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História

O interesse por selos

História de: Pedro Lanzoni
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/06/2005

Sinopse

Infância na Itália. Pai e parentes eram pedreiros. Trabalho em barbearia. Participação na Primeira Guerra Mundial. Falecimento do pai e migração para o Brasil. Aspectos da cidade de São Paulo naquela época. Aquisição da barbearia. A Revolução de 1932. Infância e interesse por selos. Países colecionados. Banca de selos e moedas na Praça da República. Perfil do consumidor. Vendedores ambulantes da Praça da República. Fiscalização da Prefeitura. Casamentos. O trabalho com a família. A economia brasileira.

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História completa

IDENTIFICAÇÃO O meu nome é Pedro Lanzoni, filho de Alberto Lanzoni, falecido. Eu nasci em 18 de maio de 1899, na Itália, em Bolonha. TRABALHO DOS PAIS Meu pai era pedreiro, em Bolonha. Quando eu tinha vontade eu ia trabalhar com ele, mas eu não gostava do ofício. TRAJETÓRIA PROFISSIONAL – SALÃO DE BARBEIRO Entrei num salão de barbeiro com seis anos. Mas eu ia à noite quando meu pai não me via, ele não queria que eu fosse barbeiro. Ele queria que eu fosse do ofício dele. Enganei a raça porque eles lá são todos pedreiros, e eu não queria ser. Aí à noite eu fugia, ia no salão, que tinha um amigo lá, fui aprender o ofício de barbeiro. No começo, só passava sabão no rosto do freguês. Eu nem alcançava, tinha um banquinho que eu subia. Antigamente, pra fazer a barba não tinha pincel. Tinha uma bola de sabão dentro de uma bacia. Quando estava ensaboado o chefe vinha fazer a barba e eu molhava. FAMÍLIA Meus irmãos seguiam o trabalho do meu pai, porque eles gostavam. Os parentes eram tudo pedreiro. Mas eu desviava. Precisa trabalhar no que a gente gosta, aí sim. PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL Eu tinha 16 anos, era a época que tinha a Guerra. Me chamaram, arrumei uma caixinha, pus todas as ferramentas lá dentro. Quando eu cheguei no exército eles perguntaram: "Quem é barbeiro?" "Sou eu." "Então você fica aí." Fiquei barbeiro de companhia e servia a todos os oficiais e soldados também, quando precisava cortar cabelo era eu quem cortava. E, mesmo na trincheira, quando nós estávamos lá e não tinha perigo, a gente sentava numa pedra, cortava o cabelo e a barba. Nós ficamos sete meses sem sair da trincheira. Porque nós saímos só quando havia um pouco de sol, só pra esquentar. Lá só havia neve. Aquela barraca do exército, a tenda, caía em cima de nós com o peso da neve. A gente levantava e limpava, tornava a montar a barraca e ficava lá dentro. Mas já estava tudo cheio de neve. Na trincheira, eu não fazia nada de barbeiro. Quando vinha a ordem de avançar ou pra segurar o inimigo, eu também tinha a mesma ordem dos outros soldados. Eu tinha umas vantagens. Eu era mais amigo dos cozinheiros, comia as coisas melhores. Os outros soldados não podiam entrar na cozinha, e eu entrava e fazia lá o que eu queria. Eu entrava porque os cozinheiros também precisavam fazer barba. Continuava assim, até que um dia tiraram lá de cima, quando perdemos alguns soldados. Eles fizeram uma troca, subiram outros e descemos nós. Ficamos na retaguarda. Depois veio a retirada, nós descemos todos. Quando descemos, tinha a ordem de mandar embora pra casa, porque nós éramos a classe mais nova. A sorte da Itália é que nós estávamos lá ainda, nós paramos os alemães no Piave, é um rio. Se eles chegassem a atravessar aquele rio, a Itália era toda perdida. Nós éramos novos, paramos os alemães e mandamos embora. Passamos o Piave e veio a ordem de acabar a Guerra. Nós chegamos até Udine a pé, debaixo de chuva. E atravessamos cada rio que encontrávamos, passávamos a nado, vestido. Quando chegamos perto de Udine ficamos parados. Vimos o rei, toda a família do rei. Naquela época não tinha Mussolini ainda. GRIPE ESPANHOLA De maneira que eu passei a guerra lá e nessa época meu pai morreu. Ele também era do exército. Depois de meu pai ter morrido, eu passei a arrimo de família. Meu pai morreu com a gripe de 1918. Cheguei em casa, já estava morto. Cheguei e não encontrei uma alma na rua toda. Não tinha mais ninguém, estava tudo doente, minha família também. Mas a alegria que eu cheguei em casa, um começou a levantar, outro começou a levantar e devagarinho a doença foi embora. Felizmente, não morreu mais ninguém na minha família, mas meu pai morreu com a gripe espanhola. IMIGRAÇÃO PARA O BRASIL Minha mãe veio ao Brasil porque ela queria ver um irmão, que ele não podia ir para a Itália. Ela sabia que eu não tinha dinheiro, então ela pagou todas as despesas e nós viemos embora. Mas com a intenção de voltar. Mas que voltar! Eu cheguei aqui, gostei, depois de três dias já estava trabalhando no salão de barbeiro. PRIMEIRAS IMPRESSÕES DE SÃO PAULO São Paulo era muito diferente de agora. Havia um povo mais hospitaleiro, que era um povo mais humilde. Depois, naquela época, havia mais italiano do que brasileiro. E eu nem precisava nem falar brasileiro. Aprendi porque eu era o barbeiro. Mas havia pouca gente em São Paulo, era muito pequena quando eu cheguei. A Avenida São João chegava à Rua Aurora, no Largo Paissandu. Dali pra frente era ainda Rua São João. E faltava operariado aqui, tinha pouca gente. APRENDENDO PORTUGUÊS O latino aprende fácil, porque a língua italiana é a língua latina. O francês também é língua latina. O brasileiro também, o português é língua latina. De maneiras que a gente aprende fácil. Em um mês, eu falava que nem agora. Só que não tinha aquela firmeza de falar português, como falo agora. Eu pensava antes de falar. Mas eu falava, me defendia bem. Fazia questão de servir os brasileiros no salão. Puxava conversa e eles só falavam brasileiro. Foi tão bom que depois de três meses eu já tinha um salão meu. REVOLUÇÃO DE 1932 Na Revolução de 1932, a minha primeira mulher foi na Barra Funda, e nós tínhamos uma família de bolonheses lá. Ela foi passar lá e eu fiquei perto do Cambuci. Lá era o forte da batalha. Eu fiquei preso. Não sabia se minha mulher estava viva ou se estava morta. Eles também não sabiam nada de mim. Eu estava lá no salãozinho, na Rua Viera de Andrade, em frente ao Morro do Piolho. Tinha os legalistas e tinha os revoltosos. Quer dizer, os revoltosos avançavam, eu jogava fora os legalistas. No outro dia vinham os legalistas, eu jogava fora os revoltosos. Chegavam lá e eles perguntavam: "Você o que é?” “Sou italiano." Eu só falava isso, quer dizer que eles não podiam saber se era revoltoso ou legalista. Ficamos diversos dias lá dentro, fechados, sem minha mulher saber se eu estava vivo ou morto. Depois eles distanciaram, teve uma grande batalha na Igreja do Cambuci, teve uma grande batalha e no Morro do Piolho, atrás de uma pedra, ali mataram um paisano. Um soldado matou um paisano, à queima roupa. O Morro do Piolho foi muito falado. Depois acalmou tudo e eu fui lá, fui buscar a mulher e fiquei lá um tempo, mas depois eu vendi o salão. SALÃO DE BARBEIRO PRÓPRIO Depois de três meses no Brasil montei salão. Foi bom que depois de um tempo que eu estava aqui aí veio a moda das mulheres cortarem. Montei na Rua da Glória. Depois eu vendi lá o da Rua da Glória e fui pra Barra Funda. Na Barra Funda veio a fúria, todas as mulheres queriam cortar cabelos. Na Barra Funda, foi muito melhor, havia mais necessidade de barbeiro lá do que da Rua da Glória. Depois comprei uma casinha, eu fiz salão na frente da minha casa, na Rua Brigadeiro Galvão, Tinha três cadeiras, uma estava eu e dois empregados que eu tinha lá. Eu fiquei um tempo, depois fui comprando casinhas. Comprei quatro casinhas, uma pegada à outra, aí eu fiz um espaço grande. Depois vendemos tudo. Passei para os Perdizes, na Rua Cardoso de Almeida, esquina com a Cândido Espinheira. Comprei também na Camaragibe, ali na Barra Funda. Essa aí era uma casa boa, grande e a gente sempre andando pra cá e pra lá. Eu gostava muito de montar, fazia uma freguesia fácil, vinha gente de todo lugar. Cada filho que nascia, a gente precisava ganhar mais, aí montava mais uma cadeira no salão e assim por diante. No Brasil, se todos que vieram de lá fossem tão bem que nem eu, não havia reclamação. Eu fui sempre bem no Brasil, mas sempre trabalhei por minha conta. Só trabalhei de empregado quando cheguei, porque não sabia falar o português COLEÇÃO DE SELOS Mesmo quando era empregadinho, o freguês dava gorjeta e com esse dinheirinho eu ia comprar selo no correio, em vez de gastar no armazém para comprar balas, eu ia comprar selos. Quando vim pro Brasil, eu tinha uma coleçãozinha de selos da Itália. Quando eu cheguei aqui, comecei a desenvolver de outros países. Colecionei primeiro do Brasil, depois da Itália. Colecionava da Alemanha,da França, da Argentina. Depois colecionava da Rússia, tem bastante selos da Rússia. Depois que eu vendi o salão que eu tinha na Cardoso de Almeida, me dediquei mais aos selos. Além de colecionar, eu vendia alguns dos países que eu não gostava. Vendia mesmo, lá na Praça da República. Não tinha o gosto por selos da Argentina. Não havia comércio quase, e não tem até hoje. Alemanha, especialmente a Alemanha antiga, tem muita procura. FEIRA DA PRAÇA DA REPÚBLICA Era só chegar. Depois que os hippies encheram a praça, não precisava mais nada pra entrar. Onde tivesse espaço, montava. Mas entraram muitos vagabundos, muitos ladrões. As autoridades perceberam que era um erro ter deixado entrar toda essa gente, mas eles também precisavam trabalhar. Aí começaram a separar. Começaram uma lei pra tirar um documento na polícia, que não tivessem passagem pra polícia. Se não tivesse aquele documento, caía fora. Não podia ter a banca e muitos tiveram que desistir. De maneira que lá eles fizeram uma limpeza. Eu comecei com as moedas. Fui o primeiro, estava sozinho nas moedas. Lá eu tinha uma freguesia muito grande, estava sozinho. Eles viram que ia muita gente pra comprar moeda, em um mês já tinha 15 ou 20 que vendia. Num instante, a praça encheu. CLIENTES Eu tinha freguês bom. Médicos, eu tinha um doutorzinho, ele comprava todas as moedas. E teve um tempo, eu morava na Rua Camaragibe, teve um tempo que ele precisava de uma moeda que eu tinha, uma moeda antiga, cara, do Império. Ele soube que eu tinha e foi lá em casa de madrugada. Enquanto eu não vendia a moeda, ele não sossegou. Ele levou a moeda, pagou o que eu quis. VENDA DE SELOS E MOEDAS Quando eu trabalhava com as moedas, também comprava coleção de selos. Mas a coleção de selos eu guardava em casa, e não vendia. Vendi moedas por dez anos. Quando cansei das moedas, porque moeda cansa, não tem variedade, não tem cores, o senhor não encontra moeda, é diferente os selos. O selo, com dinheiro, você encontra. Como eu já tinha todo esse monte de selos em casa, eu deixei lá as moedas, montei banca, montei a mesa com o guarda-chuva, que nem os outros, e assim continuei até hoje. São 44 anos que estou lá. São 34 anos de selos e dez anos de moeda. Eu tinha uma coleção muito grande. Depois, achei que era muita coisa e vendi todos os selos estrangeiros. Fiquei só com os brasileiros, vendi até os italianos pra diminuir o peso. Até hoje estou com os brasileiros, porque tendo dinheiro você encontra olho-de-boi, todos os mais caros. Tem a segunda série de selos do Brasil, que chama-se inclinados, porque é um selo meio torto, essa aí tem os selos mais caros do que olho-de-boi. Olho-de-boi é o primeiro selo feito no Brasil e é o segundo do mundo. É de 1843. O primeiro selo é da Inglaterra. A Inglaterra tem selos bons. As colônias especialmente. Quem tem uma coleção de selos da colônia inglesa, tem uma fortuna em casa. Tem selos muito caros. MUDANÇAS NA PRAÇA DA REPÚBLICA Quando entraram os hippies, todo mundo achou ruim, menos eu. Havia mais vendedores, mas veio uma avalanche de compradores. Porque se a gente vai ver, José Paulino, Rua Vinte e Cinco de Março, eles vendem tudo o mesmo artigo e quantos negociantes que tem? E quanta gente que vai lá comprar? Assim aconteceu na Praça da República. Foi um benefício pra nós, porque veio mais gente, o movimento ficou muito maior. E tiraram os vagabundos de lá, que foi pra nós uma salvação pra nós, que agora não tem tanto ladrão como tinha. BANCA E LOJA DE SELOS Muitas vezes fui convidado pra ser sócio de loja, mas eu não quero. Quero liberdade, eu trabalho mais trabalhando sozinho do que se fosse com um outro. Mas sócio não convém. Esconde-se facilmente os selos. Me roubaram um classificador que tinha uns três milhões de cruzeiros em valor de selos, me roubaram em casa, debaixo dos meus olhos, há uns três meses. Às vezes, diz que a ocasião faz o ladrão, e eu vou almoçar. Ele vende um selo raro lá, e eu não sei nada. Por isso que eu não entro em sociedade. Eu quero saber o que eu vendo. CASAMENTO Eu casei na Itália e ela ficou lá, ficou seis meses. Depois de seis meses eu mandei vir pra cá. Eu já tinha uma filhinha nascida lá. Ela veio com princípio de pneumonia e aqui ela acabou de pegar pneumonia completa. Morreu depois de uns dois meses que estava aí. E pra segurar a mulher aqui? Ela queria ir embora logo, e eu não tinha dinheiro. Meu tio queria dar dinheiro e eu disse: "Não, ela veio, ela fica." Depois eu queria ir, ela não queria ir mais. SEGUNDO CASAMENTO Minha primeira mulher morreu em 1942. No fim de 1943 eu casei com a segunda, mas não tive filhos. Era a Vicentina, era filha de italiano. Fui na Itália junto com ela, em 1948. Ela tinha vontade de ir, de ver os parentes na Itália, mas tudo parentes meridionais. De Nápoles, de Solerno, nós andamos todas as montanhas pra procurar os parentes dela. Fiquei na Itália uns três meses com ela. Mas na metade de novembro, nós estávamos em Milão, caiu um frio, tudo de repente, ela começou a tremer, ela não parava mais de tremer. Tive que ir na companhia de navegação. Ela dizia: "Ah, vamos embora, vamos embora." Já tinha a passagem ida e volta. Nós estávamos tão bem. Em pouco tempo ela aumentou dez, 11 quilos. TERCEIRO CASAMENTO Já faz 35 anos que essa mulher está comigo. Ela muito trabalhadeira, muito boa. Cada um tem os defeitos, só precisa tolerar um e outro. Ela tolera os meus e eu tolero os dela. Vamos vivendo assim, ela é muito boa, muito dócil. Ela ajuda na Praça da República, mas ela vende as coisas já com o preço. Ela é muito esperta. ALEGRIAS DA VENDA DE SELOS A variedade de cores satisfaz a vista. O senhor pega um, é uma cor, pega outro, é outra cor. Outro prazer é que quando você precisa do selo, você encontra. Às vezes, tem uma pequena dificuldade, tem selo que às vezes desaparece. Mas se não é hoje, é amanhã que vem. Encontro com negociantes, que só vendem a unidade. Quando eu tenho uma falta de selos, na hora mesmo eu corro a um amigo. Eu sei que ele tem e ele me cede. Tudo isso dá um prazer em trabalhar com selos. Tenho desde o primeiro até o último selo que saiu no Correio do Brasil. Quando sai todos os selos, eu vou comprar. No Correio, eu pago o preço do selo e depois na praça a gente aumenta um pouquinho, pra ajudar nas despesas. Lá não fazem desconto, não dão porcentagem. Porcentagem é atacadista que dá. Mas selo novo é só na filatélica do Correio Central. Eu tenho a relação anual, nós temos a relação anual antes de sair. A gente já vai lá e compra. Assim que a gente passa o tempo, assim que eu cheguei até essa idade. É o sossego que eu tenho. FILHOS Tem um filho meu que coleciona. O mais novo dos dois, o Sérgio, tem uma coleção particular dele. Eles vão lá na praça de domingo. A minha mulher também está lá todos os domingos. Agora eles estão trabalhando fora e deixa eles. São muitos obedientes, não são desses de cabeça virada. Dei uma instrução, eles são formados em inglês. MUDANÇAS NO COMÉRCIO DE SELOS Diminuiu muito a clientela, mas isso é temporário. O que abala muito nosso ramo são essas mudanças de moedas. Desta vez foi a vez que mais abalou. Teve domingo que com muito custo deu pras despesas. Nós temos um carro na praça e precisa pagá-lo. A gente come na praça, precisa pagar. A moeda quando entra não tem um valor fixo. Essa última moeda custou um pouco a entrar no miolo do povo. Agora que estão acostumando, ainda mais fazendo essa modificação com aquelas moedinhas pequenas. Quer dizer, eu não fiz diferença nenhuma, mas muitos fazem, muitos se perdem. Tem muita gente que, especialmente operário da classe média, gostava mais quando havia inflação. Ele tinha um ordenado bom, não gastava tudo, metade ele punha na Caixa Econômica, porque os juros eram altos. Agora qual é o juros que tem? Nada, o que é 2%, 2,5%? IMPLANTAÇÃO DO REAL Quando havia essa grande inflação, nós íamos aos domingos na praça. Quando nós chegávamos, havia filas de 15, 20 crianças querendo comprar selos. Nem deixavam montar a banca. No correio, pra comprar selos, tinha guarda. Havia movimento de muito dinheiro. Naquele tempo é que se vendia muito na praça. Agora nós ficamos lá até 10, 11 horas sem vender um selo. Agora que estão começando a comprar, (mas não é a criança ainda, é só gente grande que vem. Ali na praça tem rico, tem pobre. Mas agora é um momento de grande sacrifício. E, vou dizer uma coisa, quantas vezes mudou a moeda aqui no Brasil desde que estou aqui? Mudou seis vezes a moeda. Nunca atrapalhou tanto como atrapalhou dessa vez. Os momentos são críticos mesmo. Mas estão melhorando, porque o país vai melhorar. É que tiraram todo o dinheiro que estava em circulação e não substituíram com tanta quantidade. Eles puseram só um pouco pro povo viver. Quando foi em 1948, na Itália, eu com 32 mil cruzeiros comprei 3 milhões de liras. Olha que inflação que tinha, que inflação que tinha na Itália. É a mesma coisa, eu cheguei lá, ia comer alguma coisa tinha um monte de dinheiro assim, não valia nada. Melhorou muito lá. Agora aqui estamos encaminhados.

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