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O que mais me marca é ter contribuído com pessoas que hoje produzem carreiras e ajudam outras vidas

História de: Edison Daniel da Silva
Autor: Raquel
Publicado em: 09/06/2021

Sinopse

Infância em São Paulo. Falta de água encanada e energia elétrica. Primeiro emprego. Vestibular da USP. Graduação e pós-graduação. Entrou na Alcoa em 1972. Início de operações da Alumar no Maranhão. Esposa e filhos. Dificuldades em coordenar uma fábrica. Estados Unidos da América. Questões ambientais. Projetos na Guiné.

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História completa

Projeto Trajetória Alcoa Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Edison Daniel da Silva Entrevistado por Cláudia Fonseca e Maria Lenir Poços de Caldas, 07 de maio de 2008 Código: AL_HV011 Transcrito por Vanuza Ramos Revisado por João Vitor Muricy P/1 – Edison, então, eu queria começar a entrevista com você dizendo o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento. R – Meu nome é Edison Daniel da Silva, eu nasci em São Paulo, 20 de dezembro de 1943. P/1 – Hoje você tem que atividade na Alcoa? R – Atualmente eu sou consultor da Alcoa, prestando serviços aqui em Poços de Caldas e em São Luís, no Maranhão. P/1 – Consultor em que área? R – Na área de gestão. P/1 – Tá. Mas você foi funcionário da Alcoa? R – Fui. Eu fui funcionário da Alcoa durante 30 anos, aproximadamente. Começando aqui em Poços de Caldas e terminando numa atividade nos Estados Unidos. P/1 – E o nome dos seus pais, Edison? R – Meu pai chamava-se Aristides José da Silva e minha mãe, também falecida, Isaura (Franzine?) da Silva. P/1 – Qual era a atividade de seus pais? R – Meu pai era alfaiate e minha mãe era o que hoje é chamado de sacoleira. Ela vendia roupa na rua e ajudava meu pai que era alfaiate. P/1 – A sua família é aqui de Poços? R – Não. P/1 – Aliás, você é de São Paulo. R – Eu sou de São Paulo. P/1 – Então, você nasceu em São Paulo e essa atividade é toda em São Paulo? R – Tudo em São Paulo. O meu pai é gaúcho, de Porto Alegre, a minha mãe é nascida aqui no interior de São Paulo. O que restou da minha família continua em São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. P/1 – Você tem irmãos? R – Tenho uma irmã. P/1 – Na sua infância, lá em São Paulo, vocês moravam onde? R – Eu sempre morei em São Paulo, entre o Alto do Ipiranga e o Bosque da Saúde. Foi onde eu nasci, estudei por ali e sempre vivi naquela região. P/1 – Como é que era na época da sua infância, juventude? R – Essa região de São Paulo era uma região interessante. Não tinha água encanada, não tinha luz elétrica, não tinha telefone e não tinha asfalto, né? E eu morava numa chácara que ficava na avenida que hoje se chama Avenida Cursino — que por sinal, hoje, é uma avenida bastante importante ali daquela região. Era uma chácara muito grande e eu era garoto e eu me divertia naquela chácara, vocês vão ver o quanto tempo faz isso, com corridas de charrete! P/1 – Nossa [risos]! R – A Avenida Cursino tinha um outro nome na ocasião: era Avenida Diogo Welsh. Enfim, era uma região considerada fora da cidade, muito bonita por sinal; e eu tive aquela infância gostosa, de brincar na rua, jogar futebol, usava estilingue e, enfim, subia nas árvores — coisa que hoje, em São Paulo você não encontra mais, a não ser em cidades do interior do estado e tal. P/1 – Como é que era o cotidiano da sua casa? R – Bem, o meu pai era alfaiate pra roupas profissionais e então ele fazia fardas do exército, da polícia e algumas fardas profissionais que estavam começando naquela época, como fardas de empresas e tal. Então era um trabalho que hoje é feito por máquinas, né? Aliás a profissão de alfaiate quase não existe mais. Então o trabalho do meu pai era árduo, e minha mãe vendia roupa. Ela comprava roupa na Rua José Paulino, 25 de Março, Maria Marcolina; aquela região que hoje ainda é um lugar que vende muita roupa em atacado e tal. E ela vendia pro pessoal. O cotidiano era muito simples. Era uma família..., eu não diria pobre, mas era uma família de classe média baixa. Nós frequentávamos a igreja, meu pai era presbítero de uma igreja presbiteriana e era uma rotina muito comum a todas as famílias naquele nível social em que a gente vivia. P/1 – O seu pai trabalhava em casa ou ele tinha uma alfaiataria? R – Ele trabalhava em casa. P/1 – Você e sua irmã ficavam lá olhando ele trabalhar? R – Eu ficava olhando meu pai trabalhar. Ele nunca me ensinou a profissão de alfaiate, ele não tinha paciência. Eu ficava ajudando principalmente a minha mãe. Principalmente depois dos nove, dez anos — eu era um tipo de entregador. Eu entregava as roupas que minha mãe vendia e eu também fazia cobranças. Minha mãe tinha um caderno, onde tinha todas as freguesas e tal, e ela indicava os endereços e eu ia fazer as cobranças. Na época, era bastante seguro pra se fazer esse tipo de coisa [risos]. P/1 – Um menino, né, fazendo isso? R – É, eu era garoto e isso foi dos..., talvez dos oito, nove anos até os 20 anos, mais ou menos. Eu tinha esse apoio à minha mãe, entende? P/1 – E as pessoas pagavam direitinho, não tinha problema? R – Pagavam, pagavam. Honestamente eu não me lembro de a minha mãe ter tido os chamados "calotes importantes". Ela era uma pessoa muito simpática tal, as pessoas gostavam. Ah, sim, ela tinha uma outra atividade que fazia com que essa amizade com as freguesas fosse um pouco mais sólida: a minha mãe aplicava injeção. Esse era um negócio na época que você tinha que ir em farmácia, mas era muito longe e tal, e os vizinhos e amigos usavam a experiência dela pra tomar injeção. Então essa era uma atividade que ela não cobrava, mas que, de certa forma, fortalecia aquele vínculo com as freguesas e com os vizinhos. Mais ou menos era essa a atividade. Até que eu entrei pra faculdade e aí as coisas tomaram outro rumo. P/1 – Mas todo o seu ensino básico foi feito por ali? R – Foi. P/1 – Em que escola você estudou, você se lembra? R – Eu estudei numa escola, ali na Avenida Cursino, chamada Doutor Antônio de Alcântara Machado. Eu fiz o primário ali e depois eu fiz o chamado ginásio e científico, na época, que é hoje colégio, né? Eu iniciei num colégio particular, chamado Ateneu Brasil. E depois eu passei para as escolas estaduais: a Alexandre de Gusmão, que era na Rua Sílvio Bueno ali no Ipiranga; e o colégio Visconde de Itaúna, onde eu fiz o científico na época. P/1 – Dessa fase de ensino básico, algum professor lhe marcou? R – Marcou. No primário. Me marcou uma professora do segundo ano primário. Eu devia ter oito anos, nove, e eu era apaixonado pela professora. P/1 – Você lembra o nome dela [risos]? R – Dona Lourdes. “Dona”, mas era moça, era jovem e tal, e eu era tão apaixonado, mas eu tinha oito, nove anos. Um dia levei o meu tio, que era jovem, um rapagão, acho que uns 20 e poucos anos, pra apresentar à minha professora. Porque eu queria que o meu tio namorasse ela. E me lembro até, vagamente, da cena, meio, assim..., um pouco de constrangimento. Isso no primário. No colégio, o que me marcou foi uma professora, dona, doutora..., professora Maria Mamana, o nome dela. Ela era professora de química e foi a professora com quem eu me impressionei bastante, embora eu não fosse muito bom aluno, eu gostei da maneira de ela dar aula e gostei da matéria em si: química. Foi aí que eu comecei a considerar seriamente fazer química. E química pura, não é? E foi o que eu acabei fazendo na Universidade de São Paulo (USP). Essa foi na época de colégio, tal. Um outro evento marcante foi que os meus pais eram presbiterianos e eu era muito presunçoso com relação à minha condição de presbiteriano, né? Na classe, no primário e no ginásio, até os meus 11, 12 anos, eu fazia questão de me afirmar como diferente: "Eu não sou católico. Eu sou presbiteriano." E o que marcou foi que naquela época havia uma campanha para a construção das torres da Catedral de São Paulo. Porque a catedral foi construída, mas demorou um tempão — não é do tempo de vocês, eu acho — mas demorou um tempão, até que ficaram faltando as torres. E a Igreja Católica lançou uma campanha para a construção das torres, né? E aquilo foi anunciado na escola. Então eu cheguei em casa e falei pro meu pai: "Pai, escuta, a campanha das torres e tal, o senhor acha que eu devo contribuir?" Aí meu pai, presbiteriano, disse assim: "Não, você deve. Independentemente de ser uma Igreja Católica, isso é um monumento importante para a cidade, para o país." E eu cheguei na escola e dei X para as torres. O professor de História pegou aquilo — porque na época existia ainda esse ranço entre protestante e católico que não existe mais hoje, mas na época existia —, esse professor pegou aquilo e usou isso na escola inteira. Quer dizer, eu fiquei famoso na escola por ser aquele garoto protestante, mas que acreditava na importância histórica do monumento etc. Discurso do professor (Calazans?), né? Esse foi outro evento de escola que marcou. Dessa fase até o colégio, acho que esses foram os eventos que me marcaram. P/1 – Você disse que uma professora lhe influenciou para a química. Você já foi direto na faculdade para o curso de química? R – É, eu fui direto fazer química. P/1 – Você acha que foi diretamente ela quem te despertou para essa atividade? R – Olha, eu confesso que, naquela época, eu acho que isso acontece com todo mundo que tá com 15, 16 anos, você não sabe exatamente o que você quer. Essa história de dizer assim: "Não, eu, desde que nasci...", eu não acredito muito nisso. E eu também tinha essa indecisão. Eu achava que a profissão de médico era uma profissão interessante. Mas eu achei que química era algo que eu gostava e era algo que eu podia de imediato começar a atuar, trabalhando como professor. P/1 – Ah, você tinha essa visão de já começar a atuar? R – Eu tinha essa visão até por razões econômicas envolvidas na história, não é? E foi o que aconteceu. Eu entrei na faculdade e logo no segundo ano eu passei a dar aula particular de química. P/1 – Você entrou na faculdade com que idade? R – Ah, eu entrei tarde, eu entrei com 21 anos. Porque em São Paulo, na época, só tinha a Universidade de São Paulo que tinha química. Então era dificílimo entrar, eu pastei dois anos em vestibular. E um ano eu não fiz, eu trabalhava na Willys-Overland do Brasil — uma fábrica de automóveis que a Ford comprou — eu ganhava bem, e eu achei que não ia mais estudar, mas depois resolvi voltar aos estudos. E foi aí que eu voltei a fazer vestibular e passei. Eu entrei com 21 anos, saí com 27. P/1 – Então fez todo o curso na Universidade de São Paulo. R – Fiz todo o curso na Universidade de São Paulo. P/1 – Como era o curso na época, era muito puxado? R – Esse curso é bastante até hoje. Primeiro, é difícil entrar, porque só existia a USP em São Paulo. Segundo, a outra localidade que tinha química era em Araraquara. E aí houve um lance marcante na minha vida. Mas o curso, respondendo a sua pergunta, era um curso muito — e acho que até hoje — puxado, entendeu? É de tempo integral, é um curso que a semana toda você fica lá e trabalho de laboratório intenso, obviamente. Enfim, eu acredito que ainda seja um curso extremamente puxado como qualquer curso dentro da Universidade de São Paulo, né? P/1 – Quero voltar um pouco. Qual foi o lance marcante? R – Ah, o lance marcante! Eu nunca fui um grande aluno, daqueles de nota nove, dez. Não fui. E eu tive dificuldade no vestibular, eu fiquei dois anos sem conseguir entrar. No terceiro ano eu tive essa oportunidade de fazer vestibular em Araraquara, que era a única alternativa. Então eu prestei vestibular na USP e prestei vestibular na Unesp dessa outra cidade. Saiu o resultado de Araraquara e eu passei lá; e o resultado da USP só iria sair dali duas ou três semanas. Aí eu disse pros meus pais: "Olha, eu vou para Araraquara, porque na USP eu não passo.” Eu já não passei dois anos, eu não vou passar agora também, né?" E, nessa época, a melhor maneira de ir pra Araraquara era de trem, a Companhia Paulista de Trens. Eu peguei um trem às 5 horas da manhã na Estação da Luz. Comprei a passagem e comprei um jornal pra ir lendo. Quando eu abri o jornal, eu vi que a Universidade de São Paulo tinha divulgado os resultados do vestibular com duas semanas de antecedência e eu estava incluído entre os 50 aprovados. Quer dizer, pra mim e para os meus pais foi, né?... Porque seria um problema econômico eu ir pra Araraquara e tal. E pra mim foi marcante — 6 horas da manhã eu cheguei em casa de volta e foi uma festa. P/1 – Que festa, hein? R – É, esse foi um momento marcante antes de começar a fazer faculdade, né? P/1 – Então você largou o seu emprego? R – Larguei. P/1 – Esse anterior foi o seu primeiro emprego? R – Não. P/1 – Não? E qual foi o primeiro emprego? R – Meu primeiro emprego foi quando eu tinha 13 anos e meu pai achou que eu devia estudar datilografia. Eu tenho diploma de datilografia, com honra ao mérito. Também tenho outro diploma de operador de máquina xérox 2900 [risos]. Quando eu terminei o curso de datilografia, o dono da escola — era uma escolinha, essas de bairro — perguntou se eu podia trabalhar como auxiliar do curso de datilografia. Então esse foi o meu primeiro emprego. Eu trabalhei nessa escola como auxiliar de professor de datilografia. P/1 – E o que é você fazia, Edison? Pegava papel, trocava fita? R – Não, na época..., também. Na época esses cursos de datilografia tinham um livrinho e os alunos tinham que ir seguindo aula por aula. Eu ajudava quando a máquina enroscava, quando precisava recolocar papel, trocar de máquina — porque elas enguiçavam e tal —, eu controlava o tempo e também o pagamento mensal. Eu era um tipo de meio-professor, meio-secretário da escola. E então eu fiquei nesse colégio não mais como professor — entre aspas — de datilografia, mas eu fiquei como secretário. Porque a escola tinha atividades na área, o que na época a gente chamava de secretariado. Então dava aula pra jovens que queriam ser secretárias e tal. Aí eu me tornei secretário. Quer dizer, eu fazia todo o controle de boletins, documentos da escola, documentos dos alunos, matrícula, saída, essa coisa toda. E aí, nessa escola, eu trabalhei em vários lugares, porque o proprietário tinha várias escolas. E eu trabalhei como secretário desse colégio dos 13 aos 18 anos. Então eu trabalhei em banco. Trabalhei no Banco Mercantil de São Paulo, um ano. Trabalhei no Banco da Bahia, que nem existe mais porque foi comprado pelo Bradesco, um ano. E depois eu trabalhei na Willys-Overland do Brasil, eu era auxiliar na área de seleção de pessoal. P/1 – Eles, na época, eram ali no Ipiranga? R – Em São Bernardo do Campo. P/1 – Em São Bernardo já? R – É, ali no Ipiranga era a DKV e a Ford. A fábrica da Willys ainda existe, mas com o nome de Ford. Fica ali em Rudge Ramos. P/1 – E você foi pra lá como? Através de um anúncio de jornal, algum tipo de seleção? R – Não. Um dos professores da escola foi trabalhar na Willys e em uma ocasião ele me encontrou e falou: "Olha, nós estamos precisando de gente pra lidar com o público na área de seleção pessoal e como você já tem essa experiência de — entre aspas — professor e tal." Ele me convidou e foi aí que eu fui pra lá, entendeu? Aliás, um dos professores da época chama-se Nemércio Nogueira que mais tarde eu vim encontrar na Alcoa. Eu era secretário e ele era professor de inglês num curso de secretariado. E muitos anos mais tarde eu encontrei com ele aqui na Alcoa. Hoje ele continua nessa empresa. P/1 – Continua na Alcoa. E como era esse seu papel de selecionador de pessoas? Tinha uma grande procura, já que estamos falando já dos anos 1960? R – Isso é. Exatamente, é 1966, né? P/1 – Metade de 1960, é isso? R – É. Sim. Na época, a Willys já fabricava o Jeep Willys e fabricava uns carros chamados Gordine, Dauphine..., mais tarde fabricava um carro chamado Aero Willys, Rural Willys, e começou a fabricar o Corcel. Tinha 11 mil funcionários, era muito grande, quer dizer, o processo de montagem de automóveis na época não era tão automatizado como era hoje. Então as fábricas, na época, tinham mais gente do que tem hoje, produzindo menos. Portanto, a minha função era extremamente dinâmica. A gente botava pra dentro 100 pessoas numa semana, na outra semana mais 100, dali três meses demitia 100, enfim, porque a produção era uma coisa muito variável. E minha função era entrevistar pessoas, como eu era..., eu tinha só 18 anos, 19..., e eu entrevistava mecânicos, eletricistas, ferramenteiros etc. E tinham, obviamente, outros entrevistadores que entrevistavam engenheiros e pessoal de nível mais alto. P/1 – Esse pessoal que você entrevistava vinha de onde? R – Esse pessoal vinha basicamente do Grande ABC, não é? Ali na região: Santo André, São Caetano do Sul, Diadema, Eldorado, por ali. Alguns vinham do Nordeste. P/1 – Tinha mesmo essa coisa dos migrantes nesse período? R – Tinha. Porque na época a linha de montagem era um negócio extremamente primário, entende? Era o cara que pegava o pneu número três e colocava atrás; e ele ficava fazendo isso o dia inteiro. Ou então que apertava aqueles dois parafusos da bateria, era extremamente manual a montagem de carro. Então não exigia nenhuma especialização. E tinha um fluxo grande de pessoas do Norte, Nordeste, de Minas. Era complicado nas áreas técnicas. Tinha uma profissão, que até hoje é uma profissão tecnicamente sofisticada, que se chama ferramenteiro. E essa era um dos desafios da época, a gente tinha que sair correndo atrás, entregando carta, convidando e tal. P/1 – Pegando profissionais de outras empresas da indústria automobilística? R – É, existia um código de ética aí, como deve existir até hoje, que você não pegava alguém que estivesse trabalhando na Ford, por exemplo, ou na General Motors. Na época tinha uma empresa chamada Simca — era uma empresa francesa —, e existia um certo código de ética aí. Mas essas empresas também tinham altos e baixos em matéria de produção, então tinha muita gente que entrava e saia. E, de um modo geral, a gente admitia aqueles que tinham saído. Mas isso não era tão rigoroso assim, não. P/1 – Daí você parou, foi fazer química e teve que parar de trabalhar? R – É. Não. O que eu fiz foi o seguinte: por razões econômicas, no primeiro ano eu não conseguia trabalhar, mas eu consegui, eu fui ao Lions, descobri quem era o presidente do Lions do Ipiranga, fui lá, pedi uma bolsa. E eles me deram uma bolsa que durou dois anos. Era suficiente pra ônibus e alimentação, não é? No final do segundo ano eu comecei a dar aula à noite em colégio estadual, e dei aula ainda por muitos anos em colégio estadual..., foi em São Caetano..., mas agora me falha o nome do colégio. P/1 – E como era ensinar química em colégio do estado? Ainda estamos aí nos anos 1960, não é isso? R – Aí já era 1969, 1970. P/1 – Como é que era nessa época? R – O colégio era..., é, muito grande, tinha 5 mil alunos; e eu dava aula pro primeiro científico à noite. Então nós tínhamos, acho que, umas dez classes de primeiro científico. Então, eu dava a mesma aula dez vezes, né? Talvez, sob o ponto de vista profissional, foi uma das experiências mais importantes, porque, na realidade, quando você dá aula você aprende muito mais do que os alunos. Isso é um chavão que todo professor usa, mas é verdade, é isso mesmo. Foi uma das experiências mais importantes. Porque aí não é só você dar aula, é você lidar com os jovens, porque no colegial, no científico à noite, tinha gente de 14, 15 anos, mas tinha gente de 18, 19. Uns caras que ficaram pra trás na escola, no tempo. E tinha todo aquele contato com a sala de professores, com a direção da escola, com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, que a gente tinha que prestar informações e relatórios e tal. Foi crucial sob o ponto de vista econômico, mas foi, talvez, uma das grandes escolas sob o ponto de vista profissional. Quer dizer, aprender a lidar com essas variáveis..., e acho que foi extremamente importante. P/1 – Daí você se formou. E como é que a Alcoa surgiu nessa sua trajetória? R – Sim. E a Alcoa surgiu quando eu estava fazendo pós-graduação, porque eu achava que eu devia continuar a faculdade e tal, provar pra mim mesmo que eu queria, que eu seria capaz de ser um cientista. E então eu comecei a fazer pós-graduação numa área petroquímica. E, quando eu estava uma tarde no laboratório, apareceu lá uma funcionária da Alcoa, que vocês já entrevistaram ou vão entrevistar, chamada Marília Gonzaga de Lima e Silva. P/1 – Hoje à tarde, não é? R – É. A Marília. Ela era supervisora de recursos humanos dessa fábrica aqui. E ela apareceu lá pra entrevistar pessoas pra virem trabalhar no laboratório aqui. Ela foi lá porque o primeiro químico que trabalhou nessa fábrica era uma pessoa formada na Universidade de São Paulo, o Renato Amaral. E ele resolveu mudar, ele foi trabalhar na Cetesb [Companhia Ambiental do Estado de São Paulo]. E então ela foi lá entrevistar alguém para substituir o Renato. E foi assim que aconteceu: ela entrevistou rapidamente eu e mais uns quatro ou cinco, e aí, depois, nós viemos aqui fazer a entrevista. Eu fui entrevistado por dois americanos que eram na época os responsáveis pela operação da refinaria e tal. P/1 – Mas por que é que você decidiu participar desse processo? Você não estava querendo ser um cientista? R – É, eu queria ser. Mas como nunca fui um grande estudante, logo me convenci de que eu acabaria não sendo um bom cientista, entende? E o orientador, que era o doutor (Rêmulo Tiola?), me aprovou com algumas ressalvas [risos]. E aquilo ficou marcado. Foi então que eu percebi que acho que o melhor era eu me dedicar a alguma coisa que eu sabia fazer, porque eu era químico, mas, mais do que isso, eu tinha facilidade de comunicação, facilidade de lidar com o público e tal. E aí quando me acenaram com a possibilidade de chefiar um laboratório, eu percebi logo, eu falei: "Bom, eu vou ter uma contribuição técnica, mas acho que talvez a minha facilidade de lidar com gente vai me ajudar bastante". P/1 – Daí você veio pra Poços de Caldas fazer esse processo seletivo com dois americanos. Você lembra o nome deles? R – Lembro. O primeiro deles chama-se - chamava-se, ele faleceu há pouco tempo - (Orthwell Zafira Fansler?), ele era o meu chefe imediato. E o outro, que era o gerente da refinaria, é um que tem na fotografia ali, chamava-se, ou, chama-se, ele é vivo ainda, Donald Applegate. Eles é que me entrevistaram. P/1 – Você foi aprovado e entrou em qual função na época? R – Fui. Na época, o chefe do laboratório era um dos americanos, o senhor Fansler. E eu entrei como um assistente dele. Depois de alguns meses faleceu o responsável pelo laboratório da fábrica na Jamaica. E pediram para que esse americano, o Fansler, fosse pra Jamaica. Aí, o substituí e me tornei o chefe do laboratório aqui da fábrica. P/1 – E qual era a sua atividade no cargo? R – Bom, isso que vocês já viram andando por aí, né, esse é um processo de fabricação de óxido de alumínio e aqui atrás é um processo de fabricação de alumínio, propriamente dito. Então, esse processo tem várias etapas. Tanto esse processo como o processo que eles chamam aqui de redução. Ele tem várias etapas. E essas etapas têm variáveis físicas: pressão, temperatura, fluxos; e têm variáveis químicas, que são: concentração de determinados produtos, de determinados reagentes etc. Tanto as variáveis de caráter físico, como as variáveis de caráter químico são controladas através de análises, locais ou através de amostras que são levadas ao laboratório. Então, essa é a função do laboratório. Ele recolhe amostras do processo e verifica se cada etapa desse processo está dentro de determinados parâmetros operacionais adequados. P/1 – O tempo inteiro se faz isso? R – Vinte e quatro horas. 365... E as outras funções do laboratório, além dessa, é cuidar do controle de variáveis ambientais: qualidade do ar, qualidade da água, qualidade da vegetação aqui em torno da fábrica, tal. E um pequeno trabalho de pesquisa — na época era pequeno, hoje já é bem mais extenso. Desenvolvimento de alguns produtos, desenvolvimento de alternativas de processo e tal. Esse era, e continua sendo, obviamente, o trabalho do laboratório. P/1 – Você entrou na década de 1970? R – Dezembro de 1972. P/1 – Dezembro de 1972, a fábrica tinha dois anos de partida. Que impressão você teve quando chegou aqui? R – Primeiro, uma grande surpresa, porque o nome da fábrica era Alcominas e quando eu fui entrevistado em São Paulo não me disseram com a devida clareza o que é que era, eu achava que era uma fábrica de álcool [risos]... Alcominas, não é? Essa foi a minha primeira surpresa aqui. Enfim, eu não tinha uma grande exposição. Eu tinha visitado fábricas etc., mas eu achei tudo muito grande: bombas enormes, tanques enormes. Quer dizer, a primeira impressão foi uma impressão de uma certa perplexidade para o tamanho. Que na realidade, hoje, isso aqui é pequeno, não é? Mas, na época, pra mim, isso era grande. Essa foi a primeira impressão. P/1 – Já que a gente tá falando de primeiras impressões, o primeiro dia de trabalho, você lembra? R – Lembro. No primeiro dia de trabalho eu cheguei aqui e fui atendido pela secretária do gerente geral da fábrica, Lucila Casseb. E ela me orientou onde parar o carro — eu tinha um carrinho na época que não era meu, era do meu pai, um fusca, e... P/1 – Que ano era o fusca? R – Era 1969. Era um fuscão vermelho. E a Lucila me orientou onde parar o carro e tal, e ela era meio-chefe, porque a secretária do chefe da fábrica vira meio-chefe, não é? Mais tarde é que eu vim conhecê-la melhor, é uma excelente pessoa, eu tenho encontrado com ela até hoje. Eu me lembro do primeiro dia, eu acabei sendo entrevistado novamente, por um outro norte-americano. Eu falava inglês porque o meu pai, quando eu tinha 13 anos, achou que eu tinha que fazer datilografia e também achou que eu tinha que estudar inglês, né? E eu estudei inglês durante dois anos na Cultura Inglesa, dos 13 aos 15 anos, 16. Então, eu arranhava inglês e tal, mas eu fiquei surpreso de mais uma entrevista. E aí eu fui apresentado ao pessoal do laboratório e o que é que eu ia fazer, o que é que eu não ia fazer, tal. Agora o marcante foi a saída: eu saí, pedi carona para um indivíduo, que se chama José Carlos (Cardino?), que é advogado aqui em Poços de Caldas. Ele me deu carona de volta, porque eu tive um problema com o carro e eu tive que ir até Poços arrumar alguém pra me ajudar. O primeiro dia não teve grandes lances, não. P/1 – Então voltando à questão da trajetória. Esse seu chefe do início saiu, você assumiu a chefia do laboratório... R – Assumi a chefia do laboratório... P/1 – Mas tinha uma equipe que você cuidava? R – Tinha, tinha. O laboratório tinha uns 30 funcionários, mais ou menos, na época. E eu fiquei nessa função durante uns quatro anos. Depois eu mantive a função, mas ela foi expandida pra chefia de engenharia de processo. E depois, aqui em Poços mesmo, eu fui promovido à gerente da refinaria, que é essa área aqui. Depois, em 1982, eu saí, depois de 9,5 anos aqui em Poços, eu saí e fui transferido para uma fábrica nos Estados Unidos. Pra fábrica de Point Comfort, na qual eu era responsável pelo laboratório, pela engenharia de processo e por um porto. Essa fábrica fica ali no Golfo do México, no Estado do Texas. Veja como é que é a história: O porto recebe bauxita da Guiné, isso em 1982, eu fiquei responsável por ele, pra onde eu fui em 1999 [risos]! Mais tarde. E eu fiquei lá durante dois anos e eu fui transferido pra São Luís, como gerente da refinaria que estava terminando a construção e em início de operações. (Troca de fita) P/1 – Então, eu pedi essa interrupção pra gente começar esse assunto novo da sua transferência pra Alumar, mas antes eu queria voltar. Como se deu o convite de você ir para os Estados Unidos? R – A companhia começou com um plano de expansão, não é? E a primeira grande expansão foi a construção da Alumar, que é lá em São Luís; e nessa época, 1982, a construção da Alumar já tinha sido iniciada. E era necessário preparar profissionais pra fazer aquilo funcionar, pra operar aquela fábrica que, já naquela ocasião, era um investimento fabuloso. Pra vocês terem uma ideia, o investimento inicial na Alumar, em São Luís, foi de US$ 1,7 bilhão. É um monstro. P/1 – Nossa! Só na fábrica? R – Só na fábrica. P/1 – Ou em todo o processo, desde a mineração... R – Não, não, só na fábrica. P/1 – Nossa! R – E era necessário desenvolver profissionais pra fazer aquilo funcionar, não é? Essa foi, com certeza, uma das razões, se não a principal razão pela qual, não só eu, mas outras pessoas foram enviadas pra várias fábricas nos Estados Unidos. E eu fui pra essa lá em Point Comfort e uma das razões de eu ter assumido uma responsabilidade num porto lá, é porque em São Luís tem um — estava sendo construído um porto na ocasião, e na Alcoa, aqui no Brasil, não tinha ninguém que entendesse de porto. Então precisava de alguém que conhecesse alguma coisa pra fazer aquilo andar. P/1 – O que é que você chama de "entender do porto", "fazer aquilo andar"? R – A atividade portuária é uma atividade distinta, ela não é uma atividade que se assemelhe muito a uma atividade de produzir alumínio, não é? E, dentro da Alcoa, no Brasil, na época, nós não tínhamos, no corpo de funcionários, pessoas com visão e experiência nessa atividade — que é uma atividade distinta. Nós tínhamos profissionais, como eu mesmo, que já conheciam o suficiente pra fazer com que o processo de fabricação andasse. Mas não uma atividade que tem implicações várias, com Marinha, com o Ministério dos Transportes, com a própria situação portuária local, que no caso de São Luís, que tem vários outros portos... E, a atividade em si, de receber navio, lidar com tripulações de navio etc. Então, é isso o que faltava: experiência. Isso é que eu adquiri, em grande parte, durante o tempo em que eu fiquei em Point Comfort. P/1 – Então o senhor foi pra Alumar e aí ela estava quase pronta? R – Na Alumar estava terminando a construção, e eu fiquei lá no final da construção e o início de operação. O início de operação de uma fábrica é um evento fabuloso, em todos os aspectos, tem dificuldades, desafios etc. Eu lhe diria que se eu tivesse que destacar na minha vida profissional um dos eventos, talvez, dos mais importantes na minha vida profissional, foi ter participado do início de operações daquela fábrica imensa e naquela região com todas as dificuldades inerentes à região, que é São Luís. São Luís não tinha tradição nenhuma em termos de mão-de-obra industrial, nós tivemos que treinar, criar profissionais pra cuidar dessa atividade e isso tudo foi uma experiência extremamente enriquecedora, entende? E outra, lá nós tínhamos umas "nações unidas". A Alcoa, pra fazer aquilo andar no começo, trouxe gente da Jamaica, do Suriname, da Austrália, dos Estados Unidos, da Holanda, e então você tinha todas as outras dificuldades que você pode imaginar de lidar com gente de vários lugares do mundo e várias culturas, várias experiências, que, em alguns casos, ajudava, em outros casos não ajudava. P/1 – Dá pra contar um exemplo? Por favor [risos]... R – Ah... Havia dificuldade de caráter técnico, operacional, mas, assim, o interessante não foi... se eu contar ela não tem um grande atrativo. Agora um grande atrativo foi a dificuldade de moradia e a dificuldade que envolveu as esposas. Nós morávamos num conjunto habitacional que a companhia construiu, e cometeu um pequeno engano. A companhia limpou a área, e aquilo era uma poeira incrível. E um dos eventos mais hilariantes do começo era a briga entre as senhoras que moravam ali no conjunto por causa de grama [risos]. P/1 – Grama? R – Grama. Porque as casas, você não aguentava a poeira que aquilo infestava nas casas. Tinha até piscina, sabe? A poeira infestava aquilo tudo. E São Luís era um lugar muito pobre, não tinha infraestrutura pra quase nada e então você precisava de grama pra gramar os quintais, as áreas, entende? E vocês não queiram imaginar as brigas que deram entre senhoras. Porque aí havia o problema da grama, mas havia também o problema: eram brasileiros, eram americanos, eram holandeses, eram..., e alguns eram chefes, outros nem tão chefes. E vocês precisam ver a confusão que isso deu, que precisou, sem exagero, trazer psicólogo, porque as mulheres queriam se pegar. As americanas achavam que as brasileiras estavam menosprezando e vice-versa. Enfim havia as dificuldades de fazer a fábrica funcionar. E as dificuldades de supermercado, você tinha que se levantar às 5h da manhã pra ir comprar verdura, não sei onde, lá em São Luís. Com uma vantagem: era um produto sem agrotóxico [risos], entendeu? Produto muito bom! Tinha um supermercado na cidade e tal. Enfim, havia dificuldades e, sob o ponto de vista operacional, a dificuldade era você começar a transmitir para os novos funcionários dali consciência do que era urgente, do que era importante. É, só um exemplo, quer dizer: Um dia nós tivemos um problema com uma transportadora e eu pedi pra um funcionário ir, imediatamente, realimentar a correia transportadora que ficava a um quilômetro de distância. E eu estou aqui a um quilômetro acima esperando essa correia funcionar, e nada..., e nada... 15, 20, 30 minutos, 40 minutos! Aí eu fui lá e o funcionário estava lá olhando assim, na máquina — a máquina estava com um pneu murcho. E, eu falei pra ele, "Ciríaco, e aí?", ele disse pra mim, "Doutor, olha aí! O pneu tá murcho.", eu falei, "Quando é que isso aconteceu?", ele falou: "Ah, a hora que eu cheguei.", eu falei, "Escuta, Ciriaco, você chegou aqui faz mais de 40 minutos!". Ele olhou pra mim e falou assim: "Doutor, só 40 minutos..." [risos]. Eu quase que esgano o cara, mas aí, obviamente eu percebi que quem estava errado era eu. Porque aquilo era o contexto em que ele vivia, não é? E, cabia a mim, começar não esganando o cara, mas, gradativamente mostrar: "Pô, você não pode esperar 40 minutos. Isso aqui tem que funcionar, né?". P/1 – Que função você exercia lá, Edison? R – Eu era o gerente da refinaria e do porto. P/1 – Então a refinaria envolve o que? A redução, o lingotamento? R – Não. A refinaria envolve desde a chegada da bauxita, até a produção de óxido de alumínio, que é aquele pó branco. P/1 – Ah tá, só até ali? R – Que é a alumina. P/1 – Ah, a alumina? R – É, a redução é que pega essa, e transforma em alumínio. Até hoje existe essa separação na Alumar. Quer dizer, só que lá colocaram pra refinaria, colocaram o porto também. E, no caso, alguém tinha sido treinado que poderia ser diferente, mas era o conveniente na época. P/2 – Eu só queria voltar um pouquinho, quando você falou em "ter que preparar o pessoal pra trabalhar lá”, eu lembrei que na pesquisa a gente viu que tinha um anúncio. Eu gostaria que você comentasse, se você lembra disso. É: "Maranhenses, voltem para casa." Foi tentando trazer as pessoas que estavam trabalhando em outros locais, não foi isso? R – Foi. Pra mão-de-obra não especializada, nós montamos um dos planos mais bem sucedidos de treinamento que eu já vi na vida. Para a área não muito especializada. Mas, para técnicos que exigia nível universitário: engenheiros etc., a alternativa era trazer gente daqui do Sul, de São Paulo, de Belo Horizonte e tal. Acontece que São Luís era um lugar muito ruim de se viver, ou muito bom. Existe enfoques diferentes, né? Mas, paulista, carioca não queria ir pra lá. O cara se formar em engenharia, nessa época, 1980..., tinha emprego sobrando nessa região aqui. Mas ainda assim nós levamos alguns paulistas e cariocas que eu entrevistei e tal. Uma coisa que eu não posso esquecer é sobre os aspectos de valor humano, é que eu quero falar um pouco, se for possível. P/1 – Tá, vou marcar aqui. R – É aí, surgiu a ideia: "Porra, pera aí, pô! Tem o maranhense, o engenheiro, só que não tá em São Luís." As famílias de classe média alta e classe alta em São Luís mandavam os filhos estudarem no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte. Mas, principalmente, no Rio de Janeiro. E esse pessoal ia estudar, por exemplo, em Volta Redonda, ia estudar em Belo Horizonte etc., se formavam e ficavam por aqui. Porque não havia também oferta de emprego no nível adequado, lá. Foi aí que surgiu essa ideia. "Vamos botar nos jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro principalmente, vamos botar um anúncio, 'Maranhense, volte pra casa'." E foi aí que nós trouxemos vários maranhenses — surtiu efeito. Um deles — são vários, muitos —, mas eu me lembro de um que hoje é o diretor da Alumar, chama-se Nilson Ferraz, ele veio com esse programa e veio treinar aqui em Poços. Outro chama-se João Baima, que também trabalhava em Volta Redonda; engenheiro metalúrgico e que hoje é um dos principais funcionários da Alcoa mundial na área de qualidade, não só do Brasil, mas fora do Brasil, e existem vários outros. Oder, que hoje é um gerente de uma das áreas da Alumar. Enfim, esse anúncio teve bons resultados, teve bons resultados. P/1 – E aí, então, a fábrica começou a funcionar, teve a chamada "primeira partida". Foi tudo tranquilo? R – Não, teve dificuldades imensas. Nem tudo funcionava direito, mas era preciso funcionar. Nós tínhamos um problema seríssimo de fornecimento de energia elétrica, havia muitas quedas de energia. Porque ainda não existia alimentação da usina de Tucuruí que, mais tarde, aconteceu. Essa era a grande dificuldade, eram as paradas de energia. Porque um processo como esse aqui, quando para a energia, dá uma dor de cabeça pra voltar..., é incrível. P/1 – Foi importante você tocar nesse assunto, pois essa foi uma época muito crítica no fornecimento de energia, não só para a atividade industrial, mas para o país inteiro, não é? R – É. A Alcoa naquela ocasião tinha se associado à Shell na construção da Alumar. A Shell, mais tarde, comprou a Billiton, que, posteriormente, veio a ser comprada pela HP, que hoje continua sócia da Alcoa lá em São Luís. As companhias Alcoa e Shell assumiram um alto risco, eu acho, porque era sabido na época que o fornecimento de energia era precário. Era precário não no volume só — no volume até que tinha o suficiente — mas era precário em termos de qualidade, de manutenção da energia. A energia vinha de Paulo Afonso, não é? Era uma linha imensa que atravessava Pernambuco, Ceará, Piauí..., e sujeita a chuvas e tempestades, índios..., tem índios na região, tanto no Maranhão, quanto nos outros estados. Houve um episódio lá de índio querer derrubar torre e acabaram derrubando — um negócio seríssimo. Esse foi um grande desafio e a qualidade era péssima, mas nós nos tornamos especialistas em fazer a fábrica funcionar depois de queda de energia, quer dizer, pra se ter uma ideia, na Alcoa se contavam quedas de energia por ano. Uma, duas. Lá, nós contávamos quedas de energia por semana. E isso tornou a operação da fábrica extremamente penosa no começo, entende? Mas muito penosa. Porque era dia e noite. Porque, como não para; quer dizer, a energia acabava às 8h da manhã, como acabava às 2h da madrugada, eventualmente, né? E a gente tinha que voltar à fábrica e fazer aquilo funcionar e tal. P/1 – Pois é, porque dentro de um determinado processo que você tá fazendo na hora, quando falta energia você perde muita coisa, não é? R – Perde, você perde muita coisa, sim. A gente calculava, obviamente, os prejuízos e tal. Mas esse processo, primeiro, teve o lado positivo, que é quando você tem problemas e dificuldades que você aprende horrores. E foi o que aconteceu: nós aprendemos demais com as dificuldades, inclusive essas de energia. Mas foi também, em segundo lugar, um elemento no lado positivo, que é: a gente manteve um contato estreito com a fornecedora de energia, a Eletronorte, e nós nos ajudamos mutuamente pra fazer com que o sistema fosse cada vez mais confiável. E aí, a Alcoa, ainda associada à Shell, financiou a construção da primeira linha de energia que veio de Tucuruí. Isso, também, foi graças a esse bom entendimento com a Eletronorte e, obviamente, com o governo federal e tal. E aí, o problema de energia diminuiu sensivelmente. P/1 – Edison, e nesses anos 1980, como era encarada por vocês, pela Alcoa, a questão ambiental, essa questão sustentável? R – As primeiras iniciativas mais estruturadas nessa área de meio ambiente já tinham começado aqui em Poços de Caldas. Eu acumulava, como eu era o chefe do laboratório, eu acumulava a função de responsável pelas atividades de meio ambiente aqui na fábrica desse município. P/1 – Isso desde o início? Desde quando você entrou? R – Não, não. Eu entrei em 1972. Esse trabalho começou em 1974, 1975. P/1 – Mesmo assim... R – Ele já existia empiricamente, desde o começo; mas era um processo empírico, era um processo muito básico, eu diria. P/1 – Isso veio dos americanos? R – Veio, veio. Ele assumiu uma forma estruturada a partir, acho que de 1974, quando se estabeleceram controles de emissão de fluoretos e contaminação de água com soda cáustica. E esse era um trabalho que foi iniciado no laboratório, e, na época, eu estava nele e eu era o responsável. Quando a fábrica de São Luís foi construída e ela começou a operar em 1984, esse processo já estava muito avançado. Quer dizer, a Alcoa assumiu compromissos com o governo do Maranhão e com o governo federal de limites na área de meio ambiente — extremamente rigorosos. E até hoje, a Alumar é a fábrica da Alcoa com os melhores índices de proteção ao meio ambiente no mundo inteiro. P/1 – É mesmo? R – É. E também ela é uma das mais novas, porque a Alcoa não construiu muito mais fábricas depois daquilo.1984 pra 2008 são 24 anos, quer dizer, ela não é tão nova assim, mas ela é das mais novas, né? E ela, com o tempo foi, assim como essa aqui, foi incorporando as tecnologias que vinham sendo desenvolvidas e, uma vez consolidadas, foram incorporadas nessa operação aqui e lá com mais facilidade ainda, por ser uma fábrica mais nova. Essa aqui e aquela lá são, dentro do sistema Alcoa, fábricas consideradas modelo nessa atividade. Essa preocupação foi também um dos elementos importantes. Eu fiquei esses quatro anos lá na Alumar e quando foi 1988 eu fui convidado a sair de São Luís, e eu fui para uma fábrica, a de Recife. Lá não fabrica alumínio — vocês vão visitar lá —, naquele lugar existe uma laminação que produz chapas e folhas de alumínio e tem uma extrusão que produz coisas como essa estrutura aqui desse holofote..., perfis! Perfis pra janela, esses perfis aqui. P/1 – Tá. Luminárias. R – Aí eu fui como diretor da fábrica — lá o município é Itapissuma, né? E eu fiquei lá cinco anos em Recife. P/1 – E foi uma experiência totalmente nova, não é? R – Foi. A minha cabeça era de processo de bauxita, alumínio e tal. Mas lá eu substituí um norte-americano que precisou voltar para os Estados Unidos. Lá foi uma fábrica que não foi construída pela Alcoa, ela comprou aquela fábrica de um empresário do... o empresário faliu e a fábrica ficou sob a gerência do Banco do Brasil e da Caixa Econômica. E esse foi um outro grande desafio, ainda mais sob o ponto de vista de gestão, porque, quando eu cheguei lá, a fábrica tinha uma série de problemas, problemas que vocês podem imaginar de dois bancos gerenciando uma atividade industrial, não é? E foi um grande desafio, foi onde eu tive os maiores desgastes emocionais sob o ponto de vista da gestão. Porque a fábrica tinha desafios bastante sérios, entende? Que, com o tempo, acabou entrando nos eixos e até hoje é uma fábrica que é lucrativa, produz produtos de muito boa qualidade. P/1 – O mais crítico era efetivamente a gestão? R – O mais crítico era a gestão. O processo é sempre resultado de gestão, em qualquer atividade. Quer dizer, você tem dificuldades no processo, você procura ver como é que esse processo tá sendo gerido; quem é que tá, quem é que não tá..., gerenciando os aspectos técnicos, quais as deficiências. Você resolve esses aspectos de gestão, você acaba resolvendo o problema de processo. Lá havia distorções em termos de função, pessoas que não deviam estar lá. Inclusive eu, lamentavelmente, mandei embora muita gente, em todos os níveis, Mas, por outro lado, ainda bem que eu fiz, porque no caso, eu acho que eu ajudei a preservar, porque eu não fiz isso sozinho, ajudei a preservar uma atividade importante pra um monte de gente. Para uma comunidade muito grande e tal. E dali, de Recife, eu vim para Poços de Caldas novamente. Vim como diretor da fábrica e aqui eu fiquei durante dois anos. P/1 – Como foi voltar? R – Voltar foi interessante. Eu, quando vim aqui em 1972, era solteiro e eu já sabia um pouco de inglês, mas eu precisava estudar um pouco mais. Aí eu fui estudar essa língua numa escola. Minha esposa, que era daqui de Poços de Caldas, me seduziu [risos]! Não. Brincadeira. Nós nos conhecemos e acabei me casando aqui. P/1 – Amor à primeira vista. Porque a gente só usa essa expressão quando a gente se apaixona, né? R – É. De fato. Acho que namoramos e nos casamos em um ano. P/1 – Como ela se chama? R – Marisa. Ela é professora de inglês, mas a atividade principal dela hoje é a arte plástica. Ela pinta e tal. P/1 – Aí vocês se casaram... R – Aí nós casamos e eu comecei a rodar, né? Ela me acompanhou com as duas atividades, tanto dando aula — porque ela dava aula de português para os americanos e dava aula de inglês; e ela trabalhava como pintora no teatro da escola americana. Você me perguntou da volta para Poço..., foi interessante porque ela voltou pra cidade dela, né? Quer dizer, foi muito interessante, as crianças gostaram da experiência. P/1 – Por que eles não nasceram aqui, já nasceram fora? R – Nasceram aqui. É, o Daniel e Rebeca. Eles nasceram aqui, só que eles saíram daqui para os Estados Unidos quando um tinha quatro e o outro tinha cinco anos. Então eles foram alfabetizados lá, nos EUA. E nos anos em que eu passei em São Luís, de 1984 a 1989, eles frequentaram uma escola americana. Porque como tinham muitos funcionários estrangeiros, nós tivemos que construir uma escola e trazer professores dos Estados Unidos. Então os meus filhos, que já tinham sido alfabetizados nos EUA, se beneficiaram de mais quatro anos numa escola norte-americana lá em São Luís. A escola era muito boa. E a minha esposa se beneficiou, porque ela virou a artista lá do teatro, pintava e dava aulas. Bom, voltei de Recife, voltei pra Poços e aí foi... P/1 – Foi tudo legal, né? Mas e assim, a sua sensação também deve ter sido muito boa, certo? R – É, foi. Profissionalmente, na época, eu voltei para uma mesma função que eu tinha em Recife, eu voltei para Poços. Eu tive, nessa primeira cidade, um desafio muito grande: eu estava meio cansado e tive, obviamente, o desgaste natural de cinco anos — e essas funções, realmente, você não pode ficar muito tempo, porque com o tempo você acaba se desgastando e é bom ter sangue novo, mudar. E eu vim para a mesma função aqui. Mas aí, logo em seguida, o diretor-geral de São Luís foi transferido para a Austrália. Aí eu voltei para São Luís, agora como diretor-geral da fábrica de São Luís. Mas durante esses dois anos em Poços aconteceu algo muito importante na minha vida. Eu tive a felicidade de terminar a construção do Cepa, que é o Centro de Estudos e Pesquisas Ambientais. É um parque ambiental aqui da fábrica em Poços de Caldas. Vocês conhecem? P/1 e P/2 – Só pela pesquisa. Só de nome. R – Vocês não podem deixar de visitar, é um lugar muito interessante. É um parque ambiental construído numa região em que a fábrica minerou bauxita e reconstruiu e tal. E cujo grande idealizador mora aqui em Poços de Caldas, vocês vão entrevistar, chama-se Don Williams. Eu era o responsável pela fábrica quando nós terminamos o projeto e inauguramos. Eu voltei a São Luís e fiquei até o ano de 1999. E lá eu participei da construção e da inauguração do parque..., lá eles chamam de Parque Ambiental. E esse lugar, em São Luís, é outro lugar que vocês não devem deixar de visitar. Eu acho até que vocês deveriam visitar antes de fazer qualquer entrevista. Porque é um elemento extremamente importante. Tanto aqui, como lá, porque esses parques ambientais têm sido utilizados pra trazer as crianças do ensino fundamental a aulas sobre meio ambiente: das escolas públicas, privadas, de Poços e lá em São Luís. E lá tem um aspecto único: o Parque Ambiental é dentro da fábrica. Esse não. Aqui em Poços ele tá fora, também não havia nem espaço, mas está fora. Lá em São Luís ele é dentro da fábrica, né? Esse foi um dos — se eu posso destacar um outro elemento da minha carreira — foi a construção desses parques ambientais. Porque eles não representaram, digamos assim, economicamente algo grandioso para a companhia, mas em termos de comunidade, que acaba revertendo no negócio, eles têm sido elementos muito importantes da presença da fábrica nas comunidades de Poços e lá do Maranhão. P/1 – Você sempre teve essa visão de trabalhar também com o que está em volta da empresa, com a comunidade? R – Sempre. Eu, pessoalmente, sempre tive essa visão e eu sempre tive facilidade nessa época, nessa tarefa, entende? E, tanto aqui como em Poços, eu não me tornei um habitante, um cidadão poços-caldense, propriamente, e nem um cidadão ludovicense em São Luís. Mas eu me aproximei o suficiente da comunidade para entender e saber das expectativas e saber com quem conversar, saber representar a empresa, particularmente lá em São Luís. P/1 – Mas essa é uma característica da companhia ou depende da visão do gestor naquele momento? R – É uma coisa da companhia. P/1 – Isso vem também dos Estados Unidos? R – É, isso vem dos Estados Unidos. É uma coisa da companhia, mas como tudo na vida, se você não tem alguém que instrumenta a política, não adianta ter política. P/1 – Não, porque eu fico pensando assim: a gente sabe que essa atividade de exploração do alumínio, da bauxita e depois a transformação do alumínio, é uma atividade muito ligada a países com outras características. E essa preocupação com a comunidade, que é uma preocupação muito — talvez — desses países, não sei se é a preocupação, vamos dizer, da direção da companhia como gestora. R – É uma preocupação da companhia e, também, por ser extremamente dogmática, a companhia reconhece que é uma preocupação da comunidade. Aí é uma preocupação genuína da empresa, mas a empresa reconhece que existe uma preocupação cada vez maior das várias comunidades. Porque quer queira, quer não — não só sob o ponto de vista ambiental, mas sob o ponto de vista social — você causa um impacto na sociedade. Você imagina um projeto de 1,7 bilhão em São Luís o que causou não ambientalmente, mas socialmente. P/1 – Mudou a face da cidade. R – Mudou. Emprego. Mas trouxe problemas. Pô, aluguel. Puf! Disparou, entendeu? As exigências de um funcionário da companhia eram exigências que não eram atendidas na região, eles tiveram que se estruturar. Isso trouxe progresso, mas trouxe problemas. Quer dizer, então a companhia tem consciência disso. P/1 – Como a companhia faz um estudo, por exemplo — eu vou voltar ao exemplo de Alumar, que você falou uma coisa interessante —, é uma das mais jovens, quer dizer, há 24 anos, ao escolher aquela localidade. Tudo bem que tem a questão do transporte, da bauxita, a questão de porto, mas ao escolher também se faz uma prospecção desse impacto? Por que hoje é comum, mas, naquela época, era? R – Faz, faz. Não era tão estruturado como é hoje. Eu e mais alguns casais, antes do início da construção, tivemos aqui um diretor de recursos humanos que nos convidou pra ir a São Luís e eu fui em 1979. Eu e minha esposa, mais um outro casal, que se chama Edson Schiavotelo e a Zaina Schiavotelo, fomos lá e fizemos um pequeno levantamento de condições de vida lá na região. Fizemos levantamento sob o ponto de vista de escolas. Desde coisas básicas: escola, supermercado, serviços públicos, hospital e tal. Isso foi muito elementar, eu diria, sob o ponto de vista de você estruturar, ou identificar dificuldades etc. Mas previamente a isso, foi feito um levantamento na região onde a fábrica ia ser instalada, para ver quem que morava lá, quais as condições de vida daquele povo que morava naquela região, o quê que era preciso fazer caso houvesse a necessidade — e houve — de deslocamento, e como lidar com essa questão, se trabalhou junto com a universidade pra fazer um levantamento mais inteligente dessas variáveis e tal. Isso foi feito em São Luís. Mas pra ser correto, hoje isso se faz com muito mais propriedade, eu diria. P/1 – Muito importante registrar que, de repente, dois casais vão lá pra fazer um planejamento. Quer dizer, imagino que vocês, com a experiência técnica, sabiam do que precisava, e as esposas até com essa coisa mais prática: onde eu vou botar meu filho pra estudar, né? R – Exatamente. É. P/1 – Não, legal isso, vou registrar. Então, você foi parar na Guiné — como é que foi isso? R – No início de 1999, a direção da empresa aqui no Brasil disse pra mim: "Olha, Edison, seria bom você se aposentar no final desse ano." E me apresentou algumas variáveis pra eu decidir e tal. E a decisão foi que no final do ano eu iria me aposentar. No final de 1999. Acontece que, em setembro desse mesmo ano, a Alcoa dos Estados Unidos me convidou pra ir trabalhar num projeto na África. A Alcoa é responsável pela gestão de uma mineração muito grande na Guiné. Se você olha o mapa da África assim, tem aquele bico do continente olhando aqui pro Nordeste. A Guiné fica ali. É uma ex-colônia francesa, não é? E a Alcoa é responsável pela gestão; e ela se organizou junto com outras empresas de alumínio, formando uma holding, uma empresa, chamada Halco, Halco Mining. Então as outras empresas da época eram: a Alcan, a Pechiney, a própria Alcoa, a VAW (União de Trabalho de Alumínio) — que é uma empresa alemã —, a Reynolds, a Norsk Hydro — que era uma empresa norueguesa. Esse pessoal formou uma empresa chamada Halco, que a Alcoa gerenciava a partir de Pittsburgh, nos Estados Unidos, mas cujas operações estão na Guiné. Eu me tornei presidente dessa Halco Mining e eu visitava a Guiné, a cada dois meses eu passava uma semana ou duas lá. P/1 – A sua base era nos Estados Unidos? R – A minha base era em Pittsburgh e eu viajava a cada dois meses, mais ou menos, eu ia pra Guiné. A Alcoa tinha acabado de assumir a gerência daquilo, lá na África, a gerência operacional, e a minha função foi procurar transmitir os elementos gerenciais da Alcoa para aquela operação. Só que foi uma dificuldade, foi o final da minha carreira como funcionário da Alcoa, mas foi de longe a experiência mais marcante porque a África é outro mundo, é outro mundo. Não tem nada a ver com..., sabe? Agora, foi extremamente gratificante conhecer um país completamente diferente, ter que estudar francês — que eu sabia francês da época do ginásio, né? Porque tinha que me comunicar com o pessoal e eu acabei estudando, fiquei lá na França durante um mês e meio num curso de imersão em francês, e eu aprendi o suficiente pra me comunicar e me virar. Foi ótimo por isso. Porque meus filhos aproveitaram essa oportunidade também e foi um tremendo desafio, porque as pessoas naquele local, naquele país, extremamente receptivas... o povo, o povo, não a elite. Mas o povo. Os funcionários. E eu aprendi que pobre é igual em qualquer lugar do mundo, desde que você o reconheça e o trate bem, né? (Final do CD) R – Eu esqueci um detalhe a respeito de São Luís que foi durante a fase de construção..., até como um trabalho de conscientização da população local do que seria a fábrica. Nós fizemos um número muito grande de reuniões com a sociedade civil ali. Participaram das reuniões: eu, o Tom Sheffield, o Nemércio Nogueira, o Castro e um gerente de meio ambiente da Alcoa, (Roy Carwell?). Para a Câmara Municipal... Tudo. Entendeu? E tem episódios fabulosos. Na câmara, um vereador fazendo um discurso e dizendo que no tempo em que ele era marinheiro: “Eu aportei nos portos de Poços de Caldas!" [risos]. Aí um deputado, o Sabóia, que era do Partido Comunista, na ocasião, realmente, ele era contra o projeto. Esse projeto teve uma resistência significativa de algumas pessoas da universidade e de alguns políticos. Então esse deputado estadual, Sabóia, estava fazendo um discurso contra a companhia. Ele virou o dedo assim — e eu estava bem atrás dele —, o dedo veio bem no meu nariz, assim: "Estes corruptos imperialistas lacaios!" [risos]. P/1 – Vixe maria! Pra você! Justamente pra você! R – Bom..., e nós trouxemos pra mostrar o que era uma fábrica de alumínio, nós trouxemos essas mesmas faixas da sociedade, nós trouxemos aqui pra Poços. Pra mostrar: "Ó, isso aqui é uma fábrica de alumínio. Isso é uma fábrica de alumínio." Esse é um trabalho que eu acho que — não sei se o Nemércio tocou nisso — é importante de ser registrado, porque ele foi de extrema importância, respondendo àquela sua pergunta anterior, né? Bem, na Guiné, quer dizer, a experiência foi, foram dois anos que eu passei indo e voltando à Guiné a cada dois meses, né? E a experiência foi extremamente gratificante. Mais uma vez, houve uma contribuição, como vocês notaram, eu não falo muito sobre o negócio em si, né? Sobre os lucros da empresa, sobre ganhar dinheiro. Mas eu achei que sempre a minha função foi a de trabalhar para que houvesse uma estrutura que gerasse essas coisas, não é? E lá na Guiné não foi diferente, quer dizer, ela vinha sendo administrada por várias outras empresas e tinha um número muito grande de estrangeiros trabalhando lá. Sem, em total desprestígio aos guineanos, não é? Pra você ter uma ideia, quando eu cheguei lá, nós tínhamos 54 expatriados que trabalhavam na Guiné. E eram profissionais que vinham da França, da Bélgica, da região francesa do Canadá e alguns da Inglaterra, e alguns australianos e americanos. É, Bélgica, França etc. por causa da língua, principalmente e tal, né? E eles não tinham um trabalho de valorização, treinamento, dos africanos, propriamente dito, dos guineanos. E esse foi um dos desafios. Quando eu saí de lá, em vez de 54, tinha 21 só. Em dois anos foi uma mudança extremamente importante, você entende? E que se valorizou, e fizemos o óbvio. Pegamos jovens, alguns já funcionários, e mandamos. Vieram pra Poços, foram pra Austrália, foram para os Estados Unidos, treinar durante algum tempo e depois voltaram pra Guiné e assumiram lá. Nada muito especial, nada muito criativo. Simplesmente usamos bom senso em matéria de treinamento. E essa foi uma das coisas que, pra mim, foi extremamente gratificante. Lidar com aquele povo lá foi muito bom. O guineano é um povo agradável, um povo gentil. O governo da Guiné, que é sócio da operação, era com quem eu tinha contato frequente. E aí, o contato era mais complicado, porque você lidava com os burocratas do governo, num país muito pobre, com uma série de implicações políticas e econômicas envolvidas na história. Mas a operação em si, os funcionários, a minha relação, foi extremamente gratificante. E, como eu mencionei antes de começar a entrevista, uma das coisas que eu ajudei lá — na realidade, eu participei foi da construção e instalação de uma biblioteca lá. E eu aproveitei a existência de atividades em língua francesa da Alcoa na Suíça, no Canadá, principalmente, e esse pessoal doou livros em francês, escolares etc., e nós ajudamos a montar a biblioteca de (Comme sa?). E algumas daquelas fotos são da minha visita à biblioteca em que eu levei uma quantidade imensa de livros e a doação de um quadro. Tem uma fotografia lá, que é um quadro, um poema à mulher. O nível de equilíbrio da sociedade nesses países deve-se principalmente à mulher, como em toda comunidade muito pobre, né, é o que acontece em favela aqui no Brasil. Nesses países muito pobres da África, quer dizer, o equilíbrio que existe, se ele é bom ou é ruim, ou se é outra história, deve-se à mulher. E ali na Guiné não é diferente. É um país muçulmano, onde a poligamia é legal, então, os nossos funcionários tinham mais de duas esposas, em alguns casos, as famílias são muito grandes, famílias de 10, 15 filhos. Obviamente, três sogras, três sogros, um monte de cunhados [risos]! E, logo, eu percebi o óbvio. O que muita gente já sabia. Que ali tinha que se atuar, tinha que se valorizar, valorizar essa força social e de equilíbrio que, da mulher, tal. Eu levei um poema lá e botamos num quadro. Aquilo eu fiz a maior média com todo mundo lá, mas eu fiz aquilo com sinceridade. Eu vi aquilo num museu. Eu fui visitar uma operação em Quebec e tinha um museu africano lá, e tinha um poema, um poema lindíssimo de um poeta africano também, sobre a mulher. O nome do poema é "(Batisseur du Afrique?)", "Batalhadores da África", então mostra a atividade da mulher desde cuidar da criação, de extrair o leite da vaca, de cuidar da criança, de cuidar da plantação etc. A biblioteca e esse quadro são objetos daquelas fotografias, mas a biblioteca foi um dos elementos que me orgulhou muito. Simples, simples. Simples uma biblioteca, né? A gente se pergunta o que é que tem de especial em uma biblioteca. Acontece que era a segunda biblioteca do país! Estruturada. Talvez tenha até ajuntamento de livros em outros lugares. Mas — estruturada — é a segunda biblioteca do país! E eu gostei muito de trabalhar com aquele povo lá, fiquei dois anos e voltei para o Brasil em janeiro de 2002. Aí, não mais como funcionário da Alcoa. Mas ela me convidou como contratado pra eu representá-la em um projeto hidrelétrico, Serra do Facão. E eu fiquei três anos nisso, não como funcionário, mas a Alcoa tinha — e tem — interesses nesse projeto e eu me tornei o superintendente e, entre aspas, representando ali a sua presença. P/1 – Porque ali é um consórcio, não é? R – É, é um consórcio. Tem Camargo Corrêa, Votorantim e outros. E, eu, ultimamente, tenho um contrato como consultor desde 2005. Eu ajudo em questões de caráter gerencial, quer dizer, ao ver a necessidade de se estruturar a área de segurança empresarial. Eu não entendia nada de segurança, não entendia..., empresarial. Mas pra você estruturar um departamento, tem uma série de elementos comuns. Quer dizer, eu conheço as necessidades de segurança, eu não entendo de segurança. Mas eu pude ajudar, juntamente com técnicos de segurança e tal. E assim tem sido. P/1 – Quer dizer, você tá então como consultor. Na verdade, você efetivou a sua aposentadoria em 1999? R – Eu me aposentei em 1999 na Alcoa Alumínio do Brasil. Aí fiquei dois anos na Alcoa nos Estados Unidos. E aí, lá, eu era contratado da Alcoa Inc., e eu fui até 2002. Agora eu continuo como consultor. P/1 – Hoje em dia você está atuando de forma macro aqui no Brasil? R – É..., semana passada mudou o meu contrato agora pra cá. Quer dizer, em que ele tá expandido pra várias áreas. Mas eu tenho atuado, principalmente, em Poços e em São Luís. P/1 – Poços e São Luís, tá. Você pediu pra gente lhe lembrar de falar alguma coisa do valor humano. Será que tem a ver com a pergunta de: o que é ser alcoano para você? R – A Alcoa é uma empresa de que eu me orgulho bastante, sem dúvida nenhuma. Quer dizer, ela foi uma grande escola, é uma empresa que nunca agrediu os meus valores pessoais — muito pelo contrário. Eu acho que eu pude impor valores pessoais à atividade da empresa, tanto aqui, como lá em São Luís, como na Guiné, como em Recife — que foi o mais difícil —, mas eu acho que a empresa nunca me impôs valores que eu não tivesse. Pelo contrário. Eu acabei impondo valores que a empresa, talvez..., é, ela atuava de maneira mais tímida. Agora, a carreira, essa coisa de promoção, ter o título X ou Y, isso tudo é importante. Mas acho que, em termos de memória, não são esses eventos pontuais que mais me marcaram e me marcam. Eu estou tentando não exagerar aqui na emoção, porque o que mais marcaram são memórias presentes, são situações que continuam acontecendo. Quer dizer, eu venho aqui e vejo pessoas com as quais eu contribuí em termos de evolução profissional e tal. E hoje eu vejo aqui, as pessoas são: vice-presidente da companhia internacional, outra é gerente, outra é engenheiro, outra é um técnico que continua aqui. Pessoas com as quais eu trabalhei e que eu pude contribuir com alguma coisa, entende? Pra mim é o melhor de tudo. Porque os eventos pontuais são importantes na vida da gente — uma foto, a inauguração da fábrica etc. Mas ver pessoas que construíram carreira, mas muito mais do que isso, construíram vidas, e que estão reproduzindo isso; eles estão construindo outras vidas. Uma empresa muito decente é uma empresa extremamente ética. Se é que eu tenho que registrar alguma coisa em matéria de memória, não é a memória de eventos pontuais, mas é a memória de ter contribuído com essas pessoas que hoje continuam produzindo carreiras e produzindo outras vidas, se estruturam em torno de carreiras e tal. Quer dizer, pra mim, esse é o aspecto mais importante da minha passagem — que até hoje não terminou. P/1 – E qual é a lição, o aprendizado desse período? A maior pelo menos. R – Foi esse. O maior aprendizado foi esse. É que no final das contas você dá lucro, mas o lucro, a eficiência do negócio, só tem sentido porque ele ajuda a construir vidas, ajuda a estruturar vidas em torno de alguma coisa construtiva. Eu acho que essa é a grande lição. É isso que eu tenho, sempre que eu tenho oportunidade, eu procuro transmitir a colegas e tal. Porque, às vezes, a gente perde, no dia a dia, um pouco da perspectiva, você fica preocupado em resolver aquele problema daquele equipamento e tal. Você tem que dar lucro. Mas a pessoa tem que ter na frente, uma perspectiva um pouco mais ampla de que aquilo tudo tem uma finalidade. E a finalidade não é simplesmente produzir um lingote de alumínio. Quer dizer, a produção desse material é importante para a sociedade, mas essa realização envolve gente, e gente que precisa ser cuidada. Eu assisti a um filme há pouco tempo com a Meryl... a artista. P/1 – Meryl Streep? R – Meryl Streep! Como se chama aquele filme famoso dela? Um filme sobre moda. P/1 e P/2 – Ah! “O Diabo Veste Prada.” R – Tem um lance no filme em que ela mostra, ou descreve pra alguém, o que estava envolvido atrás de uma gravata. Que aquele alguém achou a gravata. Quer dizer, tudo é uma cadeia de atividades que vieram atrás e que proporcionaram a fabricação daquela gravata: o desenhista, o químico que desenvolveu a tinta, a fábrica que fez a máquina, que fez a linha, enfim. Aquilo, pra mim, foi mais uma demonstração de que você constrói coisas, mas por trás dessas coisas têm um bocado de gente. E é essa perspectiva que não podemos perder. É que vamos trabalhar duro pra fazer as coisas funcionarem, mas não se pode perder a perspectiva que atrás das coisas tem gente, e esse deve ser o principal cuidado. P/1 – Você que acompanhou vários momentos do desenvolvimento da Alcoa no país, você acha que ela tem esse papel fundamental de promover, inclusive, novas tecnologias, de trazer, de buscar... Você acha que a Alcoa tem também esse papel, essa importância pra essa atividade? R – Sim. Eu acho que a Alcoa, tendo vindo pro Brasil, estimulou outras empresas a virem. Eu volto ao exemplo de São Luís: o que a presença da Alcoa provocou em termos de desenvolvimento socioeconômico e tecnológico na região de São Luís foi alguma coisa assustadora. Por outro lado, ela tem desenvolvido tecnologias dentro da área de atuação dela. Em Recife, por exemplo, a fábrica, que vocês vão visitar, desenvolveu algumas tecnologias sensíveis na área de laminação, que certamente tem contribuído, não só lá em Recife, mas com outras fábricas e outras atividades do ramo, no mundo inteiro. É essa grande preocupação com o meio ambiente. Ah, sim! Houve um incêndio nos laboratórios da Universidade de São Paulo, no Instituto de Química, há uns oito ou dez anos. Pegou fogo e queimou tudo. E então eles vieram para cá lidar com aquela massa imensa de... Porque tinha uma maçaroca de produtos que você não sabia o que fazer sob o ponto de vista ambiental. "Em que lugar nós vamos guardar isso? Como é que nós vamos colher isso? De que forma? Que ferramentas usar?" E a ferramenta utilizada, a forma, o processo... Como eu sou ex-aluno lá, eu falei: "Bom, eu conheço alguém que entende disso." E nós trouxemos um manual da Alcoa dos Estados Unidos, do centro de pesquisas, que foi fornecido para a Universidade de São Paulo; e eles utilizaram aquele manual pra resolver um problema bem cabeludo, porque misturou produtos de tudo quanto é tipo. Esse foi um exemplo, na minha opinião, muito importante da contribuição, em um caso bem crítico. P/1 – Edison, o que você acha desse projeto “Trajetória Alcoa”? Quer dizer, contar a história por meio das pessoas? R – Ah, eu sou um fã desse projeto. No final de 1999, eu propus esse projeto ao presidente da Alcoa na época, o Fausto Penna Moreira. E eu propus a ele, porque eu estava preocupado, particularmente com São Luís. Até dei nome de gente lá nessa cidade que ajudaria — um jornalista lá, José Jesus Brito, que foi funcionário. Pessoas que poderiam contar a história da cidade e tal. Eu acho que essa é uma atividade importantíssima, para que as pessoas que estão aqui hoje e as que virão, entenderem que isso aqui não foi fruto de uma construção, foi fruto de gente que proporcionou os empregos que hoje existem, que existirão amanhã. É um elemento cultural importante. Eu acho que se amanhã alguém quiser fazer uma tese de mestrado em São Luís sobre impacto socioeconômico de um grande projeto, tá lá a Vale do Rio Doce, que deve ter um histórico fabuloso também; tá lá a Alumar. Eu acho que isso é um adendo cultural extremamente importante, não só para a empresa, mas eu acho que para a comunidade. P/1 – Para a comunidade, sim. O projeto é construído também com essa visão de, daqui a pouco, você conseguir, de alguma forma, liberar essas informações para que elas provoquem novas pesquisas, não é? R – Eu comecei dizendo que eu tinha proposto isso ao presidente. Na época, isso não foi possível por conta de limitações orçamentárias. Ele simplesmente falou pra mim: "Olha, não tem dinheiro..." [risos] "... pra fazer isso". Mas o Don Williams, que vocês já entrevistaram, já fez um bom trabalho, pelo menos ele tem uma boa documentação, ele fez muita coisa já aqui em Poços de Caldas, acho que vocês vão poder explorar bem o trabalho que ele fez. Lá em São Luís é que tá faltando, lá nem o que o Don fez foi feito lá. P/1 – O 5S passou por lá, né? R – É. Em que sentido você tá falando? P/1 – Ah, o pessoal diz que jogou a documentação toda fora. R – Ah, sim, é. P/1 – A informação que a gente tem, infelizmente, é. R – É, pois é. Isso é lamentável, isso é lamentável. Mas lá em São Luís vocês ainda vão encontrar pessoas que... O Alain Belda é uma pessoa que vocês vão entrevistar, acredito, o Alan é uma pessoa a quem eu respeito muito, como profissional, como homem de visão, como alguém que tem algo mais em matéria de capacidade empreendedora, entende? E que, certamente, é uma figura importante no crescimento dessa empresa no Brasil, assim como fora do país. E eu recomendo que vocês conversem com o Alain, se é que vocês não... P/1 e P/2 – Eu acho que é um bom momento. Eu acho que sim. R – É, eu recomendo. Ele é o presidente mundial. P/1 e P/2– Sim, pois é. Tá previsto. Vamos ver qual é o espaço na agenda, né? R – Ele é o presidente mundial. Ele vem com frequência ao Brasil, e eu tenho certeza, pode escrever isso, que se disserem pra ele desse projeto — se é que já não disseram —, ele vai querer falar. Ele tem um material de sobra. P/1 – Então, tá. Edison, o que você achou de dar entrevista? R – Como? P/1 – O que você achou de dar essa entrevista pra gente? Na verdade, foi mais uma conversa. R – É, eu vou ser bem franco com vocês. Esse tipo de coisa, pra mim, me lava o ego, entendeu? Porque eu me sinto parte da história de alguma coisa que tem feito diferença. Obviamente, durante esse tempo todo eu fiz um monte de palestras, tinha que falar com o público, fora da companhia, dentro e tal. E eu contava sempre uma historinha. A historinha é muito piegas, mas é que, eu nunca fui campeão. Eu jogava futebol, eu era um goleiro. Jogava e jogo tênis. Nunca fui grande coisa em matéria de tênis. Nunca fui campeão. Nunca fui campeão na escola. Eu fui um aluno, assim, bonzinho — tanto no ensino médio, quanto na faculdade. Eu nunca consegui ser campeão, entende [risos]? Agora, quando a Alumar e Poços de Caldas vieram a ser consideradas fábricas-modelo dentro do sistema Alcoa, recebeu uma porção de prêmios na área de meio ambiente, na área de segurança. A área de segurança, então recebeu inúmeros prêmios e tal. E nessas ocasiões eu sempre dizia ao pessoal, eu falava: "Olha, eu nunca fui campeão de futebol, de tênis, na faculdade, mas eu acho que eu sou um campeão nessa atividade que nós conseguimos desenvolver aqui dentro da empresa." E momentos como esse que vocês estão me proporcionando, é mais um momento no qual, pra mim, é de grande satisfação. Eu já fiz isso algumas outras vezes, lá em São Luís e em Recife, mas não com essa extensão e com essa liberdade que vocês proporcionaram; de eu poder contar histórias. P/1 – Então tá bom. R – Tá okay. P/1 – A gente queria agradecer muito a sua gentileza de ter se deslocado, o seu tempo... Foi ótima a entrevista, é um privilégio pra nós podermos ter compartilhado a história contigo, tá bom? Obrigada. R – Tá, muito obrigado vocês! E desculpe segurar o almoço de vocês. P/1 – Não; e quanto a isso, nem se preocupe, nós estamos todas de dieta!
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