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História

O rumar de uma vida sem destino

História de: Ana Cássia de Queiroz
Autor: Paula Chidiac Schuster
Publicado em: 15/06/2016

Sinopse

Ana Cássia Mendes de Queiroz, 45 anos, nasceu em Ipanema no interior da Bahia. Morando a 600km de Salvador, em uma casa pobre e sem energia elétrica, ela era a filha bastarda de uma mãe . Se, algum dia, Cássia fora uma criança revoltada e inconsequente, hoje ela conta a história de uma mulher que nunca teve medo de arriscar-se e jamais pensou em desistir.

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História completa

DA MORTE DA MÃE AO NASCIMENTO DA CRIANÇA

 Eu tinha quatro anos quando minha mãe morreu. Ela era nova, mas teve um derrame, e acabou ficando em um hospital localizado em uma cidade próxima chamada xique-xique. Quase não tenho memórias dela, exceto do dia que ela veio a falecer, e vieram velá-la na minha casa. O pouco que consigo lembrar, é dela levantando-se da sua humilde cama de mola, falando pouco e em seguida voltando a dormir.

  Sendo a filha mais nova de sete irmãos, encontrava refúgio ora em uma, ora em outra de suas casas. O pessoal comentava que, quando minha mãe tinha engravidado, era do pai do marido de minha irmã mais velha, Laurinha. Lembro de ir na casa dessa irmã - a única, inclusive, com vaso sanitário e chuveiro, mesmo que gelado -, e receber sempre conselhos do meu suposto pai. Entretanto, não eram todos da família que gostavam de mim: por mais que os homens sempre me acolhessem e me tratassem como igual, minhas prováveis irmãs não queriam a filha bastarda por perto, fruto de uma relação extraconjugal.

Às vezes meu pai vinha nos visitar aos sábados. Com sua picape cor de abóbora, levava todos da casa para a feira em outra cidadezinha, já que na nossa não tinha. Cultivávamos feijão, mamona e milho, mas por ser uma plantação que dependia da chuva para sobreviver, era tudo muito precário. As pessoas que tinham mais condições financeiras, às vezes, ganhavam menos dinheiro por causa da falta de água - e terminavam devendo para bancos e perdendo o pouco mais que eles tinham.

Mesmo quando criança, sempre tentei afastar-me de pessoas as quais julgava más ou rancorosas, por mais que isso custasse-me: tive a oportunidade de uma vida mais confortável, sob o convite da esposa de meu pai, para morar junto deles. Neguei veemente, preferindo morar sob o teto incerto da casa de meus irmãos - estes, irmãos de toda a certeza-, do que conviver com uma mulher da qual eu tinha repúdio.

Quando fui entrar no jardim de infância, com seis anos de idade, mudei-me para a casa de Kita, em São Dourado. Havia um sentimento muito grande de identificação, até pela maneira como ela lidava comigo. Logo em seguida, porém, nasceu o primeiro bebê dela, e de repente não éramos eu, Kita e João: dessa vez, eles tinham um filho biológico para cuidar.

Minha irmã tinha mania de levantar no meio da noite, para ver se seu filho estava bem. Lembro-me de acordar com o choro dela, ao descobrir que o bebê estava morto. A causa, desconhecida, trouxe cada vez mais receio para ela: como não investigavam esses casos, era normal dizer-se que era um mal súbito e não dar mais atenção para o acontecimento.

Passado algum tempo, Kita ganhou outra filha, Kelly. As brigas retornaram, e eu passava meus dias alternando entre a casa de Kita e a casa de Laurinha. Nunca tive um lugar fixo para morar quando criança, talvez não por falta de casa, mas por falta de uma base que me sustentasse: crescer como a filha bastarda de uma mãe já morta fez com que eu não soubesse mais viver dentro de uma família e uma vida estável.

 

O PARTO E A GALINHA

 

Minha curiosidade aflorou mais ainda quando tinha oito, nove anos, e queria saber como era o procedimento de ganhar um bebê. Sempre quando uma mulher estava em trabalho de parto, eu passava a mão na cortina, já que as casas não tinham portas, para espiar o que estava acontecendo.

Quando Kita casou e foi morar na roça, vi a oportunidade perfeita para saciar minha ambição por conhecimento. Depois de terminado o parto, as mães passavam a ter uma alimentação separada, a fim de as crianças não sentirem cólica quando elas amamentarem. Vendo nisso uma oportunidade para espantar minha intromissão, dona Josefa, a parteira, mandou-me para a cozinha, para matar a galinha que daríamos de comer a Kita.

 Sendo pequena, subi em cima do fogão para alcançar uma bacia de alumínio e coloquei a galinha dentro, que estava com as pernas amarradas e sem fazer barulho. Peguei a água fervendo e despejei em cima da galinha, certa de que o bichano estava morto.

A galinha começou a gritar e a correr atrás de mim. Entrei em desespero, e de repente não se sabia quem fazia mais barulho: eu, a galinha, ou minha irmã que estava em pleno trabalho de parto. A situação toda somente ficou sob controle quando o vaqueiro, o seu Edgar, ouviu toda a gritaria e foi averiguar o que estava acontecendo. Rindo da situação toda, puxou a faca do bolso e finalmente os cacarejares esganiçados do animal cessaram-se.

A curiosidade sobre ganhar uma criança passou, de qualquer maneira. Entretanto, penso que, ao final, dona Josefa arrependeu-se amargamente de não ter deixado-me assistir ao parto em primeiro lugar.


A CONTADORA DE HISTÓRIAS


Além dos meus irmãos, eu convivia muito com uma senhora, dona Joana  quando tinha entre nove a onze anos. Ela morava nas típicas casinhas de Ipanema: simples, de chão batido, construída com barro, e estava sempre com um pedaço de fumo na boca.

Por mais que meus irmãos não gostassem dela, chamando-a de bruxa velha, dona Joana fazia meu mundo ficar diferente com as histórias que contava. Ao lado de sua filha e minha única amiga, Joaninha, sentava-me no tronco que havia na frente de sua casa, e ouvia os contos de lobisomens que colocavam o rabo para dentro da janela das moças. Por mais apavorada que ficasse - principalmente nas noites de lua cheia, quando o céu parecia ser capaz de cair sobre nós a qualquer instante -, e por mais pesadelos que tivesse, no dia seguinte lá estava eu, pronta para ouvir outra história que talvez fizesse-me não dormir novamente.

De alguma maneira, eu identificava-me com aquela família. Talvez porque, como eu não tinha pai nem mãe, eram uma das poucas pessoas que ainda tratavam-me bem. Isso, fora o fato de que não interessava o quão assustadoras eram as histórias da dona Joana, ela jamais deixou de passar uma sensação boa, e mesmo com a ignorância de pessoa sem estudo dela, tentava sempre educar-nos à sua maneira.

Dona Joana faleceu ano passado, com 106 anos. Diz-se que o filho dela foi trabalhar, e ela pediu para vê-lo. Foi até a roça, voltou para a casa e dormiu, para sempre resguardada com suas histórias.



DE IPANEMA A SALVADOR

Morei na casa de Kita até meus doze anos, e quando meu irmão José casou, comecei a fugir mais. Ora morava na casa de José, ora estava na casa de outro irmão, de repente via-me na casa de Laurinha, e assim passei por dois anos de minha vida. Não estudava mais, somente ia e voltava das casas.

Sentia-me excluída, e o sentimento piorava quando alguém tinha uma criança. Não suportava deixar de ver algum dos meus irmãos como mãe, e ter o papel de filha substituída novamente pelo de irmã mais nova. Não tinha referência de pai, não tinha referência de mãe e não sabia ao certo como era ter a união familiar, porque muitas vezes mesmo tendo uma família completa, o carinho com a criança no interior não era muito grande. Então quando nascia um bebê, aquilo começava a me transtornar e eu fugia, de novo.

Com quinze anos comecei a dizer a Laurinha que ia trabalhar fora, na casa de outras pessoas. Laurinha sempre dizia que se eu saísse de casa, ia acabar me prostituindo, engravidar e perder o emprego. E eu, rebelde como sempre, nunca dava ouvidos, e continuava repetindo que um dia iria sair dali.

Talvez uma das coisas que mais dessem-me essa vontade, fosse o fato de que eu sempre sonhava com prédios. Altos, pomposos e que quase doía o pescoço tentando descobrir o fim da edificação, eu sabia que não encontraria-os ali. Mas, algum dia, eu os encontraria.

Vi a oportunidade de sair daquela cidadezinha pacata quando surgiu a proposta de trabalhar com uma prima, a qual residia em Feira de Santana, a 400km de Ipanema. Tinha três filhos pequenos, e precisava de alguém para ficar com as crianças durante o dia. Sem pensar duas vezes, aceitei o trabalho, e terminei morando com uma pessoa que saía as cinco horas da manhã e voltava somente dez horas da noite. Nunca cumpriu o combinado de dar-me férias, nem que fosse um final de semana ao mês, e explorava-me sem ao menos pestanejar.

No período de tempo em que trabalhei lá, conheci uma irmã dela, Dilena. Na primeira vez em que a vi, começamos a conversar sobre o Sul e sobre seu trabalho de secretária do seu Beto. Maravilhada, eu ouvia a história de uma família que vinha de um lugar frio e falavam com sotaque diferente.

Cansada pelo trabalho exaustivo e persuadida por minha irmã, decidi voltar para o interior. Entretanto, já não via mais o que fazer lá: havia ganhado meu primeiro salário, comprado roupas novas. O que faria eu, novamente em meio ao pó da casa, varrendo o chão e cultivando a comida? Tornei a falar para Laurinha que ia, sim, ir embora de novo, contrariando mais uma vez os desejos de minha irmã.

Eu tinha cerca de dezesseis, dezessete anos quando, sábado de manhã, em uma das visitas semanais de meu pai, perguntei-lhe se não tinha um dinheiro para dar-me. Discretamente, ele colocou a mão no bolso e tirou algumas notas. Segunda-feira fiz minhas malas e saí para o lugar onde chamávamos de pista: a única estrada perto de nossa cidade, a qual ficava próxima do posto de telefone.

Pedalando rápido, o mensageiro gritou para mim “Cassinha, Cassinha, tem um telefonema para você lá de Salvador”. Larguei minha mala onde estava mesmo e fui correndo atender, para descobrir que do outro lado da linha estava Edilene, oferecendo-me uma vaga de emprego como babá na capital. Disse que viu como eu era atenciosa, e seu patrão - o mesmo que pensei ter saído de um conto de fadas - estava precisando de alguém para cuidar dos filhos. Animada, aceitei e peguei o primeiro ônibus que passou com destino a Salvador.

Chegando lá, percebo que não tinha pego o endereço. Possivelmente trajando minha melhor expressão de desespero, diversas pessoas abordaram-me, querendo ajudar-me. Por fim, dormi na casa de uma conhecida e no dia seguinte somente consegui entrar em contato com seu Beto. Esse foi meu primeiro contato com um mundo onde os prédios dos meus sonhos eram, finalmente, reais.


EM BUSCA DO FUTURO


Já na casa de seu Beto, conheci as crianças. O apartamento grande, localizado na Barra, chocou-me: cada objeto, cada coisa do apartamento era algo que eu jamais havia visto na vida, e as pessoas falavam com tamanha educação que muitas vezes era difícil entender o aquilo que diziam. Além disso, o prédio era enorme e muito chique. Tinha playground para levar as crianças, e eu ainda nem sabia como usar um elevador corretamente.

No apartamento morava a dona Ana, o seu Beto e suas três filhas, Luísa, Luciana e Patrícia. Logo percebi que as crianças tinham muito mais atenção dos pais do que costumava-se ter no interior: a Luísa discorria sobre seus dias na escolinha com os pais, cantarolava músicas e suas necessidades eram, no geral, atendidas.

Estávamos já perto da páscoa. Na época, não fazia a mínima ideia do que seria: no interior, comemorava-se a festa de São João, com muita quadrilha, e o natal, na única igreja presbiteriana que lá havia, embora fosse uma data onde só as pessoas com dinheiro para comprar roupas melhores participavam. Eu mesma, passava os natais sentada, triste por não ter roupa para ir, encarando o luar com os olhos marejados.

Dona Ana disse para eu escolher um presente, no Shopping da Barra, para minha páscoa. Com muito medo da reação, escolhi uma sandália, a qual julgava ser muito cara, e achei que a patroa não iria querer pagar. Reagindo de maneira contrária ao esperado, dona Ana falou-me para escolher outra, e naquela páscoa eu ganhei não um, mas diversos presentes - incluindo chocolate, coisa que eu nunca tinha comido em minha vida.

As empregadas na Bahia eram extremamente exploradas: era comum nós termos de usar roupas específicas, entrar em portas escondidas e fingir o tempo todo que não existíamos. Quando a dona Ana levava-me nos lugares, todos encaravam-me, era estranho uma patroa tratar sua empregada como gente. Por isso, ela e seu Beto queriam voltar para o sul, e levar eu e a cozinheira ranzinza, a Dona Cecília, conosco. Eu tinha dezessete anos naquela época, e, novamente, não pensei duas vezes antes de partir para um lugar completamente desconhecido.


DE SALVADOR PARA O MUNDO


Dona Ana e seu Beto ainda estavam procurando um apartamento para morar e, por isso, fiquei em Uruguaiana, cuidando das crianças. Chegou o alto verão, e eu comemorei meu primeiro aniversário, de 18 anos. Dona Ana fez um bolo de chocolate inesquecível - não somente pelo sabor incrível, mas também pelo ato, simbólico para quem nunca tinha comemorado mais um ano de vida.

Logo depois, toda a família - incluindo eu - foi para Santa Catarina. Animada com a viagem, seu Beto disse que eles iam mostrar-me tudo que tinha de bom por lá: ficamos em uma mansão localizada em Jurerê, e passamos por todas as praias possíveis. Na volta, quando paramos em Torres, meu patrão fez questão de dizer que esta era a praia dos ricos - e que eu voltaria ainda muitas vezes para lá, algum dia.

Quando chegamos em Porto Alegre, dirigimo-nos diretamente ao apartamento novo. Em seguida, dona Ana matricularia-me no Alcides Maya, pois dizia a mim que, sem estudo, não seria jamais alguém na vida.


AMORES E DISSABORES

 

  Fui alertada de antemão por dona Ana que nenhum morador era jovem, e não teria nada para mim por lá. Entretanto, ela não atentou-se àqueles que lá trabalhavam: um rapaz, muito bonito por sinal, ofereceu-se para subir as malas até nossa mais nova casa. Simpático, apresentou-se como Luís, portando um sorriso cordial no rosto.

Passei a descer todos os dias com as crianças para o playground do prédio e, enquanto elas brincavam, eu conversava com o Luís. Ele contava-me da família, dos danoninhos que roubava do irmão mais novo para comer, do bairro onde morava. Mesmo com meu aparente interesse, Luís não demonstrava sequer um resquício de atração, pois dizia ter alguém em São Paulo: e completava falando para eu ligar para o 138, na intenção de arrumar amizade.

Liguei, mesmo. Depois de duas tentativas, arrumei um namorado, o Vilmar, dono de um café colonial. Ficamos juntos por algum tempo, mas logo senti-me pressionada, pois ele queria casar e eu ainda não tinha esquecido o Luís. Algum tempo se passou até que, um dia, terminamos.

Mais tarde, namorei um garoto chamado Max. Nunca pensei que o relacionamento com ele fosse dar certo, pois ele raramente comparecia aos encontros. Em um dos únicos dias no qual Max apareceu, eu já havia marcado de ir ao cinema com Luís. Ao descobrir meu relacionamento, Luís passou por mim, sem olhar em meus olhos, e não conversou por um bom tempo comigo. Fiquei arruinada: no fim, havia estragado uma das únicas oportunidades que desejei possuir por muito tempo.

Algumas semanas passaram-se até que Luís decidiu dar-me outra chance.


VELHOS HÁBITOS NUNCA MORREM


Assim como saí, quase em rompante, da casa de minha irmã, de Ipanema, da Bahia, demiti-me e fui morar com minha sogra. Queria construir minha vida, junto de Luís, e comecei a juntar dinheiro para mudar-me para uma casa própria.

Quando saí de dona Ana, peguei um anúncio de babá e decidi fazer a entrevista. Trabalhei ali por um ano, embora não gostasse do emprego. Se com dona Ana eu tinha a permissão de sair, caminhar no centro, fazer o que quisesse, com dona Carmem eu mal voltava para minha casa.

Vi, então, o anúncio da creche Doce Caramelo no jornal. Fui correndo fazer a entrevista, e acabaram me contratando, alegando que, mesmo sem estudo, eu tinha muita habilidade com crianças.

Com vinte anos, comprei meu primeiro apartamento. Depois das situações que passei em minha infância, não senti nenhuma outra dificuldade em minha vida: as coisas pareciam simples, e fáceis de resolver.

Conforme eu e Luís fomos melhorando de emprego, reformávamos o apartamento. Sete anos depois engravidei de minha filha, Júlia, e decidimos comprar o terreno que moro hoje.

SONHO DE CRIANÇA

Em 1996, começaram a exigir a formação em magistério. Como eu ainda trabalhava na Doce Caramelo, apressei-me em fazer a inscrição para o curso. No entanto, ele estava aberto somente para aqueles que trabalhavam em creches comunitárias. Tive de esperar até o ano de 2013, sendo sorteada em uma das poucas escolas que estavam

Desde criança eu queria dar aulas, por conta da professora Ana Isaura. Aquele foi o momento de minha infância o qual fez com que eu pensasse que, algum dia, iria estudar, mesmo com minhas dificuldades de aprendizado.

O Luís nunca desistiu, e nunca deixou-me perder a esperança. Essa parte de minha história sempre foi incentivada por ele e por seu otimismo e perseverança. Eu gosto do magistério, e até hoje trabalho na Doce Caramelo.

É engraçado pensar que, por mais que dissessem-me que eu tinha habilidade com crianças, vejo hoje como é necessário muito estudo para saber lidar com elas. Tudo que eu passei fez somente com que eu quisesse dar aos mais jovens as oportunidades que eu nunca tive. É ensinando que vou guiar as crianças para um caminho melhor, um final feliz. Porque se eu, mesmo que com duas mudas de roupas, munida de minha vontade e coragem, fiz minha vida ser melhor, posso também tornar as vidas delas melhor também.



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