Busca avançada



Criar

História

“O mundo precisa de mudança”

História de: Maria Catarina Castor de Araújo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/12/2020

Sinopse

Maria Catarina Castro de Araújo nos conta sobre seu envolvimento na criação da diretoria de responsabilidade social da ABIMAQ, que tem como objetivo principal disseminar o tema entre as empresas associadas. Acredita que muitas empresas estão implementando a  responsabilidade social, mas que para muitas outras ainda é um tabu. Relata que nota uma mudança de comportamento das pessoas, que estão aos poucos, começando a se importar com questões ambientais.

Tags

História completa

P/1 – Catarina, boa noite.

 

R – Boa noite.

 

P/1 – Vamos começar com você nos falando o seu nome completo, o local, e a data do seu nascimento.

 

R – Eu sou Maria Catarina Castro de Araújo. Eu nasci em Recife no dia 1º de agosto de 1979.

 

P/1 – E qual é a sua atividade atualmente?

 

R – Atualmente eu trabalho como assistente da diretoria de responsabilidade social da ABIMAQ, que é a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, fica aqui a sede aqui em São Paulo no Jabaquara. 

 

P/1 – Certo. E como você conheceu o Instituto Ethos?

 

R – Foi no ano de 2005. Eu ainda não trabalhava ainda lá na ABIMAQ, trabalhava num jornal e era um jornal de panificação e eu fui fazer uma matéria sobre responsabilidade social, na época não tinha a idéia sobre o tema, e quando eu procurei e fui buscar locais que tivessem conceitos sobre o tema eu encontrei o Instituto Ethos, então o primeiro conceito que eu tenho conhecimento é o conceito que é divulgado pelo Instituto. Então desde essa época, até hoje, eu sempre recorro ao Instituto para buscar esses conceitos.

 

P/1 – E atualmente a ABIMAQ ela é parceira, ela é associada do Ethos?

 

R – A ABIMAQ é associada do Ethos desde de 2006, a gente já fez alguns trabalhos em parcerias, algumas palestras e oficinas de capacitação tanto dos indicadores Ethos, quanto... Assim palestras dos indicadores Ethos e oficinas pra nossos associados, e a gente tem uma parceria também, fizemos na eleição passada uma publicação sobre responsabilidade social no processo eleitoral, a ABIMAQ patrocinou uma publicação que o Ethos sempre faz no ano eleitoral. E fora isso contatos com pessoas assim.

 

P/1 – E você pode falar um pouquinho das ações socioambientais que a ABIMAQ desenvolve?

 

R – A gente não tem ações socioambientais, na verdade é mais responsabilidade social mesmo. A diretoria de responsabilidade social da ABIMAQ foi criada em 2005, eu comecei a trabalhar lá em fevereiro  de 2006, e o objetivo principal da diretoria é justamente disseminar o tema responsabilidade social entre as empresas associadas que são no Brasil inteiro. A gente não trabalha muito com essa questão de ir atrás, ainda não tem uma logística, não tem como buscar ao associado. A gente trabalha mais com demanda, quando o associado procura, a gente tenta atender a necessidade dele seja a responsabilidade social empresarial, seja sobre investimento social privado, seja sobre voluntariado, balanço social ou qualquer um dos temas que envolvem responsabilidade social e que eles estejam querendo saber.

 

P/1 – E vocês procuram alinhar com os indicadores do Ethos?

 

R – Sim, inclusive até pouco tempo atrás a gente fez uma palestra junto com a Petrobrás. Porque a Petrobrás utiliza pra cadeia de fornecedores deles os indicadores do Ethos e a maioria das empresas associadas da ABIMAQ são fornecedoras, ou querem ser fornecedoras da Petrobrás e a gente tinha que alinhar, de certa forma, os indicadores pra necessidade que eles têm. 

 

P/1 – E as empresas associadas, você falou que trabalha com a demanda, né? Tem bastante demanda assim das empresas associadas?

 

R – Olha, é um tema muito novo ainda por mais que a gente esteja envolvida até com o Instituto, mas pras empresas é um tema novo e não existe uma demanda tão grande. Mas a tendência, é sim, que passe a existir, porque é um tema que não tem mais volta, a partir de agora isso vai cada vez crescer mais e mais, porque se a gente não consegue melhorar as coisas, vai pra um caminho sem volta, é mais ou menos isso que vai acontecer.

 

P/1 – E como você avalia, de modo geral, a sensibilização e o engajamento das empresas brasileiras nesse movimento de responsabilidade social e ambiental também, né?

 

R – Como eu avalio as empresas brasileiras?

 

P/1 – É no geral, não só na ABIMAQ, mas de uma forma ampla.

 

R – É engraçado, eu tava comentando isso hoje. Porque assim, eu que participo, que tô inserida dentro do movimento, é a terceira conferência que eu participo. Pra mim que participo diretamente do movimento, as discussões estão cada vez maiores, a gente sente sim uma diferença, uma amplitude da discussão, a necessidade. Mas ao mesmo tempo eu lido com as empresas que estão fora e que não participam desse movimento ainda e pra essas empresas ainda é meio que eu diria um tabu falar de responsabilidade social. Tabu no sentido não de proibição, mas no sentido de que ainda precisa ser feito muita coisa pra que as pessoas conheçam em si o tema. Em contrapartida, tá sendo feito assim, as pessoas tem mudado muito a consciência de melhoria do planeta, e de preocupação com o planeta, essa questão de consumir os bens de forma mais racional, de forma consciente. A gente nota que as pessoas, elas estão querendo fazer alguma coisa pra melhorar o mundo, e você percebe isso, por exemplo, nos funcionários das empresas eles perguntam, eles se interessam por temas de meio ambiente. E essa mudança que eu acho que não só o Ethos quer, como o mundo precisa, porque as empresas são feitas de pessoas e são essas pessoas que vão mudar e tornar o mundo sustentável e justo, que é o que o Ethos tanto prega, e tanto quer assim como a gente também. 

 

P/1 – E como você avalia o estágio brasileiro, das empresas brasileiras, em relação aos demais países do mundo? Que estágio você acha que a gente tá?

 

R – Eu acho que o Brasil tá bem, eu sinceramente sou uma brasileira daquelas que “Sou brasileira e não desisto nunca!” Não, mas eu acho que o Brasil tá bem a frente na questão da ISO-26.000, que é ISO [International Organization for Standardization] de responsabilidade social. O Brasil tá a frente, inclusive, nas discussões porque o presidente é brasileiro e em outras coisas, como através do próprio Instituto Ethos, ele tá sempre a frente nas discussões internacionais. Eu acho que o povo brasileiro é um povo consciente de todos esses tratados da questão do carbono, dos créditos de carbono. Eu acho que o brasileiro em si é um povo consciente do seu papel. A gente tem muita, tem muito recurso natural mas, de certa forma, olhando o contexto do Brasil como um todo, sem levar em consideração as grandes cidades, a poluição que os carros produzem entre outras coisas, eu acho que o brasileiro é um povo consciente e as pessoas que não são conscientes elas tendem a tentar mudar. Eu acho que é uma coisa bacana assim do Brasil isso.

 

P/1 – E qual você acha que é o maior desafio do Instituto Ethos?

 

R – Maior desafio? Eu acho que o maior desafio é cada vez ampliar mais esse movimento, mobilizar e sensibilizar mais pessoas em busca dessa, desse objetivo maior que é a responsabilidade social.

 

P/1 – E o que você considera a maior realização do Instituto Ethos no setor de responsabilidade social e ambiental?

 

R – A maior realização?

 

P/1 – É, até agora.

 

R – Eu acho que uma empresa... Dez anos parece pouco, mas eu acho que uma empresa que sobrevive dez anos no Brasil levando, conduzindo a bandeira de um tema que parece, que no princípio era tão, não sei... um tema que parecia vago no princípio, eu acho que isso já é uma grande vitória. Ontem o Ricardo tava falando na plenária que comparando... Aliás na abertura ele compara o Instituto com uma criança de dez anos que sabe que já fez muita coisa, mas que tem muita coisa ainda por fazer. Eu acho que essa metáfora é bem verdadeira, porque uma empresa de dez anos já viveu muita coisa, mas ela ainda tem muito mais por viver. Então assim, isso ao mesmo tempo que é um desafio é um resultado muito grande do que já tá sendo feito.

 

P/1 – E o que você acha como o Instituto deve se posicionar para os próximos dez anos?

 

R – Eu acho que cada vez mais as pessoas devem se engajar em busca desse objetivo maior que é tornar o mundo sustentável e justo. Eu acho que esse engajamento é feito através de parcerias, de idéias semelhantes que é o que acontece num evento como uma conferência. As pessoas que estão aqui, elas pensam de certa forma da mesma maneira, elas conseguem dialogar e criar idéias, escrever, propor idéias pra serem executadas depois daqui em um outro momento. Eu acho que o Ethos pode fazer isso, pode criar essas parcerias e ampliar cada vez mais as redes que eles têm. 

 

P/1 – Então é isso.

 

R – É isso, obrigada.

 

P/1 – Obrigada.


Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+