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História

O profissional vitorioso e o novo escritor

História de: João de Carvalho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/06/2004

Sinopse

Ascensão profissional na Rhodia Farma. Desafios vencidos, como os de rentabilidade, vendas, faturamento; introdução de novas gerências, agregando novas áreas e a fixação do marketing como recurso de expansão. Oportunidade de relacionamento com a matriz, viagens à França. E, por fim, a aposentadoria envolta em certa mágoa por uma promessa não cumprida.

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Eu não fui, como queria, o João de Carvalho escritor, mas procurei agregar valor ao que me propus a fazer – como dizia a minha família, “tocar um negócio que dê dinheiro.” Entre as lembranças mais antigas de minha longa passagem pela Rhodia Farma está o lança-perfume, nascido na França e cujo histórico eu conservo comigo.

 

Quando começou o lança-perfume, começou quase que a Rhodia.

 

Dentro da Rhodia, eu era um empregado estável, nos termos da legislação anterior à CLT. O que indicava, fatalmente, uma demissão em vias de completar dez anos de casa. Era de praxe e eu já estava preparado. Qual não foi minha surpresa quando me propuseram, no lugar da rua, a assessoria comercial do chamado Depesp, com a incumbência de cuidar de vendas e faturamento. Em seguida, entregaram-me a área geral do Departamento. Bom, como era de meu perfil, dediquei-me a dar uma nova dimensão ao mesmo. Primeiro, agregando a área de fabricação; depois, com a introdução de uma gerência médica na área farmacêutica. E a gerência comercial dotada de um departamento de marketing. Porque era necessário enfrentar problemas crônicos que a área farmacêutica vinha apresentando: de um lado, a questão da rentabilidade; de outro, a competitividade – ou falta dela. Para esta última, faltavam instrumentos adequados que lhe permitissem se posicionar perante o agressivo mercado. Por exemplo, pesquisas. Um outro ponto que me pareceu importante foi o estreitamento de contato com a Matriz: passei a ir, pelo menos, uma vez por ano à França. Participava de reuniões, conhecia por dentro a estrutura, conhecia novos produtos… Em resumo, graças a tudo isso, hoje, tenho a consciência de que recebi um departamento menor do que aquele que entreguei, e suficientemente modernizado até para os dias atuais.

E na área específica de produtos, é preciso exaltar a qualidade de tudo o que produzia a Rhodia, desde sempre. Porém, continuava a haver um aspecto problemático: a rentabilidade.

 

Era preciso crescer na rentabilidade, no faturamento e na capacitação do pessoal… Porque precisávamos lançar novos produtos.

 

E eu lembro que fui buscar produtos lá fora para lançar aqui. Com o compromisso e o propósito de obter lucro. E obtive. E, graças a essa estratégia, foi possível equacionar o problema da rentabilidade. Porque esse problema era seríssimo. Também me recordo de que, em determinado ano, éramos o “primeiro em unidades vendidas e o nono em valor de vendas.” E nesse contexto, surgiram alternativas bem-sucedidas aos esforços da área de vendas para melhorar a média da rentabilidade, alternativas essas que se situavam no campo da visitação médica, a partir do princípio de que “o médico não tem o poder de vender, mas de impor a compra.” E principalmente, dentro do possível e do razoável, criar no médico o denominado “hábito de prescrição” em relação àquele medicamento.

E assim, em linhas gerais, desenvolveu-se o meu processo de dedicação integral à Rhodia, desde o momento em que a empresa, em vez de me dispensar – como era de se esperar – ofereceu-me a oportunidade de crescer e de ter, de forma contínua, um “lento e duro aprendizado.” Mas, o que é importante: um aprendizado. Portanto, se houve mágoa em algum momento, por uma promessa não cumprida – promessa esta que havia gerado uma grande expectativa – ainda assim posso dizer que fui “o último daqueles tempos cavalheirescos.”

 

E eu acho que fui o último dos remanescentes daquele período da Rhodia romântica e cavalheiresca

 

Após a minha saída da Rhodia, ainda se passou um tempo em que outras atividades existiram, até que, efetivamente, sobreveio a aposentadoria. E com ela, o meu reencontro, feliz ainda que tardio, com a literatura.

 

Hoje só escrevo: e em paz, em paz.

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