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História

O rio de Sete Barras vai jogar água pra fora

História de: Claudines Luiz Guedes
Autor: Ana Paula
Publicado em: 19/06/2021

Sinopse

Claudines fala sobre como é viver e algumas curiosidades da cidade de Sete Barras, São Paulo. Fala desde sua infância até se tornar vereador da cidade.

História completa

Projeto Fundação Banco do Brasil Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Claudines Luiz Guedes Entrevistado por Isla Nakano e Ana Leticia Viana Sete Barras, 05 de Fevereiro de 2011 Código: MRE_CB10 Transcrito por Caroline Lucilio Nascimento Revisado por: Jordana de Oliveira Pradal P/1 – Claudines, primeiro eu gostaria de agradecer a sua presença aqui com a gente e pedir pra você falar o seu nome, local e data de nascimento. R – Meu nome é Claudines Luiz Guedes, conhecido aqui em Sete Barras como Nei, e nasci aqui mesmo, no dia 08 de fevereiro de 1971. P/1 – E... Bom, já que a gente estava falando antes, acho que você pode contar um pouco a história do seu nome, do cartório. R – Assim... É.. Quando minha mãe me ganhou, meu pai foi ao cartório e... O meu nome era para ser Claudinei. Com o erro do cartorário lá, colocou “s” no final, e acabou ficando Claudines, né? P/1 – E... os seus pais, eles são de onde? Eles são... Qual a origem deles? R – São daqui mesmo da região, Sete barras e Eldorado, né? P/1 – De Eldorado? R – Isso. P/1 – E os avós também? R – Sim. P/1 – E... Começa então contando um pouquinho da sua infância aqui, o que que você lembra, como é que foi a sua infância aqui? R – Minha infância não foi muito fácil aqui, né? Porque meu pai tinha problemas psicológicos, ficava seis meses em casa e seis meses no hospital internado. Minha mãe praticamente nos criou sozinha. Ela trabalhava na Escola do Plácido Paulo e Silva como merendeira, e nos deixava em casa com a minha irmã mais velha, com dois anos acima de mim, tomando conta dos pivetes na época, né? Meus 5, 6 anos, e ela tinha 8 anos, tomando conta da gente. Hoje já não se faz isso, porque o conselho tá em cima. P/1 – E brincadeiras de quando vocês eram... Da sua infância? R – A gente tinha muitas brincadeiras; pipa, peão; tinha uma brincadeira que judiava da gente que era “mãe da rua”. E o pessoal ficava cada um de um lado... um pouco de um lado e outro do outro lado da rua, e a gente ficava igual bobo no meio tentando tirar o pessoal da calçada e, se não conseguisse, eles puxavam a gente e dava um tapa nas costas, imagina né? Hoje não dá pra fazer esse tipo de brincadeira [risos], só na época mesmo, inocente. P/1 – E como é que era a cidade, aqui Sete Barras, na sua infância? R – A cidade era sempre assim, pacata, hoje tá um pouquinho mais complicado... índice de violência e isso aí... Mas antigamente a gente ficava até umas nove, dez horas na rua e não tinha nada demais. A gente brincava a noite de carrinho de rolimã nessas ruas aí, quando avistava a viatura corria de medo.. Hoje a criançada, os jovens, vêem a viatura, vão pra cima dos policiais, né? P/1 – E da escola, o que que você se lembra? R – Eu praticamente nasci dentro da escola, que minha mãe já era merendeira e estudei no Plácido, fiz meu primeiro ensino fundamental lá, e depois estudei em Registro, no Rui Prado, e conclui aqui no Maria Santana, e nas escolas tudo de bom na época de criança; estudos. Você não tem muita preocupação, foi muito boa a escola aqui… P/1 – E você falou que estudou em Registro, como é que você ia pra lá? R – Eu pegava o ônibus e trabalhava de estagiário na Nossa Caixa na época, e trabalhava durante o dia e pegava o ônibus sete e meia, e chegava aqui meia noite, meia noite e pouquinho, no outro dia cedo, né, com 14 anos nessa época. P/1 – E trabalho? Você trabalhava? Você trabalha? Fala um pouquinho pra gente. R - Hoje eu sou vereador na cidade, né? Mas eu trabalhava na Prefeitura, era cargo comissionado, como eu ganhei como vereador, não pude exercer os dois cargos, então hoje só estou “vereando”, né? P/1 – E como foi a sua entrada na política? R – No começo foi através da brincadeira dos meus amigos, de um serviço que eu trabalhava na associação dos bananicultores, aí o presidente falou “Ô, Nei entra aí na política nós estamos precisando de candidatos, não sei o quê…”, Aí acabei entrando. Eu achei que fui bem, né, porque em Sete Barras eu tive 95 votos na época. Depois gostei, né, na segunda eu fui e tive 136, agora fui o quarto mais votado no município. P/1 – E do que que você gostou? R - Na verdade a política em cidade pequena é meio complicada, tem muitos detalhes aí que nem tudo a gente pode fazer, né? É diferente do que a gente pensa quando tá fora. Eu gosto muito da área de esportes e social, como eu trabalhei na secretaria do social, com o bolsa família, renda cidadã, esses programas beneficentes, e me deu uma vontade de trabalhar, de fazer algo a mais para o povo. Só que dentro da política tem muita coisa que não dá pra você… A gente depende muito dos outros, não é só de você, então essas coisas que me deixam mais desanimado em relação à política, né? Mas a gente sempre tenta batalhar pra melhorar , a gente não pode desanimar. P/1 – E o quê que você acha aqui em Sete Barras que você gostaria que melhorasse? Quais são as prioridades? [crianças rindo ao fundo]. R - Hoje é mais emprego para os jovens, falta muito incentivo pra… P/1 – Como que você sente que tá o jovem aqui em Sete Barras? R – Eu acho que estão bem carentes, se a gente não se preocupar, as drogas vão tomar conta deles, que ficam ociosos aí, sem fazer nada, não tem um curso técnico, não tem nada que possa fazer com que eles ocupem o tempo. Nós não temos nenhum esporte, não temos.. então está difícil.. Pros jovens hoje, eu acho...[crianças conversando ao fundo]. P/1 – E fala um pouco mais sobre a cidade. Quais lugares aqui você costuma frequentar? O seu lugar preferido? R – O lugar preferido é aqui a praça. Nós não temos muitas opções aqui, e durante o verão a gente vai muito pros bairros. Aí que tem rio, essas coisas ... Guapiruvu, Saibadela, que tem esses rios maravilhosos. Então, são os lugares que eu mais frequento, a praça e quando tem campeonato na quadra a gente vai. Na quadra, no campo, né? P/1 – E sobre a história aqui da cidade de Sete Barras? R – Ah, eu não sei muito a história de Sete Barras, né, quem poderia falar mais aí seria a minha mãe, que era pra ela estar aqui hoje também, mas… [Alguém passa cumprimentando]... Boa tarde, tudo bem? Mas o pouco que a gente ouve das… não sei se é lenda, sete barras de ouro, uns falam que é...[Uma mulher grita ao fundo: Antônio, vem!] ...Que foi, teve.. caiu as barras de ouro, sete barras de ouro no rio, outros já falam que são as… como se fala? As sete barras é.. Esqueci a palavra... Sobre o rio, os braços do rio, são sete braços que tem, então falam sete barras, né, então tem várias lendas nesse sentido, e eu não sei confirmar pra você qual é a verdadeira, sei que Sete Barras existe [risos]. P/1 – E qual é o seu lugar preferido aqui? R – Aqui em Sete Barras? Eu gosto da praça, né? P/1 – Por quê? R – É um marco histórico, é um.. passei minha infância aqui brincando nesse local. Era diferente, não tinha esse coreto, e também é uma praça que só olhando você vê que é maravilhosa, né? P/1 – Como é seu dia a dia aqui na cidade? R – Meu dia a dia? Eu faço várias visitas né, então eu fico fazendo visitas nas casas do pessoal aí, que a gente acha que necessita [buzina de carro ao fundo], vai para o bairro, né? E meu dia a dia é esse.. é ficar.. P/1 – Como é que são essas visitas? Vocês selecionam as pessoas? Como é que é? Conta um pouquinho. R – Não, eu não seleciono, eu faço uma programação,”hoje eu vou pra tal bairro”, aí lá eu encontro a casa, vou, entro, já converso com a pessoa, vejo a necessidade do bairro, de cada pessoa e vejo o que a gente pode fazer. P/1 – E o que que você sente, qual que é a maior necessidade do…? R – Emprego, né? P/1 – Emprego? R – É. P/1 – E você tem uma história marcante que você tenha vivenciado, queira contar pra gente? R – Marcante? Meu casamento só, né? [risos] Não tenho assim uma história marcante, são vários fatos que acontecem na vida da gente, né, não tenho.. O que eu posso falar assim de marcante na minha vida… Quando eu entrei na polícia, que eu fui policial também militar e a primeira ocorrência que eu tive… Meu Deus! Foi muito frustrante pra mim, por que foi uma situação que eu nunca imaginava, sabia que poderia acontecer, mas nunca imaginava de ver uma pessoa com tiro de 12 nas costas, me deu uma revolta assim, muito grande. Independentemente do que ele fez ou não, mas é um ser humano, né? Isso me marcou muito. P/1 – Você era policial militar? R – Isso. P/1 – E como é que era aqui? R – Eu trabalhava na região, não trabalhava aqui em Sete Barras. . P/1 – Como é que era? R – Eu peguei a parte do tático móvel. Fazia mais ronda de apoio, então em ocorrência mais, mais pesadas… E nesse dia, cheguei no serviço e já acionaram. Fomos, chegamos lá, na hora que eu cheguei no local o investigador tinha acabado de acertar o cidadão ... Me deixou muito… Fico até sem palavras para falar isso aqui, aquela imagem não sai da minha cabeça, né? P/1 – E como é que foi essa passagem da polícia para a política? R – Ah, teve uns tempos né, não foi assim, em sequência. Teve uns dez anos depois. Que eu fiquei na polícia… P/1 – O que você fez nesse meio tempo? R – Eu fiquei na polícia três anos, saí, fui comerciante, depois trabalhei na prefeitura mais uns oito anos, para depois entrar na política. P/1 – O senhor fazia o que como comerciante? R – Eu tinha uma loja de variedades. P/1 – E na Prefeitura? R – Na Prefeitura eu trabalhava na área social, né? P/1 – Fazendo quais trabalhos? R – Na área social eram muitos os trabalhos. Eu era gestor do bolsa família, gestor do programa renda cidadã, e tinha os programas municipais mesmo, e eram poucos funcionários na área, na época, então a gente se desdobrava pra…. Mas era muito gratificante você poder ajudar os outros, é muito gostoso isso aí. Uma coisa que me marcou também. P/1 – E como vereador você também sente isso? R– Eu sinto… É o que eu falei no começo, né, eu tenho essa dificuldade de conseguir o que… Eu tento, mas tem… É na dependência dos outros né, não é só da gente, então isso me deixa muito frustrado, por que tem muita gente que precisa mesmo, e acaba não sendo beneficiado, pela política municipal, que em cidade pequena é muito marcante, o pessoal marca mesmo as pessoas, então… P/1 – E quais são seus sonhos? R – O meu sonho? O meu sonho é ver Sete Barras sempre maravilhosa, [som de motocicleta ao fundo] um dia ter mais emprego, fazer com que o município evolua e vendo a molecada tendo um futuro melhor, né? São sonhos simples, mas eu acho que um dia a gente vai conseguir ver isso aí. P/1 – E conta pra gente, como é que foi contar essa história pra gente? Sua, da cidade.. R – Pra mim foi gratificante, né, por que eu nunca participei assim de uma… Tipo, de uma entrevista sem… Formal, né, que a gente… É difícil aqui para o município, ter esse tipo de evento, então é uma coisa gratificante, muito bom mesmo Espero que volte sempre pra cá e que tenha… que tem muita gente que tem história pra contar, né? P/1 – Com certeza. Muito obrigada… R – Obrigado a vocês. P/1 – Te agradece… P/2 – Obrigada, viu? -- FIM DA ENTREVISTA--
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