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História

O rei do futsal

História de: Falcão (Alessandro Rosa Vieira)
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 15/10/2013

Sinopse

Falcão nasceu Alessandro Rosa Vieira, em São Paulo. Em seu depoimento fala sobre a origem da sua família e a profissão de açougueiro, de seu pai e seu avô paterno. Recorda a infância no bairro Parque Edu Chaves, na Zona Norte de São Paulo. Lembra o início da carreira no Clube Guapira e a ida para o Corinthians. Descreve cada mudança de clube e os mundiais que participou defendendo a camisa da Seleção brasileira. Encerra o depoimento falando sobre as escolinhas de futsal que montou e que gerencia enquanto a carreira não chega ao fim.

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História completa

Meu nome é Alessandro Rosa Vieira, 36 anos, eu nasci em São Paulo, capital. Meus pais são de São Paulo, capital, também. Meus avós paternos são do interior de São Paulo, são de Santa Cruz do Rio Pardo, próximo a Marília. Eu já perdi a minha avó quando eu tinha cinco, seis anos, minha avó paterna e o meu avô, há uns sete a oito anos. Ele trabalhava com açougue, casa de carnes em São Paulo e no interior, que foi um segmento depois de toda a família.

 

Meus avós maternos são baianos, de uma cidadezinha no interior, chamada Orucuri do Ouro, se eu não me engano e a minha mãe já é paulista, minha mãe é nascida em São Paulo. Os meus avós paternos vieram em busca de uma vida melhor. Minha mãe e o meu pai eram muito jovens e eles se conheceram numa festa de um amigo em comum e depois começaram a sair, namorar e foi indo embora. Meu pai veio no segmento do meu avô, trabalhava com açougue, depois ele começou a ter o seu próprio negócio, seus açougues. Eu acabei perdendo o meu pai em 2004. Meu pai, João Eli Vieira, minha mãe, Reinalma Rosa Vieira.

 

Desde que eu nasci, morei na zona norte, Parque Edu Chaves, quase divisa com Guarulhos. E eu também nasci e cresci ali. A casa era bem pequenininha e depois, meu pai foi melhorando e a gente foi mudando, mas sempre no mesmo bairro, mas era uma casa bem, bem pequena. Eu morei lá até os meus 16 anos. Eu lembro das enchentes, que era um bairro que enchia de água. Eu tenho três irmãos, nós somos quatro. Eu sou o mais velho, eu com 36 anos, tem o Renato de 32, o Tiago de 28 e o Bruno de 24 anos. Brincava de bolinha de gude, empinar pipa, polícia e ladrão, esconde-esconde. Entrei na escola com quatro pra cinco anos, numa escolinha no Parque Edu Chaves também, que era bem próxima da minha casa.


Eu ia a pé, que era pertinho, era na mesma quadra e depois, quando eu mudei, depois com sete, oito anos, minha mãe me levava, porque era um pouquinho mais longe. Quando eu comecei a andar, eu já chutava bola. Na rua, eu sempre jogava, desde uns seis, sete anos, eu já jogava com os meninos de nove, dez, porque os meninos da minha idade dava muita diferença, eu não percebia porque eu era criança, mas hoje, lembrando, que eu estava na terceira série da escola, eu jogava com os meninos da quinta, da sexta série. Então, eu sempre me diverti, mas sempre com o pessoal mais velho. Eu acho que isso pra mim foi sempre importante. Eu jogava de lazer mesmo na rua, os campeonatinhos de rua, contra a outra rua de baixo, ou na escola. Eu sempre dava um jeito de jogar futebol. Eu queria me divertir, então o fato de eu estar jogando com o pessoal mais velho, eu não percebia: “Nossa, eu sou bom, porque estou jogando com o pessoal mais velho”. Eu queria jogar, mas eu escutava todo mundo falar, assim, sempre o primeiro a ser escolhido, mesmo sendo.


Com 11 anos, eu comecei a ir no açougue com o meu pai, acompanhar, ajudar, eu ficava no caixa, eu aprendia a cortar carne. Eu era o xodozinho. Então, o meu pai sempre teve essa preocupação e eu também nunca fui aquela criança: “Não quero ir pro açougue hoje, porque eu quero ficar jogando futebol”, o dia que eu tinha que ir para o açougue, eu ia satisfeito e o dia que eu tinha que voltar, ou ficar na rua, eu também gostava. Eu mudei pra Parada Inglesa, um bairro da zona norte de São Paulo, com 16 anos. A rua que eu morava era uma rua redonda, que você andava e sempre saía no mesmo lugar. Com 12, 13 anos: “Vamos correr pra gente ficar forte, pra virar jogador”, saía correndo, dava volta. Com 12 anos, eu jogava num clube que o meu pai frequentava com os amigos, chamado Guapira. Era o Players, que é um clube na Fernão Dias, indo pra Mairiporã.


E pra mim, eu estava indo jogar bola, não estava inda fazer teste no clube. E acho que isso pra mim, sempre foi um grande diferencial, que eu fui lá, fiz cinco, seis gols no primeiro treino. No dia seguinte, já me deram uma ficha pra assinar, eu já era federado e eu não entendia o que era aquilo. Do Guapira, eu fui pro Corinthians, depois de um ano. Era futebol de salão. Sempre foi de salão. Quando eu fui pro Corinthians, eu fiquei cinco anos. Eu pegava dois ônibus, descia no Tietê, do Tietê eu pegava um ônibus que pegava a Marginal e descia na porta do Corinthians. Eu já tinha 14 anos. Era quatro vezes por semana. Quatro vezes por semana, quase todos os dias. Dos cinco anos que eu fiquei lá, eu fui para o futebol de campo sete vezes, só que eu ia e não gostava, ficava um mês e meio e não ia mais.


Meu pai me acompanhou muito pouco no meu lado profissional, mesmo quando criança, eu vou te falar que na época que ele ficou vivo, se ele foi ver 20% dos meus jogos, foi muito! Devido ao trabalho, não conseguia sair, ele quando ele saía as coisas não andavam. O meu tio ia mais me acompanhar. A minha mãe me acompanhava muito pouco também. Eu fiquei no Corinthians nas categorias de base, eu cheguei em 92 e cresci, fiz toda a minha base no Corinthians, e em 95 eu ainda era juvenil, eu tinha mais três anos nas categorias de base, mas eu comecei a jogar na equipe profissional, no futsal. Então eu comecei a ter propostas financeiras, comecei a ter uma ajuda de custo. Com 16 anos, eu comecei a receber o meu primeiro salário, comprar a minha roupa. A cada ano que passava, as propostas aumentavam dos outros times e o Corinthians me segurava. Até que de 96 pra 97 eu fui pra GM Chevrolet de São Caetano do Sul, que era a primeira equipe profissional de futsal. Lá a gente treinava de manhã, que era em São Caetano, eu morava na zona norte. Eu tinha uma casa, que chamava casa do atleta, tinha uma cama pra cada um ali.


Então, treinava de manhã, das dez ao meio-dia, almoçava no clube, ia pra essa casa, descansava, treinava das quatro às seis e chegava em casa, às vezes, oito, oito e meia da noite, pra no dia seguinte, fazer a mesma coisa. Parei de estudar depois quando eu fui pra GM. Eu não terminei o terceiro colegial. Eu nunca tive empresário a minha vida inteira, eu sempre cuidei das minhas coisas, os meus patrocinadores, porque o meu pai me ensinou a cuidar das minhas coisas. A GM já estava atrás de mim há dois anos, o Corinthians acabou me amarrando por dois anos e nessa época, não teve escapatória, porque realmente eles pagaram a multa rescisória e me deram o que eu queria. Foi tudo comigo, quando eles me mostraram o plano legal de carreira, me deram dois anos de contrato. Eu fiquei dois anos, 97 e 98, fomos campeões paulista, fomos campeões brasileiros e foi quando eu comecei a ir para a Seleção Brasileira. Eu estava num grande clube, indo pra Seleção Brasileira. Então, hoje, eu tenho 15 anos de Seleção Brasileira.


E foi quando em 99, o Atlético Mineiro fez um grande time, chamando quase que a Seleção Brasileira toda e eu tinha aquela coisa que sair de São Paulo e ir morar em BH. Eu fui pra esse time do Atlético Mineiro, no começo eu cheguei como coadjuvante, mas eu me impus, eu sempre tive uma personalidade muito forte e acabei jogando, indo bem, sendo campeão brasileiro, acho que foi o recorde mundial de público, até hoje, no futsal, foi 28 mil pessoas no Mineirinho e ganhamos de 5 a 4 a final, eu fiz três gols. No começo foi horrível, eu tinha acabado de conhecer a Tatiana, minha esposa. Tinha 21 pra 22. A gente estava começando a namorar e ela trabalhava de modelo também e ela ia em BH me visitar, ela abria mão dos trabalhos dela. A gente acabou casando em um ano de namoro. Mas a ida pra Minas, quando eu fui foi triste, mas depois eu acostumei.


Eu conheci a minha esposa no trânsito em São Paulo. Ela estava no carro dela, eu estava no meu, eu vi ela passando e a gente parou no semáforo, um do lado do outro, ela estava indo para o mesmo lugar que eu, a gente conversou, não aconteceu nada. E depois de três dias, a gente se encontrou de novo, saímos pra jantar e depois nunca mais largou. Eu fiquei sete meses em Minas no ano de 99 e quatro meses no Rio. Então, com uma equipe que jogou a final com o Atlético Mineiro e com a equipe que me contratou depois. Essa equipe acabou sendo extinta depois, o patrocinador teve um problema e saiu, eu acabei voltando pra São Paulo em 2000. O período no Rio foi quatro meses foi legal, porque o campeonato não era tão difícil, estava do lado da praia, eu adoro praia. Eu acabei voltando pra São Paulo, para o São Paulo Futebol Clube no futsal, onde eu fiquei 2000, 2001, metade de 2001 e na metade de 2001, eu fui pra um clube chamado Banespa, que é em Santo Amaro, São Paulo também, ai fiquei da metade de 2001 até o final de 2002 e, em 2003 eu fui pra Santa Catarina, onde eu fiquei oito anos.


Eu fui pra seleção em 98, no comecinho, joguei a Copa de 2000. Eu joguei na seleção a Copa de 2000, o Brasil perdeu, nós perdemos. Eu continuei na seleção, teve a Copa do Mundo de 2004, perdemos também e pra mim, foi uma frustração muito grande. Eu ainda tive o privilégio de jogar 2008, ganhar e agora de 2012, que eu joguei com paralisia facial, uma série de coisas que deu uma repercussão bem bacana e ganhamos também. Foi em 2004, na Copa do Mundo da China, onde eu ganhei pela FIFA melhor jogador do mundo e ali, pra mim, foi especial demais. Em 2008 se repetiu, então eu fiquei por oito anos pela FIFA, o melhor jogador do mundo. Eu estava muito frustrado com a perda do campeonato mundial em 2004. E o São Paulo me fez essa proposta de ir para o campo e era o momento bacana. Só que por outro lado, eu perdi todos os patrocinadores, então, eu era o numero 1 de um esporte, então quando eu fui para o futebol, eu era mais um. Nunca tinha jogado fora do Brasil, justamente pelos patrocinadores.


Pra jogar fora do Brasil, torneio, já tinha saído, já tinha jogado em outros países, mas eu lembro que esse mundial foi na Guatemala e foi bacana, me surpreendeu positivamente, só teve a frustração de não ter sido campeão do mundo, mas pra mim, foi tudo muito, muito bacana assim. Eu me machuquei no primeiro jogo do mundial, com dois minutos de jogo contra o Japão. E era minha última Copa do Mundo e eu queria jogar de todo jeito. E eu machuquei a panturrilha é impossível você se recuperar de uma lesão da panturrilha em dez dias. Começou a mexer no meu psicológico, tive essa paralisia facial. Do Banespa, eu fui pra Jaraguá do Sul, Santa Catarina, onde eu fiquei de 2003 a 2010, foram oito temporadas. Em 2010 tivemos o anúncio que o time ia acabar, foi muito triste, que eu tinha toda a minha estrutura, estava fazendo a minha casa, eu tinha um complexo grande de negócios. Eu tinha um centro esportivo. E em 2011, eu fui pra Santos. Em Santos, fui jogar num time de camisa, no time do meu coração, eu sou santista e fui jogar no time que eu torço. Então, o Neymar deu muita força, ia em todos os jogos.


O patrocínio dos Correios foi em 2004, que eles acabaram entrando no futsal. Eu acho que em 2005, eu fiz o primeiro trabalho com os Correios, eu passei a todo ano, fazer uma propaganda para os Correios, não tinha contrato fixo, agora que eu tenho um contrato fixo. Então, a minha relação com os Correios já tem sete, oito anos e a relação dos Correios com o futsal tem há nove anos. Os Correios eles olham muita coisa social, eles não olham só no que vai aparecer pra eles aparecerem, eles olham o geral. Eu fiz uma propaganda que era com o Giba na época da Copa do Mundo, que eu roubava a bola dele, ele roubava a minha bola. Tinha uma propaganda que eu estava com a bola de vôlei e ele com a de futsal, eu fui dar um chapéu nele, ele deu uma cortada em mim, essa propaganda acho que ganhou naquele ano a melhor propaganda do ano.


Hoje tenho uma franquia minha de escolinhas. E eu coloquei uma meta para o meu escritório de 30 franquias até o final do ano. Hoje, nós temos 42 em sete meses, a gente deve encerrar o ano perto das 50. Os Correios apoiam desde o inicio do ano, eles dão um auxilio da marca estar junto, nenhum apoia financeiro, nada disso, mas de carregar a marca junto com o Falcão. Os Correios inaugurou uma no ano passado em Brasília, eu estive junto, coisa para crianças carentes mesmo e sempre que eu posso a gente está junto Meu pai tinha um apelido quando eu era criança, eu acompanhava ele, me chamavam de Falcãozinho: “Falcão e Falcãozinho”. E acabou ficando pra mim, Falcão, e pra mim foi importante, porque é um nome forte, pra minha profissão faz muita diferença.

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