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História

O engenheiro que virou pizzaiolo

História de: Ivo Herzog
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/06/2020

Sinopse

O depoimento de Ivo Herzog transita pelas lembranças de uma infância povoada pelo carinho e atenção dos pais; pelo trauma de ser obrigado a processar, súbito, ainda criança, o assassinato sob tortura de seu pai; passa pela carreira profissional em companhias de ponta em sua área de atuação, a logística; e, finalmente, desemboca na dedicação integral ao Instituto Vladimir Herzog e aos programas desenvolvidos pela entidade nos campos da educação e dos direitos humanos. É dado à culinária e dirige uma pizzaria.

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História completa

Lembrança dos avós

Do lado da minha mãe, o nome do meu avô é João Ribeiro Chaves Filho, brasileiro, de São Paulo, daqui da região de Pinheiros. A minha avó Inês Ribeiro Chaves, também de Pinheiros. Cheguei a conhecer a minha bisavó por parte da mãe, Vó Clara, viveu até quase 100 anos. A minha avó era dona de casa e meu avô trabalhava com construção. Em meados ou final da década de 1970, a gente tem um sítio em Bragança Paulista, e eles se mudaram para o sítio, passaram a morar no sítio. Minha mãe tinha dois irmãos, o mais novo, Valdir, mudou também para Bragança, começou morando no sítio e também foi trabalhar com meu avô em construção e lá ficaram até o final das vidas, o meu tio ainda está lá. O irmão do meio da minha mãe, o João Ribeiro Chaves Neto, formado em Direito, foi teatrólogo, escreveu peças de teatro, mas também trabalhou em banco. Não sei, deveria ser comercial na área de Direito, e essas coisas aí. E o meu tio mais novo, que trabalha com construção, é formado em Engenharia Metalúrgica. O do meio, o João, faleceu, já faz 10, 12 anos, e o meu tio Valdir está bem, na terceira mulher, tem duas filhas, eu tenho duas primas só, que são a Gabriela e a Daniela, que moram em Bragança Paulista. E cada uma tem dois filhos. Da parte do meu pai... bom, a família Herzog tem meu avô e minha avó, todo o resto morreu durante a ocupação alemã da Europa, em campos de concentração, Auschwitz, não sei mais o quê. E tem a carta do meu avô para o meu pai falando desse capítulo aí. Eles conseguiram fugir da Iugoslávia, vieram para cá e veio também um irmão da minha avó, o tio Robby. O Vô Giga faleceu em 1972, minha avó Zora faleceu 2007, eu acho, o tio Robby não sei em que ano que faleceu, 2001 ou 2002, não me lembro. Então a família Herzog é bem resumida.

 

Lazer em família

Durante um tempo [a família] teve casa alugada na Ilhabela, então a gente ia para Ilhabela e pescava, brincava na praia, essas coisas, mas estou falando eu com sete, oito anos de idade. Depois [a família] comprou o sítio [em Bragança Paulista], acho que o sítio comprou em 1973, então a gente começou a ir muito para o sítio. E lá no sítio fazia pipa, ia na piscina, meu pai criava coelhos, tinha pombo, meu pai sempre gostou de aves, tinha um aviário grande com várias aves, periquito, mas tinha pombo também que eu me lembro. Ia ver as estrelas à noite, brincar com o telescópio. Eu tinha um minibugue. Não, mas acho que o minibugue foi depois que meu pai morreu.

[Meu pai criava] pombo correio. Eu lembro quando ele instalou o pombal. Quando a gente comprou o sítio já tinha uma construção que era uma grande gaiola, com vários bichos dentro. Aí ele pôs um pombal em cima, trouxe umas pombas, pôs uma tela para o pombo não ir embora. Ficou lá só um mês com essa tela, depois você tira a tela e a pomba vai embora, mas ela volta. E ele comprava umas pombas mais “tchan tchan tchan”, de raça, não sei o quê. Tinha peru, tinha galinha d’angola, pato, marreco, ganso, coelho.

 

Amigos de infância

Minha mãe ir buscar a gente na escola era uma festa e acontecia uma ou duas vezes por ano. Mas era assim. Também tinha os amigos. Eu tive um grande amigo de infância, que é o Fernando Andrade, filho do João Batista Andrade, a gente tinha muitos interesses em comum, férias eu passava lá em Ituiutaba, de onde a família do João Batista vem, às vezes ia na casa deles, que eles moravam no Km 13 da Raposo Tavares, se não me engano. Era uma época em que você tinha espaços urbanos. Eu tenho lembrança do meu pai, na [rua] Oscar Freire, antes de construir aquele viaduto que passa por cima da [avenida] Sumaré. Ali era um “asfaltão”, que tinha uma feira semanal e quando não tinha feira era um “asfaltão”, não tinha nada, não passava carro nem nada, e aí a gente ia lá soltar aviãozinho de elástico. E tem outra família muito próxima da gente, que é a família do Fernando Pacheco Jordão. Eles têm uma filha que é um ano mais velha, a Bia, e um mais novo que eu, que é da idade do meu irmão, o Rogério. A gente ia para Ibiúna às vezes, que eles têm sítio em Ibiúna, ia para casa deles. Mas a nossa referência sempre foi muito isso. O que eu tenho na minha lembrança sempre é que almoço a gente estava junto, quando a gente almoçava em casa; jantava em casa. Eu sempre falo, e eduquei o filho desse jeito. Para mim é assim: refeição em casa não é hora de comer, é um momento de convivência coletiva. Então nunca teve televisão na nossa sala de jantar. Não pode ter. Inclusive nunca teve televisão nos quartos.

 

Vlado assassinado

Já ouvi essa pergunta mais vezes do que eu consigo me lembrar. Então, o que eu falo? Até o dia 25 de outubro [de 1975] “I was a ordinary child”, uma criança comum, como qualquer outra. Não sabia o que estava acontecendo no mundo, nada. Meus pais tinham um emprego, eu tinha nove anos e meu irmão tinha sete. No dia 26 minha mãe fala que meu pai morreu. Ela diz que contou uma história que eu não me lembro, que tinha sido um acidente, eu não lembro disso. Eu nunca vi meu pai morto, até pela tradição da religião judaica. Eu começo a perceber que tem alguma coisa errada no dia 27, que é o dia do enterro, já no velório, porque tem um assédio descomunal. Não era família que estava lá, estava família e mais mil pessoas, televisão, não sei o que, tal. Eu acho que muito até desse processo aí de somatização que eu tive tem a ver com o que aconteceu do dia 27 ao dia 31 outubro, que uma criança de nove anos, num período muito curto, recebeu uma enxurrada imensurável de fatos, de informações. Morreu, aconteceu tudo isso, tenta enterrar meu pai com pressa, minha mãe aos berros não deixa, o desespero dela, as outras pessoas, Praça da Sé... então ali é que entortou os neurônios. E eu tive uma ilusão, que ficou por muitos anos, de que o meu pai não tinha morrido. Ele era um desaparecido e que um dia ele ia voltar. Eu não tinha nenhuma prova material do contrário.

 

Universo redescoberto

É um processo. O que aconteceu foi o seguinte: em 1978 é criado o Prêmio Vladimir Herzog, ele acontece na data da morte do meu pai. Sempre nessa data existe um assédio sobre a família da imprensa, de estudantes, para dar entrevista, falar, arrumar o material fotográfico para ilustrar e tal. E a gente sempre achou que com tempo isso iria deixar de acontecer. As pessoas iriam esquecer, o prêmio iria acabar, mais do mesmo, entendeu? Então tinha o prêmio. Além disso, na nossa vida, no cotidiano, na época, por exemplo, que se passava cheque, você ia lá passar um cheque no caixa do supermercado, aí a pessoa: "Pô, Herzog? Tem um negócio de Herzog". Algumas pessoas sabiam bem, outras sabiam que tinha alguma coisa de Herzog, mas não sabiam exatamente o que era. A gente via que eram coisas meio soltas. O tempo foi passando e a gente viu que as pessoas não esqueciam, até porque tem aquelas datas, 5 anos a morte 10, 15, 20, 25, 10° prêmio Vladimir Herzog, 15º, 25º, que ocupa mais mídia, aumenta, essa coisa toda. Mas a gente sempre tratava como se fosse a última vez. O pessoal vinha pedir alguma coisa e a gente abria a gaveta, pegava, dava um negócio, a gente via que as pessoas escreviam a história de uma maneira muito imprecisa. Pois é. Tem um livro da Fundação Padre Anchieta que diz que ele foi preso dia 24. É uma besteira sem fim. Impróprio. Então você tem isso daí acontecendo, você tem o caso Herzog acontecendo num nível jurídico, que nunca deixou de acontecer, está acontecendo até hoje. Em 2008, ao final do 30º prêmio Vladimir Herzog, que foi um prêmio grande, a entrega foi até no Memorial da América Latina, a ONU e a Secretaria de Direitos Humanos, na época via Paulo Vannuchi, criaram um prêmio especial, Vlado Especial, um prêmio especial que era uma estátua [do Elifas Andreato] do meu pai. A estátua é meio estranha, é a mesma que está lá na praça [Vladimir Herzog, em São Paulo]. Que foi dada no 30º prêmio: havia mais de 500 jornalistas que tinham ganhado o prêmio Vladimir Herzog e eles próprios elegeram os cinco com maior destaque. Então ganharam lá e tal, os cinco. Não me lembro quem foi. Foi uma época, de novo, em que eu estava “between jobs”. Eu sou rato de computador, sempre o pessoal querendo foto, falei: "Em vez do pessoal ficar nessa complicação toda, por que eu não crio um site onde eu ponho nosso arquivo de fotos e a gente escreve essa história bonitinho?". Inclusive a Fundação Perseu Abramo tinha feito uma série de entrevistas bem bacanas que contavam a história com vários depoimentos e tal, começo a reunir tudo isso num negócio. Mas a gente precisava dar um nome para isso, então vamos criar um tipo de uma organização, uma fundação, uma instituição... eu não sabia o que era uma coisa e o que era outra. E naquele dia, naquela noite, tive essa ideia e comecei a comentar com algumas pessoas, com o Sergio Gomes, com o João Batista Andrade, aí todo mundo: "Pô, que ideia fantástica, eu sempre achei que tinha que ter um negócio para cuidar do nome do seu pai etc. e tal". E a gente fez um período que eu chamo que é do nascimento de um filho, porque ele não levou nove meses, levou oito meses. Foram oito meses de gestação, onde a gente conversou com muita gente, muitos jantares na casa da minha mãe para a gente ir pensando, formando o primeiro conselho, entender como funciona essa coisa toda. Minha mãe sempre foi uma pessoa muito perfeccionista no nível do trabalho, e eu tento também isso. Até porque, quando se fala de legado, sempre teve um legado que não é saudável sobre o meu pai, que é assim: “Ah, tem esse nome, que é uma referência, então eu não posso manchar esse nome”. Eu sempre fiquei me policiando a vida inteira que não podia sujar o nome do meu pai, não podia fazer nada de errado. O que não é saudável. Não sei se é por isso ou não, mas eu não gosto de beber, nunca bebi, nunca usei nenhum tipo de droga, não experimentei nem maconha, não tenho interesse nenhum nessas coisas. Mas, enfim, então tinha que ser uma coisa bem-feita. E aí, conforme a coisa começou a tomar formato, a gente viu que o caminho era o Instituto. Quem nos orientou muito foi o Hélio Mattar, que já havia montado dois institutos, sabia o que não devia se fazer, o que fazer, como montar um estatuto para você não perder o controle. E a gente decidiu criar um instituto na data do nascimento do meu pai, como uma organização para dar continuidade ao trabalho do meu pai, para celebrar a vida dele. E aí nasce o Instituto, no dia 27 de junho de 2009, dez anos atrás, com essa missão.

As coisas mudaram bastante, justamente por haver esse vácuo que precisava ser ocupado. E foi uma coisa, do ponto de vista terapêutico, muito importante para família, porque a gente começou a colaborar com a sociedade, a construir coisas e não só ficar falando da morte, da morte, da morte... Vamos ser claros: esse olhar sobre a vida dele, apareceu de forma organizada nessa exposição que está agora no Itaú Cultural [“Ocupação Vladimir Herzog”, aberta de 14/08 a 20/10/2019, https://www.itaucultural.org.br/ocupacao/vladimir-herzog/]. Eu não conheço mais da metade do material que está lá. Não conheço. A carta do meu avô eu não conhecia. As cartas dele, que ele trocava e tal, o tanto que ele mergulhou na área de cinema. Aliás ainda não conheço, ainda não tive tempo de ir ver a exposição. Já fui lá umas cinco vezes, mas sempre para gravar entrevista, o dia do lançamento... Preciso ir lá com calma e passar algumas horas olhando a exposição. E não só isso: depois que o meu pai morre, teve o processo de blindagem da minha mãe. Então, assim: o caso Herzog estava posto, ela não queria que a gente tivesse contato com as imagens chocantes. Nunca tivemos. A primeira vez que apareceram umas imagens mais chocantes foi na revista “Veja”, que tem o rosto do meu pai na capa. O Vera Cruz tinha aquela coisa que o recreio era aberto, uma banquinha de jornal, padaria e tal, e ela falou assim: "Olha, vai ter essa revista, vai ter o rosto do seu pai, e eu gostaria que vocês não olhassem". Eu até hoje não olhei essa revista. E o próprio Instituto não tem nenhuma foto do meu pai morto. Por isso que também não tem na exposição. Mesmo motivo. Mas o olhar sempre ficou sobre isso: sobre o caso, sobre a briga na justiça, sobre a luta contra esse olhar torto da anistia, e os próprios projetos. Ou seja, vamos ser mais claros: do ponto de vista da vida do meu pai, o que se conhecia e o que se olhava era uma ilusão que o grande trabalho dele era na área do jornalismo. Então é o jornalista Vladimir Herzog, Prêmio de Jornalismo Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Jornalismo, jornalismo, jornalismo. Nunca ninguém olhou mais sobre o que era a vida do meu pai e a gente também deixou de olhar. Vinha a entrevista e [a gente] falava "ah, ele gostava de astronomia, gostava de tirar foto, gostava de pescar". Eu conhecia o “Marimbás”, o curta metragem, eu sabia que ele tinha, mas eu não tinha ideia do trabalho. Inclusive, para eu entender que o trabalho de jornalismo dele não era jornalismo político “stricto sensu” como é hoje, e sim um trabalho de ir fazer uma política através da cultura, de um olhar sobre a cultura, eu não tinha consciência disso até bem recentemente. E eu não olhava esse material. A última vez que eu olhei uma [revista] “Visão”, que tinha uma matéria do meu pai, foi numa sala de espera de médico, uns quatro anos depois que meu pai tinha morrido. Médico era uma biblioteca, você achava aquelas revistas com cinco, seis anos de idade lá na mesinha. E foi uma vez que eu vi o nome do meu pai no expediente. Depois nunca mais olhei isso. Era um universo desconhecido.

 

Instituto Vladimir Herzog

O conselho vai evoluindo na sua formação conforme vai evoluindo o Instituto. Então nasce esse projeto “Resistir é preciso”, que saiu um monte de coisa para ser feita durante dois, três anos. Primeiro a gente lançou livros. A primeira coisa que a gente fez, a gente gravou depoimento de 60 jornalistas que trabalharam nessa imprensa [alternativa], e saiu uma coleção de DVDs chamado “Os Protagonistas Dessa História” e a gente também tem o “low material”, que são cento e poucas horas de gravação de todos esses jornalistas. Um deles inclusive é esse cara que eu não estou conseguindo lembrar o nome. Ele participou acho que do sequestro do embaixador... Franklin Martins! A gente gravou isso sem Lei Rouanet. "Não, vamos gravar já porque esse pessoal está indo embora." E um deles morreu cinco dias depois, mesmo. Mas foi um infarto, foi uma infelicidade, não era porque ele estava velho. Na sequência a gente descobriu o José Luiz Del Roio, que tinha coleção de jornais e pôsteres guardados num CD, e então a gente fez um trabalho de pesquisa, conseguiu dinheiro, conseguiu digitalizar 40 coleções de jornais, que estão guardados até hoje, e fizemos um livro chamado “As Capas Dessa História”, que fala sobre todos os jornais, divididos em três grupos, os jornais de banca, legais, os jornais clandestinos, e o terceiro grupo, que a gente descobriu durante pesquisa, os jornais dos exilados. Ficou em um mundo. Depois fizemos “Os Cartazes Desta História”, sobre os cartazes que o pessoal produzia, depois virou uma exposição CCBB [Centro Cultural Banco do Brasil], que correu os quatros CCBBs, depois isso virou uma série de dez documentários. Então, gerou atividade pesada para o Instituto por muito tempo e ainda assim a gente tinha outras coisas acontecendo, como o Prêmio Vladimir Herzog, criamos o Prêmio Jovem Jornalista, Vlado Proteção aos Jornalistas. E eu já coloquei na minha cabeça – isso é marketing, Potter, “product life cicle”, introdução, crescimento, maturação e declínio. Eu sabia que o “Resistir é Preciso”, uma hora, ele se acaba. Eu precisava ter alguma coisa nova. E nesse tempo, como era produto usando a Lei Rouanet, essas publicações que a gente fazia, a gente doava de uma maneira relativamente inteligente pelo menos, para escolas e bibliotecas. E percebemos que a gente estava gerando um material com grande potencial educacional, mas a gente não tinha uma estratégia educacional. E era a coisa mais linda em que a gente podia transformar um instituto do ponto de vista do conceito de construir e contribuir para a sociedade. Então eu contratei uma pessoa da área de educação, Ana Rosa Abreu. A primeira coisa que ela fez foi um encarte que acompanhou “Os Cartazes Dessa História”, que já tinha uma série de atividades para a escola usar o livro, para não ser um livro que morre. Íamos fazendo contatos e tal, e a gente começa a desenvolver e entender qual seria o papel do Instituto Vladimir Herzog dentro de educação. E a gente vê, acha lá, Educação em Direitos Humanos. É muito disso daí: tem um olhar estratégico meu de gestão, de que a gente tem que ir se renovando.

 

Foco na educação

Tem uma grande equipe que trabalha nas diretorias regionais de ensino – acho que são 13 diretorias de ensino – e forma os educadores, os multiplicadores. E aí conforme vai mudando a gestão, porque isso começou na gestão do [prefeito Fernando] Haddad, e começou quando o Rogério Sottili era o secretário Direitos Humanos. O programa começa financiado pela secretaria de Direitos Humanos, piloto em 20 escolas ligadas a quatro CEUs, de quatro regiões de São Paulo, com uma parceria da secretaria de Educação, senão você não consegue. Isso foi o primeiro ano. No segundo ano, a gente consegue fechar o convênio direto com a secretaria de Educação e aí para 100% da rede. E a gente traz um instituto de pesquisa para fazer monitoramento e avaliação. Foi feito o marco zero para se medir resultados, para "prestar contas", entre aspas. Isso foi... já não era o Caligari o secretário, eu acho que o secretário nessa época era o... tem 300 livros escritos, não sei por quê [Gabriel Chalita]. Mas o que aconteceu foi muito interessante, porque ele tinha um negócio que era "Pais na Escola", um programa que ele vendeu, mas ele não tinha um programa. E na hora que ele viu o nosso programa “Respeitar é Preciso”, de educação, ele aceitou e colocou em 100% das escolas. Mas a gente sempre trabalhando em nível dos formadores. Na realidade, eu esqueci de falar, na primeira fase do programa a gente fez uma pesquisa exploratória, uma qualitativa, professores, alunos, pais, gestores e funcionários, para ter um diagnóstico – que tem um relatoriozão desse tamanho –, e aí para tirar aquele diagnóstico se definiram as temáticas com que se trabalha até hoje. E aí você tem um material de apoio físico, que são apostilas que vão para as escolas, para apoio ao educador, mas você tem muitas palestras, tem eventos anuais que reúnem mais gente. O programa foi construído junto com a rede. O programa é formidável, é só entrar em "respeitarepreciso.org.br", está tudo lá, digital. Foi criada uma intranet facebook, é uma rede social fechada para os educadores discutirem com os professores as temáticas.

Dentro da área de educação ainda, tem um outro programa mais novo chamado "Usina de Valores". Esse sim é revolucionário, esse é um bicho bacana. Só antes falar sobre o “Respeitar é Preciso”. O “Respeitar”, que está em São Paulo, ele ia para nível nacional em 100 cidades. A gente estava fechando um convênio com o Ministério da Educação, tinha uma outra entidade que ia fazer a triangulação, porque o ministério não podia contratar gente, enfim, a gente ficou um ano dentro da burocracia, faltava só a assinatura do [então ministro da Educação Aluízio] Mercadante, quando cai o governo Dilma. Hoje, agora, ele está indo para uma cidade no interior de Pernambuco, numa parceria com a Klabin. A gente está começando a trabalhar lá. O “Usina de Valores” é uma coisa mais nova, que nasce de algumas provocações. Durante todo esse tempo, a gente sempre buscando o dinheiro, até buscando dinheiro fora, e o pessoal da Open Society falou que eles teriam interesse em apoiar o Instituto em um programa como esse, de educação, mas que a gente tinha que furar a bolha. Furar a bolha, vamos furar o raio da bolha. E aí a gente começou a pensar, matutar, e uma das coisas que a gente tinha na nossa frente, que a gente olhava, é que você pega indivíduos, organizações que trabalham a temática direitos humanos, e aí tem setores da sociedade que com um estalar de dedos desconstroem muita coisa que a gente rema, rema, rema para construir. Por exemplo, a mídia. Teve lá aquele Marcelo Rezende, ao vivo: "É, a polícia mata bandido, bandido bom é bandido morto, essa turma dos direitos humanos e tal". Então a gente falou assim: "Mas essas coisas estão postas, elas não vão deixar de existir. A gente tem que de alguma maneira trabalhar com eles para tentar mudar o ‘mindset’ deles". E a gente resolveu fazer uma intervenção num desses setores que desconstroem muito o que a gente briga, que é a igreja evangélica. A igreja evangélica está posta, ela deve se tornar a maior igreja no Brasil nos próximos 10 anos, tem um papel político importante hoje, que vai desde a presidência, infelizmente, até não sei onde, e que de uma maneira não homogênea, mas majoritária, é muito conservadora. Desconstrói o que a gente tenta construir. Porém, até pelo seu tamanho, existem grupos muito progressistas, que pensam como a gente, pensam, mas são evangélicos. Então [o programa] “Usina de Valores” o que ele trabalha? Ele identifica esses grupos – e ele começou em São Paulo, na zona sul de São Paulo, na comunidade do Alemão no Rio, na periferia de Recife –, trabalhando com influenciadores dessas regiões, evangélicos progressistas, onde a gente articula com eles e cria um programa, meio que para eles terem mais voz dentro desse grupo para tentar fazer uma disputa de valores. E começou no ano passado [2018], estendeu para Salvador e Caxias, acho que agora vai para Vitória também nos próximos meses, e onde os atores não é equipe do Instituto, os atores são essas pessoas: a gente identifica facilitadores que a gente contrata, faz uma parceria, então a gente consegue recursos financeiros e um pouco de metodologia e gestão para eles. E aí, sim, vai a equipe do Instituto.

Por exemplo, teve agora um evento na comunidade do Alemão, semana passada – eu não sei se foi uma roda de conversa ou uma palestra –, que a gente fez um “streaming” usando um parceiro nosso, é um canal famoso do Youtube, o “Quebrando Tabu”. Durante o “streaming”, houve 25 mil pessoas que viram, e na primeira semana, 200 mil pessoas. E de novo: tudo isso vai para um portal chamado "usinadevalores.org.br". Essa é uma outra ação do Instituto dentro da questão da educação, fora palestras de que a gente participa. Esse é o primeiro pé de um tripé. Lembra que eu falei que a gente fez um planejamento estratégico no nascimento no Instituto, cinco anos depois a gente fez um novo, que durou cinco anos. Durou um ano os debates, onde a gente decidiu começar a opinar sobre temas, não mais não opinar, como eu falei no começo, agora a gente já ia começar, até porque vinha tendo uma demanda e a gente já estava com uma massa, que a gente podia comprar algumas brigas, a gente pode começar a comprar algumas brigas, a gente não precisa mais ficar tão parado. Mas a gente não vai também comprar qualquer briguinha, não vou ficar discutindo via Instituto se o filho do Bolsonaro tem que ser embaixador. Não, isso não é problema nosso. Apesar da gente ser contra, não é problema nosso. Dentro desse novo planejamento, a gente olhou mais essa coisa, então tem essa área de educação, tem área de jornalismo através dos dois prêmios, o Vladimir Herzog, que não é do Instituto, o Instituto é uma das 14 entidades [promotoras], mas a gente está à frente da organização desde a criação do Instituto, até a gente conseguiu renovar: algumas entidades que não tinham mais sentido de existir, saíram, trouxemos novas, novos parceiros, como a Conectas, ECA, OAB Nacional. E criamos um prêmio novo, esse sim é do Instituto, que é chamado o Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, cuja ideia é você premiar os estudantes de jornalismo trabalhando com um professor da sua entidade, onde eles apresentam um projeto de pauta, dentro de uma temática que a gente elege todo ano, e aí o melhor projeto de pauta, os melhores, ganham "o fazer". E o fazer é a gente dar a grana, mas traz um mentor também, traz um jornalista do mercado para acompanhar o desenvolvimento dessa pauta e da matéria, que depois é apresentada na semana do Prêmio Vladimir Herzog, como se fosse uma banca de TCC. Eles apresentam e participam de uma atividade que tem – a premiação é à noite – durante o dia, uma coisa chamada "roda de conversa", onde a gente traz os jornalistas ganhadores do Prêmio Vladimir Herzog para contar como é que [a matéria] foi feita, onde nasceu, como é que foi o “backstage” daquela matéria, e tudo isso é transmitido por um “pool” de TVs universitárias, e os jovens jornalistas estão juntos para participar dessa conversa. É muito legal isso.

E o terceiro elemento dentro do jornalismo é o Vlado Proteção, onde a gente articula com várias entidades – OAB, ABI, OAB São Paulo, advogados. O Brasil é um dos quatro países em que mais se assassina jornalistas no mundo, que jornalistas mais sofrem violência, e uma das maneiras de você tentar reduzir isso é dar visibilidade a essas coisas que acontecem e assessoria jurídica para aqueles profissionais. Porque quando você agride um profissional de imprensa, não é simplesmente a questão da agressão ao indivíduo; se ele é ameaçado ele deixa de exercer o trabalho dele, então isso é uma forma de censura à imprensa; e se você não tem uma imprensa livre, você já não tem uma das coisas fundamentais para uma democracia plena. É por aí. De novo: educação, jornalismo, e a terceira perna é memória, que começa com aquele projeto que eu falei, do “Respeitar é Preciso”, mas que evoluiu muito.

Se você pega, por exemplo, a exposição sobre o meu pai que está agora [montada no Itaú Cultural] está dentro da temática de memória, que se mistura um pouco com a questão de educação, sempre, e jornalismo. Não tem como, as coisas se sobrepõem, são círculos que têm intersecção. Mas um dos projetos mais importantes é o portal "memoriasdaditadura.org.br", que recebe em torno de 2.000 acessos todos os dias, estudantes e pesquisadores, porque é o local onde você tem mais informações sobre aquele período. E com pegadas muito interessantes. É a única recomendação da Comissão Nacional da Verdade que foi implantada; as outras 30 estão lá, mofando. Mas você tem coisas assim: militares que foram contra, civis que foram a favor, a questão LGBTI durante a ditadura, a questão do negro, camponeses, questão da mulher durante a ditadura – isso tudo são módulos que a gente vem desenvolvendo e o portal não para de crescer ano após ano, a gente vai colocando mais e mais conteúdo. Tanto que hoje, o Instituto faz parte de uma rede internacional de memória, onde o Instituto é o representante do Brasil, assim como o Museu da Memória do Chile, por conta desse trabalho que a gente faz.

A gente meio que acabou se tornando referência em algumas coisas. Sim, porque existia um vácuo, não existia alguém que cuidasse disso, principalmente de uma maneira que sempre... É uma cláusula pétrea do Instituto: a gente faz um trabalho muito político, mas sempre apartidário. Infelizmente tem algumas coisas de memória que têm um viés partidário, e que aí surgem umas lacunas temporais meio complicadas. E uma das maneiras que a gente consegue evitar isso é que quando a gente forma as equipes para trabalhar, a gente busca uma diversidade de representações para gerar um equilíbrio. O projeto de memória que a gente está fazendo agora, o projeto "Heroínas Dessa História", está biografando, nesse primeiro momento, 15 mulheres, mas não é de Rio e São Paulo, a gente buscou do Brasil todo. Quando a gente fez "Os Protagonistas Dessa História", os 60 jornalistas, a gente buscou representantes de várias linhas político-partidárias daquela época, e geográficas. A gente tem que buscar. E sempre vamos ser criticados, porque não dá para você também falar de todos, mas a gente tenta criar uma representatividade equilibrada. E, de novo, dentro do próprio conselho do Instituto, ou seja, a raiz já tem isso.

E uma outra coisa que a gente faz para essas coisas darem certo é que a gente vem renovando o conselho do Instituto. Não adianta eu querer fazer um trabalho mexendo com comunicadores periféricos, com esse pessoal, se não existe uma representação em nível estratégico, e essa estratégia é desenvolvida no nível do Conselho Deliberativo. Hoje a gente tem dentro do nosso conselho essa diversidade. Por exemplo, tem um pastor lá do Rio de Janeiro, que me fugiu o nome agora. Tem um cara que é o presidente de uma associação LGBTI. Então a gente traz esse pessoal para a gente falar com propriedade dessas coisas. Isso foi uma outra coisa muito interessante: quando Instituto nasce, eu sempre tive uma coisa na cabeça, que eu queria criar um modelo de comunicação que fosse transgeracional. E a gente estava naquela época em que já estava começando o Facebook forte, essa coisa toda. Eu falava assim: "A gente tem que criar um conteúdo que não faça só sentido para as pessoas que viveram naquela época; tem que se comunicar com pessoal de hoje". Só que eu cometi um erro, eu não tinha as pessoas que representavam essa diversidade de gerações para pensar esse conteúdo. E tinha uma falha também estratégica na primeira palavra: eu queria falar para essas pessoas. Eu não tenho que querer falar para essas pessoas, eu tenho que querer ouvir essas pessoas. Porque eu não tenho nada para falar para eles, eu tenho que ouvir. E, aí, criar conteúdos.

O Instituto, com dez anos, ele tem um processo bem sofisticado que já está no sangue. A gente não fica pensando essas coisas no dia a dia, mas é um processo bem sofisticado para você conseguir fazer essas coisas funcionarem. Eu lembro quando teve o primeiro evento do “Usina de Valores”, que foi lá na livraria Tapera Taperá, tinha uma jornalista da Globo mediando, estava trabalhando na Globo News, e tinha o Henrique Vieira, que hoje está no conselho, tinha um teólogo evangélico, tinha uma transexual de Recife, estudante de pedagogia, tinha uma “blogger”. Aí a “blogger” foi falar, cada um foi falando sobre a sua vida, foram duas horas assim, 95% do conteúdo eram novidade para mim. Eu fui lá porque eu tinha que aparecer, minha mãe também estava lá. Estava sendo transmitido ao vivo, porque lá cabiam umas 50 pessoas. Eu prestei muita atenção porque não conhecia quase nada do que eles estavam falando. E a “blogger” falou assim: "Eu me considero uma pansexual". Aí virei para a Aline, a minha esposa, e falei: "Pansexual. Coloca no Google. O que é pansexual?". Você sabe? Ele sabe. Quem tem menos de 30, 35 anos sabe o que é, a gente não sabe. Aí tem umas definições ruins, tipo "é quem traça tudo, até caco de vidro". A estudante lá de Recife, trans, chamou para coisas óbvias que estão pingando do nosso lado e a gente não vê isso. Isso é furar a bolha mesmo, porque a gente vive numa bolha, aquela coisa do umbigo, e a gente não vê coisas que estão quicando lá. Ela falou: "Ah, você acha que essas coisas de transexuais estão bem resolvidas numa cidade como São Paulo? Não está bem resolvido. Quantos personagens transexuais trabalham aqui? Qual foi a última vez que foi num restaurante, se aconteceu alguma vez, que você foi servido por uma transexual? Qual dos seus médicos é transexual? Qual o professor de seus filhos é transexual? Aí ela falou assim: "Inclusive, eu vivo numa situação muito complexa, minha mãe tem problemas com isso, porque eu estou hoje com 25 anos e a expectativa de vida de um transexual no Brasil é de 27. Em tese, daqui a dois anos eu estou morta. E eu estou estudando Pedagogia, onde é que eu vou trabalhar? Você aceitaria? Vou fazer uma provocação ainda mais profunda, você aceitaria uma transexual educando seu filho? Então está bem mal resolvido, não é?"

Aí vem até uma outra temática, que tem a ver com educação, e tem a ver com cultura brasileira, que é o seguinte: Estados Unidos é um país racista? É. O Brasil é um país racista? É. Qual é mais a racista? Não sei, não me interessa. Mas tem uma diferença básica: os Estados Unidos sabem que é racista e reconhece, assume. E aí você tem uma política pública para tratar essa questão. No Brasil, talvez uma das grandes características, é a hipocrisia. Você não vai ouvir nenhum representante de governo dizer que a gente é uma sociedade racista, e na hora que a gente não tem consciência pública das nossas deficiências, você não consegue ter uma política pública para tratar a questão. Então a gente não consegue tratar essas questões de maneira genuína. E aí vai racismo, vai questão de gênero, e mil outras questões. É uma coisa importante também para nós fazer uma mudança de “mindset” nessa sociedade em que a gente vive.

 

Mão na massa

É a minha quarta encarnação. Primeira encarnação foi TI, segunda foi logística, a terceira foi terceiro setor, agora é o restaurante. Bom, eu gosto de pizza desde que me lembro como gente. Estava até lembrando disso ontem, porque estava falando com uma pessoa lá no restaurante, que também tem gente de Bragança Paulista, que é onde a gente tem o nosso sítio. Quando eu era moleque, o programa obrigatório era, na hora de ir embora para São Paulo, parar na padaria Estância e comer pizza. E era uma pizza muito boa. E eu ficava vendo o cara fazer pizza. E aí quando não tinha a padaria Estância, estava em casa e queria fazer pizza, eu comprava aquela massa da Terra Branca. Foi quem criou a massa fresca de macarrão, lembra disso? Primeiro foi a pizza, depois eles vieram com aqueles macarrões frescos e tal, no supermercado. Era um disco de massa, eu batia um tomate no liquidificador, jogava um queijo, punha no forninho, orégano, já tinha minha primeira pizzinha. E brincava de fazer essas coisas, é uma comida que eu sempre gostei. E aí a gente vai meio que sofisticando um pouco. No sítio que a gente tem em Bragança Paulista, depois a gente reformou a casa e fez um forno a lenha com a boca dentro da cozinha. Aí a gente começou a fazer a massa. Minha mãe e o Gunnar [Carioba] têm um grande amigo que é um grande cozinheiro, ele me ensinou fazer massa. Quando eu fui morar nos Estados Unidos, as pizzas americanas são muito ruins porque o molho de tomate é muito ruim, então eu comprei uma pedra, que eu punha dentro no meu forno, e fazia a massa e fazia o molho, fazia minha pizzinha em casa. E quando estava no sítio fazia no sítio, e rapidamente eu comecei a fazer melhor do que o Gunnar, que é o meu padrasto. E aí, quatro anos atrás – que também é uma história, eu já falei dos casamentos, não é? – eu construí uma casa, que eu mudei com a minha primeira esposa, a mãe do Lucas. Dois meses depois eu me separei dela. Mas foi uma coisa também planejada: eu ia me separar dela, a coisa já não estava boa, mas eu segurei a onda porque eu falei: "Se eu me separar antes da casa ficar pronta, é um mico que vai ficar na mão, a gente não vai ter casa, não vai ter dinheiro, e é mais um problema; então deixa segurar a onda, terminar a casa, e depois cada um vai para o seu lado". E há quatro anos, ela resolveu ir para um apartamento, eu comprei a metade e finalizei uma parte do projeto que faltava, que era a construção do forno. Então eu fiz um forno a lenha lá na casa e a minha esposa atual, a Aline, é a maior festeira, teve mês de dezembro que a gente chegou a fazer seis festas no mês em casa. Aniversário dela é 24 de dezembro, então...

E aí eu fui fazendo pizza, cada vez inventando mais minhoca, pensando sempre em processo, essas coisas todas e tal, e alguns amigos falaram: "Pô, sua pizza é incrível. Por que você não abre um restaurante?". E eu: "Arram?!". Aí um dia eles estavam enchendo muito, eu falei assim: "Tá, vocês bancam?". Os caras falaram: "A gente banca". Eu falo hoje que eu truquei e perdi. É 20% de diversão, 80% de muita chateação. Mexer com restaurante é muito complicado. Mas, realmente, é um ponto que a gente vê as pessoas: eu reencontrei gente que eu não via há 30 anos. É bem divertido por esse aspecto. Tem muita gente que diz que é a melhor pizza que já comeu. É como eu falei: eu herdei uma coisa da minha mãe: se é para fazer, tem que fazer bem feito. Eu sou virginiano, engenheiro, sou muito chato. Duas coisas: para a cozinha eu falei assim: "Mais importante do que uma pizza ótima, é uma pizza que seja sempre boa". Você tem que ter padrão. E para a área de serviço, para os garçons, eu falei assim: "Aqui a gente não recebe clientes, a gente acolhe amigos". Não sei se é porque eu falei isso, mas a gente vê as avaliações no Google, e em outras plataformas, tem gente que diz que foi o melhor serviço que já teve, que é a melhor pizza que já comeu, que o lugar é super simpático.

 

Sonhos

Meu sonho é que meu filho seja feliz e não carregue o macaquinho que eu carreguei tanto tempo. Bem simples, o resto a gente se vira.

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