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História

O papel das relações públicas no relacionamento com a comunidade.

História de: Rubens Nogueira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 09/11/2005

Sinopse

Rubens Nogueira, nasceu no ano de 1928 na cidade de Sorocada, no estado de São Paulo. Conta sobre seu ingresso na Usina Hidroelétrica de Itaipu para onde foi transferido do Rio de Janeiro. Expõe suas impressões e momentos marcantes na empresa até o momento de sua aposentadoria.

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Identificação
Meu nome é Rubens Nogueira, nasci a 30 de julho de 1928, em Sorocaba, estado de São Paulo.

Família
Meus pais são Theodoro Nogueira e Hortência Nogueira.

Carreira
Desenvolvimento da carreira Vim para Foz do Iguaçu porque eu fui admitido para trabalhar para Itaipu no Rio de Janeiro onde eu exercia minha atividade. Eu trabalhava lá em 1976 e durante cinco anos eu trabalhei lá. Em 1981 o assessor de relações públicas daqui pediu demissão e eu fui transferido pra Foz do Iguaçu e aqui trabalhei por mais de 10 anos no total trabalhei 15 anos na Itaipu Binacional.

Foz do Iguaçu


Primeiras impressões
Olha, a primeira vez que vim para cá, o impacto foi o seguinte: em 1976, Foz do Iguaçu era uma cidade muito pequena com apenas 36 mil habitantes, não havia praticamente asfalto, telefone precário, o aeroporto fechava às 6 horas da tarde. Era uma cidade pacata, uma cidade que me lembrava Sorocaba quando eu sai de lá em 1948 com 20 anos para tentar a vida no Rio de Janeiro.

Itaipu


Sobre José Costa Cavalcanti
A impressão de Itaipu sempre foi muito positiva porque um projeto do tamanho que é o projeto Itaipu, conduzido magistralmente por um homem chamado José Costa Cavalcanti. Um homem que já havia sido Ministro das Minas e Energias, Ministro do Interior e que assumiu a direção de Itaipu com uma equipe excepcional e que como ele mesmo disse ao final de uma visita depois de ter se ausentado de Itaipu ele deu a alma à esta obra. Eu tenho a convicção de que sem o trabalho, a dedicação, o esforço daquele homem Itaipu não teria saído do projeto. Essa dedicação se manifestava provavelmente eu não estava dentro dele, mas em pensar em Itaipu 24 horas por dia em estar sempre disposto em sair do Rio para ir a Brasília discutir e pedir ajuda financeira e ajuda de aprovação para que o cronograma não se atrasasse, ele realmente, ele vivia Itaipu.

Dia-a-dia do trabalho
Itaipu sempre foi muito contestada na região. Então quando eu cheguei aqui em 1981 estava no auge de desapropriação, uma vasta área de Foz do Iguaçu até Guaíra há centenas de terrenos, de fazendas, de propriedades que teriam que ser desapropriadas para a formação do lago. Então os políticos, a imprensa era hostil a Itaipu, o meu trabalho como assessor de relações públicas era tentar mudar um pouco essa mentalidade através da comunicação, do esclarecimento, da visitação trazendo as pessoas, as entidades comunidades autoritárias e autoridades da região para conhecer de perto o projeto o que ele significava para a redenção do Brasil no campo energético. E foi um trabalho que era muito pequeno em relação ao que fazia a diretoria jurídica, faziam outros diretores, mas na minha pequena área de relações públicas eu acredito que nós fomos felizes porque nós preparamos materiais de divulgação, preparamos filmes, documentários, fotografamos, divulgamos isso tudo e recebíamos cerca de mil visitantes por dia numa certa ocasião.

Desapropriações
Olha, a desapropriação era indispensável para que o projeto prosseguisse, Itaipu foi muito generosa com os proprietários, ela fez avaliações sempre pelo maior valor. Houve algumas resistências, mas 95% foi de aceitação muita gente aceitou bem e Itaipu trabalhou pela recolocação dessas pessoas em outras áreas, em outros estados, enfim, foi um trabalho criterioso, um trabalho de grande planejamento e eu acredito que hoje em dia todo mundo reconhece como foi benéfico fazer esse projeto que atende mais de 20% de toda a exigência de energia elétrica no Brasil. A aceitação era fundamental, mas a convivência também, então nós organizávamos programas sociais, artísticos, esportivos não diretamente mas o nosso setor de relações públicas mas ele colaborava com essas atividades que era da assistente social, da diretoria de administração e tal para fazer o entrosamento com a comunidade local. Dávamos todo o apoio às entidades locais, fosse religiosa, fosse comercial, fosse esportiva, enfim, eu acredito que hoje em dia quem olha pra trás sente que o trabalho foi bem feito. Houve muita crendice cada vez que explodia uma carga de dinamite as janelas tremiam na cidade e as pessoas ficavam um pouco assustadas e tal. Isso era praticamente 24 horas por dia. Itaipu tinha um consumo de dinamite fantástico pra abrir na rocha o canal de desvio, por exemplo, com 150 metros de altura, quase 2 quilômetros, né, era um trabalho muito intenso.

Momentos marcantes
Olha, foi um momento fantástico que eram 50 mil quilos de explosivos em poucos segundos, quem assistiu aquilo não esquece jamais. O avanço da água barrenta aos borbotões, um rio de 450 metros quadrados de repente tendo que correr por 150 metros de largura. Por todo lado, era uma beleza, era um espetáculo assustador, mas demonstrativo da capacidade do homem de domar um rio como o Paraná. Pra dizer a verdade nós tínhamos acontecimentos diários, porque o setor de relações públicas recebia visitantes do mundo inteiro. Então falando em comunidade internacional, um episódio muito curioso da visita da Princesa Anne, a filha da rainha da Inglaterra que foi preparado com muita antecedência e com muita solenidade, mas quando ela chegou na casa de força um desses servidores humildes com aquele tambor de café com copinhos de plástico se aproximou da princesa e ofereceu pra ela e ela aceitou de bom grado, pronto acabou-se toda aquele protocolo, foi uma beleza.

Vida Atual
Olha, depois que eu me aposentei eu passei a me dedicar as letras ler e escrever. A Fundação Itaipu que foi criada na administração do Ministro Ney Braga. Eu sou um escritor memorialista, já estou no meu quarto livro então o passado tem que ser preservado. Preservado no documento, preservado na imagem, preservado na gravação e quando me convidaram pra esse projeto eu fiquei muito feliz, porque eu teria a idéia de ter feito um projeto pessoal pra mim e agora tranqüilamente convidado estou aqui muito honrado, muito feliz.

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