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História

O que um período sabático fez na vida de um engenheiro civil

História de: Mário Augusto Garcias Vieira
Autor:
Publicado em: 15/05/2020

Sinopse

O engenheiro civil, Mário Augusto, conta a grande mudança que quis fazer em sua vida, ao arriscar e sair do lugar-comum de seu trabalho como engenheiro civil e ir trabalhar com projetos sociais.

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História completa

P/2- Mário, poderia começar falando seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R- Meu nome completo é Mário Augusto Garcia Vieira, natural aqui de São Paulo, capital e minha data de nascimento, 14 de março de 1962.

 

P/2- Poderia contar para gente como conheceu o CDI e como foi admitido no CDI?

 

R- É uma coisa engraçada por que eu... Até no bate-papo informal, a gente já falou sobre isso. Eu fiz uma carreira como engenheiro civil, comecei recém-formado na mesma empresa, trabalhei 18 anos nesta empresa, mas nos últimos quatro, cinco anos, estava muito desconfortável. Também passei um período complicado, meu pai ficou doente, eu acompanhei sozinho todo este processo até ele falecer e me desgastei muito. Eu comecei a pensar que deveriam ter outras alternativas para me desenvolver profissionalmente. A primeira coisa que pensei foi trocar de empresa, mas tive outras oportunidades e falei: "Bom pra trabalhar em outra empresa que eu já sei como é o dia a dia, eu continuo aqui". Estava cansado da profissão e da função, principalmente. Como era gerente nacional, não era o problema de viajar, mas o tipo de trabalho, muito desgastante, uma correria.

 

P/1- O que fazia?

 

R- Eu era gerente geral de produção. Então,  era responsável por todas as obras, chegava a ter 20, 25 obras espalhadas pelo Brasil em lugares diferentes, equipes diferentes, tinha uma equipe de engenheiro numa determinada época, porque assumi esta gerência em 1991. Então tinha uma equipe, por exemplo, tinham 8 engenheiros, tinha uma secretária e ainda tinham engenheiros que tinha engenheiro abaixo dele. Com o passar dos anos, as mudanças todas, as estruturas foram enxugando, isso complicou bastante. Estava muito cansado, aí comecei a ver o que poderia fazer. Num primeiro momento, deu um pânico geral porque achava que não ia conseguir fazer nada. Ou saía dali e ia trabalhar em outro lugar na mesma função, se conseguisse o emprego, ou não ia fazer nada. Eu comecei a pensar no que fazer e cheguei a conclusão de que se continuasse trabalhando nesta função do jeito que trabalhava, não ia conseguir me desligar nunca, então era mais complicado ainda. Planejei um desligamento desta empresa, me desliguei, que aconteceu em fevereiro do ano passado, de 2003 e, a partir daí, então, comecei a pensar o que ia fazer da minha vida. Foi complicado mas, como não tenho filho e não sou casado, permitiu que fizesse isso, era um período sabático. Um dia, lendo o jornal e, foi logo na primeira semana, sem saber por que, assistia palestra na Livraria Cultura de como editar livro, assistia o que pintasse, tinha tempo. Vi no jornal, o Diálogo Sociais da Folha, que ia ter um lançamento no MAM, ia ter umas palestras sobre Franquia Social. Não conhecia absolutamente nada. Vamos lá no MAM, de graça. Cheguei lá, apresentaram esse projeto. Continua existindo até hoje. É uma parceria da Folha e OAB. "Então, convidamos aqui dois palestrantes: uma pessoa, é uma professora do grupo Iochpe e o Rodrigo Baggio do CDI [Comitê para a Democratização da Informática]". Inclusive o Rodrigo teve que falar antes porque ia pegar um vôo, saiu mais cedo, não ficou para o debate depois. Eu vi o Rodrigo falando do tal do CDI que, para mim, pareceu ser um órgão público, no primeiro entendimento meu. Comitê para a Democratização da Informática deve ser um órgão do governo [riso]. Aí,  explica que está no Brasil, num número enorme de cidades, está no Exterior, não entendi direito, mas assisti como assisti a outra. Entendi que o conceito que queriam transmitir é o da Franquia Social, uma coisa que você faz e dá certo aqui, pode multiplicar em outros lugares, que o conceito era esse. É o que aprendi naquela palestra. Dali depois, fui procurar, não motivado por esta palestra, fui procurar porque já era interesse meu, procurar cursos, conhecer pessoas, tentar me relacionar. Aí fiz curso no SENAC, na Foz [?], qualquer palestra que tinha sobre o assunto, tinha os fóruns de discussão, lista de discussão do Terceiro Setor, curso de consultor, tinha tempo. Até que fui fazer um curso de Capacitação de Recurso que é com a Renata Brunetti. Foi muito interessante, primeiro, porque achava que captação de recurso era passar o chapéu, então não queria isso para mim. Fui fazer porque estava com tempo, apareceu o curso, falei: "Vamos ver o que é, faz parte da mesma área, mas não quero me dedicar a isso", achava que podia me dedicar aos projetos. Fui e achei o curso muito interessante. Um curso durante a noite, uns seis, oito encontros e conheci muito a Renata e expliquei a minha situação para ela, depois de um tempo. Faço terapia de grupo e meu grupo acompanhou todo este processo. Um dia, conversando com a Renata numa destas aulas, falei: “ Eu acho que tenho que começar como voluntário em algum lugar”. Ela falou: “Eu até comentei de você com a Célia.” A Célia é a Célia Cruz que é uma referência no Terceiro  Setor. Eu achei estranho porque o quê ela estaria falando de mim pra Célia. Depois a Renata falou que a Célia queria fazer, no último dia, uma dinâmica que hoje aplico nas minhas capacitações que é fazer uma simulação de uma reunião para captar recursos com empresários, uma negociação, uma dinâmica disso. Neste último dia, justamente, na hora de dividir os grupos, fui fazer o papel do captador com a avaliação da Célia e da Renata e me saí super bem. Estava num período muito interessante, sabia o que estava fazendo ou sabia o que tinha que fazer. A Renata já tinha falado: "Esse aqui é o Mário". A Célia falou: “Eu vou ver, se souber de alguma coisa.” Muito simpática. Meia hora depois, o Rodrigo Alvares ligou para a Célia Cruz, porque ela é madrinha de casamento dele e trabalharam juntos, são amigos há muito tempo. Perguntando se não conhecia uma pessoa para contratar, para colocar na equipe, mas não queria uma pessoa júnior, queria uma pessoa com experiência um pouco diferente, porque era o coordenador do CDI. Ficava em São Paulo e toda a equipe ficava no Rio, não era coordenador de CDI em São Paulo.  Ela não me falou isso: "Acabei de conversar com uma pessoa" e passou meu telefone. No dia seguinte, cedo, já tinha um recado do Rodrigo para ligar. Vim, conversei com o Rodrigo, expliquei toda a situação desde o começo, aí, ele gostou do meu perfil, da minha postura. Depois, na semana seguinte, o Baggio veio para São Paulo e me entrevistou. Mas já estava mais ou menos decidido. Eu percebi, o Baggio só quis ver quem é, ele gostou muito da história do período sabático que estava fazendo e aí comecei, então, junto com o Rodrigo nesta área de Desenvolvimento Institucional, assim, meio que conhecendo o que era o Terceiro  Setor. Eu tinha uma noção mas, na prática, vim conhecer aqui dentro do CDI. O engraçado disso, foi que a primeira coisa que  vi assim, foi esta palestra do Rodrigo, depois por caminhos totalmente tortuosos, vim cair aqui dentro. Outra coisa que falo sempre para os dois: "Rodrigo, acho essa área social muito legal, mas, por exemplo, acho Meio Ambiente bárbaro, mas não tenho nenhum atrativo para trabalhar com Meio Ambiente, sou um cara de São Paulo, sou um cara urbano. Ontem até encontrei com meu vizinho que é professor de biologia no prédio. Ele vai todo ano com os alunos para Amazônia." “Por mim não voltava, fiquei lá 15 dias, que delícia". Eu falei: "Também adoro ir num dia e voltar no outro”. Cada um na sua. Eu sempre falo para... outra coincidência, um dia, vi uma palestra. O cara falou assim: "Se é para trabalhar no Terceiro  Setor, têm que ter uma afinidade com a área que está  trabalhando". Fiquei muito preocupado, aí, comecei a fazer uma lista de possibilidades. Listei 15 possibilidades, tem criança, idoso, cultura, saúde, educação, meio ambiente, tem um monte de coisa. Sempre achei que educação é o que tem mais a ver, acho que é a base. Por exemplo, trabalhar com criança, a gente acaba trabalhando indiretamente, isso é outra coisa que digo sempre para o Rodrigo, se fosse uma ONG de Meio Ambiente poderia ter me encaixado mas, não estaria tão confortável, então foi assim que vim parar no CDI.

 

P/1- Quando lhe contrataram o que estavam buscando? Qual era o perfil da pessoa que buscavam?

 

R- Eu fui contratado assim. O Rodrigo Alvares precisava de uma pessoa para auxiliá-lo aqui em São Paulo, porque a decisão de ter o coordenador de DI em São Paulo é porque São Paulo está mais próximo das empresas, o mercado potencial dos nossos doadores é muito maior aqui, em São Paulo, e o resto da equipe estava no Rio, que eram mais três pessoas. Uma dessas pessoas já estava saindo, então, precisava repor esta pessoa. Em vez de colocar esta pessoa lá, porque não colocar esta pessoa aqui em São Paulo e ficaria junto com o Alvares. Então, por isso que falou que não queria uma pessoa muito júnior, que estivesse começando a trabalhar, que normalmente isso acontece, mas também não queria um expert em capacitação. Eu vim meio com esta proposta de desenvolver pessoalmente e desenvolver essas coisas, usar minha experiência adquirida nesses 18 anos como engenheiro, para usar em outras áreas. Eu percebo que isso faz uma diferença, às vezes, falo umas coisas que são tão óbvias, em compensação, aprendia assim... Eu brincava todo dia, quando comecei no CDI, que todo dia era como se estivesse colocando minha cabeça numa máquina de lavar. Estava acostumado num lugar assim, trabalhava numa empresa familiar, num serviço, acho que até poderia ser diferente, mas nunca conheci. Um serviço rude, o cara que é servente de obra, é aquele cara que não serve para mais nada, nada. Porque se soubesse assentar um tijolo, já não é mais servente, quer ser pedreiro. O servente é a base de tudo num sistema que está meio se lixando para o que acontece hoje. Até já melhorou um pouco, mas, no começo, os lugares de alojamento, condição de trabalho era péssima e meio na base do chicote, então vivi nesse mundo. Cheguei num lugar onde tudo é decidido meio num consenso, que tem o outro lado. Todo mundo pergunta o que acha daquela coisa, não estava acostumado. Ou recebia a ordem ou dava a ordem, isso para mim foi uma coisa fantástica. Hoje aumentou muito mais meu espectro.

 

P/2- Você estava falando entre a diferença de captação de recursos e desenvolvimento institucional. Você poderia dizer o que é, exatamente, o Desenvolvimento Institucional?

 

R- A captação de recursos é aquilo que falei. Na verdade, o produto final é quanto consegue arrecadar em dinheiro ou espécie, enfim, para o trabalho desenvolvido, no caso aqui, pelo CDI. Costumo dizer para as pessoas que dou a oportunidade de participarem do projeto do CDI quando fazem uma doação e participam disso. A gente aqui também capta praticamente só por projeto, sempre esta captação está vinculada a um objetivo, metas bem determinadas, objetivo principal, objetivo secundário, as metas bem determinadas. Quando a gente fala: "Eu vou fazer isso, não é assim, eu preciso de 10, 100 ou 200 para tocar o trabalho", normalmente, está em bases muito bem determinadas, porque a gente capta por projeto. Agora, DI que, ao contrário do que muita gente pensa, não é Departamento Infantil, é Desenvolvimento Institucional, envolve a captação de recursos, mas envolve o relacionamento com os parceiros nossos. Por exemplo, não somos nós que fazemos os relatórios, mas avaliamos os relatórios que são feitos pelo pessoal da Rede ou de projetos. Nós somos a interface entre o CDI e os parceiros nossos, se estamos prestando contas direito, se o nível do relatório está bom. Por exemplo, a gente recebe menos aqui em São Paulo, mas também faço, aliás, quando é aqui em São Paulo, sou sempre eu, porque sou a única pessoa da matriz. Mas recebe gente que vêm visitar, vêm do Exterior, quer conhecer o trabalho do CDI, inscrição em prêmios, sou eu, nesse caso, pessoalmente, que faço dentro da equipe de DI. Gestão dos projetos, gestão não no sentido da operacionalização, a gente chama de gestão, mas o termo correto seria acompanhamento de projetos: "Escuta, aquelas metas que a gente fixou, nós vamos alcançar, vamos porque estamos assim, mas estamos abaixo". O que a gente têm  que fazer, esse tipo de coisa. Hoje, por exemplo, estou indo para Florianópolis agora à tarde. É um encontro da Região Sul, esses encontros que passaram a ter, a partir destes anos, já é uma novidade, já teve o do Sudeste, Nordeste, já teve o Internacional e agora vai ter o Sul. Na verdade, é para se discutir, é uma prévia, mas regionalizada,  porque essas regiões têm muito em comum, então dos CDIs Regionais se vai discutir. Por exemplo, amanhã, vou facilitar a parte de captação de recursos e a parte de projetos que vai acontecer sábado de manhã.  Tem uma parte pedagógica, tem outra parte sobre o Cigui [?]. Na verdade, são miniencontros, congressos, sei lá que nome a gente podia dar para isso. Faz parte do DI trabalhar com essa Rede toda, com todos esses Regionais que vão conhecer, tudo isso é atribuição do DI, fazer planejamento, cuidar dos números. Eu sou da matriz, mas como São Paulo é uma filial da matriz, cuido dos números de São Paulo.

 

P/1- Que números?

 

R- Receitas, despesas, resultados, entre aspas, vamos dizer, a operação disso tudo.

 

P/1- Uma parte que falou é relacionamento com os parceiros. Você podia desenvolver mais isso? Você procura...

 

R- Existem dois lados. Existem aqueles que descobrem nosso trabalho e ligam e falam: "Olha, queria conhecer o trabalho de vocês". Existem aqueles que somos interessados e  vamos buscar. Existem aqueles que, às vezes, o CDI tem um Conselho muito atuante, então, às vezes, o Conselho tem alguns contatos e abre algumas portas. O Conselho, por exemplo, tem dono de banco, empresário, o presidente da Philips, então, às vezes, conhece alguém de uma empresa que pode ser interessante ou que tenha atuação nesta área, então, faz o contato. "Olha, você não quer conversar com o CDI" e ele abre a porta e nós vamos lá e entramos. Então, o que a gente faz normalmente, faz uma apresentação do CDI, o que é o CDI, qual é o trabalho, aonde está, como é a origem dos recursos, quem são os nossos apoiadores e mantenedores, nosso modelo e conversa sobre possibilidades de parceria. Às vezes, tem gente que quer... Acontece de tudo, tem gente que nos procura achando que somos um treinamento barato para funcionários deles, tem gente que nos procura sabendo exatamente do trabalho social, tem gente que, às vezes, não entende direito como é que pode participar, então essas reuniões são para isso. E aí, normalmente, a gente apresenta os projetos com base num primeiro contato, redige um projeto e prevê esses objetivos e metas bem definidos. Depois, no caso, por exemplo, este projeto da Memória CDI. Ao longo do tempo, a gente presta contas, aliás, esse mês, precisamos fazer um relatório no final do mês, porque presto contas disso para a FIB [Faculdades Integradas de Bauru?], para _________ , dizendo, este mês já foram entrevistadas tantas pessoas, o projeto está  correndo assim, o cronograma é esse. De repente,  por exemplo, alguém da Philips ou qualquer parceiro: "Olha, falei com o pessoal da Argentina e adoraram isso, mas querem conhecer". Então, faço um link, pego o pessoal da Argentina e falo: "Entra em contato com fulano assim assado", mando o modelo do projeto que a gente têm, então, o relacionamento com os parceiros são esses. Existe um relacionamento também menor, da minha parte, que, na verdade, a gente têm  o CDI aqui, têm esses parceiros mantenedores e apoiadores e têm os parceiros, que são as Instituições Sociais, onde a gente monta as escolas. Esses, tenho menos contato porque não está no meu dia a dia, aí o pessoal pedagógico que se relaciona. Mas sempre que vou, levo muita gente para fazer visita a IKI [Publikimagem Projetos e Marketing?]. Pra  mostrar sempre escolho um dia de aula. Quando formos lá, chegamos um pouco atrasados, mas para fazer aquilo que fizemos. Faço muito isso porque daí você vê o trabalho. Lá estão pesquisando a música, estão trabalhando alimentos, como é nosso meio de trabalho. 

 

P/1- O Governo também é um parceiro de vocês?

 

R- O Governo é aqui em São Paulo. Federal, a nível da matriz, não tem muita coisa, mas aqui em São Paulo, a gente têm a parceria com a Secretaria da Justiça que cede aquele espaço que conhecem do estoque, a gente têm com a Febem um trabalho muito legal. O Rodrigo Alvares está agora no Palácio dos Bandeirantes porque o governador vai assinar hoje um decreto passando a Febem da Educação para a Justiça e temos parceria na Educação e na Justiça, então para nós...

 

P/1- Vocês têm com a Secretaria de Educação também?

 

R- Secretaria de Educação, por causa, como a Febem estava na Secretaria de Educação e a gente têm 10 ou 11 escolas dentro da Febem... Você não divulga as coisas legais. Tem uma distribuição de onde vêm o governo. É uma participação pequena.

 

P/2- Quais são as principais?

 

P/1- Gostaria também, juntando nessa pergunta, que diferenciasse talvez entre indivíduos, empresas e governos. A proporcionalidade.

 

R- Indivíduos em termos de doação, não temos isso. É umaideia de, no futuro, a gente desenvolver,  faz parte do plano de captação de recursos desenvolver uma área de captação para indivíduos, mas hoje não tem. As pessoas físicas participam como? Ou doando um computador, ou participando como voluntário. Têm muitas pessoas que doam computador que, às vezes, estão com o computador em casa e não sabem o que fazer com aquele negócio, nem sabem que a gente têm o trabalho, então doa um computador, dois, uma impressora, enfim, normalmente é assim. As empresas, então, são essas que a gente divide em apoiador e mantenedor. Mantenedor são as empresas que entram com dinheiro para a nossa operação, aí, tem Philips, ___________, Microsoft, Unibanco, Politech. Estou falando sempre da matriz aqui em São Paulo. Têm  outros que são locais, por exemplo, Localweb, Adams, é só São Paulo. A gente está trabalhando numa parceria nacional, começou pequeno, isso é outra coisa que a gente sempre procura fazer, vamos começar pequeno, vamos ver o modelo, começa namorando, depois fica noivo, depois casa, porque começar logo casando, a probabilidade de dar errado é muito grande. Esses são os mantenedores. Têm mais do que esses. Depois a gente pode até pegar no site. Têm os apoiadores que trabalham com a gente fornecendo o trabalho deles,  pró-buono que a gente chama, a Enerst Young que faz auditoria nossa, então, é um documento que tem para mostrar como o dinheiro está sendo utilizado. Tem a Contemporânea que é a agência de Comunicação, têm a Rede Globo veiculando mensagens do CDI, uma série deles. Essa é a diferença entre apoiador e mantenedor. Você falou com relação ao Governo. Aqui, em São Paulo, tinha, até o ano passado, aquele projeto Acessa São Paulo onde alguns info-centros do governo do Estado funcionavam como _____ também, mas aí  resolveram não tocar mais esta parceria, então, hoje a participação com o Estado está aí dentro da Febem, dentro de presídios, na Secretaria da Justiça com a cessão do espaço.

 

P/2- Tem também, pelo que disse, o lado da prestação de contas. Você tem que prestar contas? Como se dá isso?

 

P/1- Nós estamos falando da prestação de contas para os parceiros.

 

R- Aqui, em São Paulo, como é que funciona. Depois quando estiverem lá na matriz vão poder escarafunchar mais, porque isso é feito lá. Aqui, a gente controla todas as despesas, aliás, esta é uma outra coisa importante que já devem ter ouvido. Até dezembro, o CDI funcionava dentro da _________ da Câmara Americana, dezembro de 2003. Lá era assim: o prédio era deles, luz era deles, água era deles, manutenção era deles, rede, alguns móveis eram deles, o café era deles, é uma coisa, um crescimento natural por dois motivos: primeiro, a gente precisava crescer e, por outro lado, eles também estavam em dificuldades e estavam devolvendo prédios deles. Eles tinham três prédios e hoje só tem um. Ficava nesses prédios que era junto do estacionamento. Nesse crescimento, principalmente, o CDI São Paulo, teve que assumir uma série de coisas. Hoje, não pagamos aluguel porque conseguimos uma parceria, mas tem um valor captado, vamos dizer, referente à isso, tanto esse espaço aqui, o lá de baixo, aqui, a gente paga luz, água, telefone. Se queima uma lâmpada, somos nós que resolvemos, então isso criou, fez o CDI de São Paulo dar um passo super importante. Por outro lado, veio a responsabilidade de se controlar tudo isso, então aí, isso foi uma coisa que implementei, então, a gente começou usando a minha experiência de obra, uma contabilidade meio de padaria. Não é de padaria porque não é feita no caderninho, é feita no micro, não tem nenhum segredo, mais para controlar e a gente presta contas para a matriz que faz o relatório para os parceiros. Quando recebo esses relatórios é analisar se está Ok. Na verdade, até faço um pouco isso  porque como a Marina fica no Rio, ela é coordenadora de lá, e tenho mais duas pessoas, então só quando alguém está de férias, aí vêm  o relatório aqui para mim. A gente presta contas. Eu, por exemplo, assino cheques no CDI em São Paulo junto com o Rodrigo, então é uma responsabilidade grande.(Fim da fita 1)

 

P/1- Todo um aspecto sempre de uma política. Quem defende esta política de captação de recursos? Onde é definida? É na matriz? Em conjunto? Quem participa?

 

R- Quando a gente fala de São Paulo é um Regional, que é uma filial da Matriz, segue as mesmas diretrizes. Os outros Regionais vão definindo a sua, mas existe algumas regras já definidas e foram definidas pelo histórico, foram definidas pelo Conselho e a palavra final é do Rodrigo Baggio que, na verdade, é o fundador, é o nome dele que está a frente deste projeto e, aliás, sucesso do projeto é, em grande parte, devido a isso. Qualquer CDI Regional pode captar localmente, agora se existir a possibilidade de, por exemplo, o CDI parar, vai lá e tem um contato com o HSBC, então, o HSBC vai apoiar ali institucionalmente, se aquele contato puder ser expandido para alguns outros CDIs, porque o HSBC está em outros lugares, aí o contato passa a ser da matriz, para poder potencializar isso, maximizar. Têm algumas coisas que vão do bom senso com quem a gente quer se associar e com quem não, a questão da imagem hoje, mais do que nunca, é questão de responsabilidade social. Outro dia, estava num workshop, numa discussão, por exemplo, uma empresa que não recolhe impostos, como é que pode ser responsável social? Os critérios quem define mesmo é o Baggio, Conselho e muita oportunidade. Têm um pessoal querendo, que nem este caso da Adams. Gostaram da nossa proposta e estão querendo construir alguma coisa, será que a gente não consegue juntar os dois? É nesta linha. Agora, cada CDI Regional, tem autonomia, dentro destas grandes linhas, de fazer a parceria.

 

P/1- Geralmente, a captação de recursos ou o Desenvolvimento Institucional está ligado a uma Política de Comunicação e não vejo aqui uma área de Comunicação. Como é que ocorre isso?

 

R- Isso é interessante. Na verdade, até março, por aí, existia, no Rio, uma Coordenadora de Comunicação, assim como existe Coordenador de DI, Tecnológico, Pedagógico. Projeto existia, uma de Comunicação e ela resolveu sair, assumiu um outro cargo, ela é jornalista  do Dia no Rio e hoje não tem esta figura. Mas a gente trabalha muito junto com a Comunicação, por causa disso. Outro dia,  no lançamento da Mega Ajuda, fica uma, não existe bem uma diferença até onde é DI e até onde é Comunicação, mas existe algumas coisas claras que têm que ser feitas pelo DI e outras, claras, de Comunicação e têm algumas que se mesclam. Por exemplo, desenvolver todo o material de papelaria, folder, pasta, tudo, foi todo o pessoal da Comunicação, mas DI participou, desde o começo, porque tem, porque isso vai para os parceiros que vamos convidar, quem vamos homenagear, então, as coisas mesclam muito. Hoje, não existe uma Coordenação dentro do CDI e acho que está funcionando bem, tem duas pessoas novas lá no Rio, a Sheila e a Lívia, que são ótimas.

 

P/1- Em São Paulo, a Comunicação é feita como?

 

R- Em São Paulo, existia um coordenador de Comunicação até junho, mas aí a estrutura não estava comportando e o resultado também não estava sendo o esperado. Então, agora, nós estamos... Eu falo nós, apesar de não ser São Paulo, aliás, tinha que me policiar muito, porque estou em São Paulo, trabalhando dentro do escritório do CDI em São Paulo, mas sou da matriz e gosto de ser da matriz. Não por nada, mas me atrai muito esse negócio de trabalhar com a Rede toda. Eu falo, então, nós, porque acabo participando de uma serie de decisões do CDI São Paulo. A gente está vendo a questão de contratar uma Assessoria de Imprensa para fazer a parte externa e, a parte interna, a gente resolve aqui. Nós temos estagiários sociais. São dois alunos de Comunicação que não pagam faculdade, recebem a faculdade com a bolsa do estágio  que fazem aqui. São ótimos, fazem uma série de coisas com a gente aqui, então, é assim que a gente trabalha. Agora, acho que, para o futuro, a gente vai ter que pensar em outras formas.

 

P/2- Eu queria aprofundar um pouco na questão da captação dos recursos regionalmente, principalmente este papel de São Paulo. O recurso captado em São Paulo. Ele fica uma parte em São Paulo? Qual é a proporção mais ou menos, não precisa ser preciso.

 

P/1- Que critérios entram nessa distribuição também?

 

R- São Paulo, como os outros Regionais, pode fazer as suas parcerias. Aqui, em São Paulo, tem parcerias feitas. Essa parceria da Adams, que citei, é uma parceria local, aqui em São Paulo, com escola aqui, com dinheiro que vem para o CDI de São Paulo, coisas deste tipo. Quando você capta para São Paulo, por exemplo, no caso da Adams que existe essa coisa internacional, está em diversos países que nós também, estamos em outros estados brasileiros, a minha função, aí, é enxergar isso e tentar abrir este leque. É, mais ou menos, uma coisa assim, quando você capta para São Paulo, capto pra São Paulo olhando a Rede e, vice e versa, quando capto para a Rede, capto para São Paulo também. É o caso do Projeto  Philips e ________ fui eu que redigi aqui, em São Paulo, mas é um projeto para Rede onde São Paulo tem uma parte disso. Isso aí  depende muito do tipo de parceria, mas, o foco principal, é o seguinte, é estar em São Paulo captando para São Paulo, mas olhando para a Rede e captando para Rede, olhando para São Paulo, essa é a diferença básica. Agora, o que acontece geograficamente é que, por exemplo, a sede da Philips é em São Paulo, então esses assuntos são muito tratados aqui, __________ é, em São Paulo, se bem que o projeto foi primeiro para Califórnia, São Francisco, Londres. O da Philips passou aqui, depois foi para Holanda para aprovar, mas essas coisas acontecem muito aqui, então acho que a diferenciação é esta.

 

P/1- Eu gostaria que falasse um pouco, para ficar registrado, qual é o conceito de Franquia Social utilizado no CDI. Quais são os princípios, por que isso define toda a estrutura?

 

R - Isso é bem interessante. Aliás, como vim do Segundo Setor não tenho... As pessoas, às vezes, tem um certo ranço de algumas palavras, um pudor. Uma vez, escrevi assim: o produto social CDI... produto do CDI, são as escolas, são as escolas de informática e cidadania. "Nossa, isso, produto. Nós não temos produto." É, a gente não está vendendo isso mas, é na verdade, o que a gente produz.

 

P/1- Eu lhe mostro um texto de um francês que é exatamente esta tese de que fazemos produtos sociais.

 

R- Têm algumas _______ que são mais modernas. Nós não temos lucro, nosso lucro é social. Ninguém trabalha visando lucro, mas visa um lucro social para que essas escolas se desenvolvam, aumentem, tenham cursos novos e assim por diante. Não tenho nenhum pré-conceito, não gosto de preconceito, não tenho nenhum pré-conceito de usar essas palavras. A Franquia Social é mais ou menos nesta linha, aideia de pegar aquele modelo, que é testado, que foi bem burilado, que tem erros e acertos e permitir que seja facilmente multiplicado em outros lugares. Aquele CD-ROM da Franquia Social é um CD que tem aquilo que foi financiado por um projeto do... não sei se foi do BID ou do Banco Mundial, mas para produzir aquilo, pra ficar mais fácil a montagem de novos CDIs. O CDI, assim como a gente, não monta escola aonde quer, são as instituições que nos procuram para fazer a parceria. O CDI também não monta CDIs Regionais onde quer, são pessoas, lideranças regionais que se interessam pelo trabalho e vêm procurar. Quando vêm  procurar, recebem a receita de bolo. Esse modelo da Franquia Social falou, não quer dizer que aquilo seja a expressão da verdade, nem a garantia do sucesso, assim como não é você montar um Mcdonalds da vida, coisa deste tipo, mas é um bom encaminhamento. E a matriz procura dar este apoio de crescimento, por exemplo, capacitações, encontros, procura escrever projetos e captar fundos para, por exemplo, como este encontro que falei que estou indo hoje a tarde, que é uma maneira de fortalecer cada uma destas Regionais. Num país como o nosso, com uma Rede deste tamanho, é difícil a comunicação até para entender o que está acontecendo. Às vezes, a gente descobre umas coisas interessantíssimas em Regionais, um pensando uma coisa, o outro pensando a mesma coisa, mas se a gente juntar, a gente consegue resolver. A questão da franquia é essa: tem um modelo que se replica com facilidade e com uma expectativa de sucesso. Aideia é essa.

 

P/1- O princípio de autonomia e sustentabilidade são a base deste modelo. Qual é aideia?

 

R- Na verdade, cada CDI Regional, vou falar o que conheço. Cada CDI Regional assina um Termo, inclusive, desta Responsabilidade porque, na verdade, está usando a marca social, vamos dizer assim, mas são completamente independentes, com CNPJ próprios, Estatutos próprios, enfim, cada um segue as condições. Às vezes, tem CDI que é numa sala emprestada com dois ou três voluntários, e tem CDIs externamente profissionalizados e são os que dão melhor resultados, evidentemente. Eles são autogeridos porque, dentro de alguns princípios que a gente falou e que são relativamente poucos, cada um segue o seu caminho. Por exemplo, tem CDIs que acharam que têm uma demanda para cursos diferentes. Além de ter os cursos básicos, de ter a parte da cidadania, vamos dizer assim, tem curso de montagem de micro, de manutenção, de HTML e cada um vai. Têm trabalhos com deficiente visual, com deficiente mental, com jovens da Febem, presidiário. É autogerido porque cada um deles vai tomando o caminho, sempre recorrendo a Matriz. "Olha, já tem um trabalho disso, aideia é essa". E autosustentáveis porque  têm que buscar para começar este trabalho, têm que provar que tem condição porque, por mais que estes projetos nacionais, Philips e ______ outros, paguem algumas despesas de cada CDI regional, por exemplo: o projeto da Philips paga diversos coordenadores pedagógicos hoje, quase 90% da Rede têm  coordenador pedagógico contratado através deste projeto. Quando a Philips não pagar mais, o que acontece? Você vai fechar este CDI e vai deixar de ter um coordenador? Então, eles têm que buscar esse modelo da sustentabilidade, por isso que o CDI não monta Regionais onde quer, pelo contrário, quando tem condições vêm nos procurar e a gente procura multiplicar este mesmo modelo de um CDI regional, para aí, o CDI entrar com o computador em regime de comodato, com a capacitação dos educadores, com a capacitação do coordenador, com a metodologia, com a proposta política. Por outro lado, a instituição têm que provar, entre aspas, que tem condição de ter uma sala para abrigar a escola, que tenha ventilação, iluminação, energia, que consegue captar os móveis, as mesas, as cadeiras para colocar lá. É uma parceria e que desenvolva esse lado todo, essa habilidade...

 

P/1- E que também cubra os custos.

 

R- O custo, tanto da bolsa do educador, tinta para a impressora, pra papel. Agora, nada impede, por exemplo, conseguimos uma doação grande de papel. A Suzano deu seis resmas por escola. Nada impede que a gente dê este papel, que está sendo distribuído para o Brasil todo, quase todo. Por um problema de logística, para Manaus não foi, mas para o Brasil todo. Nada impede da gente dar este papel. Não é por isso, eles têm que procurar o papel. As impressoras, conseguimos um número muito grande, então, o ano passado,  a gente fez uma campanha e doamos impressoras para outras instituições que não tem nada a ver com CDI.  Às vezes, uma associação que tem um ______que precisava de uma impressora para parte administrativa. A gente não doa computador para área administrativa. Vira e mexe aparece uns pedidos aqui: "Olha a gente queria um computador…". A gente não doa computador, a gente monta escolas de informática. Às  vezes, você tem uma condição, no caso das impressoras, hoje mesmo a gente estava falando sobre isso, doar pra Abong [Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais]. Como a gente tem um número enorme de impressoras lá, vamos ver de ir passando estas impressoras para essas associações. É uma maneira de estender mais o trabalho. A gente sempre procura que estas associações que não são parceiras, num processo de seleção - que elas passam por um processo de seleção interno - mostrem que têm condição de se sustentar.

 

P/2- Quando entrou, qual era a situação do Desenvolvimento Institucional em São Paulo?

 

R- Acho que fui bastante feliz porque o Rodrigo Alvares, que tem um histórico muito legal, aliás, a gente faz uma dobradinha boa porque a gente troca experiências diferentes. Ele é o Coordenador de DI, então, dividimos a mesma sala. Hoje é uma mesinha no canto, num espaço metade desta sala que estamos aqui, então vivia o dia todo da coordenação e o Rodrigo tem uma coisa assim de ser muito aberto. Eu também tenho muito esse perfil. Não consigo ficar assim trabalhando por baixo do pano, as pessoas acabam olhando para minha cara. Ele participava de tudo que estava acontecendo. Ele, como coordenador. Então, fui absorvendo isso tudo muito próximo e muito rápido, então, foi muito legal. Estava num momento de um desenvolvimento geral desta área porque o antigo coordenador ficava no Rio, aí foi uma mudança de vir para São Paulo, foi uma experiência. Entrei no CDI pela porta da frente e isso me ajudou bastante.

 

P/2- E sobre a Mega Ajuda? Um pouco do histórico, como está agora.

 

R- A Mega Ajuda foi meu primeiro compromisso de trabalho no CDI, a Mega Ajuda de 2003. Porque o Baggio conversou comigo naquela entrevista que já citei e acertamos como uma experiência de dois meses, com uma ajuda de custo, só porque tinha que me deslocar de casa. Ele falou:  “Você começa na quinta-feira que é o lançamento da Mega Ajuda.” Na verdade, foi no dia 31 de julho e primeiro de agosto estava no escritório. Já tinha estudado algumas coisas, nesse ponto, já conhecia bem mais do CDI. Para fazer a entrevista com eles já tinha fuçado o site e já tinha entendido um pouco mais do que aquela primeira vez que tinha visto o Rodrigo falar. Foi a primeira vez que entendi o que era essa Mega Ajuda e uma coisa que chamou muita atenção, o trabalho é muito legal, tudo, mas tinha que ter depoimento de um educador, mas como este educador fala bem, aí sabia que era da comunidade e depois de passado um ano, só confirmou, porque uma das coisas que tenho mais prazer quando vou nas escolas é de ver pessoa como se põe bem, se apresentam bem, alunos e educadores que passaram pela capacitação. Eu acho isso muito interessante.   É um resultado que a gente não consegue medir, mas para mim é bastante claro. Outra coisa também que achei muito interessante de estar trabalhando num lugar que, confesso que tinha muito receio quando comecei a ver essas coisas aí de Terceiro Setor, justamente por esse histórico meu, até pela minha cultura, minha forma de ser, aí, vi que, no caso do CDI, tem uma parceria muito grande com este setor da economia em geral, com o Segundo Setor . Eu falei: "Poxa, não vou estar assim tão fora do espaço." A Mega Ajuda tinha esta questão. Até demorei um pouco para entender aquela mobilização toda. Ela acontece continuamente, mas é importante a gente fazer um evento todo ano pra reforçar isso, dar visibilidade. Lá onde a gente ficava, na Câmara Americana, era um espaço bom, mas era um espaço menor, então era ótimo, por exemplo, tinham dois banheiros, um de homem e um de mulher. Às vezes, tinha que fechar o banheiro de homem. Passa todo mundo a usar um banheiro só, porque não tinha lugar onde colocar a doação, então pegava o banheiro e colocava computador até o teto. Tinham duas salas só para o estoque grande. Em cima, eram os escritórios, não era um espaço pequeno. Tive a sorte de participar de todo este projeto da mudança e crescimento do CDI. Cheguei a fazer muitos layouts para o depósito, escritório conseguir aquele espaço, participei de tudo isso que, hoje, aquele espaço que a gente chama de Unidade Dois, que é o lugar onde recebe essas doações da Mega Ajuda, é uma referência na Rede. Faço questão de levar todas as pessoas que visitam o CDI lá, porque você vê uma coisa assim que chama a atenção, a equipe é muito boa também, então tem um cuidado muito grande. Esse ano teve novamente o lançamento, a gente está caminhando para uma coisa de qualidade,  porque, às vezes, o pessoal falava em doação, doar lixo, né, e não é por aí, porque lixo não serve para nada, então, estamos conseguindo uma conscientização maior, tanto é que, esse ano, criou-se uma categoria premiada em Qualidade, as maiores doações e as melhores doações. Outra coisa que acho muito legal na Mega Ajuda, que acontece, também, naquele espaço, é que ali você cria a possibilidade deste trabalho voluntário, então, a gente têm  no laboratório, os voluntários vêm trabalhar.  Qualquer hora que chega lá, têm uma pessoa de fora, de voluntário trabalhando. Outra coisa importante, falei que comecei a trabalhar dia primeiro de agosto, na semana da Mega Ajuda, então, foi na quinta, na sexta, fui para o escritório, no sábado, teve um mutirão. O mutirão também não sabia o que era, também voltei para casa, bobo. Era feito também em ________, agora vai ter uma no final do mês aqui, em São Paulo, mas era feito __. Pega aqueles salões, monta, que nem uma linha de produção e divide. Mas, no caso do pessoal que faz este serviço, muito caprichoso, tem até plaquinhas indicando cada setor, tem uma pessoa que recepciona, tem música, um ambiente assim que não sabia nem que existia. Então, comecei a juntar na minha cabeça este quebra-cabeça todo, pra entender um pouco onde estava caindo, caindo não, entrando.

 

P/2- Quem organiza este mutirão?

 

R- O CDI São Paulo é quem fica à frente, responsável é a Elaine, mas os outros CDIs também fazem mutirões em outros locais, assim como, este ano, a Mega Ajuda também. Uma outra novidade dela é que vai ser espalhada para os outros CDIs, passar qual CDI quiser, dentro daquela linha, com certa independência, mas exporta o modelo que dá  certo. Olha, para fazer uma Mega Ajuda como é que a gente faz: a gente faz um evento de lançamento, uma vez por ano. A gente faz cartazes, contatos através de telefone, possíveis doadores, manda correspondência,  faz um café da manhã para prestar conta. Aquele conceito que perguntou da Franquia  Social é mais ou menos isso. Outra coisa, não faça campanha de doação se não tem onde estocar, porque a gente já viveu esta experiência. É dar o caminho das pedras e, cada um, vai achando sua solução.

 

P/2- A Mega Ajuda é uma coisa de São Paulo?

 

R- De São Paulo que agora está sendo... A marca Mega Ajuda...

 

P/1- No Rio também tem.

 

R- Com o nome de Mega Ajuda não, mas esse ano é o primeiro ano que está espalhando. Agora, todos os Regionais, fazem captação de computador só que, não tem este rótulo Mega Ajuda e, na verdade, o que a gente está fazendo é isso agora.

 

P/2- A Mega Ajuda de São Paulo também manda para os outros Estados?

 

R- Manda.

 

P/2- E os Regionais tem isso daí ou eles se suprem?

 

R- Não, a gente manda para os outros Estados  porque não conseguem se suprir. Evidentemente, tem CDIs que arrecadam mais, outros menos, depende do local onde  estão. Você pega um CDI como Além Paraíba, é no Rio, divisa com Minas. Cidade pequena, não tem nem dá onde arrecadar. Mas tem gente lá que acha que este trabalho é importante e se dispõe a fazer este trabalho lá. Por isso que a Mega Ajuda é aqui, porque o volume de arrecadação é maior, então, pega isso, prepara esses computadores e manda. A gente procura atender estas demandas em outros locais. Não consegue atender 100%, mas sai muita coisa daqui. (Fim da fita 2). 

 

P/2- Além da arrecadação de equipamentos, que é a parte mais visível da Mega Ajuda, que outros resultados acha que o CDI obtém com isso?

 

R- Uma coisa que acontece muito é que a Mega Ajuda acaba sendo uma porta, um primeiro contato com possíveis doadores. Inclusive, é o tipo de doação mais fácil que têm. Às vezes, uma empresa, uma pessoa física, não sabe o que fazer com aquilo, então, ela pega e "Eu vi uma reportagem sobre alguma coisa que saiu no jornal, eu vou doar este equipamento." Quando chega a Mega Ajuda, aideia é pegar estas pessoas que durante o ano nos doaram, ir lá e cutucar, escuta ou, às vezes, a gente faz, no ano passado, por exemplo, a gente fez um café de prestação de contas da Mega Ajuda e convidamos tanto representantes da empresa como pessoas físicas que doaram, para virem no café da manhã, onde a gente fala: "Olha para aquele computador que você doou, nós fizemos isso, isso, isso e nós também estamos aberto para fazer parcerias". É muito importante porque, de repente, a Mega Ajuda abre esta possibilidade de novas parcerias. Começa namorando, aliás, começa ficando, doando computador, aí, depois, há a possibilidade de apoiar uma escola e depois fazer um projeto no CDI Regional e depois no Nacional e depois Internacional.

 

P/2- Mário, teve alguma coisa que não foi perguntada e que queria colocar? Algum ponto que queira ressaltar?

 

R- A única experiência é a minha pessoal mesmo, que têm sido assim uma descoberta todo dia. Mas do CDI acho que alguns desafios na minha visão, não necessariamente do CDI. Acho que fortalecer esta Rede, por exemplo, este trabalho que estamos fazendo aqui, têm esse objetivo, o Banco do Conhecimento pra você trabalhar uniforme, melhorar. Não que seja ruim, mas pode evoluir muito, usar as boas práticas. Têm  pessoas fantásticas que fazem parte da Rede, então, se a gente conseguir pegar isso tudo e disponibilizar isso de alguma maneira, é fantástico, esse fortalecimento da Rede. A gente usa muito este termo nos projetos, mas estou falando, no caso do CDI, um fortalecimento da Rede, desses vínculos, da forma de atuação desses Regionais, acho que é um passo muito claro. Outra coisa que vejo, existe uma demanda muito grande da sociedade, dessas comunidades que a gente trabalha, com relação à oportunidade de trabalho e geração de renda, economia popular, economia solidária, empreendedorismo social, que nome se queira dar a isso. Tem um campo que, acho que daqui um tempo, o CDI já faz, procura fazer isso, mas talvez vai ter que intensificar para ter um atendimento, porque acho que isso é uma decorrência natural do trabalho do CDI, já tem que ter esta preocupação, já tem que ter escrito projetos que viabilizem isso.

 

P/1- Criar uma parceria mais forte com empresas no sentido de absorver...

 

R- Isso tem que ser estudado. Tem um projeto nosso, que já foi aprovado, que prevê uma pessoa dentro do CDI Matriz para pensar nestas possibilidades de empregabilidade. Será que a gente poderia dar um curso a mais numa ______, onde poderia estagiar em alguma empresa, poderia prestar um serviço, poderia este tipo de coisa. Outro dia, fui em uma _________ aqui em São Paulo e a coordenadora estava me contando que têm  aqueles projetos das Padarias do Governo do Estado. Montou um grupo de mães e estavam trabalhando nesta padaria e chegaram à conclusão de que uma sabia decorar bolo, outra sabia fazer salgado, fazer pão, então, aquele negócio da padaria podia render muito mais. Começaram, então, a formar este grupo para desenvolver isto neles, chegaram a conclusão, então, que seria importante conhecerem informática porque poderia fazer orçamento, poderia mandar uma proposta por e-mail, poderia pesquisar receita na Internet. E formar um grupo de mães numa Cooperativa. Isso é o desenvolvimento mesmo regional, pessoal. Sempre acreditei em qualquer forma de educação, mas que seja uma educação que abra a cabeça das pessoas, porque daí cada um sabe o que é melhor para si do que aquela coisa, educação bancária, foi um termo que aprendi aqui.

 

P/2- O que acha de ter dado este depoimento?

 

P/1- Aideia do projeto também.

 

R- A ideia do projeto acho ótima porque estou participando dele desde a concepção, ainda não nasceu, vai nascer em março. Eu gosto e isso acabou ficando na minha mão porque estou mais próximo aqui, fica na minha mão em termos, adoro este tipo de coisa. Espero que a gente consiga atingir os resultados que está se propondo a fazer. Como não conheço muito ainda, estou achando muito legal. Outro dia, quis ir ver lá, como é que estavam fazendo a entrevista para entender como é que funciona tudo. Sobre o projeto, nossa é... fico imaginando outras coisas, outros projetos que vi, no caso do Museu da Pessoa, principalmente aqueles de história de bairro. Adoro este tipo de coisa, histórias da comunidade, histórias de bairro, quanta coisa rica que consegue tirar. Aqui, a gente está  procurando casar tanto a riqueza das histórias com o conhecimento que isso daí gerou, para ser difundido depois. Com relação ao meu depoimento, acho que é legal, gosto de falar do CDI. Outro dia, fui para casa pensando aquele dia que estivemos juntos com o ______, que a Sônia me perguntou: “Quanto tempo você tem de CDI.” “Eu vou fazer um ano agora”. Todo mundo ficou espantado. Aí o Baggio falou: “Mas ele parece que tem mais.” Puxa, isso acho legal, porque acho que falo com propriedade e gosto, então, toda vez que tenho uma oportunidade de falar do CDI. [riso]. Para mim, está sendo uma experiência ótima, mais uma para colocar naquele caderninho de mudança de vida.

 

P/1- A gente queria agradecer em nome do Museu da Pessoa.

 

R- Um prazer.

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