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História

O mineiro em um morro carioca

História de: José Vaz de Almeida
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 06/07/2002

Sinopse

Ida para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida. Adaptação e dificuldades enfrentadas no Morro dos Prazeres, onde se estabeleceu. O cotidiano no Morro, as histórias que vivenciou e as lembranças que guarda. Trabalho na Rede Globo. Oferecimento e compra do espaço em que montou seu próprio negócio.

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História completa

P/1 – Qual o seu nome completo?

 

R – Meu nome completo?

 

P/1 – É.

 

R – José Vaz de Almeida.

 

P/1 – O senhor pode me dizer o local e data do seu nascimento?

 

R – Sou de 25 de agosto de 1935.

 

P/1 – Seu José, quando e por que a sua família veio morar no Morro dos Prazeres?

 

R – Morar no Morro dos Prazeres eu vim sozinho. Família minha nenhuma veio, eu vim sozinho. Lá na roça não dava para trabalhar, porque lá não tinha terreno, o estudo [era] difícil. Eu vim para o Rio por causa disso.

 

P/1 – Ah, o senhor veio sozinho assim, alguém indicou o Morro dos Prazeres?

 

R – É, não, eu já tinha conhecido quem morava aqui, aí eu vim diretamente para cá.

 

P/1 – Ah, já tinha conhecido aqui?

 

R – É, tinha conhecido aqui. Quando eu vim para cá, o documento que eu trouxe foi só o registro de casamento.

 

P/1 – O senhor veio sozinho e trouxe só o registro? [risos]

 

R – Vim sozinho, só com o registro. Mas andei, arrumei tudo foi aqui.

 

P/1 – Seu José, me conta. Quais suas lembranças da sua chegada no Morro dos Prazeres?

 

R – Quando eu cheguei aqui, comecei a trabalhar em uma obra, trabalhei muito tempo em obra. Pode falar, o que trabalhou, o que fez, né?

 

P/1 – Pode.

 

R – Trabalhei na obra, tinha poucos conhecimentos, era o serviço mais fácil. Trabalhei na obra, depois trabalhei de vigia, depois de segurança, pagava aluguel... (Até no Escondidinho, mas tudo pelo prazer mesmo?). Aí depois, com o tempo, trouxe a família para cá, que só tinha as filhas que já eram nascidas. Quer dizer, vivas, porque tinha mais uma mas tinha morrido lá em Minas. Aí trouxe para cá, depois aqui nasceram mais quatro. Aí comprei uma casa aqui no Morro dos Prazeres, morei no Borel primeiro [risos], com toda dificuldade. Fui lá no Morro do Borel, o moço até encarnou em mim porque eu fui no ônibus, levei só a roupa, não levei nada. Comprei lá. Aí depois fui para Minas, voltei de novo porque lá não deu certo mesmo, minha vontade não era voltar... E voltei de novo, aí comprei uma casa aqui em cima. Aliás, paguei aluguel, depois lutei, lutei. Aqui era tudo estrada de chão, era barro, e trabalhei e comprei uma casa para mim.

 

P/1 – O senhor lembra quem foi o primeiro morador dessa casa que o senhor comprou no Morro dos Prazeres?

 

R – Da que eu comprei? Essa que eu estou é a terceira. Mas a primeira que eu comprei eu não estou lembrado o nome da família. Agora essa aqui que eu comprei, a primeira foi dona Marieta, que morava aqui na favelinha. Mas não comprei dela, não. Comprei do segundo que tinha comprado dela, seu Francisco, não sei de quê, não sei o sobrenome dele, não lembro. É padrasto daquela menina morena que mora ali perto da Rosa.

 

P/1 – Ah, sei.

 

R – Eu comprei dele, mas ele comprou da Marieta. Agora, essa que eu comprei da Marieta, eu fui construir ela, era um barracãozinho coberto de telha, tudo podre, as madeiras tudo podres, eu quem construí. Depois eu separei da mulher, aí eu tinha comprado uma casa em Niterói, aí eu troquei nessa que eu tenho agora, que é rua Amauri Soares, número 14.

 

P/1 – O senhor tem alguma história engraçada daqui do Morro dos Prazeres que o senhor pode contar?

 

R – Tem pouca coisa, mas tem. Por exemplo, aqui nesse Casarão mesmo eu já assisti missa, porque era uma igreja.

 

P/1 – Aqui no Casarão?

 

R – É, aqui nessa casa embaixo, era missa. Não tinha igreja. Depois que mudaram ali para uma casa onde é... Para cima da Samp [Associação de Moradores] um pouquinho. Mas as primeiras a gente celebrava, assistia a missa era aqui embaixo. O padre celebrava aqui. Eu não sei quem era a dona, na época. Uns falavam que era ______________, mas não era assim não, era tudo bagunçado. E era muito difícil também água, buscava água longe...

 

P/1 – Buscava onde?

 

R – Buscava lá no Xororó, como é que chama aquele lugar lá? Na cachoeira, né? Aquela escada que a gente subia ali pelo teatro na Samp era uma escada ruim, mal-feita... Ali quando chegava na _____________ .Você sabe onde é?

 

P/1 – A Samp que o senhor diz é o que? A Associação de Moradores?

 

R – A Associação, ali. Mas não era daquele jeito. Era mais fracassada, a casa era pequena, era só um andar embaixo... Para dizer a verdade, não era bem uma Associação, porque estava organizando ainda. Teve uma casa de força ali porque não tinha luz. Eu usava luz, aqui na Gomes Lopes, lá de cima, [onde] tinha a casinha e a Light colocou aquele reloginho. Fazia a caixinha, conforme é agora, mas era de madeira. Aí os moradores colocavam a caixinha de madeira e puxavam o fio lá para cima. Lá em cima a gente comprava um _________ e pagava, não sei quanto, se é dois mil réis, se é cinco, era no tempo do cruzeiro... Ainda me lembro que eu comprei aquela tendinha, aquela outra que eu larguei, que ficou para a mulher que eu separei, tinha época que eu tinha que nivelar, porque o relógio era de terceiro... Era o Antônio, que morava lá também, antiquíssimo, meu vizinho, que dava bico para os outros. Lá onde o meu genro morava também dava bico, depois que pagava desse fuxiquinho da mesma casa, que eu puxei da casa dele. E quando faltava também a gente tinha que vir aqui. Essa perna daqui não tenho muita firmeza nela de um tombo que eu levei atrás da Samp, que eu pisei em cima de uma pedra e escorreguei, quase que eu machuquei essa perna, que eu vim com um colega para ver. Mas para os outros, né, que o relógio não era meu. É uma história também bem interessante [risos].

 

P/1 – E as televisões, como é que ficavam?

 

R – Televisão ninguém tinha.

 

P/1 – Ninguém tinha?

 

R – Não, no morro, sabe quem tinha televisão que eu não cheguei nem ver? Foi a tal de dona Deca. Tinha uma televisão para cima da minha casa, ela cobrava cinco reais, cinco cruzeiros, que era no tempo. Em 1958, em 1968, era cruzeiro, né? Já era cruzeiro, tinha o réis depois veio o cruzeiro. Ela cobrava cinco mil réis para ver televisão. Ficava cheio de gente para ver televisão, porque ninguém tinha. E eu, na época que eu mudei para lá, eu não tinha botijão, não tinha fogão a gás, era fogão de lenha. É uma história interessante. Aqueles fogõezinhos de fogareiro, a gente abria ele, botava querosene, aí tinha um pavio, botava o fogo, botava uma panela, depois botava a outra, fazia uma panela de cada vez [risos].

 

P/1 – Uma de cada vez!

 

R – E assim era muita gente, igual a mim também, era a mesma coisa. Tinha poucas casas, quase não tinha casa de tijolo, de laje na areia, era só barraco de estuque. Outros eram de tábua. O primeiro que eu comprei, mesmo, era todo de tábua. Aí depois comprei este outro que eu deixei para a mulher. Mas o resto... O primeiro barraco de laje que foi feito aqui no morro... Sabe onde é a __________ do Chagas, né?

 

P/1 – Sei.

 

R – Aí em frente à ____________ dele não tem uma casa de laje que é um coroa barrigudo que mora ali? A primeira casa de laje que foi feita no morro foi aquela...

 

P/1 – Onde morava a Nata?

 

R – É, e a segunda foi a minha, essa que eu moro lá. Aí daí começou a espalhar, [risos] tiraram o ________.

 

P/1 – O senhor sabe o porquê do nome Morro dos Prazeres?

 

R – É, eu não estou lembrado porque, não.

 

P/1 – O senhor não sabe? O que o senhor acha desse nome: Morro dos Prazeres?

 

R – O que eu acho é que o morro é um lugar bom de morar. Prazeres, quer dizer, é um lugar saudável, um lugar que é bom de morar... No meu modo de pensar. Agora, porquê surgiu o nome Morro dos Prazeres, eu não sei.

 

P/1 – O senhor sabe assim de história sobre o Casarão? O senhor já me disse que o Casarão aqui era uma igreja. Tem outra história que o senhor pode contar?

 

R – Não, essa de outra do Casarão...

 

P/1 – Só foi igreja?

 

R – É, eu lembro da igreja, embaixo, que a gente vinha à missa. Inclusive eu fui até padrinho de umas criança aqui embaixo. Agora, aqui em cima eu não lembro...

 

P/1 – O senhor se lembra de algum casamento aqui?

 

R – Casamento, teve. Na igreja.

 

P/1 – O nome da pessoa que casou?

 

R – Não lembro, não.

 

P/1 – O senhor conhecia?

 

R – Não, casamento eu não lembro, não. Sei que teve porque eu vinha à missa quase todo domingo, que eu sou da igreja, então eu vim no dia em que teve casamento, batizado... Inclusive eu fui padrinho de uma criança aqui. Parece que foi aqui. Não tenho bem lembrança, mas foi aqui. Agora aí em cima eu não tenho muita lembrança do que era, porque eu não subia aqui em cima.

 

P/1 – O senhor lembra o nome da criança que o senhor batizou aqui na igreja do Casarão?

 

R – Não tenho lembrança também não. Eu sei que faz tempo, essa pessoa não mora aqui mais. Eu sei que eu fui padrinho de uma criança aqui.

 

P/1 – Seu Zezinho, o que significa o Casarão dos Prazeres para o senhor?

 

R – O que significa?

 

P/1 – É.

 

R – Bom, eu não tenho como explicar o que significa, não, sabe o que é? Eu trabalho em outra coisa, não sou bem... Coisa não significa. Agora, eu, no meu modo de pensar, significa uma representação do Morro dos Prazeres, não é isso? Eu acho que deve ser isso.

 

P/1 – Zezinho, me conta um pouquinho como o senhor montou sua birosca, ou tendinha? Como o senhor chama seu negócio?

 

R – Como montei? Olha, a história é comprida, é bem difícil.

 

P/1 – Vamos resumir um pouquinho.

 

R – Essa mesma pessoa, eu comprei essa birosca dele em uma época...

 

P/1 – Quem é a pessoa?

 

R – Esse foi o Francisco.

 

P/1 – Seu Francisco.

 

R – Que o outro dono era a Marieta, que morreu agora. Era a mãe do Zé do Armazém. Quando eu comprei, eu trabalhava na Globo. Aí eu comprei dele. Comprei por dez mil, dez contos de réis na época. Aí comecei. Nem retornei ao trabalho. Falei: “Ah, vou deixar para lá, que aqui está muito bom.” Toda vida, até em Minas, meu negócio era comércio. Eu tinha vontade de comprar, mas não tinha dinheiro, para comprar uma casa que podia colocar um comércio. Aí fiz o negócio com ele. Com trinta dias ele desfez o negócio comigo, porque achou que eu estava vendendo muito, que eu sei trabalhar com comércio. Já tive botequim em Nova Iguaçu, Niterói. Eu estou no morro agora por causa de problema em casa. Ele me tomou de volta. Aí eu fui para a Globo de novo. Vinte dias que eu passei sem trabalhar. Cheguei lá, meu chefe me aceitou como bom funcionário, aceitei os pontos todinhos dos 20 dias, falei com ele que eu tinha comprado uma birosca... Falei a verdade, que eu não gosto de mentira. Está entendendo?

 

P/1 – Estou entendendo.

 

R – Assinei e continuei trabalhando. É uma história bem interessante. Quando eu saí da Globo, que eu adoeci, tinha problema asmático, eles me botaram para a noite. Eu tinha que ficar no estúdio, no lugar de gravação, eu tinha que ir para lá. A bronquite começou a me atacar. Mas eu banquei o burro, burrice, né, que é a palavra, burro e ______, quem é burro é caduco. Hoje eu estou arrependido de ter saído de lá, porque quando eu estava lá eu tinha tudo de graça, porque pagavam bem. Eu era emprestado, mas eles iam me botar lá dentro da Globo mesmo, porque eles gostavam muito de mim.

 

P/1 – O senhor quer dizer a Rede Globo?

 

R – É, a TV Globo.

 

P/1 – A TV Globo.

 

R – É. Aí voltei, já tinha entregado o barraco para ele, fiquei sem barraco. Peguei e aluguei em frente, onde é hoje, da irmã do meu genro. Aluguei e fiquei morando lá. Aí ele machucou, eu sou tão bom que ficava tomando conta da casa dele. Eu atendia sábado e domingo, que a gente não trabalhava nem sábado nem domingo. Quando é um dia houve um problema lá, a Polícia Mineira, você ouviu falar?

 

P/1 – Polícia Mineira, hum, hum.

 

R – Eu não sei o que ele fez lá, comprou a casa da Marieta, e ele apresentou uma arma. Aí ficou desesperado. Nesse meio tempo ele saiu e deixou eu tomando conta da barraca para ele. Quando foi um dia ele falou: “Você quer comprar isso aqui? Eu te vendo.” Eu estava com 200 mil réis no bolso. Duas notinhas de cem. Eu já tinha saído do serviço, que eu estava em um outro, tinha recebido. Tinha ido embora e estava guardando aqueles 200 mil réis, que com cem cruzeiros, naquela época, dava para fazer compra. Aí eu falei: “Eu te compro.” Falou assim: “Eu te vendo por 14 contos, com o relógio.” 14 contos, não é cruzeiro, não.

 

P/1 – A casa e um relógio?

 

R – É, 14 mil com o relógio. Mas eu ia passar o relógio para outra pessoa e essa pessoa ia me dar quatro contos de entrada, e eu ia dar pra ele e pagar o resto à prestação. Na primeira vez que eu comprei dele, eu comprei só a casa. Dessa vez eu já estava comprando com uma mercadoria dentro. Quando eu voltei, ele tinha feito negócio do relógio em uma sanfona, não sei o que. Falei: “Agora não te dou mais 14 contos, agora eu só te dou oito.” Porque sem o relógio, o que eu vou fazer? Eu já pagava bico de luz... Ele fechou o negócio comigo por oito contos. Dei a ele um conto de entrada que eu tinha. Mas eu não podia começar a trabalhar. Toda hora, uma vez por dia, a menina dele ia lá pedir dinheiro emprestado, aquela escurinha...

 

P/1 – Vocês se davam bem? Vocês trouxeram algum hábito de Minas para cá? Vocês tinham criação? Vocês plantavam aqui?

 

R – Plantação não. Aqui não. Plantava lá.

 

P/1 – Pode ir direto?

 

R – Todo dia ela apanhava o dinheiro. Aí um dia, num domingo, eu saí pra tomar uma cachacinha, também de vez em quando, eu estava com...  Negócio de um conto e pouco no bolso, e eu tinha combinado de dar a ela uma quantidade de dinheiro no fim do mês. “Você quer saber de um caso? Vou dar a ela tudo de uma vez.” Já tinha a Associação, já estava funcionando, já tinha o papel e tudo. Até hoje tem o papel lá na casa. Então, deixei a filha, minha filha mais nova, essa aqui, mulher de                        – que mora nessa casa rosa aqui. Ela estava bem pequena, mas já tomava conta. “Toma conta aí que eu vou lá em baixo”. Desci e falei: “Toma aí, vou pagar tudo de uma vez pra ninguém ficar me cobrando que eu não gosto.”  Aí vim, acabei de pagar ele e continuei. Na época que eu comprei, que ele fez o negócio comigo, que é meu compadre, mora em Caxias e vende até hoje no morro, ele .. Eu já tinha confiança de crédito com ele porque na época  eu estava comprando dele,  quando o cara me tomou o barraco de volta, aí eu comecei. Eu lembro até o nome da cachaça – Cludency (?).

 

P/1 – Cludency?

 

R – Eu já procurei dessa cachaça pra eu deixar de relíquia . Aí comprei a tal de Pinga Fogo, que eu nunca mais vi. Ele vende outras cachaças, mas mudaram o nome. Então eu comprei dele a cachaça e bebida doce. E tinha um carro que vinha aqui na Barreira que era um tal de ... Não lembro o nome dele. Comprei duas ________ fiadas, e assim eu fui começando.

 

P/1 – Assim o senhor montou a sua birosca?

 

R – Assim eu montei a minha birosca. Tinha um português que morava no Jardim Botânico, na rua Voluntários da Pátria... Na rua Voluntários da Pátria não. Na rua João Martins, onde eu trabalhei nele. Um português que me vendia fiado e eu ia lá comprar. Mandava arroz, feijão, carne seca, mandava de tudo. Naquela época não tinha vendedor assim que vinha aqui. Agora vem. Sei que eu curtia minha tendinha. Na casa velha. Dali eu fui tirando dinheiro pra construir a casa que está pronta. Inclusive, até tem aquela escada que sobe, na escadaria João ____, não, na escadaria central. Como é que é o nome dela? João ____ que pega na José Simões, que é a minha rua que eu morava. Que agora eu moro na Mário Soares. Quem mora na José Simões é minha esposa. Sou separado. Então, tem um pedaço de rua, daquela tendinha do Chagas (?) sabe onde é? Até lá em cima, na  outra encruzilhada que entra, que sobe na rua do Zé _____ aquela rua ali, foi a gente que fez. Não  foi a obra do Estado que fez não. Aquilo ali, eu, meu genro...

 

P/1 –  _____ do morro.

 

R – Aquele pedaço ali do Chagas, até na outra rua lá em cima, numa rampa que tem bem bonita que sobe? Aquilo foi feito à custa do nosso dinheiro. 

 

P/1 – Foram os moradores.

 

R – Fomos  nós que fizemos. Eu, uns outros vizinhos que moravam ali, fizemos um conjunto, compramos cimento e fizemos aquela rua. Porque era um barro, que você não podia descer. Se tivesse um vento, você descia com um burrico  escorando que era assim, ó.  Aí nós compramos material, fizemos. Fizemos a outra subida. Depois a obra veio e andaram arrematando lá em cima.  Mas aquela ali foi a gente que fez. Pagamos pedreiro pra fazer.  Não pagamos ninguém porque quem já era pedreiro fazia de graça. E a gente juntou dinheiro para comprar material pra fazer. 

 

P/1 – Sei Zezinho, você já disse que veio de Minas. Você podia me dizer de onde? De onde de Minas o senhor veio?

 

R – De onde eu saí?

 

P/1- É. O nome. 

 

R – Caratinga. Município de Caratinga. São Sebastião do Batatal. 

 

P/1 – O senhor conheceu aqui o Morro dos Paraíba, o Morro dos Mineiros? O senhor pode falar um pouquinho sobre isso?

 

R – Conheço.

 

P/1 – Por que esse negócio de Morro dos Paraíba, Morro dos Mineiros? Por que isso?

 

R – Porque no Morro dos Paraíba, só morava paraíba, paraibano. Paraíba é o estado. E Morro dos Mineiros – que é o lado daqui – porque só tinha mineiro. Morava mais era mineiro que vinha de lá. Quando eu vim, tinha o Peri Ribeiro que era de lá. Morava na rua _______ 75. Até queimou. Você não deve lembrar porque não devia nem ter nascido. Pegou fogo, queimou tudo ali, que a água descia naquela rua do lado da Barão de Petrópolis, parecia espuma de sabão. Porque tinha de tudo dentro da casa. Tudo o que tinha no mercado, lá tinha. A ______ igual a que eu botei lá em cima. Aquilo pegou fogo eu morava de aluguel, na Manoel _____, ali perto de São Mateus. Antiquíssimos do morro também. 

 

P/1 – Vocês moravam no morro dos mineiros ou dos paraibanos?

 

R – Não. Nessa época foi quando eu trouxe a mulher de lá, que eu morei no Escondidinho. Depois é que eu fui lá pra cima.  

 

P/1 – Seu Zezinho, o que o senhor acha de ter participado da entrevista e contribuído para o projeto Memória do Morro dos Prazeres? O senhor gostou da entrevista? De ser entrevistado?

 

R – De eu ser entrevistado? Ótimo. Eu acho ótimo.

 

P/1 – Então seu Zezinho, muito obrigada pela entrevista e o senhor é muito simpático.

 

R – Desculpe a minha falta de jeito, porque a gente não está acostumado a mexer com uma coisa e outra. Eu mexo com muitas coisas que é fora, advogado, escritura. Eu mexo com isso.



--- FIM DA ENTREVISTA ---


 

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