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O homem sustentável

História de: Lilian
Autor: Lilian
Publicado em: 06/06/2021

Sinopse

Depois de viajar pela América Latina, Davis Tenório foi morar em São Paulo, onde se apaixonou pelo tema da sustentabilidade. Abriu um negócio pioneiro no ramo e passou a atuar também como palestrante. Trabalhou com cooperativas de artesãos ligados à produção de cerâmica Marajoara no Pará. Com seu viés empreendedor, conseguiu abrir uma filial de sua empresa nos Estados Unidos.

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História completa

P - Davis, pra começar eu vou pedir pra você dizer o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.

R - Davis de (Luna?) Tenório. Eu nasci 20 de março de 1966 em Maceió, Alagoas.

P - E qual é a sua formação?

R - Eu sou formado em Administração de Empresas e depois fiz algumas especializações, MBA em Psicologia Aplicada a Negócios, Recursos Humanos, Comércio Exterior, e também trabalho muito com a questão da responsabilidade social e ambiental como palestrante também.

P - Certo. E como que você conheceu o Instituto Ethos?

R - O Ethos é um grande parceiro do Grupo Eco. Nós conhecemos o Instituto Ethos há uns cinco anos, onde nós fomos com uma proposta junto ao Ethos de tentar alinhar o discurso da sustentabilidade à própria prática, oferecendo produtos e serviços para o Ethos. Hoje a gente oferece uma gama de produtos e serviços para Ethos, focado no tema da sustentabilidade.

P - E na sua formação como que você foi se interessando por esse tema da sustentabilidade? Quando ele apareceu na sua vida?

R - Na verdade eu sou de Maceió, eu estou em São Paulo há 12 anos. Eu vim pra São Paulo com 26 anos com um problema de saúde e eu digo que eu fiz um MBA em paciência, coragem e resignação. Na verdade eu fiquei cinco anos numa cama com um problema de coluna muito sério, e eu estava gastando muito dinheiro com a fisioterapia e resolvi casar com a fisioterapeuta. [risos] Então, hoje a minha atual esposa é a minha ex-fisioterapeuta, e eu terminei vindo de Maceió pra cá para fazer um tratamento médico e terminei até aqui. Hoje eu tenho dois filhos paulistas e aqui continuo. Na verdade eu trabalhei muitos anos em empresas privadas de grande porte, e há 15 anos que eu venho num voo solo. Isso começou por que eu trabalhei muito como trader no comércio exterior, mostrando vários produtos para pequenas e médias empresas na América Latina. Então eu terminei me especializando em América Latina. Viajei desde Costa Rica, Porto Rico, América Latina, América Central, Guatemala, Argentina, Chile comercializando produtos de diversas empresas como um trader. E nessas minhas andanças algumas pessoas me questionaram sobre a Amazônia e eu me apaixonei muito pelo tema Amazônia, e há seis anos atrás eu abri uma loja chamada Espírito da Amazônia. Foi a primeira loja de comércio (justo?) do Brasil, focada em produtos sócio-ambientais da Amazônia. Naquela época, antes d’eu abrir a loja, e como eu trabalhava com comércio exterior, eu imaginei exportar a Amazônia para o mundo. E nesse exportar a Amazônia para o mundo eu me deparei com os fatos inusitados, ou seja, não se tinha um produto com qualidade, com design e também, sobretudo, com escala de produção. Então eu abri a loja. Era numa rua na Vila Mariana em São Paulo com produtos sustentáveis, porque eu vi que o mercado interno, essa ideia que eu tive na época, eu estava pensando em exportar e o mercado interno não tinha nada de Amazônia. Então eu resolvi trabalhar com essa questão de Amazônia. A gente abriu uma loja na Vila Mariana e foi interessante, porque eu fiz uma mistura com produtos da Amazônia e com flores tropicais do Nordeste. Como eu sou de Maceió, e Maceió é o principal produtor de flores tropicais, nós que trouxemos as flores tropicais pra São Paulo. Então eu comecei a trabalhar com a flor tropical. Uma das coisas que a gente brincou na época abrimos também uma espécie de floricultura dentro da loja especializada em flores tropicais e arranjos de vasos. A gente fazia arranjos em vasos marajoaras e tapajônicos. Então foi uma coisa inusitada, bem diferente. E as pessoas quando entravam na empresa "nossa, que coisa diferente, você tem quantidade, você tem isso, você tem aquilo outro?" E a gente começou a entrar no sentido de brindes corporativos porque as pessoas pediam quantidade, e eu comecei a entrar no sentido de brindes corporativos, porque as pessoas pediam em quantidade. Então eu comecei a entrar nesse segmento de brindes corporativos e também no segmento de decoração floral, com as flores tropicais. Então a gente partiu da loja e começou a atuar no corporativo. E nessa atuação de corporativo as pessoas começaram a "você não tem nenhuma alimentação? Algo parecido e tal?" E a gente começou a atuar e lançar o primeiro buffet orgânico do Brasil. Em seguida eu obtive a certificação também do Esse buffet orgânico, tem a certificação internacional do IBD, que é o Instituto Biodinâmico. E em seguida nessa onda nós fomos agraciados. Teve um concurso realizado pela Gazeta Mercantil sobre pequenas empresas que tinham uma visão futura de trabalhar com a sustentabilidade. Nós fomos agraciados através de uma ONG chamada IABS [Instituto Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável]. Como prêmio nós ganhamos três consultores da Universidade Yale nos Estados Unidos, especializada em sustentabilidade. E a gente aprendeu bastante, e a gente direcionou, e fechamos a loja, e direcionamos a nossa atividade para o segmento corporativo. Como eu comecei a atuar com vários trabalhos a gente dividiu o Grupo Eco, que foi a substituição do Espírito da Amazônia, porque como eu comecei a trabalhar com o Brasil inteiro então essa questão da Amazônia todo mundo "você é da Amazônia?” Eu tinha hoje produtos de várias partes do Brasil. E nós criamos o Grupo Eco dividido em três unidades de negócios: a unidade de eventos, que nós somos os pioneiros do Brasil, na realização de eventos sustentáveis, ou seja, o que é um evento sustentável? Dentro de um evento sustentável hoje a gente oferece uma gama de produtos e serviços. Nós trabalhamos com a linha de brindes e presentes corporativos com conceito eco-social, oriundo de projetos socioambientais que a gente desenvolve no Brasil inteiro e também com madeira certificada. Então eu tenho fornecedores desde a Serra da Capivara, no Piauí, até a parte de cerâmica tapajônica em Belém do Pará. Então a gente capacita as comunidades para geração de renda e para desenvolvimento de produtos. Nós temos o único buffet orgânico certificado do Brasil. Até o momento é o único. A gente trabalha com vários fornecedores de orgânico do Brasil inteiro. Nós construímos stands ambientalmente corretos, todos podem construir estandes com matérias-primas sustentáveis. Trabalhamos com neutralização de carbono e inclusão social e gerenciamento de resíduos. Ou seja, dentro de um evento corporativo desde o crachá, da pasta, do buffet, do brinde a decoração de estande você pode fazer todo com conceito de sustentabilidade. Outra área que nós atuamos é a área de consultoria, onde nós temos uma equipe de designer gráfico e designer de produtos especializados em ecodesign. Nós capacitamos comunidades pra geração de renda, ou seja, essa equipe vai dentro das comunidades e faz o estudo das matérias-primas. Independente se o produto seja ecológico, social ou sustentável ele tem que ter designer, qualidade e inovação, porque você vai competir com os produtos convencionais. Então pra ter esse conceito você tem que estar com essa base. E a parte de consultoria é a parte agora que foi um grande sonho no início. Agora em abril de 2008, estamos agora participando, nesse momento, em Nova York num evento que está acontecendo a Amazônia Brasil, lá no Pier Seventeen em Manhattan, sobre a Amazônia e nós abrimos uma loja e registramos uma marca nos Estados Unidos chamada (Sustain?) ____________ Amazon para mostrar para o mundo uma Amazônia viável e sustentável. Então aquela ideia inicial da Espírito da Amazônia, depois de seis anos, a gente se sentiu preparado para exportar. Então esse é um pouquinho da história do Grupo Eco, um pouquinho de história da minha parte, né? Eu acredito muito que a sustentabilidade é um caminho sem volta e ao mesmo tempo um caminho sem fim. A sustentabilidade é um caminho sem volta porque não volta atrás, não é uma questão de modismo. É uma questão de necessidade tanto pessoal como empresarial. Pessoal porque cada um de nós seres humanos tem que ter consciência da relação que tem que ter com o planeta. A gente está vendo o que está acontecendo vários desastres ecológicos. Eu tenho uma definição assim: “o ser humano, ele nunca vai conseguir destruir a natureza, mas a natureza vai conseguir destruir o ser humano.” Então vamos respeitá-la da melhor maneira possível. E o grande desafio no segmento empresarial é o ser versus parecer sustentável. Ou seja, o ser é um aprendizado constante. O parecer é uma estratégia de marketing errônea que o tiro pode sair pela culatra. Então hoje o Grupo Eco ele vem ajudando as empresas tornar-se sustentáveis. Nós somos parceiros do Ethos. Dentro da conferência nós até fazemos os crachás, a pasta do evento, os stands, os buffets, os brindes todo com esse conceito da sustentabilidade mostrando que é possível você desenvolver essa parte daí, né? Então essa é um pouquinho da nossa história do Grupo Eco. Nós somos pioneiros. É engraçado, né, nós somos uma pequena empresa. O Grupo Eco a gente brinca que é uma mini holding, mas é uma pequena empresa que todo nosso pilar está baseado no pilar da sustentabilidade, que é o Triple Botton Line, é o people, profit, planet. Posso assim dizer, modéstia parte que, nós somos um exemplo vivo de como uma empresa, apesar de ser pequena, pode se tornar sustentável. Nós do Grupo Eco viemos aculturando as grandes empresas a se tornar sustentável. É um desafio muito grande, mas a gente tem tido algum sucesso. Fomos agraciados e reconhecidos por alguns prémios. Nós ganhamos por três anos consecutivos 2005, 2006 e 2007 o Prêmio Eco da Câmara Americana. Em 2005 quem nos entregou o prêmio foi a ___________________________ que implantou o conceito de desenvolvimento sustentável no mundo. No ano passado foi o Al Gore que nos entregou o prêmio como uma empresa. O Prêmio ___________ e até do buffet orgânico as pessoas confundem muito orgânico com diet, light, natural e sem gosto. Nós ganhamos por quatro anos consecutivos como o melhor buffet do Brasil. E então isso vem mostrar que é possível você usar da biodiversidade sem agredi-la, e ao mesmo tempo trabalhar com a geração de renda. Esse é o nosso negócio, ou seja, o negócio do Grupo Eco é a sustentabilidade.

P - E quando você começou lá a sua paixão pela Amazônia você fez uma pesquisa atrás de produtos que você já considerava sustentável? Como que foi achar essas coisas?

R - Na verdade foi andanças e andanças. Engraçado quando você vai a Amazônia. Porque você trabalhar com a questão da sustentabilidade. Eu sou empresário e então as pessoas confundiam muito e isso foi um desafio da minha parte. Eu não sou uma ONG. Então eu tenho funcionários, eu tenho folha de pagamento pra ser paga, eu tenho a minha própria sustentabilidade, minha e da minha família e eu quis ganhar dinheiro fazendo uma coisa viável e sustentável. Então esse foi o primeiro desafio. Então nas minhas andanças pela Amazônia, de dez pessoas que você encontra na Amazônia, dois são brasileiros e os outros são estrangeiros. Então o próprio brasileiro não conhece a Amazônia. Então eu digo assim que por eu ser do Nordeste e ter vivido em fazenda, por ter vivido no campo ou algo parecido a essa forma, eu consigo hoje no bom sentido dormir na casa de um artesão sem problemas e sem demagogia, e ao mesmo tempo ir pra uma reunião com um presidente de uma grande empresa. Então eu consigo militar nesses campos com a maior naturalidade. E também, ou seja, pra se atuar numa área dessa de sustentabilidade, e que você seja de fato sustentável, tem uma questão muito importante: além da visão econômica tem também uma questão de valores. Não dá pra se atuar num trabalho desses se você não tiver valores de vida bem estruturados e bem definidos, se não é muita demagogia. Então você tem que estar um pouco arraigado dentro disso aí. E essa cultura que eu coloco dentro das pessoas que trabalham dentro da empresa. Toda nossa empresa ela foi construída com madeira certificada, os móveis. É um modelo novo de empresa bem diferenciada. Não existe porta, todo mundo é aberto. Então é um pessoal jovem bastante interessado nesta causa, e quando nós fazemos entrevista a primeira coisa que a gente vê antes do lado profissional é o lado do caráter, é o lado dos valores humanos. É um dos pré-requisitos para a gente contratar pessoas dentro da nossa empresa.

P - Você falou da cerâmica marajoara. Foi um dos primeiros produtos que você revendeu aqui. E como que foi essa relação com os produtores? Como que você os encontrou? Essas culturas.

R - Nessas andanças, a cerâmica marajoara ela vem do Pará e de um distrito que chama-se Coaraci. Então praticamente é uma rua que se chama Rua da Soledad, que tem vários artesãos trabalhando ali. E praticamente eles comercializam uns 100, 50 cerâmicas por mês, 200, né? Eu comecei a ver: "isso aí pode ser trabalhado no corporativo". Por que quando a gente comercializa um produto, a gente conta de onde que veio, quem produziu, qual a matéria-prima utilizada. Então, a gente faz um pouco da história da comunidade. No início eram produtos que não tinham designer, era uma coisa assim... Nós quando entramos numa comunidade a gente não interfere nos traços e na cultura. A gente apenas adapta a peça a questão do mercado. Como aquilo que eu falei inicialmente: independente que seja um produto social ou ecológico tem que ter um lado de designer e inovação envolvido. É engraçado. Se a gente for fazer uma análise eu comecei a trabalhar com a cerâmica marajoara em 2001 e hoje estamos em 2008. Acho que a gente tem comercializado mais de 100 mil objetos de cerâmica. A questão da comunidade ela evoluiu bastante, ou seja, eles tinham uma renda familiar de 100, 120 e hoje cada um tem mais ou menos 700 Reais. Então são exemplos vivos de que se é possível trabalhar no Brasil com esse aspecto, ou seja, a valorização do ser humano. E nós trabalhamos com um conceito que a gente chama de unidades produtoras. Acontece muito com as pessoas: "por que esses produtos sustentáveis não funcionam?" Porque, por exemplo, existem grandes empresas e até redes de lojas de grande porte que ele vai numa comunidade, compra dez mil Reais daquele produto e passa três meses sem dar satisfação. Então você desestimula. Nós adotamos uma prática, e isso foi com o tempo entendendo: independente se a gente tem uma demanda ou não eu sempre remunero uma parte pra manter. E aí as outras pessoas que estão no entorno vê que todo mês tem um salário e começa a se auto motivar a entrar dentro do projeto, e a gente criou esse modelo de unidades de negócios produtores com planejamento anual de compras, e isso estimula a comunidade. Então hoje é um sucesso muito grande e a gente agora está na parte de exportação, como eu falei naquela época. Registramos uma marca agora nos Estados Unidos chamada (Sustain?) ____________ Amazon. Não sei que milagre conseguimos essa marca, __________ registrado. Nesse momento eu estou com uma loja em Nova York no Pier Seventeen onde no dia 18 de abril passado, 2008, chegamos com um contêiner de 40 pés com mais de 22 mil produtos, itens de produtos diferentes de comunidades amazônicas. É um primeiro empreendimento que neste momento está acontecendo em Nova York a exposição na Amazônia, e no final da exposição é obrigado a sair por dentro de uma loja. Então a gente está mostrando também que é viável. O grande objetivo nosso com a (Sustain?) ___________ Amazon é mostrar para o mundo uma Amazônia viável e sustentável. Se nós brasileiros não assumirmos essa causa amazônica o mundo vai invadir o Brasil, vai tomar a Amazônia. Isso a gente vê nos últimos dias declarações do Al Gore dizendo que a Amazônia não é dos brasileiros. Se nós brasileiros não assumirmos esse papel de defensores da Amazônia em breve o mundo vai estar assumindo esse papel. Então cabe a nós brasileiros assumirmos isso como patrimônio e valorizar essa cultura e essa biodiversidade que é única do mundo e é nossa.

P - E quais impactos você consegue observar desse modelo de sustentabilidade? Você já me falou um pouquinho desse impacto local da comunidade. Têm outros além da própria sustentabilidade da própria família? Você consegue ver?

R - Se você estimula uma produção local você __________ êxito. Esse é o primeiro impacto, ok? O segundo impacto é que você trabalha com a questão da geração de renda. Por que quando as pessoas falam muito em projetos sustentável, as pessoas veem muito pelo lado social. O social é importantíssimo e tem que estar atrelado. Se não houver o econômico vira filantropia. Então: "vamos comprar pra ajudar". Essa é a grande questão disso aí. Então os impactos da melhoria da qualidade de vida, ou seja, acesso. Por exemplo: hoje têm comunidades que eu trabalho que até então eu queria desenvolver um produto e ligava pra lá. "Ah, eu queria uma cerâmica meio assim e meio assim". "Ah, é tentar desenvolver". Hoje não. Eles têm câmera fotográfica, têm internet. Então facilita tudo um processo até a localização. Ou seja, é também a dignidade de você ter acesso a coisas que até então você não tinha e crescer como ser humano, como pessoa. Então eu acho que é um dos principais requisitos, além da melhoria da qualidade de vida pra todos, mas também ao acesso à informação e se sentir incluído no mundo e não excluído. Então eu acho uma das principais características. E a característica intrínseca, importantíssima, ___________________ disso, a partir do momento que você trabalha com a sustentabilidade você preserva o meio ambiente, porque você está vendo uma coisa no esclarecimento. Então se mostra que é possível você utilizar matérias-primas renováveis, sustentáveis, e permanecer e a floresta fica em pé. Então, é interessante esse conceito porque as pessoas pensam preservar a Amazônia. A melhor maneira de se preservar a Amazônia é fazer o manejo, ou seja, o manejo sustentável da floresta. Você retirá-la sem agredi-la para proporcionar geração de renda para os envolvidos onde os entorno seja os povos da floresta, sejam os índios, seja os caboclos, seja os quilombolas que são os povos da floresta como um todo.

R - Que ano que você começou a loja que você me disse? Que foi quando você começou a se envolver mais com essa questão da sustentabilidade?

P - Em 1999 eu iniciei nessa parte aí. E a loja de uma certa forma ela foi aberta em 2001. Com esse tema que a gente começou. E acompanha bem esses dez anos do Ethos também, né?

R - Exatamente. É por isso que eu te falei assim. Nós somos um grande parceiro do Ethos. A minha busca em contato com o Ethos quando eu vi as primeiras conferências do Ethos e me chamou atenção. "Vocês trabalham com o tema da sustentabilidade. O que vocês estão fazendo de sustentável?" Então o crachá era de plástico, essa coisa assim. Foi que nós introduzimos junto ao Ethos essa mudança que há uns três ou quatro anos que a gente vem atuando junto com eles e mostrar que você pode fazer um evento sustentável.

P - E durante esses dez anos que vocês atuaram juntos.

R - Não foi bem dez anos. Foi depois que eu entrei. Acho que faz cinco ou seis anos que nós entramos com o Ethos.

P - Mas pensando mais ou menos assim nesse período. Meados, final da década de 90 e agora os anos 2000. Que atuação que te marcou do Ethos dentro de responsabilidade social e empresarial ou dentro de sustentabilidade? Você se recorda de algum?

R - Eu não recordo de um fato em si.

P - Uma realização.

R - Foi muito importante existir uma entidade como o Ethos, ou seja, paralelamente com a saída da Akatu que fazia parte do Ethos e que tornou-se o Akatu passou para o varejo e o Ethos ficou com o empresarial. O Akatu e o Ethos eram juntos. Eu acompanhei essa época e do esclarecimento, sobretudo. Por que o lado corporativo ele tem um poder muito forte de mudança, e acho que o Ethos investiu corretamente nessa decisão do Akatu cuidar do consumidor final e do próprio Ethos. Essa parte da história acho que foi um rumo muito interessante que o Ethos.

P - Um divisor de águas.

R - Um divisor de águas positivo, não negativo, entendeu? Eu acho assim que vem evoluindo muito a sustentabilidade no Brasil. O Brasil é um país em relação ao mundo como um todo, por exemplo, você fala de certificação florestal na Europa e nos Estados Unidos e as pessoas entendem muito mais com facilidade, por quê? Porque se a gente for olhar um pouco na base da Pirâmide de (Máximos?) a parte baixa de educação, saúde e alimentação na Europa ela está suprida. Eles querem recuperar, tanto a Europa como os Estados Unidos, tudo aquilo que eles acabaram com aquilo outro. Então hoje você pega na Suíça, por exemplo, as pessoas estão em busca de produtos ecológicos, produtos sustentáveis. Na Alemanha já tem cadeias e cadeias de supermercado focada no orgânico. Mas, por quê? Porque hoje o nível cultural das pessoas e o nível de poder aquisitivo é maior. O Brasil é essa desigualdade social. Você tem uma camada que tem acesso a isso e a outra camada não. Mas o grande trunfo do Brasil para o mundo, em termos da sustentabilidade, é que nós podemos alinhar duas coisas: o ambiental, que é rico, nosso, com esse social. Você pega, por exemplo: nos Estados Unidos eu participei de um evento agora em Nova York no dia 28 de abril chamado ___________ onde eu participei desse evento onde era tipo desse evento parecido com esse do Ethos, só que nos Estados Unidos. E uma pessoa lá foi falar do orgânico, da cadeira produtiva do orgânico como hoje eles fazem tecidos orgânicos e tal e só do ambiental e do ambiental. E eu peguei da platéia eu mesmo fiz a pergunta e perguntei onde era produzido. Ele ficou sem graça. Era produzido na China. Então hoje o americano não tem a mão de obra social para produzir e então se faz toda uma cadeia ambiental correta pega-se o algodão e manda para ser produzido numa mão de obra escrava da China. Onde é que está? Não pode se dissociar. Agora no mundo quem que tem essa capacidade futura de unir essas duas coisas? Biodiversidade nós temos, e muito. O social tem muito pra ser feito. E então por que não unir essas duas coisas? Ao meu entender, a saída para o Brasil, é ir para o mundo nossa diferenciação com o mundo, é unir o social e o ambiental e que gere renda, e que vire econômico que é o pilar de sustentabilidade. P - Você já começou a falar aí um pouquinho do futuro, da expectativa. Você quer falar mais pouco, pensar, talvez, qual é o maior desafio agora pra você, pra sua empresa, pro Ethos e pra quem está atuando nessa área? R - Acho que essa área ela está apenas iniciando. Nós que fomos pioneiros, eu digo nós, porque apesar de ser uma pequena empresa, a gente foi o primeiro em várias atividades. Nós estamos pagando um preço muito alto por ser pequeno. No nosso caso, especificamente do Grupo Eco, por ser um empresário de pequeno porte você _______________ mercado, entendeu? Mas ao mesmo tempo é gratificante e é um desafio muito grande. Eu sou um apaixonado pelo Brasil, pelo meu país e, sobretudo, também pela Amazônia. Então eu espero um futuro viável e sustentável e justo para a Amazônia. E que os brasileiros, eu acho assim que o brasileiro precisa conhecer a Amazônia antes de sair para o mundo, por que se não o mundo vai vir. Eu acho que o principal desafio, acho que no Brasil não ter uma sustentabilidade, é o Brasil entender que a Amazônia é nossa e valorizar esse patrimônio, porque dentro desse patrimônio total tem toda fonte de riqueza para a sobrevivência dos brasileiros. Essa é a minha ideia de futuro. E que o Grupo Eco através da Amazônia e de ações sociais no Brasil inteiro, eu imagino, a gente ser um modelo, eu acho que a gente tem que sonhar, de práticas sustentáveis no Brasil. Então esse é o principal sonho do nosso grupo hoje, do Grupo Eco, e o meu sonho particularmente assim de mostrar que a sustentabilidade é viável e sustentável. P - Tem mais alguma coisa que você queira deixar registrado? Alguma coisa que veio à cabeça? R - Não. Acho que é isso. Eu falo muito, como você pode perceber. Mas eu sou um apaixonado por esse tema. Eu acho que o Ethos é uma oportunidade de você se expressar. Eu acho que esse momento aqui também é bom. Essa construção desse patrimônio, dessa informação. Por que informação a meu entender ela tem que ser repassada. O sábio é aquele que passa informação e não que fica pra si. Eu acho que eu e o Grupo Eco hoje vem contribuindo um pouco com a sua parcela, em relação a tornar um mundo mais viável, sustentável. Essa é a mensagem final. P - Pensando então em democratizar o conhecimento e informação o que você achou de compartilhar aqui com a gente um pouco da sua trajetória, um pouco da sua história? R - Eu acho assim, é como eu te falei. Eu sinto prazer de falar um pouco dessa trajetória um pouco pessoal e mais do profissional. Que hoje eu sinto orgulho das atividades que a gente vem desenvolvendo. Cada vez que a gente comercializa um produto na empresa o lucro está vindo, mas tem muita gente sendo beneficiada por isso. Então é uma rede, é uma rede de pessoas sendo beneficiadas e consequentemente se essas pessoas se beneficiarem de maneira correta, de maneira autossustentável a biodiversidade também está sendo preservada. Então isso é um motivo de orgulho muito grande e você vê na prática que isso é possível. Esse depoimento assim pra mim eu me sinto bem em falar disso, porque é uma coisa que eu sou apaixonado. Eu me considero uma pessoa privilegiada por gostar daquilo que faz. Eu me sinto privilegiado por isso.

P - Que legal, dá pra ver [risos].

R - [risos].

P - Obrigado! Eu queria agradecer aqui em nome do Museu da Pessoa por você contar aí pra gente a sua história, tá bom?

R - Que bom! Obrigado!

P - Obrigado!

 

--- FIM DA ENTREVISTA ---

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