Busca avançada



Criar

História

O point da favela

História de: Jailce Felix dos Santos Lima
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

Sinopse

As primeiras recordações de Jailce são de sua terra natal na Paraíba, onde passou a infância e a juventude e por lá ficou até depois de casada, quando se mudou para o Rio de Janeiro, já com vinte e cinco anos. Na época, acompanhava seu marido, que trabalhava construção civil. Foi morar na Providência, comunidade pobre do município e de onde se lembra de momento de violência e tiroteio. Por isso mesmo foi fazer parte das associações de moradores do bairro para buscar melhorias. E se envolveu com um grupo de mulheres que resolveu a abrir um bar e restaurante, o Favela Point, para dar mais opções de lazer e melhorar a vida da comunidade. Junto a isso, viu sua própria vida se transformar com seu próprio negócio.

Tags

História completa

 

 

P/1 – Dona Jailce, vou pedir para a senhora falar o seu nome, local e data de nascimento.

 

R – O meu nome é Jailce Felix dos Santos Lima, nasci no dia 05 de Junho de 1957 e moro aqui na Providência.

 

P/1 – Mas em que lugar a senhora nasceu?

 

R – Ah, nasci na Paraíba, no interior da Paraíba em uma cidade chamada Solânea. 

 

P/1 – Solânea?

 

R – Solânea.

 

P/1 – E os seus pais são da Paraíba?

 

R – São naturais da Paraíba.

 

P/1 – Eles moravam em Solânea?

 

R – Isso.

 

P/1 – Os seus avós? 

 

R – Também.

 

P/1 – Tudo de Solânea?

 

R – Todos de Solânea.

 

P/1 – E o que o seu pai fazia lá?

 

R – O meu pai ele trabalhava na agricultura...

 

P/1 – Trabalhava com o que?

 

R –... Na roça, trabalhava na roça.

 

P/1 – E a sua mãe?

 

R – Era do lar, criava os filhos né?!

 

P/1 – Quantos irmãos você tem?

 

R – Eram nove irmãos, aí faleceu um e ficaram oito.

 

P/1 – E os nove moravam na mesma casa?

 

R – Moravam na mesma casa, inclusive, a minha mãe ficou viúva aos 45 anos com nove filhos pra cuidar e todos pequenos, ela criou todos com muito sacrifício né?! Ainda chegamos a estudar, eu que cheguei a estudar mais um pouco, cheguei a fazer o segundo ano do ensino médio... 

 

P/1 – Deixa eu voltar só um pouquinho, como é que era a sua casa lá em Solânea?

 

R – Ah, era uma casa grande porque as casas de roça sempre são grandes, espaçosa, muito grande a minha casa, era um espaço bem amplo.

 

P/1 – E vocês dormiam como? Dividindo os quartos?

 

R – Eu lembro que tinham três quartos, aí dividia, só tinha eu e minha irmã, o resto era homem, aí ficavam todos lá no quarto deles e a gente no nosso, inclusive, a gente dormia com a minha mãe depois que o meu pai morreu nós ficamos dormindo com ela né?!

 

P/1 – E como é que era Solânea, como é que era essa cidade?

 

R – Ah, era uma cidade pequena, hoje ela está uma cidade muito linda, também evoluiu bastante de 30 anos para cá porque faz 30 anos que eu estou aqui, evoluiu muito, está muito linda agora.

 

P/1 – Mas como é que era na época? Descreve ela.

 

R – Ah, na época era uma cidade pequena e a gente ainda morava no interior, não no centro, morava mais no sítio. Ah, para chegar lá era uma dificuldade só, eu estudava e tinha que passar em estrada de barro, sabe? Aquela estrada não asfaltada era muito sofrimento até, mas com todo, assim, eu ainda consegui estudar, estudava a noite para ajudar a minha mãe durante o dia com os meus irmãos.

 

P/1 – Com quantos anos você entrou na escola?

 

R – Ah, eu entrei eu acho que com 11 anos.

 

P/1 – Quais que eram as brincadeiras da sua infância?

 

R – Ah, brincadeira era mais aquela brincadeira de roda, ‘atirei o pau no gato’, essas brincadeiras assim; brincar de casinha, de fazer comidinha que aprendia em casa com a mãe, era sempre isso, eram umas brincadeiras, como dizem, sadias porque hoje nem se brinca mais assim, hoje evoluiu muito, é mais videogame, as crianças tem muitas coisas, mudou muito.

 

P/1 – E como é que era na sua casa, quem exercia a autoridade, o seu pai ou sua mãe? 

 

R – Assim, eu tinha 11 anos quando o meu pai faleceu né?! Aí eu não lembro, assim, muito como que era a convivência deles, mas até onde eu presenciei era a minha mãe que decidia mais as coisas, ela que resolvia os problemas; ele era mais, assim, pra trabalhar mesmo, ele era mais do trabalho e ela que era responsável por tudo, que decidia, que resolvia, fazia tudo. Tanto é que quando ela ficou viúva eu acho que nessa parte ela nem sofreu tanto porque ela já era mais independente, ela sempre foi uma mulher de garra mesmo, uma guerreira.

 

P/1 – E vocês tiveram algum tipo de formação, educação religiosa?

 

R – Todos católicos.

 

P/1 – Mas, assim, iam muito à missa? Como é que era essa coisa na sua família? Vocês iam à missa, quando?

 

R – Sempre fomos atuantes mesmo, tanto é que hoje eu continuo na mesma religião que os meus filhos, sempre fomos atuantes.

 

P/1 – Que lembrança que você tem desse período da escola? Como é que era?

 

R – Ah, era muito bom, apesar do sofrimento porque nós tínhamos que sair das nossas casas, enfrentar, eram duas colegas e eu, éramos três, já dormia em casa de parente porque não dava para voltar para o sítio a noite, mas era muito bom, a gente se divertia muito .

 

P/1 – Por quê? O que vocês faziam?

 

R – Assim, a gente tinha os nossos momentos, a gente saía, a estrada era bem longa, então, nós tínhamos muito tempo para conversar, para brincar durante o percurso e era muito bom, muito bom mesmo.

 

P/1 – Alguma professora que você se lembra?

 

R – Ah vários, eu tive depois que entramos no ensino médio tinha vários professores, eu me lembro como se fosse hoje, até lembro o nome de alguns. Tinha um que era o professor Inaldo que era o professor de português, a professora Dilma, tinha vários e até hoje eu guardo, assim, a lembrança deles todos.

P/1 – Qual que te marcou mais?

 

R – Ah, eu acho que foi o professor de português.

 

P/1 – Por quê?

 

R – Porque, assim, ele era muito exigente sabe? Ele veio também de família humilde e passava isso pra gente e ele mostrava interesse e passava aquela imagem pra gente, eu admirava muito ele por isso.

 

P/1 – Tem algum fato que tenha te marcado na escola que você lembra, que aconteceu?

 

R – Ah, assim, engraçado? Só esse que me marcou mais até hoje eu rio quando eu lembro, é o nosso diretor, ele era juiz, aí ele chegou todo bem arrumado, aí no portão tinha tipo ferrinho, ele tropeçou e caiu, disso a gente ri até hoje quando se encontra porque ele levantou, assim, com aquela pose, olhou para um lado e para o outro, bateu a poeira, disso a gente lembra até hoje, foi muito engraçado.

 

P/1 – E vocês ajudavam o seu pai e a sua mãe?

 

R – Ah, sim ajudávamos sim.

 

P/1 – Como vocês faziam, como é que era?

 

R – Assim, como a gente estudava já na parte da noite tinha o dia todo pra ajudar né?! Aí ela tinha que ir pra roça ajudar o meu pai e eu já ficava em casa com os meus irmãos, às vezes, ia também lá pra roça ajudar a pegar as coisas lá.

 

P/1 – Que coisas?

 

R – Ah, feijão, milho, na época do inverno.

 

P/1 – Mas o que? Você ajudava a colher?

 

R – Sim, eu ajudava a colher.

 

P/1 – Com quantos anos você começou?

 

R – Ah, isso eu já deveria ter uns 15 anos.

 

P/1 – Antes dos 15 anos você não trabalhava?

 

R – Não, era só em casa, estudava, aí os meus irmãos foram crescendo, os que já eram maiores foram vindo pra cá, pro Rio e trazendo os outros, eram sete homens e duas mulheres né?! Aí eles vieram pra cá, aí um mandava buscar o outro e assim foi, estamos todos aqui, tanto é que hoje somos cinco aqui. 

 

P/1 – E por que que eles escolheram o Rio de Janeiro?

 

R – Porque, assim, já tinha parentes aqui, aí foram dando chance, arrumava trabalho e mandava buscar, aí eles foram vindo e ficaram, construíram família, hoje já estão aposentados e continuam aqui. 

 

P/1 – E a juventude? Você veio para cá com quantos anos?

 

R – Ah, eu vim pra cá depois que eu casei, com 25 anos.

 

P/1 – Ah tá, você veio bem depois?

 

R – Vim bem depois.

 

P/1 – Você passou a sua juventude lá?

 

R – Toda lá.

 

P/1 – E como é que foi a juventude lá, o que vocês faziam?

 

R – Assim, os meus irmãos eram muito ciumentos, eu não saia muito, não tive aquela juventude de hoje que sai, se diverte, não, eu não tive essa oportunidade né?! Criada entre sete irmãos, todos homens, aí é aquele ciúmes, aquele cuidado né?! Aí eu não tive aquela juventude de hoje.

 

P/1 – Mas o que você fazia? Tinha amigas?

 

R – Ah tinha, as minhas amigas de escola né?! Ia a casa delas, elas iam à minha, de fim de semana elas sempre viam a minha casa, era mais de vir na minha casa do que eu na casa delas.

 

P/1 – Mas não tinha bailinho, não tinha festa?

 

R – Tinha, tinha baile, mas, assim, eu geralmente só ia se fosse com os meus irmãos, era coisa rápida, ficava um pouquinho, já me trazia de volta e voltava, era assim, não tinha aquela de ficar muito tempo não.

 

P/1 – E namorar, você namorava?

 

R – Paquerava, só umas paqueradinhas, tanto é que eu acho que o meu primeiro namorado, assim, oficial foi o meu marido, não tive outro.

 

P/1 – Você conheceu ele lá ou aqui?

 

R – Lá, lá mesmo.

 

P/1 – Quantos anos você tinha?

 

R – Ah, eu tinha uns 18 anos.

 

P/1 – Como é que foi que vocês se conheceram?

 

R – Ah, a gente morava perto, éramos vizinhos, daí começamos a namorar, ele veio pra cá trabalhar né?! Aí comprou casa e foi arrumando tudo, depois voltou, nós casamos e estamos aqui até hoje, não teve outro antes de casar.

 

P/1 – Mas o que vocês faziam, como é que vocês namoravam? Como é que era o namoro de vocês?

 

R – Ah, era em casa, amigo presente, todo mundo, em família, era um namoro em família . Hoje já tem mais liberdade, já sai, os namorados de hoje já saem sozinhos, mas na minha época não era aquele namoro vigiado .

 

P/1 – E você tinha vontade de sair de lá e ir para outro lugar, outra cidade?

 

R – Ah sim, tinha sim por causa da dificuldade, o lugar que eu morava era, assim, não tinha muita diversão era uma coisa meio que apagada, a cidade já era bem mais desenvolvida só que a gente não tinha condições de morar no centro mesmo, tinha que ser no sítio, ao redor da cidade, mas era uma vida tranqüila, não tenho muito do que me queixar não, pra mim foi uma juventude boa, eu não reclamo do meu tempo, não tenho nada para reclamar não.

 

P/1 – E aí você ficou na escola até o segundo ano, você parou?

 

R – Aí eu parei porque eu fui reprovada, aí, assim, bateu aquele desânimo e eu fiquei, assim, revoltada aí não quis mais estudar. Tanto é que quando eu cheguei aqui o meu marido queria que eu continuasse, que eu terminasse o segundo grau e eu não quis, mas hoje eu já me arrependo, eu não quero isso para os meus filhos. Tanto é que eu até penso em estudar a noite pra concluir o ensino do segundo grau porque faz falta.

 

P/1 – Aí com quantos anos você se casou?

 

R – 25 anos.

 

P/1 – Como é que vocês decidiram, como é que ele te pediu em casamento?

 

R – Ah, foi aquela coisa né?! Vai lá, fala com os pais, na época era só a minha mãe e os meus irmãos né?! Aí tinha que pedir a mão ao mais velho e a mãe que considera o mais velho como se fosse o pai, aí era só trabalhar pra casar. 

 

P/1 – Aí você trabalhava fora?

 

R – Não, eu nunca trabalhei fora não.

 

P/1 – E teve festa? Como é que foi o casamento?

 

R – Teve festa, uma festa, assim, aquela festa de interior, convidados, baile, só que teve, assim, uma coisa que eu não sei, teve uma briga no meio da festa, o meu marido acabou baleado, ele levou dois tiros, mas graças a Deus não aconteceu o pior né?! Aí ao invés de lua de mel foi hospital.

 

P/1 – E por que que teve essa briga?

 

R – Ah, assim, porque esse pessoal do interior eles brigam por nada, qualquer coisa já é motivo, tipo cangaceiro , por nada eles já estão brigando, era uma discussão a toda, não foi nem com ele, foi com outra pessoa.

 

P/1 – Sobre o que?

 

R – Acho que foi por causa daquela coisa de dançar: “Vai dançar comigo, não vai dançar com o outro” sabe? É coisa assim, hoje eu acho que é uma coisa que não tinha nada a ver com o que aconteceu, mas aí ele que se prejudicou porque ele estava perto, até ele foi falar com a pessoa pra acalmar, aí foi na hora do tiro, tanto é que ele ficou pensando que eu tivesse alguma coisa com a pessoa que deu o tiro, todo mundo achava que eu namorava com essa pessoa porque, assim, na verdade era o que deu entender, que talvez eu tivesse namorado com essa pessoa e a pessoa com ciúmes fez isso com ele, mas não foi nada disso, simplesmente eu nem conhecia a pessoa direito, não tinha nenhum conhecimento, intimidade de falar, eu nem conhecia a pessoa, ainda bem que depois ele caiu na real e viu que eu não tinha nada a ver com a pessoa.

 

P/1 – Mas na hora ele achou?

 

R – Na hora eu acho que ele, bom, ele não falou diretamente, mas a própria família dele achava que eu tinha alguma coisa a ver porque no caso ele queria matar o meu marido pra ficar comigo, quem sabe? Mas não foi nada disso.

 

P/1 – Aí acabou com a festa?

 

R – Acabou com a festa e paramos no hospital, a bala ficou alojada na perna, foi uma coisa incrível, mas graças a Deus ele ficou bem, ficou uma semana lá, operou e ficou bem.

 

P/1 – Você passou a lua de mel...

 

R – No hospital. Aí os médicos falaram assim: “Chegou a viúva virgem”  porque eles falavam: “Já pensou? Morreu o marido e ficou a viúva virgem” era assim que ele falavam, era muito engraçado. Hoje já dá pra rir, mas na época não dava, foi sério mesmo. 

 

P/1 – Aí ele saiu do hospital?

 

R – É, ele saiu do hospital e foi pra casa, aí nós ficamos até a recuperação total e depois viajamos.

 

P/1 – Ele queria vir pro Rio também?

 

R – Queria porque ele já tinha casa aqui, ele já tinha montado a nossa casa, aí a gente ia casar e vir em seguida, só que aconteceu esse imprevisto aí.

 

P/1 – Você já tinha vindo para o Rio?

 

R – Já, tinha vindo a passeio na casa da minha irmã.

 

P/1 – Com quantos anos?

 

R – Com 17 anos.

 

P/1 – E qual foi a impressão que você teve quando chegou?

 

R – Daqui? Ah, horrível, aí depois de um mês que eu estava aqui foi que eu, tanto é que eu nem tinha vontade de vir morar aqui, mas depois, aí agora depois que eu vim, eu nunca penso em me mudar, quero ficar aqui acho que até, nem sei quando, mas eu não penso em mudar daqui. 

 

P/1 – E aí o seu marido montou a casa de vocês aonde?

 

R – Aqui perto no Cruzeiro, na Avenida do Cruzeiro, fica pertinho.

 

P/1 – E como é que era a casa? Como é que vocês vieram de lá pra cá?

 

R – A casa era simples não estava completamente mobiliada, só tinha fogão, geladeira, a cama e um sofá, era simplesmente isso, aí depois que nós fomos acabando de montar e graças a Deus deu tudo certo, tinha o primordial, o mais importante a gente tinha né?! Depois ele trabalhando nós conseguimos chegar aqui. 

 

P/1 – Ele trabalhava em que?

 

R – Ele trabalhava na construção civil, hoje ele é autônomo, mas também na área da construção civil.

 

P/1 – Mas o que que ele faz?

 

R – Ele faz casa, ele faz tudo da construção civil, ele faz tudo. Hoje ele trabalha por conta própria né?! Aí hoje ele faz mais reforma.

 

P/1 – E vocês tiveram filhos?

 

R – Tivemos um casal, a menina de 24 anos hoje e o menino de 18 anos.

 

P/1 – Então, logo que você chegou aqui você engravidou?

 

R – Não, cinco anos depois.

 

P/1 – Ah, eu fiz a conta errada então.

 

R – Cinco anos depois de casada, aí depois mais cinco para ter o outro.

 

P/1 – Como foi que você descobriu que você estava grávida, como é que foi?

 

R – Assim, eu sempre me programei, eu queria primeiro me estabilizar um pouco pra poder ter filhos, aí foi quando veio a minha filha, aí eu esperei mais cinco anos e aí tive um filho, aí também liguei já porque senão a minha mãe teve 14 morreram cinco e ainda criou nove, eu não queria seguir isso, ter um monte de filhos.

 

P/1 – Aí você ficava em casa com os meninos?

 

R – É, ele trabalhava e eu ficava em casa com os filhos, aí depois ele montou uma venda né?! Eu passei a cuidar da venda e das crianças, aí dali que eu tirava o meu sustento, assim, tipo as minhas coisas, se eu queria comprar alguma coisa pra mim eu já tirava dali, não precisava ele me dar, ele montou o negócio para mim, pra que eu tomasse conta e cuidasse das crianças, uma coisa que desse pra fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

 

P/1 – E você conseguia conciliar?

 

R – Conseguia, depois foram crescendo, a minha filha foi crescendo aí já passou a me ajudar também né?!

 

P/1 – Tem algum episódio marcante na venda que você lembra de coisas que aconteciam, que aconteceram?

 

R – Não, assim, teve várias coisas, assim, tipo de clientes meio que afobados, mas uma coisa simples não teve muita e também, assim, na época em que aqui era de mais conflito isso também foi marcante, mas graças a Deus que hoje só são vitórias.

 

P/1 – Como que era na época e quais conflitos?

 

R – Na época que tinha conflito entre os policiais, gente assim, entendeu? Essas pessoas, mas o importante é que hoje não temos mais conflitos.

 

P/1 – Mas aconteceu alguma coisa envolvendo a polícia, envolvendo a comunidade? Você lembra?

 

R – Ah, na época acontecia, acontecia sim.

 

P/1 – Conta um caso pra gente.

 

R – Caso? Assim, tinha tiroteio.

 

P/1 – Era aonde, no Cruzeiro? Onde é que era?

 

R – Era no Cruzeiro, quando tinha, assim, facções rivais, aí tinha aqueles tiroteios sabe? Mas isso em um...

 

P/1 – Aconteceu algum dentro do seu...

 

R – Não graças a Deus lá nunca aconteceu não, só mais na rua, só que atingia todo mundo porque você fica a mercê do que está acontecendo, aí você se sente prisioneira na sua própria casa né?! Mas hoje graças a Deus tudo mudou.

 

P/1 – Teve algum dia desses que foi marcante para a senhora?

 

R – Ah, já teve sim, há três anos quando a minha filha saiu pra trabalhar aconteceu um grande tiroteio nesse dia, ela saiu acho que não passou dez minutos começou, ela ficou no meio da rua deitada no chão ligando pra mim, ela ligando, chorando lá desesperada né?! Isso me marcou até hoje, ela pedindo socorro, ela lá deitadinha e as balas passando por cima dela, isso pra mim eu acho que ela nasceu porque o lugar que ela ficou era, assim, era muito, foi coisa de Deus mesmo, não aconteceu o pior com ela porque Deus não quis e nem tinha como eu ajudá-la, não era tão longe da minha casa, mas não tinha como eu ajudá-la e ninguém podia fazer nada, ela estava lá deitadinha no chão esperando só passar a fase pior, mas graças a Deus ela superou, não teve problemas porque eu até pensei que ela ia ficar com problemas porque... 

 

P/1 – Isso em Cruzeiro?

 

R –... Isso no Cruzeiro, depois da minha casa, descendo.

 

P/1 – Vocês sempre moraram na mesma casa?

 

R – Sempre moramos na mesma casa. 

 

P/1 – Cruzeiro é aqui na Providência ou não, é mais pra baixo?

 

R – É aqui na Providência mesmo.

 

P/1 – E fala uma coisa, quando você mudou aqui pra Providência como é que era?

 

R – Quando eu vim pra cá?

 

P/1 – É, como é que era esse pedaço?

 

R – Ah tá, era assim, não era muito, não era como hoje, é claro porque antigamente tinha valas, as valas abertas, não tinha calçamento, quando eu cheguei aqui a luz era um poste a cada dez casas, era tudo muito, hoje não, hoje nós já temos tudo mais evoluído, não tinha televisão, dificilmente tinha uma casa com uma televisão, era muito diferente de hoje.

 

P/1 – Mas vocês se reuniam na comunidade pra fazer festa, comida junto? Tinha alguma confraternização entre os moradores?

 

R – Não, no começo não, quando eu cheguei aqui não tinha não, só mesmo, assim, entre família, só entre família, depois que as pessoas foram se entrosando mais, aí já comemorava festa junina, já fazia festa de fim de ano, réveillon. Hoje já tem várias comemorações de fim de semana tem pagode, comemoração de dia das mães, aniversário de alguém, agora sempre tem festa.

 

P/1 – E como é que era a relação da comunidade tinha a presença da polícia, tinha tráfico, como é que era?

 

R – Ah, essas coisas sempre teve, mas era tudo mais discreto, só quando acontecia alguma coisa mais grave, mas geralmente era tudo mais discreto.

 

P/1 – E tinha já projeto social aqui?

 

R – Não, na época não tinha nada não. Esses projetos vieram bem depois, a Associação de Moradores começou a participar mais aí foi trazendo os benefícios para a comunidade.

 

P/1 – E como é que a senhora ficou sabendo, até então a senhora nunca feito nada, parte de alguma comunidade?

 

R – Não, aí depois eu comecei a participar, eu comecei a fazer parte de um projeto que veio, era Mulheres da Paz na época né?! Aí nós começamos a fazer parte e daí foram surgindo outros projetos, eu como os meus filhos já estavam criados eu digo: “Ah não, agora é a minha vez. O que for aparecendo eu participando, eu vou aprendendo mais a cada dia né?!”, aí foi assim que foi surgindo.

 

P/1 – E como é que a senhora ficou sabendo desse do Favela Point?

R – Do Favela Point? Então, a gente fazia parte desse projeto Mulheres da Paz, aí a nossa coordenadora chegou falando sobre esse projeto, que ia entrar um projeto que ia fazer um curso, ter umas aulas e quem quisesse participar, aí eu:”Ah, eu estou dentro porque tudo o que é de aprendizagem pra mim é bem vindo né?!”. Aí fizemos o curso, tivemos curso empreendedorismo e daí surgiu o nosso negócio, eram 25 pessoas, acabamos hoje em sete, aí fomos pra um hotel tivemos um dia de palestra e conseguimos montar o nosso negócio através da Chevron e da Fundo Elas né?! A Fundo Elas entrou com a qualificação, a preparação dos cursos e a Chevron com o dinheiro propriamente dito, esse foi o investimento nosso.

 

P/1 – E por que que vocês escolheram fazer comida?

 

R – Porque, assim, nós pesquisamos o que era mais necessário na comunidade, tanto é a gente queria abrir uma pastelaria de início não deu, aí nós vimos que já tinham várias coisas, não bem na comunidade, mas você descendo um pouquinho já encontrava várias coisas, então, na comunidade não tem, as pessoas chegavam e sempre procuravam comida, sempre querem comida, vem alguém lá de fora pra passar um dia ou fazer uma visita não tinha onde comer, foi aí que nós achamos importante trabalhar com comida e está dando certo, graças a Deus.

 

P/1 – E por que que a senhora resolveu fazer parte?

 

R – Então, porque assim, como já hoje os meus filhos estão criados eu não quis ficar em casa direto, eu prefiro arrumar alguma coisa para ter a minha própria independência porque eu não trabalho fora, hoje eu estou com 54 anos, fica bem mais difícil conseguir trabalho e esse veio pra somar porque, assim, foi uma chance porque nenhuma de nós ia ter como montar um negócio e tivemos essa chance, pegamos com vontade mesmo.

 

P/1 – Como é que eram as reuniões, de quanto em quanto tempo?

 

R – Ah, começamos a fazer semanal, toda semana a gente se reunia via o que tinha que fazer, como é que a gente ia montar o negócio, com a ajuda da nossa coordenadora, a Eliana, também e assim fomos e aí chegamos a conclusão de que tinha que ser mesmo esse negócio, aí fomos comprando as coisas, montando, o difícil foi o espaço, nós quase não encontramos porque o espaço tem vários lugares aqui que dava pra montar um espaço legal só que tem as casas que estão marcadas para sair desse projeto do Morar Carioca né?! Aí não tinha como nós montarmos um negócio, tivemos a sorte, esse lado ia sair, mas de repente aconteceu, não sei o que eles pensaram, de demolirem esse outro lado da escada, aí foi aí que sobrou esse espaço, o dono mudou, foi fazer lá na praça e alugou pra gente esse espaço porque até então nós ficamos muito tempo só a procura do espaço porque não tinha como, era muito difícil.

 

P/1 – Como é que foi na sua casa quando você começou a sair porque você nunca tinha feito nada fora, assim, com os seus filhos, o seu marido?

 

R – Ah tá, eles me apoiaram né?! Eles me apoiaram porque assim, eles viram a minha vontade de ter a minha independência, tudo bem, eles me ajudam, todos trabalham e todos me ajudam, mas assim, eu acho que você ficar em casa só trabalhando em casa você não tem aquela, a partir do momento que você trabalha fora você faz novas amizades, trabalha com pessoas diferentes, isso já vai ajudar bastante, aí eles me apoiaram, o meu marido também, então, eles me apoiaram.

 

P/1 – E aí você estava contando, aí vocês acharam o terreno...

 

R – É, aí achamos o terreno, não o terreno, esse espaço ali já pronto, aí fizemos a reforma porque também não estava um espaço muito adequado para o nosso negócio, aí fizemos a reforma e começamos a montar o nosso negócio e hoje estamos aí.

 

P/1 – Você lembra que dia que vocês inauguraram?

 

R – Dia 15 de Março.

 

P/1 – De que ano?

 

R – De 2012, nós montamos ele.

 

P/1 – Março agora?

 

R – É Março agora, tem dois meses só de inaugurado.

 

P/1 – E quando é que você começou no projeto? 

 

R – Começamos no projeto acho que em, ah nem sei, me deu branco...

 

P/1 – Faz o que? Um ano, dois?

 

R – Tem um ano já que nós começamos o projeto, entre cursos e qualificação tem bastante tempo.

 

P/1 – E como é que foi a escolha do nome?

 

R – Também foi difícil né?! A escolha do nome foi bem difícil, aí nós chegamos a uma conclusão de Favela Point, por quê? Porque essa favela ela é a primeira favela do Rio de Janeiro né?! É uma favela muito conhecida, teve vários momentos aqui que marcaram né?! Aí dizem, não foi da minha época, que tinha uma planta chamada favela aí foi daí que surgiu a primeira favela do Rio de Janeiro né?! Aí a gente pra reviver esse momento, aí botamos Favela Point e pegou.

 

P/1 – Nesse tempo de encontrar o terreno até inaugurar, qual foi o dia mais marcante, assim, que você fala: “Pô, aquele dia...”?

 

R – Ah, o dia das compras, o dia em que nós fomos fazer compras foi demais, apesar do cansaço, mas aí aquela vontade, você já sabia que alguma coisa de bom ia acontecer porque você já estava com tudo praticamente pronto e depois a inauguração que foi o momento mais marcante, aí teve choro, risos e tudo, foi o momento da inauguração.

 

P/1 – Como é que foi o dia da inauguração?

 

R – Ah, passamos a noite toda em claro pra deixar um ambiente bonito e fazer as coisas que tinha fazer pra oferecer aos visitantes, foi muito bonito, mas valeu à pena.

 

P/1 – Quem foram os visitantes?

 

R – Ah, veio o pessoal da UPP, o representante de lá, veio o pessoal da Chevron, da Fundo Elas e os moradores também, a comunidade participou.

 

P/1 – Os parentes?

 

R – Os parentes, amigos, todos participaram da nossa confraternização e dos outros projetos também porque não é só aqui esse projeto tem em Betânia, Cidade de Deus, Borel, aí vieram as pessoas desses projetos compartilhar da nossa felicidade, foi muito bom.

 

P/1 – O que vocês serviram, como é que estava?

 

R – Ah, nós servimos, assim, foi um café da manhã né?! Servimos lanches, pastel, salgadinhos, fizemos aquele coffee break , foi muito legal, todos adoraram.

 

P/1 – Você se lembra do primeiro dia que vocês abriram, assim, para o público?

 

R – Foi nesse dia mesmo a noite, já começou a bombar mesmo, isso foi no sábado, já ficamos a noite inteira trabalhando, foi muito bom. 

 

P/1 – Qual que é o período de funcionamento?

 

R – É das oito às duas, das duas às sete, são três horários né?! Aí ficam duas de manhã, duas a tarde e três a noite, somos em sete. Aí a noite vai até a meia noite e dependendo se tiver festa aí vamos até acabar.

 

P/1 – E a geração de renda, como é que é combinado entre vocês?

 

R – A geração de renda, assim, a gente vê tudo que foi vendido, aí disso a gente vai repor as mercadorias e o lucro a gente divide entre nós, assim é o combinado.

 

P/1 – E vocês já têm retirada?

 

R – Já tivemos já, mês passado foi o nosso primeiro salário, vamos dizer. 

 

P/1 – Antes não tinha?

 

R – Não e assim, no primeiro mês a gente tem que comprar, vê o que é mais procurado e vamos estocando as coisas pra não faltar, aí só depois a gente viu que já dava pra ter o nosso lucro.

 

P/1 – Teve algum dia no meio do projeto que você pensou em desistir?

 

R – Assim, só com a dificuldade que estava tendo do espaço, aí eu já estava pensando em desistir porque estava muito difícil, mas depois disso nunca pensamos em desistir.

 

P/1 – E o que te voltou a não pensar mais nisso?

 

R – Então, foi quando nós conseguimos o espaço, aliás, eu estou vendo que está dando lucro, o nosso trabalho está sendo compensado, é isso que dá ânimo para não desistir.

 

P/1 – E na sua família o seu marido, os seus filhos interferem?

 

R – Não, até porque sai todo mundo de manhã pra trabalhar, só chegam a noite, eu fico em casa de manhã, já deixo tudo pronto, quando eles chegam já tem tudo pronto pra eles né?! A minha filha também me ajuda bastante e assim, está dando para conciliar os dois, a casa e o trabalho, até agora eu não tive reclamação , espero não ter.

 

P/1 – O que que mudou na sua vida desde que você entrou no projeto?

 

R – Assim, é que eu tenho mais, assim, chance de conviver com outras pessoas, eu acho até que é divertido porque assim, a partir do momento que você convive com outras pessoas tem lá as suas discórdias, às vezes, mas é compensador, eu, no meu caso, eu vivia mais em casa, eu era a pessoa mais de casa, de filho, família, hoje eu já tenho outros objetivos, isso já mudou completamente a minha vida.

 

P/1 – E o que que você acha que esse projeto teve alguma mudança desde que ele veio para cá, mudou alguma coisa na região? Transformou alguma coisa na comunidade? 

 

R – Olha, eu acho eu acho que transformou sim, ouvindo das pessoas porque a gente escuta que as pessoas antes queriam ficar um fim de semana com a família chegar em algum lugar assim pra não ter que descer essa escada toda, ter um lugar pra lanchar, pra conversar, pra almoçar fora no fim de semana, não quer fazer comida, ter onde almoçar. Isso tudo eu acho que já é uma mudança na comunidade porque tem pessoas que trabalham a semana inteira fora e aí no fim de semana ela não quer fazer comida, quer almoçar fora com a família, tem um lugar pra isso. 

 

P/1 – Quantas pessoas vocês são no projeto?

 

R – Somos em sete.

 

P/1 – E qual que é a idade das pessoas?

 

R – Olha, é de 21 a 54, que sou eu e tem uma senhora que eu acho que ela tem 50 anos, nós duas somos as mais.

 

P/1 – E quando vocês fizeram esse treinamento vocês aprenderam a fazer tudo desde compra de alimentos a cozinhar?

 

R – Sim.

 

P/1 – Ou cada um aprendia um pedaço?

 

R – Não, assim, aprendemos em um todo né?! Mas cada uma já tem uma qualificação, uma sabe fazer uma coisa, passa para outra, a que não sabe aprende com quem sabe, tem uma amiga nossa que ela fez um curso de gastronomia, ela que cozinha hoje e isso, assim, a gente se reveza, a gente se divide, o que eu sei eu passo pra outra, eu faço e assim é que vai tocando o negócio.

 

P/1 – E hoje você faz o que no projeto?

 

R – No projeto né? Olha, eu faço de tudo um pouco, assim, nós não temos cada uma uma definição porque a gente vende, a gente fica no caixa, a gente faz comida dependendo do que acontecer no momento a gente faz, aí ninguém tem uma, assim, como dizer? Eu trabalho só com isso, não, todas fazem de tudo. Aí como eu fico na parte da tarde eu faço mais lanche, bolo, açaí, nós trabalhamos também com açaí, sucos, vitaminas, essas coisas.

 

P/1 – Aconteceu alguma coisa marcante, assim, quando vocês estavam cozinhando, fazendo alguma coisa, compra? Algum episódio?

 

R – Ah tá, essa semana aconteceu um né?! Um episódio sério , nós estávamos fazendo comida de repente eu não sei o que aconteceu lá, eu acho que entupiu o ralo aí começou a subir água, a encanação da vizinha, ela estava lavando roupa aí começou a subir aquela água com aquele cheirinho de amaciante, quando pensamos estava tudo inundado, isso foi demais, eu sai correndo porque eu tenho pavor de água e fogo não me pertence, eu saí correndo, todo mundo ficou rindo lá dentro, eu saí doida correndo na rua, mas assim, foi coisa que foi resolvida rápido.

 

P/1 – E vocês fazem evento para fora?

 

R – Ainda não, só na comunidade mesmo, por enquanto né?!

 

P/1 – E quais são as perspectivas futuras, assim, os planos de vocês?

 

R – Ah, o nosso plano é ter o nosso próprio espaço porque esse não é nosso é alugado, aí nós pretendemos futuramente economizar entre nós o nosso salário, aí a gente vai separando uma parte pra futuramente comprar um espaço pra gente porque aí nós já vamos ter o nosso próprio negócio porque você pagar aluguel já é um desfalque no seu orçamento e a partir do momento que é nosso mesmo, ao invés de pagar aluguel nós já vamos investir em mercadorias, em melhorias para o próprio negócio. É esse o nosso plano.

 

P/1 – Se a senhora olhasse toda a sua trajetória de vida, tudo que passou, assim, como um filme, se você tivesse que mudar alguma coisa na sua vida você mudaria?

 

R – Ah, hoje eu mudaria.

 

P/1 – O que?

 

R – Ah, eu mudaria, assim, ah tem várias coisas que eu queria mudar, uma delas é, assim, porque eu vejo muitas crianças na rua sabe? Eu não queria que ficasse tanta criança, se eu pudesse, eu construiria um espaço para as crianças pra que elas tivessem, assim, um local pra ficar ali sendo cuidadas para não ficarem largadas na rua e também que as autoridades fizessem alguma coisa por essas crianças de rua que vivem no tráfico, que vivem nessas cracolândias da vida por aí.  

 

P/1 – O que que mudou aqui antes da UPP e depois da UPP?

 

R – Antes da UPP?

 

P/1 – Mudou? Se é que mudou alguma coisa.

 

R – Mudou alguma coisa, mudou sim, assim, não completamente como deveria mudar, mas teve uma mudança significativa.

 

P/1 – Descreve pra gente mais ou menos, assim, com exemplo.

 

R– Assim, porque hoje nós já temos mais segurança, não tem mais essa coisa de você sair e ficar com medo de voltar porque antes tinha isso né?! Hoje não, nós já temos o direito de ir e vir mais tranqüilo, mais sossegado mesmo, isso mudou. 

 

P/1 – Qual que é o seu maior sonho em relação ao projeto?

 

R – Ah, é que cresça que possamos multiplicar, quem sabe até abrir uma filial em outro lugar, em outra terra, em outra comunidade quem sabe, pensar alto mesmo.

 

P/1 – Qual que é o seu maior sonho na vida?

 

R – Ah, é ver os meus filhos realizados, hoje o meu filho está no quartel, o meu filho trabalha e assim, o meu maior desejo é vê-los felizes no que eles escolheram, casar, trabalho, pra mim será a maior realização.

 

P/1 – O que você achou de dar esse depoimento, está contando a sua história de vida e falando do projeto?

 

R – Ah, eu achei ótimo reviver, assim, coisas de muito tempo, achei ótimo, muito bom.

 

P/1 – Tem alguma coisa, devem ter várias que a gente não deve ter tocado, assim, tanto da sua história de vida quanto do projeto e que você fale assim: “Ah, lembrei, podia ter falado aquilo”, tem alguma coisa que você queira falar?

 

R – Não, no momento não me lembro.

 

P/1 – Eu queria agradecer a sua participação.

 

R– Eu que agradeço de coração mesmo.

 

P/1 – Obrigada.



Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+