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História

O Médico de Máquinas

História de: Josue Lemos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 05/12/2012

Sinopse

Identificação. Cotidiano em uma família de 12 irmãos, em Martinópolis, interior do Estado de São Paulo. O percurso de casa à escola e o posto de gasolina que o atraía. Ida da família para São Paulo e moradia no bairro da Penha. O trabalho como engraxate e nas gráficas. A convivência com máquinas de costura em casa e o estágio no ramo de assistência técnica de máquinas de costura na Singer. Sua trajetória no comércio em São Miguel Paulista na área de assistência técnica, compra e vendas de máquinas de costura.

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História completa

“Quando chegamos aqui em São Paulo, chegamos com muitas malas e meu pai foi na rodoviária contratar um táxi. Conversando com o taxista, meu pai falou: ‘Nós estamos em tantas pessoas, vai precisar de dois táxis, mas tem as malas. Quanto vocês cobram?’ Nós tínhamos sido orientados: combina antes com o taxista, para não chegar lá depois e ele cobrar o que quiser. Meu pai perguntou: ‘Você vai cobrar quanto?’ Ele falou: ‘Tanto.’ ‘E das malas?’ O taxista respondeu: ‘Das malas, não vou cobrar nada.’ Meu pai então falou: ‘Você leva só as malas que nós vamos de ônibus.’ Coisinha assim que acontecia, por causa da ingenuidade da gente. Nós fomos morar na Penha, ali na Rua Amador Bueno da Veiga. Lá eu comecei a vida: fui engraxate e trabalhei na Editora Abril por oito anos. Nessa época, um tio meu tinha uma confecção grande e minhas irmãs trabalhavam com ele. De vez em quando, o mecânico ia lá consertar as máquinas e eu gostava de ver; achava interessante. Quando saí da gráfica, fui procurar emprego e nessa época a Singer precisava de pessoas para fazer treinamento. Eu fui lá e vi que a pessoa iria aprender a mecânica da máquina para poder dar assistência nas lojas. Fiz o estágio, aprendi e fiquei trabalhando uma temporada na Singer como mecânico. Depois que saí de lá, abri o meu comércio em São Miguel. A gente comprava máquinas usadas, revendia e consertava. Também as pessoas levavam as máquinas, você fazia orçamento e consertava as máquinas. Então meu comércio era de máquinas usadas. Hoje tem essas máquinas modernas, elas vêm quase todas da China. A China produz coisas realmente boas, fortes, resistentes; máquinas possantes pra indústria. Mas ela produz também muita coisa para vender baratinho, porque o objetivo é atingir todas as classes sociais. Então eles vendem máquinas frágeis, que a mulher começa a costurar e, de repente, já desregula tudo e a gente tem dificuldade de deixar a máquina funcionando direito. Você precisa dar uma garantia, mas você tem dificuldade de dar a garantia, porque você sabe que aquilo não vai durar muito. Essa é uma dificuldade que a gente tem hoje. Antes as máquinas eram resistentes e você podia consertar sem problemas. Minha loja era um salão de seis por dez metros de fundo, um banheiro. A gente montou um escritório pequeno no fundo, onde você atendia os clientes. Meu lugar preferido, o lugar em que mais gosto de ficar é a bancada onde a gente faz os consertos. Máquina toda sem costurar, toda bagunçada. A gente reforma máquinas antigas e também industriais, overloque, galoneira. Então, você pega aquela máquina... Eu entendo meu trabalho, eu gosto tanto que acho que é até uma assistência que eu presto para as pessoas. É a mesma coisa que um médico que pega uma pessoa quase morrendo, de repente aquela alegria do médico ao ver aquela pessoa andando depois. Eu me sinto assim.”

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