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História

O menino que não falava é o Presidente

História de: Diogo Lourenço Cabral
Autor:
Publicado em: 22/03/2016

Sinopse

Diogo Lourenço Cabral, nascido no dia sete de janeiro de 1982, em Cruz Alta, Rio Grande do Sul, inicia sua história falando de sua família, o contato com seus avós e sobre a união e proximidade da mesma. Criado com muito amor e carinho, sempre foi uma criança muito tímida. Diogo narra como era introspectivo, as dificuldades e situações difíceis que passou em seu período escolar por ser “diferente”. Conta como precisou de muita coragem para fazer o intercâmbio pelo AFS para Londres e como a sua experiência o transformou, passou por algumas dificuldades, mas se adaptou bem e aproveitou esse período ao máximo. Diogo voltou mais comunicativo e mais aberto ao mundo. Fala sobre o seu envolvimento como voluntário, os caminhos que percorreu, sua dedicação, as recompensas e gratificações dessa trajetória. Passou por muitos degraus, foi Presidente de Comitê, Diretor Regional, tornou-se membro do Conselho Diretor, Vice-presidente, e finalmente neste ano, 2016, Presidente.

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História completa

Eu sou Diogo Lourenço Cabral, nasci em Cruz Alta, Rio Grande do Sul, dia sete de janeiro de 1982. [Meus pais são] João Alberto de Ramos Cabral e Maria Nelilo Lourenço Cabral. Eu não consigo me perceber [em um] mundo onde eu não tenha contato com minha família, [...] pra mim sempre foi muito importante, família sempre foi muito importante. Tenho muito orgulho deles, não são perfeitos, ninguém é, mas me orgulho muito deles e de tudo que fizeram, da forma como eles são.

            [Na] minha infância eu tive muito carinho, muito amor, da família inteira, dos meus pais, dos meus avós, dos meus tios, eu tinha um carinho muito grande. Só que eu era uma criança diferente. Em que sentido? Eu era muito introspectivo. Eu não era um criança traquina e que fizesse bagunça, eu vivia mais no meu mundinho. Isso, claro, trouxe um pouco de preocupação, trouxe até certos preconceitos, porque eu vivia numa comunidade na época bastante conservadora, tudo que era diferente trazia um pouco de interrogação, de questionamentos. Eu era uma criança muito criativa, às vezes eu fazia, pensava, falava coisas que as pessoas não tinha muito conhecimento do que eu estava falando. Não era muito de brincar, por exemplo, de jogar bola, o que eu gostava mesmo era criar. Criar aventuras. Subia numas árvores, mas a árvore era um castelo. Andava cavalo, mas a gente estava indo fazer alguma salvação, salvar alguém. Se tinha pedra, construía uma espaçonave para ir para outro mundo, conhecer mundos diferentes. Eu gostava, a coisa que mais me divertia era criar histórias, criar fantasias.

            Até hoje eu não acredito como eu aceitei fazer intercâmbio. Eu de certa forma vi o intercâmbio como uma oportunidade ir em busca desse mundo que eu conhecia só pelos livros. O mundo que eu tinha visto só como expectador distante. Eu tinha muito medo. Imagina, eu morava no interior do Rio Grande do Sul, o máximo que eu tinha ido era Curitiba. Nunca tinha ido mais longe que isso. Eu tinha muito medo, com essa ligação muito forte com minha família, até uma espécie de devoção que eu sentia com minha família. Eu tinha um receio muito grande. A minha professora, voluntária do AFS, nos passou uma segurança muito grande, tudo que o AFS ia fazer por nós, todas as orientações, todos os cuidados, todo o acompanhamento.

            Foi muito especial. Muito mesmo. Primeiro, porque eu nunca tinha viajado de avião. Esse foi o primeiro ponto. Foi uma experiência muito incrível, [...] Eu não tinha essa noção do que era ir tão longe, ir pra algum lugar tão diferente. Tinha um pouco daquele mundo mágico que eu imaginava, mas eu comecei a perceber outras coisas da realidade mais concretas. [...] Eu achava que eu era maduro. “Ah eu sou maduro, tenho um comportamento diferente das outras crianças”. No intercâmbio, eu vi que eu não era maduro (risos). Que eu era um baita de um criança, eu não tinha o preparo, a maturidade necessária até mesmo pra me comportar em certas situações. Eu tinha muita vergonha de tudo.

            Eu brinco, que por 16 anos eu não falei, fui pro meu intercâmbio, fiquei 16 anos falando sem parar e agora tento buscar um ponto de equilíbrio. [Quando eu assumi a presidência do comitê]          eu tinha acho que 19 ou 20 anos, alguma coisa assim, eu era muito novo, tinha começado esse processo, o intercâmbio tinha me dado muitas coisas, [no] tempo que tinha sido voluntário eu tinha crescido muito como pessoa, mas eu ainda era muito inexperiente pra muita coisa. Ainda estava aprendendo essa coisa de falar e de me relacionar de forma mais aberta, de forma mais não tão introspectiva com as outras pessoas.

Só não trabalhei com a Área Financeira dentro do AFS. Mas todas as outras funções, o que a gente chamava de cargo antigamente, todas essas outras funções eu participei, ajudei dentro da região e comecei a ter esse alcance dentro do AFS Brasil.

            A organização também me deu um presente que é a minha namorada, voluntária do AFS, a Priscila. Nós nos conhecemos em um treinamento do AFS. Eu estava como treinador e ela foi sendo treinada. Não fiz nada no treinamento! Tenho ética! (risos). Mas depois nós continuamos conversando e acabamos namorando. Estamos juntos. Ela mora comigo em Porto Alegre. Se Deus quiser, vou noivar. Se tudo der certo, casamento vem logo em seguida. E dentro do AFS, eu pretendo, esse ano de 2016, como eu disse, tentar consolidar como membro do Conselho Diretor, tentar consolidar iniciativas. E, se o conselho desejar, assim quiser, eu me coloco a disposição também para assumir a presidência do Conselho da organização pelo ano de 2016. Nós vamos ter muito trabalho. É o ano dos nossos 60 anos!

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