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História

O operário número um da Petrobras

História de: Eugênio Antonelli
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 24/03/2015

Sinopse

Eugênio nos conta a história de sua família, de origem italiana, seu primeiro emprego, a casa de sua infância e seu interesse por futebol. Nos fala também sobre a impressionante história do nascimento da Petrobras, com as pesquisas de Oscar Cordeiro na Bahia pelo Ministério da Agricultura. Ele também faria parte dessa história, ao explorar o campo de Lobato com seu irmão, ambos pelo Conselho Nacional do Petróleo nos anos 40. Eugênio discorre sobre a construção de outros campos pioneiros, como Aratu, e as refinarias de Mataripe e Candeias, a primeira onde trabalhou por 38 anos, até sua aposentadoria.

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História completa

Nesse tempo (1938), a única refinaria no Brasil era aqui na Bahia, e o petróleo era a Bahia. Então a transferência do Conselho para a Petrobras realizou-se em Mataripe. Chegou lá o presidente do Conselho, o doutor Hélio Beltrão, que era o consultor jurídico do Conselho; foi diretor da Petrobras. O presidente do Conselho nessa época era Plínio Catanhede. E foi o general Juraci Magalhães. Aí, nós do Conselho éramos funcionários públicos federais. Todo mundo já com estabilidade, eu mesmo já tinha 13 anos de funcionário público. Depois da transferência, assinados os papéis da transferência, deu a posse do primeiro presidente da Petrobras, que foi o general Juraci Magalhães. Depois disso tudo, o Beltrão se dirigiu aos operários. “Quem quiser ser operário da Petrobras tem que pedir demissão do serviço público.” O único que levantou a mão foi eu. Eu assinei o termo de pedido de demissão. Depois disso ele perguntou: "Mais alguém aí?" Ninguém. Ele disse: "Antonelli, você é o operário número um da Petrobras." Eu era chamado de Antonelli, todo mundo me chamava de Antonelli. Depois que eu passei a empregado da Petrobras, minha matrícula passou a 0001. Aí ninguém me chamava mais de Antonelli: "01!" O 02 era o Carlos Freitas. Porque aí a Petrobras requisitou todos os empregados do Conselho, para trabalhar para ela. Com o tempo, alguns desistiram, foram embora, não aceitaram. Depois, com o tempo, todo mundo foi passando para a Petrobras. Inclusive admitiram gente nova. Esse Carlos Freitas mesmo era apontador no campo de Candeias, foi para lá como apontador para ser o número dois. O Teixeira o número três, e o outro número quatro, Ecídio Pascal o número cinco.

 

Petróleo existe hoje no Brasil, agradece a Oscar Cordeiro, foi o responsável pela produção de petróleo do Lobato. Ele era diretor da bolsa de mercadoria. Como foi que surgiu o petróleo do Lobato? Oscar Cordeiro era conhecido na Bahia toda. Onde tinha mineral, ele estava lá. Sertanejo conhecia ele, arranjava uma pedra diferente, trazia na bolsa para mostrar a ele. Trabalhava com ele também o geólogo Manuel Inácio Bastos. Um cidadão morador do Lobato, que morava num lugar mais alto, cavou um poço para água. Quando chegou no nível do mar, encontrou água, tal, parou, deixou lá para decantar, a água para limpar. No outro dia de manhã, que ele foi olhar o poço, tinha uma camada de óleo em cima. Um óleo com um cheiro diferente: "Quem foi que botou esse óleo aqui do lado?" Quem podia achar esse óleo? Aí chegou ao conhecimento de Cordeiro. O Cordeiro foi lá com o geólogo, colheu a mostra, mandou analisar: petróleo. Aí o Cordeiro ficou maluco. Se dirigiu logo ao Conselho de Fomento pedindo sonda para Marinha, foi até Getúlio Vargas. Aí foi que, em 37, chegou a sonda para lá, Norte e Nordeste. A primeira perfuração na Bahia foi no Tabuleiro de Camaçarí. Terreno arenoso, sonda de percussão, perfurava batendo. À medida que ia batendo, ia desmoronando. O desmoronamento chegou até perto da torre, aí pararam. Aí vieram para a Bahia, o meu irmão. Ele era o sondador. Montou uma sonda rotativa no Lobato, na beira da linha, para o mar, Península de Itapagipe, a estrada de ferro, e o perfuro assim. Quando foi no dia 15 de janeiro de 1939, o petróleo aflorou. Naquele tempo só se trabalhava de dia. De sol a sol. Não tinha iluminação, de noite parava. De manhã, quando chegaram, o petróleo estava correndo pela linha do trem. Aí chamaram o Cordeiro. O Cordeiro, quando viu, ficou maluco. Aí começou a pedir sonda, até que a sonda chegou. Aí, chegaram sondas modernas, americanas, da Companhia Drilling, que explorava petróleo. Aí o petróleo do Lobato só foi o marco inicial, produção muito pequena. Dez, 12 barris por dia - não era uma produção comercial. Aí mandaram a sonda para o interior. Foi sonda para Itaparica, foi sonda para o Campo de Aratu. Campo de Aratu deu muito gás. Foi sonda para Candeias, Catu, para o Pojuca, e Araçá. Em todos esses lugares deu petróleo. Aí já tinha petróleo na Bahia para uma refinaria de pequeno porte. As sondas vieram dos Estados Unidos, eram americanas. Vieram só dois técnicos para fazer treinamento. 

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