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História

O papel social de uma grande empresa

História de: Isabella Dantas Leite
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/10/2021

Sinopse

Isabella Dantas nasceu em Paris na França no dia 02 de agosto de 1974, por um acaso do destino. Seus pais após um período de trabalho na Inglaterra passaram pela França para visitar quando sua mãe sofreu um descolamento de placenta. Sem poder pegar um avião aguardou o nascimento da filha nesta cidade. 

Seu pai era engenheiro civil e sua mãe era compositora de música contemporânea e professora da UNIRIO. 

Desde os 12 anos sua família mora em Botafogo e ela não se imagina morando em outro lugar. Ela e o irmão foram estudantes do Colégio Santo Inácio. Sem pensar muito, e seguindo os passos do irmão, optou por fazer economia na faculdade. Ingressou na UFRJ em 1992, no Campus da Praia Vermelha.

Descreve os 4 anos da faculdade como os mais incríveis da sua vida. Seus grandes amigos vêm dessa época. Foi onde começou a ter contatos com pessoas com realidades diferentes da sua.

 Do meio para o final da faculdade começou a estagiar numa empresa pequena de locação de equipamentos para hotéis. Depois de formada foi efetivada para trabalhar direto com o diretor, o que lhe agregou muita experiência. 

Se casou com 22 anos.

Em 1998, por influência da mãe, quando saiu da empresa foi trabalhar em uma produtora de audiovisual com produção de arte com um amigo da família. 

Depois de um ano e meio, engravidou do seu filho Daniel e por causa da rotina desregrada do trabalho optou por sair da empresa e se dedicar a maternidade. 

Em 2000, Isabella fez a inscrição para o concurso de FURNAS incentivada por uma amiga que só aconteceu anos depois. 

Em 2003, três anos após o nascimento do Daniel, a Isabella se separou e voltou a trabalhar na empresa de audiovisual por um ano. 

Em 2004 ingressou em FURNAS na área financeira para trabalhar com faturamento de energia. Estranhou bastante a rotina de trabalho por ser bem diferente de tudo que já tinha feito. Depois de quase um ano foi transferida para a área de gestão de qualidade de processos após realizar um curso on-line.  

Passou a trabalhar preparando os setores da empresa para as certificações ISO. Permaneceu por 6 anos no setor de qualidade.  

Em 2011, buscando um propósito, passou a atuar na área de patrocínio cultural indo trabalhar no Espaço Cultural. 

Em 2013 retornou a área de gestão, mas para trabalhar com normativas e melhorias de processos. 

Em 2018 retorna a área de Responsabilidade Social, mas não para trabalhar com patrocínio cultural e sim com os projetos de responsabilidade social. A empresa atua em 532 municípios do país e tem uma atuação social relevante em muitos deles, principalmente onde estão as sedes das Usinas.  

Hoje, Isabella é substituta do gerente de Responsabilidade Social. Tem sob sua responsabilidade 7 editais que selecionam e definem os investimentos da empresa nas áreas sociais. 


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História completa

Um pequeno excerto sobre a história de Isabella Dantas

 A nossa responsabilidade social em Furnas é muito grande. Eu não sei se vocês já tiveram oportunidade de entrevistar outras pessoas da área, mas a área é muito significativa, a gente faz muita coisa. Então assim, a parte de Patrocínio cultural, é relevante, com certeza, a gente já patrocinou coisas grandes, a gente já patrocinou Inhotim, a gente já patrocinou o grupo Corpo, a gente já patrocinou o balé da China. A gente já patrocinou alguns espetáculos brasileiros, com muito orgulho, produções bem relevantes de teatro, a empresa bem presente, nessa parte de teatro, sobretudo bem presente, teatro infantil, já fizemos muito. Mas a atuação social é muito grande. Dentro do meio, dentro do nicho técnico, as pessoas conhecem muito, quando você sai daí, não é tão conhecido, porque obviamente o negócio de Furnas é gerar e transmitir, então é disso que se fala. Mas para quem está no meio de responsabilidade social corporativa, é bem relevante a atuação da empresa.




FURNAS tem as duas linhas de Patrocínio Cultural. O nosso edital de ocupação do espaço, aqui de Botafogo, ele não era através de lei de incentivo, a gente fazia um edital, chamada publica, selecionava projetos, e montava uma programação para o ano, isso era com recurso próprio, não era recurso incentivado. Esse espaço cultural, ele funcionou até poucos anos atrás, era super interessante, coisas incríveis aqui, incríveis. Conheci Mônica Salmaso aqui, eu agradeço, sou fã dela, tudo que ela faz eu vou ver, conheci ela aqui. E outras coisas incríveis, que a gente teve aqui, a programação era muito legal, a gente montava com muito carinho. E além disso, a gente tem também, esse sim, tem até hoje, que a parte de patrocínio cultural incentivado, através de Lei Rouanet, a gente faz só Lei Rouanet, que é federal, porque ICMS e ISS a gente não recolhe, a empresa não recolhe. Hoje em dia, o edital de Patrocínio cultural, ele é conjunto, já tem alguns anos, ele é conjunto com a Eletrobras. Então a Eletrobras lidera o processo, as produtoras escrevem seus projetos, mas depois cada empresa, separadamente seleciona, existe uma banca que pontua todos os projetos, mas cada empresa seleciona aqueles que tem interesse em patrocinar. E aí a contratação é feita, cada empresa contrata os seus.

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média



No Espaço Cultural FURNAS, a gente trabalhava como se fosse na produção, na época. Então, esse shows grandes, assim, tipo boca livre e tal, era uma loucura, porque era tudo de graça. Então a gente fazia distribuição de senha, uma hora antes, aí ficava aquele tumulto, coisa de brasileiro, o povo querendo furar fila, reclamando. E a gente tinha que ficar lá fora, e era na porta da empresa, você não está na porta de um teatro, você está na porta da empresa, então tinha que manter ali a coisa organizada para daqui a pouco os engenheiros não virem reclamar, que afinal de contas isso daqui não é espaço cultural, é uma empresa de engenharia e vocês estão fazendo confusão aqui na porta. Então a gente tinha sempre essa tenção,  sobretudo quando era show sexta-feira, porque ainda tinha circulação de empregado e tal. Mas é aquilo, eu adorava, tinha gente que ficava meio nervosa, mas para mim estava meio no sangue, eu adorava. Então quando dava pepino, que tinha que contornar, você vai conversar com o produtor, você conversa com público, você ter essa capacidade de diálogo com essas partes diferentes. Enfim, pra mim era maravilhoso.

Desenho de um círculo

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Quando Comecei, eu trabalhava com gestão, vim para responsabilidade social, voltei para trabalhar com gestão, e voltei para trabalhar com responsabilidade social de novo. Só que as duas vezes que eu estive na responsabilidade social, a primeira vez eu trabalhava só com patrocínio cultural, e hoje em dia, como eu sou substituta da área, eu acabo trabalhando com tudo. Mas quando eu vim, eu falei para o meu chefe na época, “eu estou bem de patrocínio cultural, patrocínio cultural está redondo, eu agora quero atuar com responsabilidade social mesmo”. E aí até que eu viesse a ajudar ele na gestão da área mais objetiva, eu ficava bem voltada para atuação social mesmo. Até hoje é assim, eu fico mais, porque em termos de recurso e processos, enfim, energia que a gente precisa colocar, para acontecer, é muito maior. Porque o patrocínio cultural incentivado, que a gente faz hoje me dia, o espaço cultural, ele não está atuando. A gente tinha um menor em Minas, que por causa da pandemia também não está acontecendo, que é presencial. Então assim, o patrocínio cultural incentivado, ele é mais uma questão de você selecionar os projetos, e você patrocinar e acompanhar, e depois acompanhar as contrapartidas, não é uma coisa que exige ali no dia a dia.  Então roda mais redondinho, demanda menos atenção. Atuação social ela é todo dia, eu nunca decoro os números, mas assim, são sei lá, 12 estados. A nossa lista de municípios de influência tem 532 municípios, então assim, isso envolve subestações, usinas, linhas de transmissão. A lista que a gente usa em edital, tem 532 municípios, então você imagina a quantidade de questões sociais presentes em 532 municípios.  Você imagina uma linha de transmissão, ela vai passando, vai passando, vai passando, às vezes ela pega a pontinha de um município, mas a gente está ali presente. Aí você vai me perguntar, a gente atua da mesma forma nos 532 municípios? Claro que não, quando você fala, por exemplo, quando você fala dos municípios no em torno, do lado da usina de Furnas, onde a gente está vivendo toda essa questão agora, enfim, da seca do nível do reservatório, que está todo mundo acompanhando, essa loucura que está. Enfim, é uma região que a gente tem que estar muito mais presente, do que no município que passa uma linha de transmissão na pontinha, mas ali no papel, são 532 municípios, onde a empresa está presente. Então eventualmente você tem uma atuação social que não para. São demandas infinitas, sobretudo nesses municípios, onde a gente tem a sede das usinas, às vezes são municípios muito pequenininhos, então a importância do empreendimento num município como esse, é enorme, a gente não está falando do Rio de Janeiro, a gente está falando, Iraci, sei lá, nomes que a gente nunca ouviu falar, e que tem uns empreendimentos enormes, que não tem tanta gente, porque não tem tantas pessoas assim, para operar esses empreendimentos, mas que tem uma importância para região, e que a população muitas vezes ver ali, como uma fonte de oportunidade, seja de projeto, seja de auxílio. Durante a pandemia, por exemplo, a gente atuou muito, a gente fez muita distribuição, de kit de higiene, a gente fez distribuição de cestas básicas, porque as pessoas estavam precisando e a gente de alguma maneira... é aquela história, não tem empresa saudável, num território que não está saudável. Então para que a coisa aconteça de forma harmônica, para que as pessoas que trabalham ali tenham tranquilidade para trabalhar, precisa garantir que o entorno está de certa maneira atendido. A gente não é poder público, muitas vezes as comunidades esperam da empresa um papel de poder público, que a gente não tem. A gente não tem nem orçamento, nem expertise para isso. “Ah, não tem saneamento básico, não tem água”. Isso é uma questão que o poder público tem que resolver, a gente não consegue. Mas outras coisas a gente consegue, estar presente fazendo captação, dar um apoio ao projeto social da região, a gente tem edital de projetos sociais, são sempre voltados para o entorno do empreendimento. Então a gente consegue atuar, dentro do que uma empresa consegue fazer.

Desenho de um círculo

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Eu acho assim, de forma simplificada, quando você põe um empreendimento novo num lugar, você gera impacto. Você põe uma usina num lugar, você alaga, você desloca pessoas. Você põe uma subestação num lugar, é um empreendimento grande, que gera impacto. Você passa uma linha, você gera impacto. Você gera impacto positivo e você gera impacto negativo também. Você pode gerar emprego, você pode gerar melhores condições ali para a população da região, se for bem conduzido. Então eu acho que é assim, área de responsabilidade social, ela vem para lidar com isso, ela vem para lidar com esses impactos, tantos negativos, que aí você vai mitigar, quantos os positivos, que você vai tentar potencializar. Eu acho que de forma bem resumida, meu entendimento é para isso que funciona, é para isso que serve, uma área de responsabilidade social. E aí a partir dessa mitigação desses impactos negativos e a potencialização dos impactos positivos, você cria uma relação saudável, com o entorno do teu empreendimento, que precisa existir. Um exemplo, a gente tem uma subestação aqui no Rio, que é a subestação de São José, fica aqui na Baixada Fluminense, que é uma região complexa. Quando essa subestação foi colocada lá, não tinha nada, era o fim do mundo, só tinha mato. É a subestação que abastece o metrô e o aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Com a urbanização super desgovernada, que é muito forte aqui na Baixada Fluminense, essa subestação hoje em dia ela fica no meio de uma área de conflito, seríssima, é uma das nossas áreas mais delicadas, a gente tem que estar sempre atento ali, sempre atento. A gente tem um centro comunitário é o único Centro Comunitário que a gente tem, que fica ali funcionando permanentemente, atendendo a comunidade. Agora por causa da pandemia a gente não pode fazer, porque é tudo presencial, mas tirando essa situação de exceção, a gente tem que manter ali. Por quê? Porque as pessoas têm que conseguir chegar no trabalho, as pessoas têm que conseguir entrar, tem que conseguir sair. E aí às vezes você precisa manter essa relação próxima, porque você está dentro de uma área de conflito. É claro, eu estou colocando aqui uma exceção extrema, mas para você entender, a gente tem que estar sempre ali funcionando. E outros lugares que não têm essa situação tão extremada, você tem que garantir, não pode ter uma comunidade na porta de uma usina, onde as pessoas não têm acesso a nada, isso é um contrassenso, isso é um disparate. Então é um pouco isso, é você garantir ali que o seu entorno, dentro de uma maneira do que é o seu limite ali, que a empresa pode fazer. A gente não é poder público, mas a gente tem um acesso, um diálogo, com o poder público, que às vezes a própria comunidade não tem. Então você pode não fazer, mas você pode dialogar, você pode tentar trazer, você pode proporcionar, que é uma outra linha de atuação nossa também, que é das mais bonitas que eu acho. Você capacitar essa população venerável, para que ela perceba que ela pode dialogar com o poder público, que ela pode buscar os direitos, aquilo que a empresa não tem como dar. Então você fortalece essas pessoas, você cria, você identifica a potencialidade, você fortalece essas comunidades no sentido de que elas mesmas se tornam conscientes dos direitos delas, e tenham capacidade de buscá-los. É uma outra linha de atuação, é muito rico, riquíssimo encantador.


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