Busca avançada



Criar

História

O reencontro

História de: Bruno Carvalho
Autor: Bruno Carvalho
Publicado em: 30/01/2020

Tags

História completa

Primeiramente, irei contar um pouco da história da minha família. Somos considerados “nômades”, pois já moramos em várias cidades (Caruaru-PE, Santa Cruz- PE, Toritama-PE, Taquaritinga-PE, Maceió- AL, Murici-AL). Caruaru foi cidade onde eu nasci e minha irmã Bruna, nasceu tem Taquaritinga. Esse deslocamento de cidades era consequência da não estrutura econômica que meus pais tinham. Autônomos, trabalhando no comércio de confecções e varejo de roupas, nenhuma das cidades que meus pais abriam lojas de roupas dava certo (todas as lojas tinham o nome da minha irmã mais nova “Bruna Confecções”). Depois de tantas decepções, finalmente chegamos à Murici-AL, cidade localizada na zona da mata alagoana a qual eu nem conhecia, sendo que apenas minha mãe sabia, pois ela tinha nascido nesse município. Ainda ficamos trabalhando por 1 ano com roupas, porém, meu pai teve que fechar a loja por conta das várias dívidas acumuladas. Com isso, ele teve a ideia de abrir um “bar” (churrasquinho) em nossa casa e hoje, somos pioneiros nesse ramo e estamos conseguindo nos firmar economicamente na cidade. Ah! Já são 13 anos que estamos em Murici, O MELHOR LUGAR DO MUNDO, rsrsrs.

Com o meu amadurecimento e o da minha irmã, a gente começou a questionar o meu pai sobre a nossa avó paterna, a qual nos nem sabíamos o nome. Infelizmente, tínhamos contato apenas com o nosso avô paterno (Vô Genial) que já nos deixou. Depois de tanta pressão, principalmente após a morte do nosso avô, meu pai resolveu contar toda a história sobre a vida dele e explicar da ausência da sua mãe. E que história!

Ele nos contou como a vida dele foi complicada desde a sua infância. Meu avô paterno conheceu minha avó em Mataraca – PB em meio a uma comunidade indígena que já estava sendo absolvida pelos costumes da vida da cidade. Abrindo um parêntese no meu da história, meu pai é descendente de índio, porém não se sabe a tribo e nem a localização exata da comunidade que possivelmente já tenha desaparecido. Voltando, nesse encontro, eles se conheceram e passaram a “namorar” e em consequência meu pai nasceu. Após o nascimento, meu avô não apareceu mais, nem para ajudar a minha avó a cuidar do filho que viria. Depois de mais ou menos 6 anos, meu avô, policial militar, aparece do nada na casa da minha avó com vários policiais que levam meu pai a força para morar em Caruaru -PE.

Meu Pai sempre fala que foram os piores momentos da vida dele na casa do meu avô. Ele tinha uma esposa horrível (bem parecida com aquelas madrastas dos filmes kkk) chamava ele de bastardo, inútil, preguiçoso e olhe que ele tinha apenas 14 anos. Ao completar 16 anos, meu pai resolve sair de casa e tentar sobreviver em um mundo capitalista horrível que é o nosso. Começou a trabalhar com confecções, depois conheceu minha mãe em Murici- AL em feiras que ele fazia semanalmente na cidade e acabou levando-a com ele. O resto da história eu contei lá no início.

Então, no ano de 2015, meu pai comprou um carro (depois de quase 35 anos sem ter condições) que era um Fiesta Rocam 2012 e eu, tirei minha carteira de motorista. Com isso, já no segundo dia do ano (2 de janeiro) decidimos ir até Mataraca – PB em busca da minha avó, sem saber ao menos se ela estava viva. A nossa única esperança era a informação de uma tia do meu pai que veio até o enterro do meu avô e disse que ela ainda estava viva, só que bem velinha. Saímos de Murici de carro e foi uma viagem cheia de desafios nas 8 horas de estrada. Eu, recém habilitado, mal tinha ido a capital Maceió – AL, já estava me aventurando em meio a estradas que nem conhecia.

Enfim, depois de muito tempo, chegamos a Matara – PB e encontramos primeiro aquela tia já mencionada (Tia Maria, irmã do meu avô Genival) e ela nos explicou onde a minha avó morava. De surpresa, chegamos na casa dela e meu pai ao ver aquele rosto que ele nem se lembrava tanto a chamou e perguntou: A senhora ainda me conhece? – E ela respondeu: Uma mãe nunca esquece do seu filho!. Os dois se abraçaram e choraram muito, muito mesmo, e ela gritava e dizia: obrigado meu Deus, esse foi o melhor presente que o Senhor me deu, ver meu filho Rosildo antes de morrer. Depois 46 anos, mãe e filho se reencontraram. Foi um momento muito emocionante na vida da minha família, minha mãe conheceu a sogra e eu e minha irmã conhecemos finalmente nossa avó, Vó Rosa!

Sentamos na casinha bem humilde onde ela vivia com seus filhos (meus tios) e começamos a conversar. O nome do meu pai é Rosivaldo, porém, como minha avó não tinha registrado ele, ela pensava que o nome dele era Rosildo, sendo que meu avô que registrou. Descobrimos também que tanto minha avó, quanto meu pai fazem aniversário no mesmo dia (18 de dezembro). Saímos, e em todo lugar que chegávamos, éramos apresentados com bastante felicidade. Hoje, mantemos contato sempre e até fomos no ano seguinte lá, comemorar o aniversário dos 2.

Essa é a história do meu pai Rosivaldo que reencontrou sua mãe e minha avó Rosa, após 46 anos.

Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+