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História

O poder da autoconfiança

História de: Elisana Matos Campos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

A cidade do Rio de Janeiro, apesar de ser a terra natal de Elisana, por um bom tempo não foi um lugar que ela percorreu, andou pelo centro, conheceu os pontos mais famosos. A sua introversão, junto com uma baixa autoestima, deixaram-na bastante restrita em alguns pontos da cidade, próxima ao seu bairro, acreditando que não iria muito além nem nos estudos nem na vida. Mas aos poucos o mundo foi se abrindo, algumas oportunidades surgindo, e ela foi se sentindo capaz de pertencer aos lugares, abrir possibilidades e sonhar novos rumos.

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História completa

“De pequena, eu queria ser duas coisas: ou professora ou marinheira. Até os 15 anos eu queria ser professora. Aí depois o meu sonho mudou pra ser marinheira. Sempre gostei muito de uniforme e sempre achei que carreira nas forças armadas era algo que poderia modificar alguma coisa. Lá no meu bairro as pessoas que passam no concurso de forças armadas tem uma condição de vida um pouco melhor, com uma expectativa de melhorias. Minha mãe é dona de casa. Ela me criou. Aposentada agora, mas devido a uma questão de saúde. Ela cozinha, faz bolo, salgado, fez várias casamentos já. Eu não queria ir pra escola quando comecei. Tive dificuldade no ensino fundamental porque foi bem a época em que minha mãe ficou internada. Mas sempre tive boas notas: melhor em matemática e química. Português não, eu até hoje tenho dificuldade de escrever as coisas. O que eu dei de duro no fundamental eu não dei no ensino médio. Por quê? Porque eu já não tinha mais perspectiva. Eu achava as coisas difíceis. Eu não sabia que existia internet, eu não sabia de muita coisa e eu fui parando. Eu acho que eu retrocedi. Minha mãe também continuava no hospital e eu não tinha contato com ela. Não quis mais estudar, não quis pensar em trabalho também. Quis mais ficar em casa com ela quando ela voltou. Com dezessete pra dezoito, depois de cinco anos, eu fui pensar em estudar de novo. Quando criança sempre quis dar aula, mas vi como era difícil, que o sistema ia me aborrecer muito. Posso estar errada, mas preferi fazer Contabilidade. Foi quando eu estava fazendo curso de Contabilidade que eu conheci o Enter Jovem*, que a diretora da escola falou que quem não tivesse carteira de trabalho assinada que estava tendo oportunidade. Fiz um curso para ensino de informática, e aí começaram a falar de vestibular, começaram a falar de um monte de coisas. Graças a Deus sempre tiveram paciência comigo porque eu, além de tímida, eram muito emburrada, fechada. Eu nunca acreditei que eu tivesse potencial. Sempre me achei um pouco ignorante. Por um momento, eu acreditei que eu teria que viver a minha vida passando roupa, cozinhando. Até por eu ser negra, eu ser um pouco mais escura... Mas isso não quer dizer que eu tenho que ocupar a posição que foi escolhida pra mim. Eu tenho direito de escolha. Ainda tenho muito o que mudar, mas isso ninguém me tira hoje: sou assistente administrativa. Parece que eu estou sendo metida, mas não. É meu trabalho.”

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