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O rio Tietê e o remo - Em homenagem ao Sr. Arlindo Donato

História de: Ana Helena Puccetti
Autor: Ana Helena Puccetti
Publicado em: 18/01/2010

História completa

Em homenagem ao senhor Arlindo Donato que durante toda a sua vida preservou a memória do remo e do Rio Tietê. Meu nome é Ana Helena Puccetti. Sou remadora desde 1984. Aprendi a remar com o Sr. Arlindo Donato. Ele foi técnico do Clube Esperia e tinha, ao lado do "barco-escola" no clube, um galpão que era um verdadeiro museu da história do remo em São Paulo. Além de guardar as últimas "catraias", que antigamente circulavam pra lá e pra cá nos passeios de domingo pelo rio, guardava fotos da época em que a piscina do clube era um cercada das águas do Tietê. Ele fazia questão de mostrar para seus alunos o arquivo pessoal que guardava, para que a história do remo e do rio não fossem parar no lixo, de onde tirou muitas das fotos preciosas que preservou e estão hoje no Arquivo Histórico do Clube Esperia... Em 1999, eu era diretora de remo do Esperia e, para celebrar o centenário do clube, resolvemos realizar uma regata no rio Tietê. Remar no rio Tietê, bem embaixo da Ponte das Bandeiras. Fazia quase trinta anos que os remadores haviam abandonado o Tietê. Rio que fez nascer os mais importantes clubes da cidade às suas margens... Em 1999 foi uma ousadia remar no rio Tietê... Foi necessário construir um pontão de embarque e desembarque embaixo da Ponte das Bandeiras. O DAEE limpou as margens, a Sabesp levou um caminhão pipa para que tivéssemos água para dar um banho emergencial em alguém e nos barcos, a CET teve que interromper o trânsito na pista da esquerda da via expressa da marginal para que os barcos pudessem chegar às margens do rio. A prefeitura interrompeu o trânsito numa pista da Ponte das Bandeiras para que ninguém do público que assistia à regata fosse atropelado. Os bombeiros, vestidos com roupas especiais, acompanharam todas as provas dentro de um barco inflável, uma draga foi colocada atravessada no leito do rio para evitar que grandes quantidades de lixo que viessem boiando e atingissem algum barco. E tudo isso para colocar seis barcos a remo na água... Até os anos 70 as regatas eram disputadas nesse mesmo lugar, o rio vivia cheio de gente e barcos, o Tietê não estava isolado... Graças a Deus deu tudo certo Fizemos uma regata festiva. A maioria dos participantes eram ex-remadores do rio Tietê, senhores de 70 a 80 anos que tinham treinado e competido naquelas águas e depois de 30, 40 anos estavam de volta ao Rio. A ponte ficou cheia de parentes, muitos netinhos que olhavam e aplaudiam aqueles senhores, vovôs, dentro das águas do Tietê fazendo o tempo voltar por algumas horas. Quando chegou minha vez de remar, eu sentei no barco tipo canoe e saí remando e sorrindo. Olhei para as barrancas e para os aguapés que passavam boiando por mim e pensei no Rio e em suas histórias. Era um sonho de remadora se realizando e me senti feliz Eu me imagino remando no Tietê sempre que passo pela Marginal e atualmente também quando abro a janela do meu quarto. Hoje moro na casa que era da minha avó Helena em Santana de Parnaíba e, da janela do meu quarto, vejo o Rio Tietê e suas espumas... Cada dia ele passa de um jeito, porque a Usina Hidrelétrica muda a vazão das águas de acordo com as necessidades das cidades que o margeiam. Tenho o privilégio de morar ao lado do Tietê. Tirando a sujeira que é toda nossa, não dele, o Rio Tietê é lindo (História enviada em novembro de 2009)
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