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História

O marujo do Dom Jackson

História de: Reinaldo Teixeira da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/02/2008

Sinopse

Em seu depoimento, Reinaldo Teixeira da Silva conta sobre a história de seus pais e de como foi criado pela sua vó. Fala sobre sua busca pela sua mãe e por trabalhos em Maués. Aborda também sua relação próxima com o guaraná e seu cotidiano com o trabalho que hoje desempenha de marujo no barco Dom Jackson.

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História completa

Meu nome é Reinaldo Teixeira da Silva, moro em Maués, nasci em 1970. Tenho 30 anos de idade, sou marujo do barco Don Jackson. Eu nasci em Parintins. Eu fiquei lá até os 16 anos em Parintins. Eu fui criado pela a minha avó. Os meus pais, a minha mãe veio pra cá para Maués com o companheiro dela e o pai eu não conheci, não. O meu pai verdadeiro eu não conheci.

A minha avó era aposentada. Trabalhava pra cá, pra ali, pra cá e pra ali, negócio de bico quando aparecia. É um trabalhinho qualquer. Até que eu vim embora. Completei os 16 anos e vim embora pra cá para Maués. E depois que eu provei do guaraná, eu não voltei mais pra Parintins. Provou do guaraná, não volta mais. Está encantado por Maués.

Em Parintins, estudava. Eu vendia negócio de doce, picolé em vez por aí pelas festas que tinham. O trabalho era esse que a gente fazia. Eu mudei pra Maués porque eu vim atrás da minha mãe.

Quando eu cheguei aqui em Maués, eu andava pra cá, pra ali atrás de trabalho até que eu encontrei um trabalho. Eu trabalhava do outro lado, na Vera Cruz, travessia de Maués. Trabalhava lá e arrumei trabalho lá numa granja. Esse cara se deu bem comigo e eu, como era um cara de trabalho, me botou pra tomar conta do gado dele. E passei uns cinco anos tomando conta do gado dele e depois eu enjoei de trabalhar na fazenda e vim pra cá para Maués e de novo arrumei trabalho num barco. Trabalhei no PP, trabalhei seis meses no PP e agora eu estou trabalhando no Don Jackson.

Quando chega aqui, a gente tem que estar atento a tudo, principalmente nos passageiros, porque tem que tratar bem eles e pegar a mala. Quando chega qualquer coisa, precisando qualquer coisa e chegar com a gente, a gente ajuda. Chega em Itacoatiara, tem que desembarcar, embarcar. O trabalho aqui é esse. Durante a viagem servir na cozinha lá, ajudar a servir, a limpar tudo, dar uma “geral” na limpeza do barco, o banheiro. Limpo o porão, ajudo a pegar o comando às vezes. Quando o comandante está muito cansado, tem que ir lá dar uma força pra ele e a noite é comprida. Às vezes, o comandante vai até lá o leme lá e de vez em quando ele apaga e aí o barco em cima da terra. Quando ele está assim, tem que ajudar ele. Tem que ir um lá ficar conversando com ele, distraindo, porque não é pra ele dormir. Se ele dormir... Mas isso não acontece, isso não costuma acontecer, não. Difícil.

Quando eu cheguei aqui Maués, era, ixi Maria, não era o que é hoje. Hoje está movimentado, está mais movimentado. Era meio mais calmo, mais parado. Esse pessoal plantava e fazia o plantio para vender e chegavam aqui em Maués não tinha para quem vender. Plantava melancia, essas coisas, vendia bem pouco. Agora não: você já planta e chega aqui e tem saída. É pouco, mas tem saída. Sai melancia, jerimum, essas coisas. Eu plantei muito isso daí também.

Aqui tinha praia, tinha umas boates pra aí pra trás. Era o Miramar no tempo. Tinha ali salão pra jogar bola na coisa de salão. O que tinha mais? Tem um parque ali pra trás também. Para se divertir tinha muita coisa e ia para a praia e, às vezes, passava quase o dia inteiro pulando na água. Ia lá para Vera Cruz de voadeira e voltava. Fazia o negócio do picnic pra lá. A minha avó comprava frango, pegava peixe e fazia aquele assado na beirada. Comia e botava uma rede. Dormia e de tarde a gente vinha embora de novo pra cá. A gente se reunia com aquela turma da rua. Era quase todo domingo que a gente fazia isso. Quando não, a gente ia lá para a boca de Maués para o encontro das águas pra lá. Pra lá a gente fazia os assados, comia, levava o som, mais meninas conosco também, às vezes. Diversão é essa.

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