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História

O reconhecimento é um desafio permanente

História de: Lucas
Autor: Ana Paula
Publicado em: 16/12/2021

Sinopse

A grandiosidade da Petrobras o impressionou tanto no volume de negócios, quanto aos projetos de cunho social, impactando em todas as classes. Considera que ser petroleiro, na maior empresa do Brasil, é muita responsabilidade. A exigência de ser referência e de ter reconhecimento se estende aos diferentes espaços de circulação. A juventude é que move o país.

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História completa

Projeto Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Luís Antônio de Souza Lucas Entrevistado por Douglas Tomás Macaé 04 de junho de 2008 Código: MBAC_CB036 Transcrito por Denise Yonamine Revisado por Esalba Silveira P/1 – Eu queria que você começasse falando o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento. R – Meu nome é Luis Antonio de Souza Lucas, eu nasci no dia 26 de novembro de 1981, Casimiro de Abreu, interior do Rio de Janeiro. P/1 – Luis, qual a sua formação? R – Formação é superior incompleto, vai ser completo daqui a três anos. P/1 – Lucas, agora quero saber por quê te chamam de Lucas se o teu nome é Luis Antonio? R - Lucas é o meu sobrenome, né, sobrenome um pouco diferente do habitual por ser um nome próprio. Quando eu entrei na minha equipe, entrou um Luís junto comigo. Ele é baixinho e pegou logo Luisinho, aí sobrou o Lucas pra mim, mas eu não reclamo, não, até que eu gosto, eu gosto do Lucas. P/1 – E como é que foi esse primeiro momento, essa ambientação com os novos amigos? R – Um pouco diferente, mas foi muito bom, porque foram mais de 20 dias com 40 pessoas. Passeamos bastante, conhecemos muito a empresa, conhecemos a região. Eu já sou daqui, não foi muita surpresa, mas o pessoal de fora gostou. Isso foi muito importante depois porque em cada gerência, em cada setor da minha gerência, minha gerência maior eu conheço alguém. E isso é muito importante aqui, você conhecer alguém que possa te ajudar, alguém que seja mais íntimo de você pode facilitar aí você conseguir resolver os seus problemas. P/1 – Quais eram os tipos das pessoas, perfil dessas pessoas nesse primeiro momento? R – O mais variado possível. Tinha gente de 18 anos que tinha acabado o ensino médio, primeira vez que fez o concurso, entrou, e tinha gente que já tava sem estudar há mais de 20 anos e também conseguiu entrar. Assim, dos mais variados possíveis, e de Minas, de São Paulo, interior do Rio, assim, Sul do Rio, Norte do Rio; bem diversificado mesmo. Muito bom, muito bom. P/1 – E pra você, como é que foi esse primeiro momento, esse sentimento de tá entrando numa empresa do porte da Petrobras? R - Eu acho que antes de entrar eu não tinha ideia que era tão grande, cara. Eu já vim do setor público, né, antes daqui eu trabalhava na prefeitura, também era concursado. Lógico, eu não pensei duas vezes em aceitar vir pra cá, mas eu não imaginava que seria esse mundo, né, que a empresa fosse tão grande assim e que a empresa almejasse tanto o crescimento e também o lado social da coisa. Eu vi aqui dentro que ela tem um monte de projetos que colaboram com todas as classes. Eu acho... não sei, eu fiquei meio abismado, né, quando eu entrei. Os instrutores apresentando a empresa, o volume de negócio, o número de funcionários, foi muito bom, muito bom. P/1 - E quando foi isso? R – Julho de 2006. P/1 – E o que te motivou a fazer o concurso, a prestar o concurso pra Petrobras? Você que tinha um trabalho público já. R – Eu não estava satisfeito com o que eu estava fazendo na prefeitura, né, então eu comecei a tentar alguns concursos, mais pro Rio de Janeiro, concurso mais elevado e com um salário maior também, até conseguir entrar pra cá. Eu aqui dentro eu fui chamado pra um outro concurso, também fui chamado pra Caixa Econômica que o salário era semelhante, só que por já saber como aqui é bom, preferi ficar e não me arrependo. P/1 – E qual é a sua função aqui, a área que você trabalha? R - Aqui igual eu tava falando com você antes, né, meu cargo é técnico em suprimentos, só que nunca exerci isso aqui dentro, virei fiscal de contratos. Eu tô aqui pra perturbar um pouquinho ___________,pra melhorar um pouquinho a qualidade do serviço aqui. P/1 – O que exatamente faz um fiscal de contratos? R - Fiscal de contratos...o corporativo exige muito, a gente tem que responder em relação a indicadores, em relação a qualidade, em relação ao volume do serviço que está sendo prestado. A gente tem que saber o que realmente a empresa contribuiu pra gente em relação a quantidade, em relação a tudo, e depois efetuar o pagamento e cobrar também que a empresa esteja adequada à SMS [Saúde, Meio ambiente e Segurança], à ISO [Organização Internacional de Normalização]. A empresa não pode pecar e eu tô aqui pra assegurar que ela não vá pecar. P/1 – Lucas, cortando um pouco o assunto da sua função, mas não saindo totalmente, eu queria saber como é que é o cotidiano mesmo diário, você com relação aos seus amigos; se existe alguma história engraçada, interessante pra contar. Acredito que você talvez tenha bastante. R - Rapaz, eu dei sorte de estar numa equipe com mais quatro homens só que variados. Um é bem novo, outro é bem mais velho, outro é gordão, outro tem cabelo grande. Então dali sai muitas histórias engraçadas, mas eu não sou a pessoa ideal pra contar não, eu acho que não consigo fazer graça, não consigo. Acontece muita coisa interessante sim, mas eu acho que não sou a pessoa ideal pra contar essa história não. P/1 – Você não lembra de nenhuma agora no momento? R – Pensando aqui não, eu sei que eu me divirto muito. Às vezes eu tô trabalhando, às vezes tem algumas coisas importantes, alguma coisa séria, mas a gente sempre tenta quebrar o gelo, né, contando uma piadinha, nem que seja baixinho só pro outro ouvir. Mas agora não tenho nada na cabeça não, mas eu me divirto bastante com a equipe, eu gosto muito de trabalhar com eles. P/1 – E os amigos que você fez aqui na Petrobras, são amigos de fora também ou só no ambiente de trabalho? R – Somente um que é de fora, porque, assim, ele tem uma história um pouco mais complicada que a minha, né, já é pai de família. Ele é de Petrópolis, trabalha aqui e fica em Casimiro. Eu não sei o que ele tá querendo da vida, ele faz esse percurso que eu faço todo dia porque quer, eu faço obrigado, eu moro lá, ele não, invés de ficar aqui vai pra Casimiro e virou amigo mesmo! A gente sai às vezes junto lá e aqui também, mas eu tenho outros amigos que eu considero muito, mas que fora daqui eu não tenho contato, mas que eu teria sem problemas. P/1 – Nesses anos que você está trabalhando aqui... R – Dois. P/1 – Nesses dois anos que são dois anos intensos, talvez, eu queria saber qual foi o seu maior desafio aqui. R - Cara, desafio? Acho que o desafio pra alguém que é novo na empresa é conquistar seu espaço, acho que o primeiro desafio é você ser reconhecido, sabendo respeitar isso, saber respeitar você como pessoa e como profissional. Talvez eu não tenha conquistado ainda, mas eu acho que a gente sempre tem que tentar mais e mais, ainda mais espaço e receber mais atribuições. Quanto mais atribuições melhor, na minha concepção, porque tá mostrando que eles estão te dando capacidade de se desenvolver, e de mostrar que você pode alcançar metas, né? P/1 – E a presença de jovens aqui na Bacia de Campos como é que você vê isso? R- Importante, cara, quando eu entrei, eu vi que tem muito coroa aí pra se aposentar já, muita gente com mais de 20 anos de casa, na minha gerência então eu encontrei vários. Hoje, se você for lá, desse pessoal mais velho acho que só ficou um, só tem garotada agora. Não que o serviço caiu, também não vou dizer que o pessoal entrou pra melhorar o trabalho deles. Boa parte do trabalho tá sendo bem feito, mas é sangue novo, né, ideias novas, pessoal vem com outra perspectiva, eles já estavam meio que esperando a hora de se aposentar, a gente já vem querendo galgar além, conseguir muito mais. Então acho que é muito importante esses novos concursos, esses novos funcionários, pode dar esse impulso que a empresa está precisando pra crescer ainda mais. P/1 – Em que aspecto você acha que essa juventude vem interferindo no crescimento da empresa ou no trabalho mesmo? R - Difícil responder, né cara, como tem interferido. Eu vejo que a juventude é que move o país no caso, é o que pode mover se sair da inércia. Eu acho que a empresa, por ter esse número de funcionários próprios já um pouco reduzido e a cada ano estava reduzindo, ainda mais devido ao número de aposentadorias, eu acho que ela estava precisando disso, de pessoas com novas ideias, de pessoas com mais energia, talvez pra alcançar novos objetivos. Eu acho, assim, difícil pensar agora. P/1 – Lucas, você é de Casimiro, uma cidade próxima. Você foi capaz de perceber o crescimento físico da Petrobras em Macaé? R - Fui capaz sim. Eu morei aqui em Macaé há seis anos, morei aqui, fiquei um pouco mais de um ano aqui, porque minha região, minha cidadezinha, tem poucos empregos. Então tive que vir pra cá pra tentar arrumar alguma coisa melhor, né, na época. Eu observei sim, quando eu vim o pessoal já falava bastante da Petrobras, até porque o fato da Petrobras estar aqui trouxe outras empresas. Se a gente for pra um bairro próximo aqui, tem dezenas de empresas, em relação ____________ por causa da Petrobras e hoje eu vejo que tem aquele prédio __________________ que hoje ta desativado, dezenas de funcionários, centenas tem cais alugado. Você vê tem toda hora carro passando que é contratado da empresa, da Petrobras, e você vê que a cidade cresceu bastante devido aos royalties também, porque a empresa tá instalada aqui, a empresa obtém recursos da região e com esse recurso o prefeito tem que aproveitar melhor, eu acho, pra poder forçar a cidade a crescer com qualidade. Não só em número de habitantes, porque muitas pessoas vêm de fora pensando assim: “Ah lá a renda per capita é absurda, os salários são bons!” Só que o pessoal vem pra cá sem preparo profissional e chega aqui e fica a ver navios, a cidade vai se expandindo em número de habitantes, mas a qualidade de vida vai caindo proporcionalmente. Não sei se eu respondi, o que você queria. P/1 – Não, claro. Lucas, você tá me dizendo que tem dois anos aqui, não sei se você já alimentou o sentimento ou se você já tem uma percepção do que é ser petroleiro, mas de toda forma eu te faço essa pergunta, né? O que é ser petroleiro? R - O que é ser petroleiro...é pra pensar? O que é ser petroleiro... eu acho que é ter muita responsabilidade nas costas o fato de você estar aqui nessa empresa que é a maior do Brasil. As pessoas olham diferente pra você, as pessoas esperam que você tenha uma atitude diferente das outras, uma atitude melhor, sabe? Uma atitude que dê exemplo, coisas boas, acho que é isso, pelo menos é isso que eu tenho observado. P/1 – As pessoas de fora mesmo, né? R - É, fora da Petrobras, pessoas de fora. P/1 – Por que você acha que esperam tanto assim de um petroleiro? R – Eu não sei, isso eu não descobri ainda, porque eu sou como todo mundo, é só um emprego, teoricamente, mas eu creio que eles esperam mais. Acho que eles, se eles verem algum petroleiro fazendo, tendo alguma atitude ilícita, antiética talvez eles possam cobrar: “Pô, mas o cara trabalha lá na Petrobras, fazendo esse tipo de coisa?! Absurdo!” Eu não sei porquê, mas é assim, eu tenho observado isso sim, sempre querem que eu seja um exemplo, querem que a gente mostre como deve ser feito com qualidade, com tudo. P/1 – Você tem que ser um exemplo na comunidade, então? R – Exatamente. P/1 – Lucas, eu queria, já finalizando, mas ainda não... você tem alguma coisa pra dizer que tenha escapado das minhas perguntas, que talvez você queira dizer? R - Eu tô um pouco nervoso, né, cara? Eu não estou muito habituado a isso, a ser questionado e eu ter que responder assim, só quando é gerente perguntando, né? Mas a gente sabe responder na ponta da língua, mas eu creio que não, não sou muito bom com isso, acho que eu não tenho mais nada a acrescentar não. Se você for perguntando, eu vou respondendo, agora eu pensar em alguma coisa não vai sair nada, cara! P/1 – Bem, essa já é pra finalizar, né, que a gente tem um tempo de 20 minutos. Eu queria que você falasse um pouco dessa sua opinião de tá participando de um projeto como o nosso e da Petrobras, que tá entrevistando, né, tá colhendo esses depoimentos dos trabalhadores pra contar a história da Petrobras e também, a história das pessoas. R – Eu acho muito bom tanto pra agora quanto pro futuro, né, daqui a 15, 20 anos alguém pode olhar aquele videozinho, ou os melhores momentos. Como vocês vão fazer eu não sei, como vai ficar pronto isso e relembrar de como era antes e de como é agora, como a companhia mudou. Espero mudar, que vá mudar pra muito melhor, e daqui há 15 anos, devo estar aqui ainda só... quem sabe com o superior completo já em outro cargo. A companhia mudou. Talvez como a pessoa possa observar como o mundo era alguns anos atrás e como tá sendo hoje, assim como você perguntou como vem mudando, sei que os outros responderam. Mas no futuro as pessoas vão poder verificar como que a companhia fez bem ao seu redor e aos funcionários e como ela cresceu. Com certeza ela vai alcançar os objetivos que ela quer. P/1 – Além de acompanhar a sua trajetória mesmo daqui a 15 anos, né? R – Quem sabe, né, vou ver com cabelo, porque vou ficar careca, eu te falei. Quem sabe, não penso muito no futuro ainda não, não tão distante, né? P/1 – Tá bom então. Acho que é isso. R – Obrigado ---------------------------------------Fim da entrevista---------------------------
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