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História

O meio pelo qual eu vivo

História de: Russell Mittermeier
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/05/2005

Sinopse

Desde criança falava que, quando grande, queria se tornar um “jungle explore”. Nutrido pelo fascínio da biodiversidade brasileira, principalmente em relação à Amazônia e à Mata Atlântica, e após concluir a universidade, nos Estados Unidos, se mudou para o Brasil a fim de estudar as espécies de primatas daqui. Apesar da exaustiva dedicação ao trabalho, que exige viagens durante todo o ano, não desistiu da batalha pela preservação, e hoje enxerga na questão ambiental sua razão, envolvendo, inclusive, a família neste meio.

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História completa

P/1 – Russell, boa tarde.

 

R – Boa tarde.

 

P/1 – Obrigado pela sua presença. Para iniciar, eu queria que você dissesse seu nome completo, data e local de nascimento.

 

R – Meu nome é Russell A. Mittermeier. A data de nascimento é oito de novembro de 1949, eu nasci na cidade de Nova Iorque.

 

P/1 – Seus pais são americanos?

 

R – Não, meus pais são alemães. Eles chegaram aos Estados Unidos no fim da década de 20, e os dois estão falecidos agora.

 

P/1 – Eles foram para os Estados Unidos por qual motivo?

 

R – Por causa da situação econômica lá na Alemanha dessa época, fim dos anos 20. Lá teve uma depressão econômica e realmente foi muito difícil sobreviver lá, então meu pai chegou em 28 e minha mãe chegou em 29.

 

P/1 – E se conheceram nos Estados Unidos?

 

R – Se conheceram nos anos 40, nos Estados Unidos.

 

P/1 – E os seus pais faziam o que?

 

R – Minha mãe foi dona de casa e meu pai foi vendedor de selos para colecionistas. Ele começou trabalhando num banco, mas depois, nos últimos 20 anos da vida dele, ele vendeu selos e envelopes com selos para colecionistas.

 

P/1 – E os seus estudos se deram na cidade de Nova Iorque mesmo, onde você nasceu?

 

R – Não. Eu comecei no Bronx, que é um bairro de Nova Iorque. Depois, com sete anos, fui para o Brooklyn, onde fiquei dois anos. E dos nove até os 17 [anos] eu morei na ilha de Long Island. O lugar onde cresci, realmente, foi mais ou menos a 40 milhas da cidade de Nova Iorque.

 

P/1 – E você estudava também lá, na sua época de faculdade? Você estudou onde?

 

R – Não. Eu fui para uma universidade, a Dartmouth College, que é uma universidade no estado de New Hampshire; fiquei quatro anos lá. Depois, para a pós-graduação, fui para a Universidade de Harvard, em Massachusetts.

 

P/1 – E que curso você fez?

 

R – Eu sempre fiz uma mistura de antropologia com biologia, sou basicamente zoólogo. Meu interesse principal são répteis – especialmente quelônios – e primatas. Mas eu estudei antropologia também, porque sempre tive interesse na interface da biologia com a antropologia.

 

P/1 – Então desde a sua graduação você já sabia qual caminho...

 

R – Desde criança, quando eles me perguntavam com seis anos o que eu queria ser quando grande, eu falava que queria ser uma pessoa que faz estudos na mata, na mata tropical - jungle explore (riso).

 

P/1 – E na sua época de faculdade você já tinha conhecimentos e contatos com o Brasil?

 

R – Meu interesse no Brasil, começou mais ou menos... Sempre tive interesse especialmente pela Amazônia e também pela África. E comecei a ver quais eram as possibilidades de estudar no Brasil, em 70. Para um projeto especial, no outro ano da universidade, eu fiz um projeto sobre macacos neotropicais. Eu analisei todos os dados existentes nesse tempo – que não eram muitos, não tinha muita coisa escrita – e decidi que o Brasil é o país mais interessante no mundo inteiro para primatas, porque tem mais ou menos entre 20 e 25% das espécies de primatas existentes na Terra. Brasil e Madagascar são os dois países mais prioritários para conservação de primatas. Então eu decidi que, se eu quisesse estudar primatas neotropicais, o Brasil era o país principal para fazer este tipo de estudo. E comecei fazendo contatos com cientistas brasileiros – que também não eram muitos, na época – que se interessavam na conservação e nos primatas. Mas fiz um contato com José Carlos de Melo Carvalho, que realmente foi um dos grandes pioneiros aqui, e Adelmar Coimbra Filho. Coimbra e eu começamos a ter uma correspondência em 1970, e quando eu fiz a minha primeira viagem aqui, eu o visitei, em julho de 1971. E sempre trabalhei muito com ele, ele fez contato com outros especialistas e sempre, nos anos 70, nos anos 80 – nos anos 90 também –, trabalhamos muito juntos. Ele agora tem 80 anos, mas ainda está bem ativo.

 

P/2 – E quando você veio você ficou um período, ou ficou um tempo, morando no Brasil?

 

R – Não. Depois de sair da universidade, em 1971, eu comecei, no verão depois da graduação, uma viagem que começou no Panamá; passei pela Colômbia, Amazônia brasileira, desci com ônibus de Belém até o Rio [de Janeiro] e encontrei com Coimbra aqui em 1971. E continuei até o Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador e voltei. Então, durante mais ou menos três meses, a maioria dos países aqui, pelo menos os países que têm mata tropical – só faltou Venezuela e Guianas nessa época –, eu decidi que realmente o Brasil tinha o maior interesse para uma pessoa que tem interesse em primatas e mata tropical, porque tem mais mata tropical do que qualquer outro país no mundo. E, baseado nessa visita e numa outra visita que eu fiz no verão de 1972, quando eu trabalhei lá na fronteira da Colômbia e Brasil, lá na região de Letícia Tabatinga, fiz um estudo de mais ou menos um mês lá. Foi realmente na Colômbia, mas estive lá com brasileiros, porque os brasileiros já estavam entrando nessa parte da Colômbia, e em 1973 eu decidi fazer uma grande viagem para a Amazônia, para realmente visitar a maioria dos rios e pesquisar macacos, especialmente os Uacaris e os Cuxiús, que são dois gêneros de macacos de Amazônia que até então não foram estudados realmente; tinha umas notícias deles, de gente que viajou lá no século XIX e um ou outro material muito preliminar que foi feito principalmente através da comunicação entre pessoas. Mas não tinha nenhum pesquisador de fora que viu esses bichos na mata, então, em 1973, usei os barcos da Universidade de São Paulo, do Vanzolini; ele tinha nessa época dois barcos lá, que se chamavam Expedição Permanente da Amazônia. Então tinha dois barcos lá que sempre rodeavam a região, principalmente coletando répteis – répteis e anfíbios, porque o Vanzolini é reptólogo. Eu aluguei os barcos dele durante quatro meses em 1973, entre julho e novembro, e fiz viagens para a maioria dos grandes rios lá: o Rio Negro, Trombetas, Tapajós, Japurá, Içá, basicamente procurando esses macacos, os três – na época tinham três tipos de Uacaris diferentes, o vermelho, o preto e o branco – e também o Cuxiú de nariz branco. Eu encontrei todos eles lá. Estava pensando que talvez fosse possível fazer o meu doutorado sobre esses macacos.  Eu achei todos eles na natureza, mas as condições na época eram muito difíceis; os bichos vivem em Igapó, matas de Igapó, então decidi que ia custar cinco anos para acabar com a pesquisa, porque era muita coisa. Decidi largar de fazer isso, fui para Suriname e fiz o meu doutorado lá, sobre as oito espécies de macacos que existem nesse país, porque a logística lá foi bem mais fácil. Mas sempre tive interesse no Brasil, e continuei meus contatos, minhas pesquisas. Desde 1971 não perdi um ano, sempre vim pelo menos uma vez para o Brasil e sempre mantive os contatos. Em 1978, conversando com o Coimbra e outros cientistas aqui, decidimos que chegou o momento de fazer um levantamento da Mata Atlântica. Sempre tive mais interesse na Amazônia, mas o Coimbra me convenceu que a Mata Atlântica realmente era uma prioridade mais alta, por causa da perda do que já tinha aqui. A Amazônia, na época, tinha ainda 90% da sua cobertura florestal, e a Mata Atlântica já perdera esses 90% ou mais. E dos macacos que tinham aqui, muitos deles já estavam numa situação bem precária, então decidimos fazer um levantamento de macacos nas áreas protegidas da Mata Atlântica para ver se as áreas protegidas cobriam bem as espécies que existem aqui. Agora são reconhecidos 25 tipos de macacos diferentes na Mata Atlântica. Na época foi um pouquinho menos, mas dávamos ênfase especialmente nos micos-leões e nos muriquis, que são chamados de mono-carvoeiros. Começamos esse estudo em 1979 e continuou mais ou menos uma década fazendo levantamentos, trabalhando principalmente com Coimbra e a turma de Célio Vale, da UFMG [Universidade Federal de Minas Gerais], em Minas Gerais, ajudando na formação de muitos jovens primatólogos brasileiros. Essa pesquisa também ajudou na divulgação do que era a Mata Atlântica lá fora, porque até então... Bom, até os anos 70 ninguém prestava muita atenção ao Brasil. Os conservacionistas trabalhavam principalmente na África, nas Savanas da África, onde estão os grandes mamíferos, e um pouquinho na Ásia também; mas relativamente pouca coisa na América do Sul. Iniciando nos anos 70, começou através dos esforços do Tom Lovejoy, do World Wildlife Fund [WWF] dos Estados Unidos, começou mais um pouco o interesse no Brasil, mas principalmente em Amazônia. Mas quando começamos este estudo, em 1979, ficou muito óbvio para mim que a Mata Atlântica era uma prioridade tão alta como a mata da Amazônia. E, através de nosso projeto e de nossos esforços, a Mata Atlântica entrou na campanha do World Wildlife Fund, na época, de matas tropicais e primatas, que foi uma campanha que acho que começou em 1982. E essa campanha trouxe muitos recursos para o Brasil. A SOS foi fundada em 1986, mas começou a ideia mais cedo. Acho que o José Pedro, o Capobianco, o Clayton e vários outros começaram a falar da ideia da SOS mais cedo. E através desse programa do World Wildlife Fund começou um financiamento de vários projetos aqui na região; não sei quantos eram, mas quase todas as áreas prioritárias para conservação aqui daqueles próximos seis, sete, oito anos, receberam recursos do World Wildlife Fund dos Estados Unidos, e também do World Wildlife Fund Internacional, da Suíça. Então esse foi um início do interesse internacional pelo que era a Mata Atlântica. E com a criação da SOS Mata Atlântica, realmente começou muito mais esforço para a região dentro do país, porque no início nossos esforços através do World Wildlife Fund foram principalmente através da FBCN, Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza. Mas quando foi criada a SOS, começamos também a trabalhar muito em parceria com eles.

 

P/2 – Como você estava aqui em 1970 e depois na década de 80, como é que você via o movimento brasileiro? No que ele diferenciava, no que ele era diferente do movimento americano, europeu, nessa questão de preservação, conservacionismo?

 

R – Acabo de escrever um artigo sobre isso, que vai ser publicado na revista Conservation Biology e vai ter uma reunião, um congresso de sociedade de Conservation Biology em Brasília, em julho. O artigo que eu fiz junto com o Gustavo Fonseca e o Anthony Rylands foi exatamente sobre esse tema: o que era muito especial no movimento aqui? Porque eu acho que o início do movimento conservacionista do Brasil e o que é agora, certamente é o melhor do mundo tropical, nos países em desenvolvimento, e para mim é até melhor do que nós temos nos Estados Unidos, no que eles têm lá na Europa. Porque sempre foi um movimento muito baseado na ciência, na ciência da biologia da conservação. Se você olha os esforços muito preliminares no fim da década de 60 – caras como Coimbra – e depois na década de 70, sempre foi baseada na ciência. A escolha de áreas protegidas, a escolha de áreas protegidas nos Estados Unidos, inicialmente foi muito baseada nas belezas cênicas. E também um pouco aqui no início, nos anos 30, por exemplo, quando foram criados os primeiros parques, como Itatiaia, também foi um pouco na parte de beleza cênica. Mas começou nos anos 70, realmente começou a ser baseado na ciência. E o que mais me impressionou foi em 76, quando Maria Tereza Jorge Pádua, do IBDF [Instituto Brasileiro do meio Ambiente e dos Recursos Naturais] da época, junto com um americano que chama-se Gary Wittenberg, do Official Wildlife Service dos Estados Unidos, eles começaram um projeto de identificação de áreas prioritárias na Amazônia baseado em refúgios do pleistoceno. Então foi completamente baseado na ciência dessa época, foi mais moderno. Eles escolheram as área prioritárias para novos parques nacionais e reservas biológicas baseado nisso. E foi fantástico, nunca na história tinha tido uma coisa desta. Ao mesmo tempo, mais ou menos na mesma época, quando estava sendo feito isso, o Paulo Nogueira Neto, que entrou como chefe da SEMA – Secretária Especial do Meio Ambiente – em 1973, ele começou a fazer uma rede de estações ecológicas também baseado na ciência; foi paralelo, mas com muita complementaridade. Então entre Maria Tereza e Paulo Nogueira, nos anos 70 e início dos anos 80, eles foram responsáveis pela criação de uma área no seu conjunto, uma área que eu acho que é a maior da história. Eu escrevi no meu artigo quantos quilômetros quadrados foi na época, mas foi realmente fantástico o que foi feito. Eu uso sempre o exemplo de primatologia: quando eu cheguei aqui, em 1971, tinha um primatólogo que foi o Adelmar Coimbra Filho... Agora eles acabam de ter uma reunião da Sociedade Brasileira de Primatologia em Porto Alegre, que infelizmente não foi possível para eu estar presente, mas tinha uns 400 primatólogos, muita gente nova. Então tem um grupo de pessoas interessadas nos primatas e na sua conservação, fantástico! Eu acabei de estar no Sergipe, onde um rapaz de lá está trabalhando com uma espécie que basicamente existe lá, entra um pouco no norte da Bahia, especial para Sergipe; é fantástico o tipo de trabalho que está sendo feito. Nossa organização trabalha em 46 países no mundo inteiro, e eu viajo muito, viajo dez, 15 países por ano, e não tem país que chega perto do Brasil em termos de capacidade, interesse e ênfase na ciência como base da conservação. Muito disso é devido aos esforços dos pioneiros da conservação aqui no país como Paulo Nogueira, Célio Vale, Adelmar Coimbra Filho, Almirante Ibsen e os pioneiros mais jovens, como José Pedro Oliveira da Costa, Fábio Feldmann e vários outros. Realmente é um grupo que, para mim, é comparável com o grupo de Ted Roosevelt no início do século XX nos Estados Unidos, que também criou o sistema de parques para os Estados Unidos. Mas aqui foi mais baseado na ciência do qualquer outro país que eu vi até agora. Então, pra mim, é um movimento muito interessante, muito importante, e nesse artigo que acabo de fazer começo a falar disso, mas no futuro talvez vá fazer algo mais detalhado.

 

P/1 – E como o senhor mesmo disse, devido à suas viagens para diversos países, diversos pontos, quais seriam na sua opinião as principais causas de degradação ambiental encontradas hoje mundialmente?

 

R – Mundialmente é a destruição do meio ambiente, das matas tropicais e outros ecossistemas naturais, por muitas razões diferentes: agricultura, monoculturas como a soja e o dendê na Ásia; para mim é a coisa mais importante. Depois vem a extração de madeira, hidroelétricas, mineração, todas as ameaças bem conhecidas. Em certos lugares também há caça, principalmente para comer, e em certos casos para comércio, seja para mascote, seja para outros usos; o comércio de animais vivos é também bem importante. Por exemplo, na Ásia o comércio é muito grande para medicinas, bichos para fazer remédios na China ou para comer; não é sempre subsistência, muitas vezes é um luxo comer chimpanzé ou um gorila, por exemplo, na África. Se paga mais pela carne do chimpanzé em certos países da África Central e África do Oeste do que para carne de boi ou algo assim. Então a caça, em certos lugares, também é muito séria. No Congo, por exemplo, eu diria que é mais séria a destruição do ambiente no momento, que vai junto quando entram os madeireiros, eles abrem caminhos e os caçadores entram. Às vezes os próprios madeireiros deixam os caras que estão trabalhando lá caçar, porque assim não têm que dar comida para eles. Então esses são, de longe, os aspectos mais importantes. Mas varia muito o grau de influência de cada uma dessas coisas, varia muito dependendo da região.

 

P/1 – E no Brasil, também são esses?

 

R – São esses também, a mesma coisa. Você vê a destruição do cerrado e agora entrando também na Amazônia, para a soja. Tem caça, ainda tem caça... Se bem que aqui é menos importante; é importante, mas é menos importante do que do sudeste da Ásia e da China, por exemplo, onde realmente é horrível. Fico surpreendido que ainda exista um bicho lá nessa região, porque a pressão de caça para vários usos é tão grande que quase não dá para acreditar.

 

P/1 – O contato do senhor com a questão da Mata Atlântica se deu, então, através do Coimbra?

 

R – A primeira pessoa, meu contato preliminar, principal, foi com o Coimbra, em 1971. Em 1972 viajamos juntos para a primeira reunião sobre o Mico-Leão Dourado. O interesse, a primatologia aqui nasceu muito desse bicho, porque no ano de 1970 foram escritos dois artigos sobre esse macaquinho, um por Clay Hill, do Zoológico de San Diego, e outro por John Perry, que na época era o diretor assistente do Zoológico Nacional de Washington. Os dois escreveram um artigo sobre a situação do Mico-Leão Dourado. O Coimbra estava trabalhando com esse bicho desde o início dos anos 60, e o mundo lá fora começou a preocupar-se muito com o futuro desse bicho, então tivemos uma reunião em 1972 no Zoológico de Washington, fevereiro de 1972 – faz exatamente 33 anos agora –. Eu fui para essa reunião basicamente para traduzir para o Coimbra e Alceu Magnanini, que na época também foi uma pessoa muito importante. Baseado nessa reunião, o interesse lá fora no Mico-Leão Dourado começou a crescer bastante, e os zoológicos lá começaram a investir muito mais nesse animal. Baseado nessas experiências, o Coimbra e eu publicamos uns artigos, em 1973, sobre esse bicho, e continuamos publicando vários artigos durante os anos 70. Quando eu estava acabando o meu PhD, eu falei com o Coimbra: “Devemos fazer esse levantamento dos primatas, não só o Mico-Leão Dourado e os outros Mico-Leões, senão também o Muriqui, brachyteles e os outros quatro gêneros que existem aqui na Mata Atlântica”. Então, baseados principalmente nessa interação que no início foi uma relação ao mico-leão dourado, achamos que foi realmente importante, e começamos a olhar as outros vinte e poucas espécies e subespécies que existem aqui.

 

P/2 – Quando você começou a vir para o Brasil você veio pela universidade?

 

R – Não. Eu sai da universidade e no verão depois de graduar fiz essa viagem para ver o que tinha aqui no continente, como possibilidades para o futuro.

 

P/2 – E quais as organizações não governamentais que você começou a ter contato nessa fase, no início?

 

R – Bom, no início tinha uma só, tinha a FPCN [Fundação Peruana para a Conservação da Natureza], e eu não fiz muito contato com a FPCN no início, nos anos 70. Isso começou mais quando o Almirante Ibsen entrou como presidente, acho que foi em 1981, e ele realmente transformou essa organização. E também comecei, fui lá no INPA em 73; mas o INPA [Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia] também nessa época era muito pequeno, não tinha o grande campus que eles têm agora. Então foi basicamente através de contatos pessoais, até 1979, quando começou essa relação com o Célio Vale e nessa época fizemos um convênio com a UFMG, lá em Minas Gerais. Mas em 1973 começou o que na época chamava-se o Banco Biológico dos Micos-Leões, na Tijuca, no Rio [de Janeiro], e isso se transformou, em 1979 no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, que foi a criação do Coimbra. Então os nossos parceiros principais eram o Centro de Primatologia e a UFMG até 1981, quando começamos também a trabalhar com a FPCN. E quando foram criados as outras ONGs modernas, como a SOS Mata Atlântica, Biodiversitas, Funatura, no fim da década de 80, começamos também a trabalhar com eles. Agora, nossa organização, acho que temos parcerias com mais de 200 órgãos diferentes aqui no país, porque nós somos mais um grabmaker, apoiamos mais que implementamos agora, porque nossa meta não é de fazer tudo nós mesmos, é trabalhar em conjunto com ONGs do país e os governos também, para facilitar, pra ajudar o trabalho deles, como a  aliança que temos com a SOS Mata Atlântica, que é uma coisa muito importante para nós, e acho que para eles também. 

 

P/2 – A gente pode voltar um pouquinho só pra gente fazer uma linha? Quais as organizações que você participou, e você falar um pouquinho na que você está hoje.

 

R – Bom, começamos em 1979, quando o programa de levantamento da Mata Atlântica começou com apoio do World Wildlife Fund dos Estados Unidos, trabalhamos principalmente com o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro e a UFMG, Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Começando em 1981, mais ou menos, quando o Almirante Ibsen entrou na FPCN, trabalhamos mais com eles, também com eles. Então foram essas as três organizações que trabalhamos nessa época. Depois, no fim da década de 80, quando foram criadas a SOS, a Funatura e Biodiversitas, começamos também a trabalhar mais com eles. Agora estamos trabalhando com muitas ONGs aqui, nem posso reconhecer o nome de todos eles.

 

P/1 – E como se deu a sua entrada na Conservation?

 

R – Bom, eu saí da universidade em 1977, acabei meu PhD em 1977, novembro de 1977. Logo depois de terminar eu fiz um projeto, um documento, que se chamava ‘Global Strategy for Primal Conservation’ – Estratégia Global para Conservação de Primatas –, olhando o mundo inteiro, porque em 1977 eu fui escolhido como chairman, como presidente, do grupo de especialistas em primatas da UICN, União Internacional para Conservação da Natureza, que hoje em dia chama-se União Mundial para Conservação da Natureza. E com essa posição eu comecei a elaborar... Depois de me graduar eu comecei a elaborar esse documento sobre os primatas no mundo, um documento de 300 páginas falando quais eram as prioridades de conservação de primatas no mundo inteiro. Então quando eu fiz esse documento, e dado o meu interesse no Brasil, eu vi que a Mata Atlântica junto com Madagascar eram as duas prioridades mais altas para a conservação de primatas. Baseado nisso eu decidi fazer esse projeto sobre a conservação de macacos da Mata Atlântica, que foi apoiado pelo World Wildlife Fund. E entrei no World Wildlife Fund em 1978, fiquei lá, comecei como diretor de programa de primatas e fiquei lá 11 anos, até 1989, e minha última posição lá foi vice-presidente para Ciência, que inclui também a responsabilidade para programa do Brasil, programa das Guianas, programa de Madagascar, várias outras coisas. E em 1989 surgiu a oportunidade de trabalhar com a Conservation International – Conservação Internacional –, e em julho de 1989 sai da World Wildlife Fund e entrei como presidente da CI,  e estou lá desde então.

 

P/1 – Desde 89?

 

R – Desde 89.

 

P/1 – E a relação da Conservation com a SOS, quanto teve início?

 

R – Bom, sempre tivemos uma relação com eles, desde o início, desde a criação da organização; e antes também, porque conhecemos pessoas como o Zé Pedro, que eram as pessoas chaves, no início. Então, quando entrei no Conservation International, em 1989, uma das primeiras coisas que eu fiz foi uma viagem com a Fundação MacArthur, que quando eu entrei na Conservation International eu trouxe um conceito que se chama hotspot, áreas prioritárias para conservação da biodiversidade. Foi um conceito que foi criado pelo ecólogo britânico Norman Myers em 1988, que reconheceu um pequeno número de áreas como a Mata Atlântica, como Madagascar, como os Andes foram os responsáveis por uma grande parte da biodiversidade do planeta e que estava entre os mais ameaçados. Eu achei uma ideia ótima, e trouxe essa ideia para a Conservation International, em 1989, quando eu fui para essa organização. Ao mesmo tempo, a MacArthur Foundation, que foi no fim dos anos 80 e na década de 90 o maior patrocinador de projetos de biodiversidade em termos de organizações privadas no mundo. Eles decidiram que uma das prioridades deles era a Mata Atlântica. Então eu cheguei aqui com o diretor do programa, na época, Dan Martin, para mostrar para ele o que tinha aqui na Mata Atlântica, como organizações, como projetos de prioridade. E visitamos vários lugares aqui, Minas Gerais, Rio, São Paulo. E, baseado nas nossas recomendações e reuniões que tivemos nessa visita, a MacArthur Foundation decidiu apoiar nossa organização para trabalhar no Brasil e também três organizações do Brasil, que foram a Pronatura – que agora não é muito ativa aqui –, a SOS e a FPCN. E na época foi um apoio com quantidade de dinheiro bastante importante, mais ou menos ao redor de 700 mil, 800 mil dólares por organização, através de três anos. Isso realmente ajudou muito nosso crescimento e também o crescimento da SOS na época. Depois disso sempre tivemos uma relação muito íntima com a SOS, que foi formalizando muito mais. Esqueço do ano, mas foi mais ou menos agora... A aliança nossa, formal, com a SOS Mata Atlântica, foi criada acho que em 1998, 1999, mais ou menos, mas não lembro exatamente quando foi a data. Estamos ainda nessa relação com eles, nessa parceria, que é uma parceria realmente mútua. Nós podemos aprender tanto da SOS e com as técnicas que eles usam para ter sucesso aqui no Brasil, como eles podem aprender da gente. Estamos apoiando vários projetos, também estamos trabalhando em conjunto sobre esse conceito dos RPPNs [Reserva Particular do Patrimônio Natural], que acho que talvez a parte mais importante da nossa relação. Trabalhamos juntos também na elaboração de prioridades para a Mata Atlântica, também sobre essa ideia de corredores... Como é que você junta áreas protegidas através de corredores ecológicos para que as áreas protegidas não fiquem como ilhas isoladas, mas que tem muito mais significância a longo prazo em termos ecológicos e evolutivos? Temos várias coisas que estamos fazendo com a SOS, e acho que é uma relação que vai continuar por muitos anos e que vai ter muito sucesso. Tinha algumas pessoas que, quando começou essa aliança, umas pessoas um pouco cínicas, que acharam que não ia dar certo, mas acho que deu certo, e realmente, para nós, é modelo como trabalhar em parceria com a grande ONG de um país ligada e trabalhando muito intimamente com uma ONG internacional, mas os dois mantendo também sua independência, suas facções separadas.

 

P/1 – E da primeira vez que o senhor veio ao Brasil, na década de 70 pra hoje: na sua opinião melhorou a questão de preservação no país ou estagnou? Como é que o senhor faz essa avaliação?

 

R – Eu acho que quando eu cheguei aqui pela primeira vez não tinha nada, basicamente, tinha muito pouco. Tinha uma rede pequenininha... Quando cheguei aqui pela primeira vez tinha acho que duas pessoas trabalhando no departamento de parques nacionais e reservas do IBDF, lá perto ao lado do Parque Nacional da Tijuca: Alceu Magnanini e o assistente dele na época era Maria Tereza Jorge Pádua, basicamente duas pessoas para a rede do país inteiro, muito pouca coisa. Depois disso começou especialmente com esse programa, em 76, para identificar prioridades para a Amazônia e realmente fazer uma rede de áreas protegidas sérias, cresceu muito e rápido. E continua, porque esse ano foram criadas mais áreas federais, muito mais. Acho que essa Terra do Meio, que foi criado agora no Xingu, fantástico, é uma área enorme. E os estados também fizeram muita coisa: o estado de São Paulo tem uma rede estadual que é fantástica, provavelmente a melhor do mundo em termos dos países em desenvolvimento. Eu acho difícil achar uma rede estadual nos Estados Unidos que seja tão grande e tão interessante como a rede aqui do estado de São Paulo, e agora os estados amazônicos também estão começando a criar áreas estaduais; olha o caso do estado de Amapá, incrível. O estado de Amapá tem mais ou menos 140 mil quilômetros quadrados, agora com áreas federais, áreas estaduais, reservas de desenvolvimento sustentável, áreas indígenas e vários outros tipos de reserva, eles têm já 65% da superfície do estado em áreas protegidas. Incrível, né? E o estado de Amazonas criou acho que quatro milhões de hectares de áreas protegidas a mais esse ano. Eles agora estão com mais ou menos 40 e poucos, 43, 45% da superfície do estado de Amazonas em áreas protegidas e reservas indígenas. Esse estado é do tamanho do Alasca, enorme. O que eles têm de áreas protegidas no estado de Amazonas é maior que muitos países. Então eu acho que o que está sendo feito aqui no Brasil é realmente fantástico. O grupo, a comunidade de conservacionistas, é o mais forte do que qualquer país tropical, de longe. Então eu sou muito otimista em relação ao Brasil, especialmente porque eu viajo muito para outros países. Quando você vai para a maioria dos países da África, os países da Ásia, não chega perto, você não tem a capacidade científica, você não tem a capacidade de profissionais na conservação e não tem uma rede que comparava com o que vocês têm aqui no Brasil. Isso não quer dizer que não tem problemas: a Amazônia continua sendo destruída; tem várias partes da Amazônia, especialmente o sul do Pará, que está sendo muito maltratado agora. Então não acabou a batalha para conservar a natureza. Mas quando eu olho para trás, para os 34 anos que estou vindo aqui, muitas coisas boas aconteceram, e acredito que vai continuar, porque essa comunidade realmente é forte, especialmente aqui na Mata Atlântica, porque eu acho que a comunidade mais poderosa de conservação é aqui nessa região, isso graças muito aos esforços de organizações como a SOS.

 

P/2 – Como você vê a iniciativa da SOS com relação ao Atlas?

 

R – O Atlas da Mata Atlântica é uma coisa que estamos trabalhando junto com eles nisso aí. Para mim, mapear e reconhecer o que você tem em termos de mata remanescente, áreas protegidas, é a coisa mais importante, porque se você não tem um bom entendimento do que existe na região, como é que você vai conservar? Então para mim é um elemento básico para os futuros esforços nessa região da Mata Atlântica, e também dá uma base muito importante para a criação de mais áreas privadas, as RPPNs. Porque você não pode criar mais 200, 300, 400 áreas federais ou estaduais, mas através dessa rede de áreas menores... Mas muito importantes estrategicamente para a conservação. Você tem áreas federais, estaduais e até áreas municipais começando a ser criadas, e você junta com isso as áreas privadas, você tem um arquipélago enorme de áreas chaves para a conservação da biodiversidade. Aos poucos, se você for juntando eles, como estamos tentando fazer agora, por exemplo, na região de Caratinga, no estado de Minas Gerais, você realmente ganhou uma boa parte da batalha para conservar a biodiversidade desse país, que é um dos dois países mais diversos do mundo para a biodiversidade.

 

P/1 – E especificamente sobre a Mata Atlântica, na sua opinião, quais são as perspectivas para ela para os próximos anos?

 

R – Eu acho muito boas as perspectivas para a Mata Atlântica. Acho que as perspectivas para a Mata Atlântica estão entre as melhores, senão a melhor, de todos os hotspots. Nós acabamos um novo livro agora sobre hotspots; faz cinco anos publicamos um livro que se chama “Hot Spots”, no qual identificamos 25 áreas prioritárias para conservação da biodiversidade, das quais a Mata Atlântica foi uma das cinco mais importantes. Refizemos o estudo agora, no ano passado, e chegamos a 34 hotspots. O que fica em termos de vegetação original dos hotspots ocupa somente 2,3% da superfície da Terra, mas, nesses 2,3%, você tem 50% das plantas e 42% dos vertebrados, mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes de água doce. 42% em 2,3% da superfície da Terra. E ao mesmo tempo você tem a grande parte dessas espécies ameaçadas, espécies criticamente ameaçadas, reconhecido pela UICN [União Internacional para a Conservação da Natureza], 72% dos mamíferos, 86% das aves e 92% dos anfíbios existem somente nesses 2,3% de superfície da Terra. Então, se você quer conservar a biodiversidade mais ameaçada, se você quer evitar a extinção das espécies, é óbvio que você vai ter que trabalhar muito fortemente nesses hotspots. Não quer dizer que as outras áreas não são importantes também, mas se perdermos o que fica na vegetação original no hotspots, você automaticamente perde 50% das plantas e 42% dos vertebrados. Então é uma estratégia que reconhece o valor de certas áreas. Se olhamos os 34 hot spots que existe, a Mata Atlântica continua com um dos quatro, cinco mais importantes. E no contexto de todos os hot spots, eu vejo a Mata Atlântica como a região que tem a melhor perspectiva para proteger todas as espécies ainda existentes aqui. Quando vejo a Indonésia, por exemplo, a ilha de Sumatra ,onde nós também trabalhamos, oeste da África, que provavelmente é o mais difícil de todos os de hot spots, Filipinas, Indo-Burma, que é a parte sudeste da Ásia, é muito mais difícil e vai se perder coisas lá. Mas aqui na Mata Atlântica eu fico muito otimista que vai ser possível. Obviamente só fica entre sete e 8% do que era, mas eu vejo a possibilidade de conservar o que fica e conservar uma representatividade das espécies e ecossistemas que existem aqui como muito positivos, principalmente graças aos esforços de organizações como a SOS, a Biodiversitas e vários outras. E gostaria de pensar também que nossa organização está contribuindo, especialmente através de nossas parcerias com organizações como a SOS Mata Atlântica. Então, resumindo, eu acho que as possibilidades para a Mata Atlântica são as melhores do mundo em termos da conservação dos hotspots.

 

P/2 – Nós estamos chegando ao fim. Você gostaria de falar alguma coisa que nós não te perguntamos e que você acha superimportante falar?

 

R – Como? Não entendi.

 

P/2 – Você quer falar alguma coisa que nós não perguntamos e que você acha que é importante falar?

 

R – Bom, eu acho que nós trabalhamos no mundo inteiro, acredito que deve ser mais de mil parceiros, em termos de ONG, muitas organizações não governamentais. Eu vejo a SOS como, se não a melhor, entre as duas ou três melhores ONGs do mundo, porque é uma organização que já começou, já aprendeu como ser autossuficiente, é uma organização muito criativa. O que a SOS faz em termos de campanhas para arrecadação de recursos, o que eles fazem em termos de ciência, o que eles fazem em termos de atuação no campo, é fantástico, é um conjunto de esforços que dificilmente se acha em qualquer outra organização, em qualquer outro país, mesmo comparando com organizações nossas nos Estados Unidos. É uma das melhores ONGs do mundo. Então nós estamos muito orgulhosos de nossa relação com eles e, como eu falei, acho que nós temos tanto para aprender com eles quanto eles têm para aprender com a gente. Ou até mais, porque eu acho que é uma organização com muita criatividade, muita capacidade, e acho que vai muito longe. Esperamos que possamos trabalhar junto com eles para os próximos 30 anos, 50 anos.

 

P/2 – Para finalizar, o que representa na sua vida a questão ambiental?

 

R – Bom, na minha vida a questão ambiental é minha vida. Eu estou trabalhando nesta questão desde muito pequeno, então para mim não é um emprego, é um estilo de vida; o que eu faço, viajo provavelmente 80% do tempo, e a única coisa que eu faço é a única coisa que eu queria fazer na minha vida. Tenho família, tenho três filhos e, graças a Deus, todos eles, minha mulher também, estão envolvidos na conservação. Bem, minha filha de oito anos não escolheu sua carreira ainda, mas meu filho de 12 anos é muito interessado em répteis e anfíbios, e já está começando a estudar isso. E meu filho de 19 anos, que agora está no primeiro ano da Universidade de Yale, em Connecticut, é um ornitólogo, ele já viu mais de quatro mil espécies de aves na natureza, acho que ele tem um recorde mundial para pessoas de menos de 20 anos em termos do que ele tem visto de aves no mundo. Então minha família toda está muito envolvida, muito interessada nisso, e para nós é nossa vida, não é outra coisa.

 

P/2 – Você quer deixar um recado para a SOS, para os 18 anos dela?

 

R – Bom, eu quero falar para a SOS [meus] parabéns pelos 18 anos, e realmente muito obrigado pelas coisas que vocês nos ensinaram através dessa parceria que nós temos com vocês, e esperamos que ela continue por muito tempo.

 

P/2 – Russell, obrigada por você ter vindo, nós agradecemos.

 

P/2 - Você gostaria de falar alguma coisa a respeito da organização da SOS, das pessoas?

 

R – Bom, eu acho que é importante frisar o fato de que a SOS sempre teve líderes muito fortes e com muita capacidade. E agora o Roberto Klabin, para mim, é um dos melhores conservacionistas não só do país, mas do mundo. A liderança dele, a capacidade dele e a visão dele, é realmente muito grande e muito importante, é um grande prazer contar ele como amigo e como parceiro nosso.

 

P/2 – Você acha que acertaram no Klabin como presidente da SOS?

 

R – Eu acho que ele realmente é um líder espetacular em termos do que ele está fazendo. Ele tem também esse bom senso de um empresário. Ele é empresário e trouxe para a organização um profissionalismo que realmente se precisa nas ONGs, porque muitas ONGs trabalham com muito entusiasmo, mas em termos de organização, administração, arrecadação de recursos, falta muito. Mas o Roberto realmente fez dessa organização uma empresa que funciona muito bem.

 

P/2 – Você quer falar mais alguma coisa?

 

R – Acho que é isso.

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