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O radialista

História de: Eduardo Weber
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/02/2014

Sinopse

Eduardo Weber nasceu em São Paulo. Em sua história de vida narra que cresceu entre as realidades dos bairros Mooca e Cruz das Almas, jogando futebol, brincando de bolinha de gude e empinando pipa. Iniciou sua carreias nas rádios escrevendo roteiros para anúncios do Instituto Universal que vendia cursos à distância. Sua trajetória na Cultura é marcada por sua atuação nos mais diversos programas. Ao entrar na Cultura produziu o programa Curumim que trabalha com os pedidos e opiniões das crianças que enviam cartas ao programa.

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História completa

Meu nome é Eduardo Weber, eu nasci em São Paulo, na capital, em 8 de março de 1957. Meu pai é Emílio Weber e minha mãe é Isaura Vieira Weber, eles se conheceram em casas de baile. Minha mãe gostava de dançar, era jovem. Minha mãe não trabalhou, quer dizer, ela colheu mamona, colheu algodão, essas coisas, veio pra São Paulo, trabalhou em fábrica de guarda-chuva, depois ela foi ser babá e cozinheira em casa de família, de uns italianos. Era para eu me chamar Renato, porque ela cuidou de uma criança que ela gostava muito e chamava Renato. Só que meu pai, na hora que soube foi registrar Eduardo. Ela ficou p da vida e falou: “O próximo filho vai se chamar Renato”. Só que veio uma menina, então chamou Renata. Depois que eles se casaram ela parou de trabalhar. E meu pai sempre viveu na atividade de comércio, mas ele trabalhava em lojas de material elétrico, trabalhava na parte de compras. Na infância eu vivi duas situações: uma de segunda geração e outra de terceira geração. Qual era a terceira geração? Meu pai sempre morou no Alto da Mooca, na verdade a primeira geração deles é de imigrantes. Então meu avô é Suíço, tinha muito espanhol, muito italiano, a maioria, mas na região se falava turco, mais sírio-libanês. Meus avós tiveram filhos, a segunda geração, e eu, como neto, a terceira geração. Era um bairro de imigrantes europeus e do Oriente Médio, com toda uma cultura. E a outra realidade, que é da segunda geração, era de quem fazia o bairro. Eram imigrantes também, mas só que não eram mais imigrantes europeus ou do oriente, eram imigrantes do Brasil. Na minha rua tinha mineiro, tinha baiano, tinha sergipano, tinha minha mãe que era do interior, de Pardinho, perto de Bauru. Tinha um pessoal de Araras. Tinha toda essa comunidade aí. E era assim, um bairro de formação. Meu sonho na infância era ser professor de Matemática. E eu era muito ruim em Português, muito ruim. Tanto é que no exame de admissão que fiz, na minha época tinha admissão do primário para o ginásio, em Matemática eu tirei dez, Português eu tirei cinco, passei com média sete e meio. Eu era muito ruim em Português. Um dia me inscrevi pra fazer um teste vocacional. Mas era uma bateria longa, foi uma coisa de um mês o negócio. Você fazia teste uma semana, se não tá bem, se não quiser, não faz, quer dizer, era uma bateria de exames, de testes que você ia fazendo, depois uma entrevista no final. E me falaram assim: “Olha, pelo teu perfil, tem duas coisas aqui que apontam”. Apontou-me muito bem a minha personalidade, fez um aspecto. “E de tendência de escola tem duas: tem uma coisa pra serviço social e uma coisa ligada mais pra Publicidade, Jornalismo”. Eu falei assim: “Ah, serviço social de jeito nenhum”. Ora, eu era péssimo em Português. E resolvi fazer Comunicação Social. Eu entrei na Faap e a Faap tinha acabado com o curso de Jornalismo. As opções eram: Relações Públicas, Cinema, Publicidade e Rádio e TV. Falei: “Publicidade eu não vou fazer”. Falei: “Ah, não. Essa consumista”. Não era meu perfil ideológico na época. E fiz Rádio e Televisão e não me arrependi. Me profissionalizei pela Faap em Rádio e TV, e fui trabalhar como roteirista sendo péssimo aluno de português. Nesse meio tempo, eu conheci alguns professores no especializado e dois caras, um deles era o Chico de Assis. O Chico me levou pra ser assistente dele na produtora, que era Cordel, eu fui escrever, olha só. Eu demorava. Uma coisa que eu escrevo em dois minutos, eu demorava um dia inteiro. Era um programa para o Instituto Universal Brasileiro, que vendia curso por correspondência, ensino a distância. A ideia era vender curso por correspondência, o programa ia pra 36 emissoras de rádio, menos São Paulo. Ia para o Rio de Janeiro e Minas pra cima. E o lance era vender curso. E logo em seguida, em 81, fechou a produtora dele. O Chico ia fazer o projeto Curumim na TV e incentivou os alunos a fazerem programa pra criança. Eu fui depois pra Cultura fazer o Curumim, o que aconteceu? Nós fizemos o programa, depois de uns três meses: “Pô, ele tem que saber a resposta do público”. Então o Dorival Carper falou assim: “Ah, vamos dar uns discos aí”. Era um programa pra criança na fase de pré-escolar, um programa educativo que tinha na televisão também. Aí o que aconteceu? Na primeira remessa de carta que nós recebemos, a gente verificou que duas atrações do programa não eram citadas pelas crianças: que era o repórter criança e um número musical que tinha no programa. As pessoas citavam o quê? A história, a brincadeira final e o Papagaio Pituca, que respondia perguntas pelo telefone mágico, um truque a gente fazia lá. Então ele falou: “Bom, tem que tirar esse repórter criança aqui, que não tá funcionando. O que a gente vai fazer? E o número musical também, que também não tá funcionando”. Aí nós ficamos entre a Bruxa Caramelo e a Abelha Abelhuda. E a Abelha Abelhuda acabou vencendo. Que era um personagem que tinha o perfil de uma criança de cinco anos na era do “por que”, na fase do “por que”. “Por quê?” E ela tinha também um bordão, se você a chamava de abelhinha, ela ficava furiosa: “Bzzz, abelhinha não, Abelha Abelhuda”. O Curumim, que foi um programa, foi um ponto marcante na minha trajetória na Cultura. Eu fiz também, 12 anos, o “Estúdio 1200”, que é uma revista, e eu convivi com um cara que eu o adorava no rádio. Eu fiz um programa com o Fausto Canova, fui produtor dele. Eu adorava o Fausto, eu ouvia o Fausto Canova, coincidência. O que eu mais gostei de fazer foi o “Biografia”. Eu tinha saído do “Estúdio 1200”, eu fiz uma proposta: “Biografia”. Que é assim, um perfil de um artista brasileiro, porque assim, quem tá na produção não é reconhecido pelo público. E no Biografia foi o único programa que o público ligava pra mim pra saber quem era o próximo cara. Não queriam falar com o apresentador do programa, queria falar com o produtor, porque reconheceu o trabalho. Então foi marcante. E daí, eu fiz de tudo lá, eu fiz programa de música, eu trabalhei com o Serginho Groisman no Matéria Prima, foi um período legal. Também criei um programa de folclore mexendo com os personagens, saci pererê, negrinho do pastoreio. A onça que perdeu as pintas, chamava. E muitas outras coisas, programas jornalístico, programa de concertos... Eu sou casado, não tenho filhos, meus pais ainda estão vivos. Quer dizer, sempre tenho encontros familiares com eles semanalmente, tal. Tem o meu sogro que a gente cuida também. Normal, não tem muita coisa especial. Gosto de sol. Na verdade, eu sou... Se fosse me definir, eu sou um grande vagabundo que não deu certo (risos). Eu trabalho muito, também dou aula. Eu não falo mais isso, mas costumava brincar o seguinte: eu gostaria de ter um harém de mulheres me sustentando. Na verdade, eu tenho que sustentar um monte. É isso aí.

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