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O que foi e o que será – Entre memórias, laboratórios e projeções

História de: Ricardo André Marques
Autor:
Publicado em: 14/11/2021

Sinopse

Ricardo André Marques nasceu em Goiânia – GO, no dia 17 de outubro de 1967.  A família tem a história marcada pela Rede Ferroviária Federal na região central do país. Seus pais se conheceram porque seus avós trabalhavam na ferrovia. Assim como outros membros da família, seu pai foi trabalhar na ferrovia como controlador de logística. E sua mãe, sempre cuidadosa e zelosa pela família, era do lar.

Filho do meio, cresceu num bairro chamado Setor Ferroviário, que era a vila residencial da Ferrovia. Sua família tinha como lazer acampar na beira do Rio Araguaia durante as férias escolares. 

No segundo grau estudou na Escola Técnica Federal onde tem suas melhores lembranças. Quando não estava estudando, participava da equipe de esportes, ficando a maior parte do dia na escola. Foi tricampeão Estadual de Handebol defendendo o time da escola. Nesse período conheceu sua primeira namorada, que atualmente é sua esposa, no grupo de jovens da igreja.  

Cursou Engenharia Civil na PUC, para orgulho do seu pai. Nesse período já trabalhou como Técnico de Manutenção em um banco.  

Ganhou o apelido de Mestre durante a faculdade pois ajudava todos os alunos. Por causa disso foi escolhido como presidente da comissão de formatura e orador da sua turma.

Depois dos quatro primeiros anos da Faculdade, foi demitido do banco após aderir a uma greve. 

Ingressou no estágio numa empresa de projetos de um professor, permanecendo por 4 meses. 

Após, prestou concurso de estágio para FURNAS. Ingressou na empresa em outubro de 1981 no Laboratório de Goiânia na área de geotecnia. Nesse período a empresa estava introduzindo os computadores no Laboratório. Foi um momento de muita transformação. 

No final da década de 90, já efetivado foi trabalhar na área de gestão fundiária onde permaneceu por 6 anos. Desenvolveu um olhar abrangente sobre o trabalho da empresa. 

Com essa experiência, foi convidado a retornar ao laboratório. 

Nesse período, o laboratório passava por uma mudança. Em busca de melhores práticas de gestão implantou o ciclo de gestão DSC, modernizando e abrindo novas linhas de pesquisas e negócios. 

O laboratório foi a primeira área da empresa a receber a certificação ISO9000. Pelo seu empreendedorismo, o laboratório foi premiado pelo Governo Federal por quatro vezes.

Em 2006 foi convidado a aplicar esse novo processo de gestão em todos os empreendimentos da empresa. 

Em 2014 assumiu a gerência geral dos laboratórios em Goiânia e da área de pesquisa e desenvolvimento da empresa no Escritório Central - RJ. Permaneceu nesta função até 2017, quando passou a superintendente do Escritório de Projetos.

Devido a experiência em processos de gestão, foi convidado para assumir a Superintendência de Gestão de Pessoas, enfrentando o maior desafio da sua carreira: o processo de abertura de capital da Eletrobrás. 

Ricardo é casado e pai da Ana Laura e da Fernanda.


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História completa

Um pequeno excerto sobre a vida de Ricardo 

Graças ao trabalho desse laboratório, a gente acabou de instalar ali na usina de Itumbiara um ensaio de hibridização, onde dentro de uma usina hidrelétrica a gente tem também geração solar, fotovoltaica, apoiadas em solo e flutuante no espelho da água do reservatório, e isso, conjugado também com uma unidade de produção de hidrogênio, que vai aproveitar, eventualmente, o excedente de água.

 

Você tinha laboratórios em campo, aqueles que ficavam na linha do canteiro de obras e o Laboratório Central, que ficava em Aparecida de Goiânia. Ensaios mais simples, você fazia no laboratório de campo. Você tem na linha de frente um trabalho menos complexo do ponto de vista técnico, que te dá respostas mais imediatas, mas menos precisas. Pesquisas estruturais, trabalhos de maior complexidade, para antever problemas com décadas de antecedência, são realizadas no Laboratório Central.

O Laboratório Central possui equipamentos de maior sofisticação, por exemplo, microscópio a laser... A gente tem um aparato tecnológico importante, exatamente para garantir o sucesso do empreendimento. 

Nesse período em que eu entrei, estava começando a revolução da informática, e era um problema cultural engraçadíssimo, porque muita gente gostava de fazer a conta na calculadora, na planilha, preenchendo a mão. Eu cheguei como estagiário, inocente, falei assim: “Vamos informatizar isso aqui, eu faço na minha calculadora, Cássio FX850P, tinha 16 K de memória, olha só que potência, 16 k!” E eu fazia programas para automatizar cálculos...  quase fui enxovalhado!

O pessoal não queria renunciar à calculadora, mas de jeito nenhum! Naquela época, foi quando começaram a introduzir os computadores, isso em meados da década de 90. Vários colegas conferiam a planilha eletrônica que o computador fazia, era engraçadíssimo! Foi um período de muita transformação, de adaptação de cultura, o pessoal mais antigo, mais experiente, com uma grande sabedoria, e o pessoal novo mais conectado às novas mudanças tecnológicas. 

Lembro quando teve o primeiro processamento por computador de um cálculo lá no laboratório: parou o laboratório! Um dos processos mais complexos que a gente tinha na época era chamado cálculo térmico. Por quê? Quando você tem uma estrutura de concreto muito grande... O concreto, ele não endurece por secagem, ele endurece, ganha resistência, por reação química. Como toda reação química, ele libera calor. Então, quando você tem um volume grande de estrutura de concreto, tal como uma barragem, há muita liberação de calor. Evidentemente, você tem que fazer cálculos térmicos, e isso varia de acordo com o material empregado, do tipo de cimento, do tipo de material na região, da sua estrutura de lançamento, e até do seu cronograma de produção. É necessário todo um cálculo, com todas essas varáveis, para que você não produza um calor exagerado, e para que não dê problemas de durabilidade, dez, vinte, trinta anos à frente. 

Tratam-se de cálculos muito complexos, com equações diferenciais, de terceiro grau. Isso tudo era feito na mão, até quando chegou o primeiro processamento de dados. Antes se fazia esse cálculo térmico em duas semanas, com o computador nós fizemos em uma hora. 

Parou o laboratório!

Todos se olhando, alguns maravilhados, outros ressabiados. “Vamos conferir esse cálculo?” “Conferir?” “Vamos conferir!” Alguns quiseram conferir para validar. Foi um momento de transformação, muito importante. 

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Eu até brinco: por que tem uma unidade de alta tecnologia em Aparecida de Goiânia? Por quê?? Muita gente pergunta. 

Muito simples! 

Você tem que olhar para a história da empresa. Até meados da década de 90, nós tínhamos as empresas estatais responsáveis pela geração em áreas de concessão definidas, a Eletronorte ficava na região norte, a Chesf no nordeste, a Eletrosul no sul, e FURNAS pegava o Sudoeste e o centro-oeste. FURNAS começou o aproveitamento hidrelétrico ali pelo Rio Grande, na Usina de Furnas, saiu descendo a Rio Grande, depois começou a subir o triângulo Mineiro, ali na Usina de Itumbiara, no rio Paranaíba. No início da década de 90, final da década de 80, começou a fazer exploração de potenciais hidrelétricos no estado de Goiás. Nisso, o laboratório foi deslocado para Aparecida de Goiânia porque já tinha uma subestação de FURNAS ali, que é a subestação Bandeirantes. Já tinha um espaço físico, e do ponto de vista Logístico, era próximo a duas grandes usinas que FURNAS estava em fase de estudo aquela época, que é a Usina de Serra da Mesa e de Corumbá. 

Quando eu entrei na empresa, elas já estavam em construção. O laboratório foi para lá no final da década de 80, antes de eu entrar em FURNAS. E o que aconteceu? Em meados da década de 90 veio a chamada desregulamentação do setor elétrico, acabou esse negócio de área de concessão. Os laboratórios já estavam no coração do país e podiam atuar em qualquer lugar, ou seja, havia dois diferenciais: um diferencial logístico de deslocamento e um grande horizonte de desenvolvimento energético para o modelo que a gente tinha na época, o modelo hídrico, baseado em hidrelétrica. 

Além disso, o remanejamento de uma estrutura laboratorial grande, como a de Aparecida de Goiânia, era muito onerosa. Seria necessária uma grande justificativa para efetuar uma mudança. E de fato, não houve essa necessidade. Foi de Aparecida de Goiânia que FURNAS prestou serviço para a China, Malásia, Argélia, Portugal, Estados Unidos e quase todos os países da América do Sul. Levando o material, o Laboratório Central poderia estar em qualquer lugar. 

Graças ao trabalho desse laboratório, a gente acabou de instalar ali na usina de Itumbiara um ensaio de hibridização, onde dentro de uma usina hidrelétrica a gente tem também geração solar, fotovoltaica, apoiadas em solo e flutuante no espelho da água do reservatório, e isso, conjugado também com uma unidade de produção de hidrogênio, que vai aproveitar, eventualmente, o excedente de água. 

No caso de hidrelétrica, quando abre o vertedouro, todo mundo acha muito bonito, mas a gente olha e fala: “Estamos perdendo dinheiro, jogando água pelo ladrão”. Então, a gente tem que ser criativo.

Ainda é um projeto que está em fase de condicionamento da fase operacional, mas a proposta é que nossos parques geradores se tornem híbridos, para, por exemplo, poupar a água de um reservatório em um momento de crise hídrica durante o dia, já que eu posso estar gerando com solar fotovoltaica. E ainda complementar a geração com o hidrogênio, cuja vantagem é poder acumular energia.

As empresas têm que pesquisar e inovar, criar novas fontes de trabalho, novas fontes de energia. Esse laboratório, ele rapidamente se adaptou para fazer, não só serviço, que era nossa origem, mas também desenvolver projetos de pesquisa. E ele está lá em Aparecida de Goiânia até hoje, um laboratório que eu tive um enorme prazer de trabalhar e ajudar a diversificar sua atuação. Hoje, ele opera em outras áreas, em geração de energia como um todo: hidrogênio, energia eólica, solar fotovoltaica, uma área de tecnologia destinada a apoiar e suportar novos empreendimentos de energia do país... Eu fiquei no laboratório até 2018, e tenho muito orgulho de ter trabalhado naquele local!

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