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História

O mundo das artes é o seu meio

História de: Ênio Jorge Arisio Squeff
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/07/2020

Sinopse

Ênio, jovem jornalista, saiu de Porto Alegre depois de ser classificado entre mais de dois mil candidatos para trabalhar na revista Veja em São Paulo. Passou por vários veículos da grande imprensa brasileira. Vivenciou e cobriu a multiplicidade cultural da metrópole, enaltecendo a importância do Teatro Municipal e as possibilidades de valorizar o centro da cidade que ele adotou como sua.

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História completa

P/1: Boa Tarde.

 

R: Boa Tarde.

 

P/1: Diz pra gente seu nome completo.

 

R: Ênio Jorge Arisio Squeff.

 

P/1: O local e a data de nascimento.

 

R: 9 de julho de 1943 em Porto Alegre.

 

P/1: Ênio, qual é o seu centro aqui na cidade? Os locais que você frequenta?

 

R: Meu centro, na verdade, é esse centrão daqui mesmo, embora eu tivesse...porque quando eu trabalhava no Estadão, isso lá pela década de 1970, eu fazia este trajeto da Avenida Maria Paula... eu acho que é esse o nome, até a Rua Riachuelo, eu tinha dois empregos nessa época. De manhã eu trabalhava na secretaria de obras e a tarde no Estadão como jornalista. Aliás, nos dois empregos eu trabalhava como jornalista, mas num deles eu era redator do setor de imprensa da secretaria de obras, aquela época era só secretaria de obras. E a tarde eu trabalhava no setor de artes, na página de artes do Estadão, como eu já tinha muito contato com música, com artes plásticas, com literatura, com cinema, enfim, com esse mundo da arte que sempre foi o meu mundo, que sempre foi o mundo que me seduziu e que me fez, afinal de contas, optar pela pintura depois de muitos anos de trabalho jornalístico.

 

P/1: Enio, você fala pra gente a importância do Teatro Municipal de uma cidade desse tamanho, e ele está localizado no centro da cidade.

 

R: Em primeiro lugar eu gostaria de dizer que como migrante, ou seja, como um sujeito que chegou em São Paulo, como vindo de outro estado...e eu mais ou menos vim meio que correndo da polícia porque naquela época - estamos falando da plena ditadura - naquela época meu nome era fichado no Rio Grande do Sul, aliás eu me orgulho muito disso. E eu era considerado, porque tinha sido convidado a lecionar na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, eu era considerado subversivo e não consegui apresentar um documento que era fundamental pra que eu ingressasse na universidade, que era o atestado ideológico, onde eu tinha que dizer que eu não era comunista, que eu não era socialista, que eu não tinha as posições políticas que eu ainda tenho hoje. Até hoje eu ainda as tenho, enfim, sou um dinossauro, digamos assim, né? Então eu vim pra São Paulo para trabalhar na revista Veja, fui escolhido entre 2 mil candidatos do país inteiro. Eu era jovem repórter, jovem jornalista, escolhido para trabalhar na revista Veja e eu me lembro que desde então eu praticamente não saí do Centro. Isso, quer dizer, a minha saída do Centro só vai se dar nos últimos 15 anos, quando eu começo a trabalhar em outros locais e daí então eu me afasto do centro. Mas o centro de São Paulo ele é muito a expressão da nossa cidade, eu digo nossa cidade porque eu sou paulistano por adoção, eu acho que os filhos adotivos muitas vezes têm mais direito de ser críticos em relação aos pais ou em relação a sua cidade do que aqueles que nascem aqui. E eu acho que o Centro expressa muito uma verdade de São Paulo, que a partir de um determinado momento, a cidade passa a ser invadida por migrantes de norte a sul do país; o centro do capitalismo brasileiro está aqui na cidade, e ela então passa a atrair, até por questões de emprego, no meu caso foi também isso, embora eu tivesse e houvesse razões política e naquele tempo o setor de informações do exército, da ditadura, não tinha tantas conexões entre uma cidade e outra e portanto eu acabei vindo pra cá quase como foragido, quase que como exilado, de Porto Alegre pra São Paulo. E, essa cidade passou a ser, enfim, o centro que reuniu o país inteiro. Eu acho muito engraçado quando as pessoas dizem que o Rio de Janeiro é a expressão do Brasil. Não, eu acho que o Rio de Janeiro não é a expressão do Brasil, a expressão do Brasil é São Paulo, realmente. E isso significa que São Paulo são as mazelas do Brasil também, porque numa certa medida as pessoas que nasceram aqui, elas como que se esqueceram ou estavam em minoria e acabaram se esquecendo da memória da cidade, quer dizer, elas eram aquela memória que a cidade tinha e a cidade se esqueceu. Quer dizer, e a cidade não só as esqueceu, como elas não tiveram mais voz ativa na preservação da cidade. E os outros, os que chegaram, também pelo fato de serem novos, de estarem chegando aqui eles também não tinham possibilidade de opinarem sobre a cidade, então a cidade ficou uma terra de ninguém, e restou o Teatro Municipal. Você fala do Teatro Municipal, que pra mim era a coisa de mais orgulho. Na época que eu fui crítico musical, eu me lembro que uma das coisas que eu sempre dizia aos norte-americanos - principalmente os americanos, tinha muitos amigos norte-americanos, mas os estrangeiros de um modo geral - ,que eu considerava, apesar de tudo, apesar de toda a agressão que a cidade vinha sofrendo, eu a considerava muito bela, e não só porque ela era minha, mas porque ela tinha coisas muito bonitas, e o Teatro Municipal é realmente um deles, desses monumentos históricos que se mantém cercado por uma estação rodoviária, cercados de edifícios do Mappin, como o do Mappin...eu destruiria aquele edifício , agora que o Mappin quebrou, eu destruiria aquele edifício, faria uma grande alameda. Eu me lembro que eu conversei sobre isso uma vez com o Cláudio, crítico de teatro que foi secretário de cultura, eu destruiria todos aqueles edifícios, até a Biblioteca Mário de Andrade, e faria uma grande alameda em direção ao Teatro Municipal. Eu acho que esse seria um grande projeto a ser feito, como início de recuperação do centro da cidade. Eu me lembro de um depoimento que eu tive uma vez, nada menos e nada mais do que o grande compositor Francisco ____, esse paulistano, e que me relatava do medo dele na inauguração do Teatro Municipal em 1911. Ele então garoto de 14 anos sendo levado pela mãe e o Viaduto do Chá, nessa época, não estava asfaltado. Ele tinha todo, ele era como que esburacado, ele tinha uma espécie de esteira que o atravessava, de madeira, e ele contava que a mãe dele com um vestido comprido, né, aqueles vestidos da belle époque ainda, ele louco de medo agarrado na mãe, vendo o Vale do Anhangabaú, lá embaixo.

 

P/1: [Risos].

 

R: E então, ele contava, relatava da memória, que foi até no próprio Teatro Municipal que ele me contou essa história, quando eu comecei a conversar, imagina, sobre o período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial.

E eu acho que a recuperação do centro tem que começar por essas áreas nobres, inclusive, talvez com o replantio dos coqueiros, não, ou melhor, das palmeiras que o prefeito Olavo Setúbal, destruiu na Avenida São Luís. Eu me lembro que com a maior desfaçatez do mundo, desfaçatez típica de um banqueiro. Aliás, infelizmente, a gente tem que dizer que essa cidade foi destruída principalmente pelo empresariado, principalmente pelo empresariado, diga-se de passagem. Não são os operários, não são os funcionários públicos que destruíram essa cidade, não são sequer os políticos, foi realmente o empresariado que destruiu essa cidade, que não tem pela cidade nenhum amor e que hoje tenta recuperá-lo, claro, porque muitos deles inclusive vivem aqui. Mas eu me lembro bem dessa desfaçatez, deste homem, né, que hoje posa aí como muitos outros, de grande defensor da cidade e até de recuperação do Centro. Eu me lembro que ele destruiu com a maior... sem cerimônia do mundo, aquele belíssimo boulevard que era a Avenida São Luís, que era todo, digamos, ele era entremeado de belíssimas palmeiras, lindíssimas. E que ele destruiu para que? Para que os automóveis pudessem circular mais livremente, como se essa cidade de São Paulo precisasse de mais automóveis. Ao fim de 30 anos, nós chegamos à conclusão de que essa cidade não precisa e não pode ter mais automóveis. Mas então eu me lembro muito bem disso e eu acho que a cidade, a recuperação da cidade deve se fazer por aí e pelo reconhecimento de toda destruição que a cidade foi submetida, sem a menor cerimônia. A cidade ficou uma terra de ninguém, porque aqueles poucos paulistanos que aqui viviam não tinham a voz ativa para poder impor a ideia de que a cidade tinha que ser bela, e os que aqui chegavam não tinham inclusive essa prerrogativa de, como migrantes, poderem reclamar o embelezamento da cidade. Então eu acho que, agora se fala muito na recuperação do centro da cidade, eu não tenho dúvida de que isso será inevitável. A cidade hoje, ela não vive mais do setor secundário, da industrialização, ela vive hoje muito do setor terciário, ou seja, do comércio e  o turismo e daquilo que a cidade deveria se preocupar, que é a cultura, enfim. Uma cidade como São Paulo, poderia ser um centro cultural importantíssimo, esse centro cultural aqui, do Rio de Janeiro, de São Paulo, que imita o do Rio de Janeiro... nós sempre atrás do Rio de Janeiro, infelizmente. Não na Bienal, mas enfim, mas em muitas coisas, nessas coisas de embelezamento nós estamos ainda atrás do Rio de Janeiro, nós estamos muito atrás do Rio de Janeiro. E isso já me parece um bom sinal, me parece um sinal muito importante, eu acho que até já falei demais.

 

P/1: Não, pode continuar.

 

R: [Risos] Não, enfim, e eu acho que o embelezamento da cidade faz parte do novo repertório, inclusive econômico que a cidade deverá ter, que é esse repertório que diz respeito exatamente a essa exploração do setor terciário, dessa coisa de São Paulo ser um centro cultural como Nova York, por exemplo. Então daí a importância de se fazerem grandes museus, de salas de concerto, como a Sala São Paulo. Diga-se de passagem  é a melhor coisa que eu acho que o governo Mário Covas fez é sem dúvida nenhuma aquela sala São Paulo. O resto eu acho que é tudo criticável, mas eu acho que sobre esse ponto de vista, a Sala São Paulo parece que é o início, um início muito importante e, se isso for aprofundado, eu não tenho dúvidas de que esta cidade começará a ser bela. Essa cidade começará a ser...voltará a ter a beleza que ela tinha no princípio do século. No princípio do século XX e no fim do século XVIII, essa foi uma das cidades mais bonitas deste país neste período, durante este período. Aquela região do Vale do Anhangabaú, no cruzamento do vale do Anhangabaú com o Tietê, tem uma descrição do séc. XVIII que deveria ser o paraíso. A cidade deveria ser belíssima.... Agora poluíram-se os rios, destruíram-se todas as áreas verdes, deixou-se que a cidade fosse invadida pela miséria sem que se fizesse nada para que a cidade não se deteriorasse humanamente como a cidade está sendo deteriorada. Hoje o Centro é que nem o nosso país, onde crianças são abandonadas, com violência, com tudo aquilo, enfim, que é o Brasil. Eu acho que São Paulo é, sobre esse ponto de vista, não há dúvida nenhuma, não é o Rio de Janeiro quem simboliza o Brasil, é São Paulo, sem a menor dúvida. E eu gostaria muito que, enfim, esse país se recuperasse e eu acho que na medida em que São Paulo se recuperar, o Brasil também certamente se tornará...não vou dizer o país dos nossos sonhos, que isso não existe, mas um país menos decadente e triste do que ele é atualmente.

 

P/: Ênio, voltando um pouquinho agora para a música, uma das coisas que você viu aqui na exposição é um resgate da música de São Paulo, né? Eu acho que você tem bastante propriedade pra falar sobre esse assunto. Fale um pouco pra gente dessa trajetória musical de São Paulo, as músicas importantes em cada época...

 

R: Eu...

 

P/1: E o que significou para a população.

 

R: Eu não tenho muita autoridade pra falar sobre música popular, porque não é o meu campo, não é a minha praia, digamos assim, mas sobre o ponto de vista da música de concerto, eu acho que São Paulo teve altos e baixos e que são também muito característico dos vários períodos pelos quais a cidade passou nesses anos todos. A cidade, desde a sua fundação, ela sempre teve uma atividade musical muito importante. Depois ela perdeu um pouco dessa sua riqueza musical, porque ela, numa certa medida, sempre foi caudatária do Rio de Janeiro, que era a capital do império, depois a capital do país durante muitos anos. Então São Paulo, numa certa medida, disputou durante muitos anos com o Rio a possibilidade de ser um centro musical importante. Hoje eu acho que São Paulo é mais importante que o Rio de Janeiro, pelo menos tem uma Orquestra Sinfônica muito mais importante. Ela tem uma orquestra sinfônica que realmente nos dá orgulho. Eu me sinto muito orgulhoso de ter uma orquestra dirigida pelo ______e  pelo excelente Roberto Minczuk, competência dos músicos a um nível muito, muito alto e acho que é uma cidade que realmente pode se recuperar musicalmente. Mas, veja, São Paulo teve a primeira manifestação modernista, no sentido que nós entendemos hoje, quando Villa Lobos, se apresentou e foi vaiado no Teatro Municipal, quer dizer, essa vaia foi a grande ruptura do Brasil antigo com o Brasil contemporâneo. E Villa Lobos que é o nosso maior compositor estava presente aí na cidade neste momento, neste momento histórico e eu acho que isso é muito importante pra cidade. A cidade, portanto, ela representa uma ruptura de uma arte antiga, de uma arte não _____ com o mundo é, industrial, com esta nova realidade de um Brasil que afinal de contas acabaria escancarando aí as artes de todo o mundo. Isso não apenas sob o ponto de vista musical. Mas então, desde que a gente considere que Villa Lobos se apresentou no Teatro Municipal em 1922, que foi vaiado, a cidade teve então essa importância histórica de ser o marco zero da cultura contemporânea, da cultura moderna. Eu acho que isso é muito importante, eu acho que isso dá a cidade uma importância histórica que ela não tem mais condições inclusive de perder, né? Agora, quanto aquilo que a cidade é sobre o ponto de vista musical, eu não saberia definir direito, eu acho que a cidade, a afeição musical de São Paulo não está na música popular, ao contrário do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro tem muito uma cara das músicas populares, daquele período, todos os grandes sambas lá da década de 1950, de 1960 cantam a cidade do Rio de Janeiro, cantam os bairros do Rio de Janeiro [entrevistado canta]: “ A Lapa, está voltando a ser a Lapa/ Na Lapa é que mora a tradição/ A Lapa é ponto maior do mapa do distrito federal/ Salve a Lapa”. Depois tinha outra que dizia assim, como é que é…[entrevistado canta]: “ Não há nem pode haver como, como, como Mangueira não há, o samba vem de lá, tarãrãrãrãrã...Cabrocha faceira só a Mangueira tem” que é outro bairro. E assim, São Paulo tem a Cássia _____, mencionada aí por um depoente aqui, eu acho que tem o _______ ; o  Adoniran Barbosa, a gente não pode esquecer dele, não é? Agora, São Paulo, eu acho, que é muito menos música popular e mais a música de concerto. Eu acho que o Jean Francesco, o Camargo Guarnieri, o Francisco Milani ______, eu acho que hoje é o Almeida Prado, hoje é o ______Camargo de Oliveira o Gilberto Mendes, são todos os grandes compositores que, digamos, duma maneira ou outra refletem essa grandeza, essa multiplicidade, essa complexidade, de uma é, metrópole como São Paulo, eu acho que eles, no futuro, eles serão mencionados como fruto dessa complexidade maior. Não que o Rio de Janeiro não tenha isso, o Rio... afinal de contas, Francisco Milani vai morrer no Rio de Janeiro, não é? Quem permanece aqui é o Camargo Mariano e o próprio Villa Lobos era do Rio, mas eu não tenho dúvida que a cara de São Paulo é mais a sua música de concerto do que propriamente a música popular, a música de consumo imediato. É claro, eu não tô me referindo ao rock, porque isso aí tem menos a ver com São Paulo, mais com mundo. Digamos hoje, em torno do império, em torno dos Estados Unidos, já é uma cultura importada e tal, da cultura chamada cultura globalizada. Aí também eu não saberia dizer até que ponto isso também não reflete, não é? E não reflete a vida da cidade de São Paulo. Eu também não quero afastar a música de consumo como expressão da cidade de São Paulo, mas eu acho que a cidade de São Paulo tem mais uma afeição de música de concerto e ópera, inclusive, por causa da presença dos italianos aqui, do que o Rio de Janeiro.

 

P/1: Ênio, nós já fizemos vários depoimentos, ou seja...e uma das perguntas que a gente faz é qual é a música, específica, a cara de São Paulo. Muitos falaram do hino de São Paulo que a gente acabou não chegando a conclusão de qual é. Você saberia dizer qual é o hino da cidade de São Paulo?

 

R: [Entrevistado canta] “Tãtãtã, tarirari, tarãrãtãtã”. Seria isso? “Tãtãtãtam”.

 

P/1: O pessoal tá dizendo aqui que é a música da Jovem Pan.

 

R:  Aquela bobagem? Puta... eu acho aquilo uma...olha, desculpe, aquilo é uma coisa americaníssima...

 

P/1: É uma música que tem a mais de trinta anos. 

 

R: [entrevistado canta] “Taratata”.

 

P/1: É.

 

R: Isto é música de (vela?), pô! É uma, desculpe, é uma bosta, eu acho isso uma música de quinta categoria. Não vejo [entrevistado canta]:  “São Paulo, São Paulo não pode parar”. Quer dizer, é o lema mais vagabundo esse de que São Paulo não pode para. Não, São Paulo já está parando e São Paulo tem que parar. Inclusive porque agora o governo está fazendo aí esse bom serviço, quem sabe, de fazer com que a gente volte aos tempos românticos do Lampião de gás e tal. E daí quem sabe, o hino de São Paulo seja esse, o do lampião de gás [entrevistado canta]: “Lampião de gás, Lampião de Gás”.

 

P/1: [Risos].

 

R: Eu acho que a era Fernando Henrique é o lampião de gás.

 

P/1: [Risos].

 

R: É o nosso modernismo; a nossa modernização se dá em cima do lampião de gás.

 

P/1: Tá certo! Ênio, a gente vai terminando a nossa entrevista com a última pergunta, que é o que você ta achando de um lugar, onde se guardava dinheiro, que nós estamos dentro do cofre, ta...

 

R: Nós estamos dentro do cofre?

 

P/1: É, nós estamos dentro do cofre onde antigamente guardava dinheiro e agora a gente tá tentando guardar um pouquinho da memória da população. O que você tá achando disso?

 

R: Eu acho que, infelizmente ou felizmente, o cofre sempre tá ligado à questão da cultura; eu acho que a cultura não se desprende, não está desligada do cofre. As atividades artísticas dependem muito do dinheiro, agora, é muito importante que se faça onde está o cofre um cadinho da cultura também. Que se ocupe esse, demonstrando por A mais B que dinheiro sem cultura é, sabe, é o sujeito que...  Eu conheci um camarada muito rico, mais muito rico, que até hoje ele continua sendo rico, e ele toma um dos whiskys mais vagabundos, um desses Natu Nobilis, Old Eight, tal... E é um camarada muito rico. E eu fico imaginando o seguinte: eu acho que se o sujeito tiver muito dinheiro, ele deve se cercar de coisas boas. E São Paulo, que é muito rica, deveria começar a se cercar de coisas boas. E me parece muito sintomático que ela agora tire o dinheiro do cofre, entende, bote o cofre num outro lugar e abra o cofre para as manifestações culturais. Isso eu acho que é o fundamental! Agora, quanto ao resto, a forma com que isso vai se desenvolver, eu não saberia dizer. Enfim, depende de uma política cultural, que eu não estou vislumbrando. Mas isso aqui é em comparação com o que fomos. Se estamos fazendo isso, no Centro, se o Banco do Brasil tem um centro cultural, aqui no Centro, eu acho uma coisa já de suma importância, já é um começo. É isso.

 

P/1: Tá bom então Ênio, a gente agradece a colaboração.

 

R: Muito obrigado.

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