respeito das ações institucionais, não que no trabalho anterior não se procurasse ter uma visão mais ampla da instituição. Mas a partir do momento em que você está numa outra instância de trabalho, numa instância de trabalho que necessariamente tem que trabalhar com o conjunto da instituição, em todas as suas facetas de trabalho e em relação a todos os tipos de preocupações que possam estar presentes dentro da gestão de uma instituição, eu passei a conhecer a instituição de uma maneira mais ampla. Então, foi uma experiência também muito rica como Assistente da diretoria regional do SENAC.

 

P/1 - O senhor testemunhou então o período de fechamento das escolas também.

 

R - É. Eu não testemunhei momento de fechamento das escolas porque não houve fechamento das escolas.

 

P/1 - Não, digo do ginásio.

 

R - Na minha opinião o que aconteceu foi uma abertura maior, eu estou colocando aqui a minha maneira de enxergar esse assunto, quer dizer, na minha opinião houve uma abertura maior das unidades do SENAC para muito mais gente, para pessoas que não tinham oportunidade de acesso aos programas do SENAC porque uma grande quantidade de recursos da instituição estavam canalizados pra realização do Ginásio Comercial e dos cursos técnicos, na maneira como eles eram formatados naquela ocasião. Como eram cursos longos, o Ginásio Comercial tinha quatro anos, um curso técnico tinha três anos, eram cursos que consumiam um volume de recursos considerável e, naturalmente, se esse volume de recursos era um volume considerável certamente não sobravam muitos recursos pra estar realizando toda uma programação imensa de programas pra atender a muitas outras áreas que fazem parte da área econômica terciária: comércio, administração, serviços, e que não eram suficientemente atendidos porque essa grande soma de recursos destinava para os cursos chamados regulares, né? Então a partir do momento que o SENAC tomou a decisão estratégica, quer dizer, uma decisão estratégica, uma decisão de efeitos de médio prazo, de longo prazo. É definir caminhos para estar atendendo melhor a sua clientela. Quer dizer, na medida em que o SENAC tomou a decisão estratégica de deixar de fazer os cursos regulares, o SENAC tomou a decisão de estar fazendo numa amplitude muito maior dezena de outros cursos indispensáveis pra que as pessoas possam obter instrumentação profissional ou para ingressar no mundo do trabalho ou para se reciclar, pra se aperfeiçoar, pra se atualizar ou mesmo pra se especializar. Quer dizer, na medida em que o SENAC deixou de fazer os cursos regulares, quer dizer, houve um repasse de recursos financeiros que tornou possível a ampliação de uma série imensa de programas aí voltados para o atendimento de uma quantidade muito maior de pessoas.

 

P/1 - Como se definiram esses novos cursos, as novas áreas em que o SENAC atuaria?

 

R - O SENAC já tinha uma atuação em diferentes áreas que nós chamávamos na ocasião de áreas ocupacionais, né? Hoje nós chamamos de áreas de negócios ou áreas de serviços. A denominação aí não interessa muito, quer dizer, o que interessa é o que se faz, o porquê se faz, pra quem se faz, como se faz, quais são os resultados disso lá fora, né, quais os resultados disso nos ambientes, nas situações profissionais de trabalho, de negócios em que as pessoas que passam por esses programas acabam enfrentando no seu dia-a-dia. Então, isso é o que importa. Mas naquele momento o SENAC já realizava muitos cursos na área de Vendas, de Turismo, de Armazenagem, de Hotelaria, de Comunicação, de Propaganda, cursos bastante numerosos até, o portfólio de cursos do SENAC nessa ocasião, esses eram os chamados cursos de Formação Profissional Acelerada, isto é, os cursos destinados a possibilitar uma formação mais rápida pras pessoas. Então havia muitas áreas que o SENAC atuava, né, com esses cursos mais rápidos. Mas aquilo que o SENAC fazia certamente não era suficiente pra estar atendendo. A partir do momento em que o SENAC resolveu tomar a decisão estratégica de alterar a sua programação aí de formação profissional foi possível estar ampliando essa quantidade de cursos e foi possível certamente estar aperfeiçoando o próprio processo de planejamento e de execução, quer dizer, que não só foi possível a ampliação, né, dessa programação como também foi possível estar melhorando o processo de planejamento e execução dessa programação. Então, na minha opinião, houve um ganho muito grande para o cliente do SENAC, quer dizer, houve um ganho muito grande para o público a quem se destinava a programação do SENAC porque mais gente pôde ter acesso a mais programas voltados a uma formação profissional mais rápida ou a oportunidades de desenvolvimento, de aperfeiçoamento profissional. E o que eu considero também interessante destacar é que no momento em que o SENAC deixou de fazer os chamados cursos regulares, o SENAC também procurou alternativas pra estar fazendo programações semelhantes só que de outra maneira. Então nós tivemos a oportunidade de participar de uma experiência muito interessante e é uma experiência inclusive não muito fácil de ser realizada, mas ela foi realizada durante um determinado momento, que era a realização de cursos em regime de intercomplementariedade, eram cursos de segundo grau, eram cursos técnicos, eram portanto habilitações profissionais de segundo grau completos com a parte de educação geral e com a parte de formação especial. Só que com uma maneira nova de fazer, em regime de intercomplementariedade, isto é, em convênio com a Secretaria da Educação. O SENAC fazia a parte de formação especial e algumas escolas, né, designadas pra participação desse convênio, faziam a parte da educação geral. Então, as pessoas estudavam o português, a matemática etc. na escola estadual e faziam a parte técnica, né, no SENAC. Aí tinha o Técnico em Secretariado, tinha o Técnico em Assistente de Administração pra citar exemplos, né? E com isso havia essa possibilidade de estar preparando pessoas em nível de segundo grau, portanto por meio de habilitações profissionais. Mas não é só essa alternativa que o SENAC identificou pra estar preparando pessoas num determinado nível de programação. O SENAC passou a realizar os programas denominados de Qualificação Profissional IV, isto é, aqueles programas que correspondem às habilitações profissionais de segundo grau. Só para dar um exemplo pra deixar bem caracterizado, o Técnico em Secretariado, por exemplo, existe um programa de qualificação profissional pra preparação do Técnico em Secretariado em que a pessoa precisa ter o segundo grau comum, quer dizer, na medida em que a pessoa tem o segundo grau comum, fazendo esse programa de qualificação profissional de Técnico em Secretariado do SENAC ela passa a ter direito a receber o diploma de Técnico em Secretariado, portanto com todas as prerrogativas necessárias pro exercício da função do Técnico em Secretariado. Quer dizer que essa é uma alternativa de preparação de pessoas em nível de segundo grau, habilitações profissionais de segundo grau, preparação de técnicos mesmo. O SENAC tem uma série de programas voltados para a preparação do técnico. Só que a pessoa vai ao SENAC, não precisa ficar três anos, ela vai, ela já tem a formação de segundo grau, ela vai e fica aí, e fica pouco mais de um ano, quinze meses, por volta disso, né, existe uma variação de tempo, e com esse tempo ela adquire a habilitação profissional que ela escolheu dentro do rol que o SENAC coloca à disposição, né? Enfim, quer dizer, o SENAC descortinou novos horizontes, né, novas possibilidades, novas alternativas e no meu entendimento continua fazendo isso, continua buscando descortinar horizontes diferentes mediante os quais, mediante a busca dos quais horizontes aí, ele possa estar realizando a sua missão, que é de desenvolver pessoas e desenvolver organizações em geral, em relação ao conhecimento em comércio e serviços e particularmente por meio daquilo que é a maneira do SENAC atuar, que é por meio de ações educacionais. Então, no meu entendimento, não é, o SENAC é uma organização que tem se transformado. Então, quando a gente pensa na alteração que ocorreu em relação àqueles cursos, no Ginásio Comercial, a alteração que ocorreu foi uma alteração estratégica pra buscar melhores alternativas pra estar atendendo as pessoas, estar atendendo as pessoas nas suas necessidades de desenvolvimento.

 

P/1- Senhor Ademir, o senhor teve experiência no SENAC de várias cidades do estado de São Paulo, né? O senhor poderia contar em quais cidades e que funções o senhor exerceu?

 

R- Eu fui Assistente de Diretoria do SENAC em Santo André e, portanto, eu tive a oportunidade de vivenciar uma realidade diferente de uma realidade de Interior. Eu fui também Gerente do SENAC em Botucatu. Na ocasião o nome do cargo inclusive era Diretor, né? Mas no fundo a preocupação naturalmente tinha que ser sempre de gerenciar, né? Essa foi sempre uma grande preocupação do SENAC, de estar gerenciando as suas ações da melhor maneira possível para obtenção de resultados. Então, trabalhar em Botucatu como Gerente de uma unidade do SENAC é bem diferente de trabalhar, mesmo que como Assistente de Diretoria, em Santo André, até porque as funções do Assistente de Diretoria tinham muito a ver com as funções de direção, né? E muitas vezes o Assistente assumia as funções de direção. Então, trabalhar numa área como Santo André onde a vibração da vida econômica é intensa, onde se respira trabalho em todos os lugares e onde se transpira trabalho por todos os poros, com aquela quantidade imensa de profissionais, de trabalhadores existentes na região do Grande ABC e uma quantidade imensa de empresas, né, é uma realidade completamente diferente de uma cidade como Botucatu, né? Uma cidade com uma população bem menor e com um parque de negócios, um parque econômico também infinitamente reduzido em relação ao Grande ABC, e sem esquecer também que o Grande ABC está encostado com a Capital, quer dizer, no fundo você tem aí uma Grande São Paulo, uma Grande São Paulo que forma um ambiente imensamente desafiante, motivador e com muito calor humano e com muitas possibilidades de trabalho, com alternativas imensas de produção, né, nesse universo aqui da Grande São Paulo. Então tem muito mais gente sequiosa de se preparar profissionalmente. Ou de se preparar profissionalmente pra começar a trabalhar ou então de buscar reciclagem pra poder almejar um outro tipo de trabalho, pra mudar de atividade profissional ou pra buscar progressão na sua própria atividade, buscar novas experiências, adquirir mais habilidades pra poder estar fazendo coisas além daquilo que já sabe e pra estar com isso buscando o crescimento pessoal, crescimento profissional, buscando melhores condições até de remuneração que é a contrapartida do trabalho, e a melhoria da remuneração é a contrapartida da busca de melhores competências e de outras habilidades. Então tem muita gente na Grande São Paulo querendo se preparar profissionalmente. Eu acho isso lindo e eu acho isso imensamente desafiante e numa cidade pequena do interior isso já não é a mesma coisa. Não é que as pessoas no interior não tenham vontade de se preparar, claro que têm, né, mas a quantidade de pessoas é muito menor. E isso você sente normalmente no desenvolvimento do seu trabalho. Então, é tão desafiante trabalhar numa cidade, nas funções típicas do SENAC, né, ou nas funções gerenciais do SENAC, é tão desafiante você trabalhar numa cidade pequena do interior como você trabalhar numa cidade grande como Santo André ou num universo mais amplo como a Grande São Paulo, os desafios são diferentes, mas existem desafios nas duas situações. E aí eu tive uma outra experiência também, quer dizer, durante algum tempo eu gerenciei uma unidade aqui em São Paulo, né? E eu diria que gerenciar uma unidade aqui em São Paulo é uma experiência diferente do gerenciamento de uma unidade no Grande ABC, ainda que estejam bem próximos eu considero diferente, quer dizer, em São Paulo, na cidade de São Paulo, a resposta que você precisa dar enquanto gestão de ações de desenvolvimento de pessoas e de organizações, a resposta que você precisa dar é uma resposta muito mais intensa ainda, numa cidade como São Paulo. Ainda que Santo André, ainda que o ABC esteja coladinho aí, a intensidade da resposta tem que ser muito mais ampla em São Paulo.

 

PP/1- Qual a unidade que o senhor gerenciou em São Paulo

 

R - Eu gerenciei uma unidade que funcionou em São Paulo até 1979 na Rua Galvão Bueno, era o Centro de Formação Profissional "Brasílio Machado Neto", né, ou Centro de Desenvolvimento Profissional "Brasílio Machado Neto", que funcionou no bairro da Liberdade, era uma unidade grande do SENAC. Era um prédio não muito atual também, né, e eu tive oportunidade de gerenciar essa unidade, foi uma experiência muito interessante aqui em São Paulo. E tenho também a experiência de estar gerenciando uma outra unidade do SENAC que foi o SENAC Ribeirão Preto. É uma cidade bem maior que Botucatu, é uma cidade economicamente também vibrante, mas é uma cidade com características econômicas completamente diferentes do Grande ABC e completamente diferentes da Capital. Porque o município de Ribeirão Preto não é um município que se possa dizer industrializado, né, a quantidade de indústrias existentes em Ribeirão Preto não é uma quantidade expressiva, né, ainda que haja nas redondezas de Ribeirão Preto cidades que tenham, que tem maior quantidade de indústrias, né, como é o caso, pra citar exemplos, de Sertãozinho, de Franca, né, que têm um potencial industrial, que têm um parque industrial mais significativo. A grande característica de Ribeirão Preto, das proximidades de Ribeirão Preto e particularmente da cidade de Ribeirão Preto, é a área de comércio e de serviços. A cidade de Ribeirão Preto é muito desenvolvida no ponto de vista da área de comércio e de serviços, mas falta uma industrialização mais expressiva, e a área terciária ela está presente também dentro da área industrial, quer dizer, como é que a indústria, como é que a atividade industrial se reflete nas ações do SENAC. A atividade industrial se reflete nas ações do SENAC no meu entendimento de duas maneiras: primeiro, porque se a indústria é uma indústria, parque industrial expressivo, a área de comércio e de serviços também fica expressiva porque a ampliação do parque industrial provoca, produz crescimento na área de comércio e serviço, além disso, dentro da indústria existem atividades terciárias, né? Dentro da indústria existem atividades de comercialização, atividades de gestão, atividades administrativas, né, dentro da indústria, portanto o campo de trabalho do SENAC está na área econômica terciária e a área econômica terciária está presente na indústria, no comércio, nos órgãos públicos, na agricultura, a área terciária está presente em tudo, né?

 

P/1 - Senhor Ademir, eu queria fazer uma pergunta dupla: se houve uma passagem do SENAC de oferecer cursos exclusivamente em comércio pra cursos em serviços também como isso se deu? Se não me engano foi o desenvolvimento natural da economia. E também sobre a atuação do SENAC prestando serviço diretamente às empresas e não só formando, enfim, mão-de-obra qualificada. Como é que esses dois movimentos ocorreram?

 

R - Eu acho interessante essa pergunta, porque essa pergunta, se a gente for voltar no tempo, na maneira como eu entendo as coisas, na maneira como eu vivi as coisas da organização, na maneira como eu entendo a organização, as decisões que a organização tomou, quer dizer, a partir do momento em que a organização imaginou o seu trabalho de maneira bem mais ampla em termos de área econômica efetivamente, não apenas em termos de empresa, quer dizer, o trabalho do SENAC não é só atender a empresa comercial ou a empresa de serviços, não. A ação do SENAC é atender todas as funções, as atividades que fazem parte da área de comércio e de serviços independentemente de onde elas estejam localizadas, na medida em que existe essa contribuição pra preparar pessoas, pra aperfeiçoar pessoas pra estarem trabalhando mais adequadamente nas funções diretamente ligadas a comércio e serviços, diretamente ligadas à área terciária, você desenvolve a área como um todo e aí a contribuição pra sociedade é uma contribuição muito maior. E certamente é uma contribuição também muito significativa para as empresas específicas de comércio e de serviços. Então, com essa ampliação da maneira de enxergar a sua ação, no meu entendimento houve a possibilidade de estar contribuindo muito mais efetivamente para o desenvolvimento da grande área aí de comércio, da grande área econômica de comércio e de serviço, da grande área terciária. E a segunda parte da pergunta, qual foi mesmo?

 

P/1 - O SENAC hoje também presta serviço para empresas não comerciais, é isso?

 

R - Isso, exatamente. E não só empresas não comerciais, mas você também colocou a questão de voltar a ação do SENAC pra empresas, né, pra realizar uma programação não só aberta a quem queira participar, quer sejam pessoas físicas, quer sejam pessoas jurídicas, mas estar também desenvolvendo programação pra atender necessidades específicas de empresas que queiram contratar os serviços do SENAC pra estar realizando ações específicas dentro dessas empresas. Então, inegavelmente a partir de um certo momento de sua história, o SENAC ampliou consideravelmente suas ações de realização de programas específicos pra estar dando atendimento às necessidades específicas de empresas. Então é muito comum hoje empresas estarem contratando o SENAC pra estar realizando programas em várias áreas, nas mais variadas áreas em que o SENAC atua, programas que o SENAC planeja junto com os responsáveis pelas empresas, e programas que o SENAC realiza em estreita articulação com essas empresas e, portanto, voltado efetivamente para resultados. Que é o que interessa do ponto de vista de quem contrata o SENAC e também do ponto de vista do próprio SENAC, que executa e que também tem os seus resultados a serem alcançados do ponto de vista de que o seu trabalho tem efeito lá fora. Quer dizer, no meu entendimento a instituição tem procurado apurar o seu modo de planejar o seu trabalho, e executar o seu trabalho pra poder ser, fazer aquilo que precisa ser feito, fazer aquilo que o cliente está querendo que seja feito e buscar fazer isso da maneira como o cliente quer que seja feito, com qualidade. E buscar a consequência disso, né, na vida da sociedade como um todo, quer dizer, fazer um trabalho cada vez mais consequente. E para isso inclusive o SENAC não está nem pensando só em cursos mais, né, porque a missão do SENAC é ampla, o trabalho do SENAC é uma ação educacional, e ação educacional ela não ocorre somente por meio de cursos, treinamentos e seminários. E ação educacional, ela ocorre por meio de um vídeo, né, ela ocorre por meio da edição de um livro, ou da elaboração de um programa de informática que possa ajudar as pessoas a estarem fazendo melhor o seu trabalho, estarem se desenvolvendo, portanto, profissionalmente. Existem muitas maneiras de se fazer o desenvolvimento das pessoas e organizações e nesse ponto que eu vejo a organização quando muito preocupada com a atualização, com a busca de melhores respostas. E isso é alguma coisa que me sensibiliza muito, que me motiva muito e que me desafia bastante porque eu penso que a participação nossa no trabalho, a participação de cada um no trabalho tem que ser uma participação voltada pra cumprir determinadas finalidades, pra obter resultados que sejam úteis pra sociedade. Já que nós somos a sociedade, quer dizer, nós temos que contribuir para que a sociedade tenha condições de vida cada vez melhor, que a sociedade tenha as coisas que procura no devido tempo, que defina inclusive alvos futuros, desafiadores do ponto de vista de melhores condições de vida. E eu acho que nós temos que estar buscando isso, quer dizer, se o nosso papel é desenvolver pessoas e organizações, nós precisamos estar realizando um trabalho compatível não só com a sociedade de hoje, mas com a sociedade que vem pela frente, né? Nós temos uma responsabilidade com o futuro, temos uma responsabilidade com as pessoas que vêm depois da gente, com as empresas que vêm depois da gente. Eu diria que nós temos uma responsabilidade de entregar até essa instituição da qual nós fazemos parte hoje, nós temos a responsabilidade de entregar uma instituição mais forte do ponto de vista do resultado de seu trabalho, do ponto de vista da qualidade de seu trabalho educacional para os profissionais que vão nos suceder na realização dos trabalhos do SENAC, né?

 

P/1 - Senhor Ademir, o nosso tempo está chegando ao final, mas, aproveitando o que o senhor estava colocando, eu queria saber quais são os seus projetos ou sonhos, dentro ou fora do SENAC, pro futuro? Já que o senhor já estava falando.

 

R - É, definir projetos para o futuro hoje não é alguma coisa tranquila, né? A única certeza que a gente tem hoje é a certeza da mudança. E não é a certeza da mudança simples, isto é, daquela mudança adaptativa, sabe, aquela história, as coisas vão se alterando, esse é o caminho normal das coisas, né, as coisas vão se alterando e a gente vai se ajustando, a gente vai se adaptando. A questão hoje não é mais essa, quer dizer, nós não podemos mais estar pensando nessa mudança adaptativa, nós temos que estar buscando mudanças generativas, isto é, mudanças que não nos levem apenas a adaptarmos as coisas, mas mudanças que signifiquem a criação de outras coisas, a construção de outras coisas. E em relação a mudanças que signifiquem a construção de outras coisas é que não é simples de prever hoje, porque as alterações no mundo elas vão ficar cada vez mais abruptas, as alterações elas vão ser cada vez mais rápidas, quer dizer, nós vamos estar dando saltos de uma situação pra outra em função da abundância de informações que a gente tem hoje e em função dos avanços da tecnologia. Fica, então, muito difícil até estar imaginando como é que vai ser o trabalho daqui a dez anos, como é que vão ser as empresas daqui a dez anos, não é muito fácil estar chegando a essas conclusões. Mas o meu projeto de vida enquanto durar o meu tempo de permanência dentro da instituição SENAC, e mesmo depois que se encerrar esse meu tempo de permanência, certamente é um projeto que tem a ver com essa questão das mudanças, né? Eu desejo estar dando uma contribuição pra pessoas e pra empresas em relação a essa questão de pensar a mudança, a essa questão de pensar o futuro, a questão do: o quê que vai acontecer lá na frente? E isso é um trabalho educacional, isso é um trabalho educacional. Aliás, o papel de todo dirigente hoje é iminentemente um papel educacional. Todo dirigente hoje tem que assumir o papel de educador porque as coisas se alteram de uma tal maneira, a informação ela existe com uma tal abundância que a empresa tem que ser um ambiente educacional pra que as pessoas possam estar aprendendo a cada dia. Então, o meu grande projeto para o futuro é estar contribuindo pra ajudar as pessoas e as empresas a estarem pensando nesse futuro e ajudar as pessoas a estarem se desenvolvendo pra esse futuro. É estar auxiliando dirigentes, inclusive de empresas e organizações diversas dentro dos limites do meu alcance, é estar contribuindo com esses dirigentes, né, pra uma instrumentação do ponto de vista do exercício da ação educacional dentro das empresas. Acho que isso é fundamental e isso tem tudo a ver com a própria questão dos negócios porque se as pessoas não alterarem os seus comportamentos, as suas atitudes, os próprios negócios não se alteram, as próprias empresas não se alteram, e se os negócios e as empresas não se alteram, elas perdem a afinidade com o seu tempo, e perdem a afinidade que elas precisam ter, inclusive com o futuro, e aí elas não sobrevivem. Eu diria que o meu projeto é esse. É independentemente de quanto tempo eu tiver de vida, né?

 

P/1 - Senhor Ademir, uma última pergunta. O que é que o senhor achou de ter dado esse depoimento contando sua história de vida e sua trajetória no SENAC?

 

R - Eu achei um depoimento muito oportuno e muito oportuna essa preocupação do SENAC, esse programa do SENAC de estar preservando a sua memória, e de estar preservando a sua memória por meio das pessoas, e de estar também correlacionando a memória da vida pessoal das pessoas e profissional das pessoas com a memória institucional. Eu acho que isso me faz acreditar cada vez mais que as pessoas são indispensáveis pra organizações. Algo que não vai mudar nunca é que as pessoas fazem as empresas, é que as pessoas fazem as organizações, e quanto mais diferenças as pessoas fizerem dentro das organizações, mais diferenças as organizações vão fazer pra sociedade. Então, essa valorização do papel das pessoas dentro da instituição SENAC é fundamental pra que a organização tenha sucesso, pra que ela caminhe numa progressão cada vez maior pra estar atendendo não só o seu tempo presente, mas pra poder estar atendendo também o tempo futuro. Eu diria que dentro do SENAC a minha trajetória foi sempre muito desafiante, o SENAC me possibilitou muitas oportunidades de desenvolvimento, de treinamento, de viagens de estudos e que certamente se voltaram não só para o meu desenvolvimento pessoal, mas para o desenvolvimento profissional e institucional. E eu creio que esse é o caminho que o SENAC precisa continuar trilhando, né, da busca do desenvolvimento da valorização das pessoas. Voltados, né, esse desenvolvimento voltado pro melhor atendimento do seu cliente.

 

P/1 - Muito obrigado, Senhor Ademir.

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