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História

O encontro da necessidade com a oportunidade

História de: Ariane Pereira Rocha de Almeida
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 12/01/2021

Sinopse

Infância em São Paulo com as duas irmãs. Interesse por trabalho voluntário. Formação em Serviço Social. Trabalho com mulheres da cracolândia. Criação de uma loja de sapatos. Casamento após encontro online. ONG’s. Mulheres empreendedoras. Criação da Plataforma do Bem [rede de captação de recursos para ONG’s]

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História completa

Por estar em outro bairro, outra região, eu tive uma necessidade de sapatos mais confortáveis, sapatos diferentes, e foi aí que eu fui atrás para mim. Só que eu moro em uma área de condomínios que começaram a estruturar com shopping e com alguns serviços agora. Mas antes disso eu falei, “Pera aí, se eu tive essa necessidade, as minhas vizinhas também têm de encontrar determinado produto". Foi aí que o empreendedorismo de fato chegou, se estabeleceu e eu comecei a trabalhar com calçados. 

Foi uma experiência incrível, porque eu sou apaixonada por sapato (risos), gosto demais, e vi uma oportunidade. Mais ainda, algo que eu fiquei muito contente é de que com essas conexões que faço, vou sempre falando dos trabalhos sociais... Eu comecei a comentar que "Parte do valor dos sapatos, eu remeto ao projeto tal", para que a pessoa se sentisse participante e para que eu não precisasse propriamente pedir paralelamente uma ajuda ou doação.

Consegui até mesmo achar uma pessoa que até hoje trabalhamos juntas, ela monta o calçado de uma maneira totalmente personalizada, então eu consigo entregar algo que é exclusivo, que é único, que a pessoa consegue pedir o formato do salto, pedir a cor. Eu consegui atender uma pessoa muito especial, que é uma cantora gospel que foi premiada e falou: "Ari, eu tenho um evento muito especial e preciso de um sapato assim, nessa cor, um pouquinho mais baixo" e foi um desafio, mas conseguimos fazer essa entrega.

Fui atrás, comprei material, comprei o que ela me pediu e conseguimos fazer essa entrega. Fora também que por um bom período eu conseguia trabalhar com atacado, então eu tinha um grupo de mulheres que adquiriam de mim para vender. E eu sempre acompanhando elas. Era muito além de uma equipe de vendas, eram todas muito especiais, e sobre a capacidade que elas têm, que elas podem fazer algo novo, que elas podem ter um trabalho próprio, que elas têm valor. São construções que eu falo assim: é muito além de ser uma marca, é muito além de ser uma empresa, são possibilidades que a gente tem de se conectar com as pessoas e desenvolver a comunidade.

Eu trabalho em casa. Até cheguei a cogitar abrir um espaço, mas foi bem na semana em que entramos em lockdown (por causa do Coronavírus), com tudo fechado, tivemos que entrar em isolamento. Então foi um outro marco, porque eu já estava pensando em ampliar, em ter um showroom, ter um espaço, e de repente veio toda essa experiência que nós estamos vivendo, super profunda e eu falei: "Opa, vou puxar o freio de mão e até me reinventar", porque o carro chefe sempre foram os saltos e os itens personalizados, mas a gente chegou nesse momento em que as pessoas não estavam mais saindo. Então eu falei, "Pera aí, eu vou ser resiliente e vamos tentar enxergar para além dessa situação".

Foi aí que eu comecei a pensar em entregar algo que também fosse muito além de ser um produto, eu sempre penso muito nisso. Que trouxesse um pouquinho mais de aconchego, conforto, que as pessoas pudessem se sentir acolhidas, mesmo com um calçado.

Foi um tênis que a gente fez e se chama tênis-meia, ele tem uma base de borracha mesmo, bem macia, bem confortável, mas a parte do tênis mesmo é um tecido sintético. Foi um sucesso, deu super certo. Eu conheci muita gente, muitas indicações das amigas, muita gente que eu não conhecia… Mandei até para outros estados, então foi uma experiência também impressionante, muito bacana.

[Para criar esse sapato,] eu pensava nas situações em que eu não conseguia resolver online, "Tenho que ir ao mercado"... Então foi pensar em uma coisa assim, muito confortável para sair de casa, quando você tivesse mesmo que sair, ou em casa, trabalhando home office, "mais arrumadinho" como a gente fala, e com muito conforto, com o pé mais aquecido…  Já existem alguns produtos similares, mas ele é bem simples, conseguimos desenvolver e o pessoal adorou. Realmente foi ao encontro da necessidade.

[Para empreender] são muitos desafios, muitas barreiras, muitas dificuldades, principalmente no país em que nós vivemos. Nós temos muito mais barreiras mesmo do que possibilidades imediatas. [É necessário] realmente ser apaixonado pelo que faz para além da necessidade, então, como eu costumo dizer muito, eu amo sapato e amo muito as histórias que as pessoas vão poder ter usando meu sapato.
Eu vejo que quando eu estou enviando um calçado e escolhi trabalhar com esse produto, chega um feedback tão incrível de agradecimento pelo carinho… Porque eu mando um bilhetinho à mão, uma lembrança, um mimo. Eu até falo: "Meninas, vocês estão adquirindo um calçado, mas também estão adquirindo parte do meu sonho, parte do meu projeto e parte da minha história também"

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