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O mais novo no board

História de: Henrique Sérgio Macedo Ramos
Autor:
Publicado em: 23/03/2016

Sinopse

Henrique Sérgio Macedo Ramos é o mais velho de quatro filhos e se lembra das anedotas que seu pai o cantava sobre seu avô, que foi da Marinha Mercante e tinha diversas histórias pelo mundo. Henrique conta também que, apesar de ter nascido e passado muitas férias em Fortaleza, ainda muito pequeno, mudou-se com a família para Brasília. Lá iniciou seus estudos mas, com 12 anos, todos se mudaram novamente para Natal e foi lá que Herique terminou a escola, tendo feito o curso técnico, fez curso de ingles e ficou sabendo da possibilidade de intercâmbio pelo AFS. Foi na segunda tentativa que Herique conseguiu a vaga e ele conta como foi o processo de ir recebendo as pílulas de emoções: ao descobrir o país de intercâmbio, a família... Ele conta como foi sua experiência, o processo da volta e o quão natural foi integrar o grupo de voluntários do Comitê de sua cidade. Além disso, Henrique conta como foi o desenrolar de sua carreira como voluntário que desembocou no board of trustees do AFS Internacional. Henrique ainda conta como foi o processo de aprovação do novo estatudo do AFS Brasil, que o levou à presidência e que o deu visibilidade internacional. Henrique narra como é importante essa experiência de voluntário e quanto todos ganham muito mais do que dinheiro, numa idade tão tenra.

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História completa

Quando eu voltei, meus amigos que tinham passado na primeira seleção já estavam há um ano de volta e já tinham se integrado ao AFS. Se eu quisesse vê-los, eu tinha que ir pras reuniões do AFS. Então, essa integração foi natural. Logo, foram me arranjando responsabilidades. A primeira coisa que você faz quando você volta é ser conselheiro de algum estudante estrangeiro hospedado aqui e é uma coisa legal porque você acabou de vir de uma experiência que você tem amigos do mundo inteiro e aí quando você volta o AFS já te arranja um gringo pra você tomar de conta.

A gente sempre falava que no AFS você começa como voluntário, a gente chama de voluntário de base. Quando você chega é igual a um trabalho novo, quando você chega não tem muito espaço, então ficam te arranjando tarefas menores, coisas satélites. Logo, alguém vê que você tem condição de fazer alguma coisa a mais e, um belo dia, chega uma caixa na sua casa: é quando você virou Presidente do Comitê. E esse dia chegou rapidinho pra mim. Rapidamente, eu tive que exercer esse papel de presidente do Comitê. E é muito engraçado porque o AFS faz isso, a gente não tem consciência, hoje eu tenho consciência, de você ter grandes responsabilidades como se fosse gerente de uma unidade de negócios numa empresa com 20 anos de idade. Você tem que gerir recursos, entra dinheiro na sua conta, você tem que prestar contas daquilo. Logo depois, eu fui ser Diretor Administrativo da região Nordeste, que é quem cuida do dinheiro de todos os comitês daquela região.

Dentro do AFS eu fui passando aos poucos, de Presidente do Comitê pra Diretor Administrativo, que a gente cuida da parte financeira da região. Eu fui Diretor Regional, que é quem tem obrigações operacionais em relação à região, no caso Região Nordeste eram cinco Estados, foi um caminho natural, os próprios outros voluntários, ou até os funcionários da organização vão dizendo: “A gente precisa de você na Diretoria Nacional”. E a coisa da pouca idade, você tanto toma aquilo como a coisa que te envaidece, como também você vê uma grande oportunidade. Porque o AFS é muito interessante. A gente que é voluntário diz assim: “Eu não sou remunerado pelo AFS, mas eu ganho muito”. O AFS te proporciona muita coisa. Eu entrei nesse grupo da Diretoria Nacional, no final das contas, passou a ser um grupo de amigos de vários lugares do Brasil. Foi justamente numa época em que o AFS internacional, que é essa organização que coloca os padrões da rede, coloca os padrões para cada um dos 50 e poucos parceiros em cada país, começou a demandar das organizações nacionais que revissem sua estrutura com o principal propósito de separar as responsabilidades de voluntários das responsabilidades de funcionários. Dentro de uma gestão moderna de uma organização do Terceiro Setor que conta com as duas forças de trabalho, profissional e a voluntária, em muitas organizações do AFS isso estava muito bagunçado, existia uma sobreposição de papéis. Eu me lembro que a gente teve que estudar pra entender isso, que existe uma teoria por detrás disso, existem trabalhos escritos em relação a isso, como uma organização do Terceiro Setor que tem essas duas forças de trabalho deve separar as coisas. Numa idade ainda muito jovem eu me lembro de pegar os manuais, que são nove manuais em inglês, e ter que dissecar esses manuais. Esse grupo de pessoas com quem eu trabalhei passou a ser responsável. A gente passou a ser, na verdade, os grandes vendedores da ideia, porque a gente precisava que os voluntários, fossem para uma convenção nacional e votassem no novo estatuto, que comprassem a ideia de que uma nova estrutura, em que os papéis fossem bem definidos seria bom pra organização. E foi muito legal, foi muito desafiador mas foi muito legal. Eu me lembro de viajar quase todo fim de semana para ir em encontros em comitês e regiões pra poder explicar o que era aquele novo estatuto. Até hoje, eu sou chamado pra capacitações, quer seja no Brasil ou em organizações parceiras fora do Brasil, pra falar como deve ser o papel do membro do Conselho Diretor, o que o membro do Conselho Diretor faz e o que ele não deve fazer. Isso pra mim foi muito importante, até pra minha vida profissional, a coisa de aprender a delegar, de que você não tem o controle, ninguém nunca tem o controle total, você tem que arranjar formas de garantir que as coisas sejam realizadas, mas sem que você esteja prescrevendo cada um dos passos. É um trabalho que até hoje eu tenho orgulho de ter participado.

Eu sabia que o Conselho Diretor do AFS Internacional, que a gente chama de Board of Trustees, era um conselho muito maior, são pelo menos 18 pessoas, pessoas de várias partes do mundo, pessoas de diferentes idades, realmente uma ideia de conselho diverso, de muita diversidade. Aquilo de certa forma me amedrontava um pouco. Me convenceram, me convenceram que eu tinha a exposição internacional necessária e que se não fosse eu o Brasil ainda ia passar mais algum tempo sem ter ninguém no conseldiretor internacional. E já fazia muitos anos que o Brasil não tinha. E o AFS Brasil tinha uma posição importante na rede naquele momento. A partir da estabilização econômica do início dos anos 90, o AFS Brasil se beneficiou dessa estabilidade e pode planejar melhor, então logo passou a ter um destaque internacional. Só que a gente não tinha nenhuma representatividade nesse conselho internacional. E me convenceram por isso, como presidente da organização nos dois anos anteriores e como membro do Conselho Diretor por sete anos, eu já tinha exposição internacional conectada com essa trajetória positiva do AFS Brasil. Eles estavam certos porque eu fui eleito e diz a boca miúda que eu fui mais bem votado. Meus pares nesse conselho que pelo menos sete ou oito anos a mais do que eu, os mais jovens. A maioria já estava na faixa dos 60 pra lá. Tem pessoas aposentadas, tem pessoas que já foram presidentes de grandes organizações. Isso pra mim foi assustador porque eu tive uma dificuldade em lidar com isso no início. Mas foi muito importante pra mim, eu realmente agradeço que tenham insistido, mas ao final de três anos eu disse: “Não, pra mim chegou. Eu acho que eu cumpri essa parte também”. Hoje em dia, eu estou bem confortável com a minha posição de trabalhar com educação, com educação de voluntários, capacitação de voluntários. Até que alguma outra coisa surja.

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