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História

O elo entre o remédio e a cura

História de: Lilian
Autor: Lilian
Publicado em: 06/06/2021

Sinopse

Bancário. Convite para seleção na indústria Aché. Admissão como propagandista. Trabalho em pequenas cidades do interior do Paraná. Desafios da profissão. Momentos marcantes. Desenvolvimento e melhoria nos subsídios de trabalho. Concorrência. Diferenciais da empresa. Resgate da história. Aquisição de outras empresas. Adaptações.

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História completa

P/1 – Magri, eu queria começar pelo teu nome completo, data e local de nascimento.

R – Meu nome é José Hermes Magri Filho, nasci em Sertanejo, Estado do Paraná e data de nascimento é três de junho de 1963.

P/1 – Atualmente você mora em outra cidade?

R – Moro em Cornélio Procópio, também Paraná, próximo a cidade de nascimento.

P/1 – Foi lá que você entrou no Aché, já em Cornélio Procópio?

R – Foi em Cornélio Procópio. Eu entrei em 1986, foi minha admissão no Aché, a convite do.... Porque na época que eu entrei no Aché, o Aché dava preferência para os bancários, né? Então, eu trabalhando no banco, eu recebi um convite de um supervisor para participar de uma entrevista e foi nesse período, dia 25 de agosto de 1986.

P/1 – Você já tinha ouvido falar dessa profissão, propagandista?

R – Não, para mim foi uma surpresa, eu nem conhecia. Eu achei até estranho o convite que eu recebi na... Naquele dia, eu fui atender um cliente, que era o supervisor do Aché e ele fez esse convite. Até fiquei meio assim, assustado, meio suspeito, o cara convidando para fazer uma entrevista, Indústria Farmacêutica. Mas aceitei e fui participar dessa entrevista, né? Quando eu cheguei, assustei porque tinha 45 pessoas, bancários amigos, né? Os outros bancos participaram dessa entrevista. Então, a partir dali eu aprendi, eu comecei a conhecer o que era propagandista, que existia essa profissão, né?

P/1 – E como é que foram os primeiros dias de trabalho, você lembra?

R – Lembro. Meu primeiro dia de trabalho foi o curso, né? A gente tinha um curso de 15 dias. Realmente, foram, nos três primeiros dias eu queria desistir do curso porque era tudo novidade, nomes científicos diferentes, então aquilo foi assustando, eu falei: “Isso não é para mim, eu estou acostumado a trabalhar em banco, trabalhar com números. Então, disso aqui, eu estou fora.” Mas através da força da minha atual esposa, que era namorada, ela falou: “Não”, por telefone, “que isso, vai lá”. Então, eu aprendi a gostar, né? Segunda semana, se tornou mais à vontade e tal, aprendi a gostar da profissão realmente. Me senti bem, sabe? Hoje, eu gosto de fazer propaganda, é o que eu sei fazer e acho que vou me aposentar, fazendo propaganda.

P/1 – Tá certo. Você lembra da primeira propaganda?

R – Lembro. Lembro da primeira propaganda, do primeiro médico. O meu supervisor foi trabalhar em Cambará, trabalhou na parte na manhã, ele fez as propagandas para eu ter uma idéia. Eu cheguei na cidade, ele falou: “Eu vou te levar para um médico gente fina, que é o Doutor Paulo Mendonça, neurologista.” Então, foi a primeira propaganda foi de Energivit. Foi a primeira propaganda, pegar a literatura, eu saí da sala, sumi, pra nunca mais voltar, porque foi a primeira, né? Você vai se perdendo, embananando, ficando nervoso, mas o médico deixa a gente bem a vontade. Então, realmente, ele quebrou aquele gelo e, a partir da segunda, já começou a ir muito bem.

P/1 – Você começou a trabalhar em que região do Estado?

R – Comecei trabalhar na região de Cornélio Procópio, que é ao norte do Paraná, Norte Velho, que eles falam que é de Cornélio Procópio a Ibaiti. Eu trabalhava a cada 15 dias, setor pequeno. Era o esquema do Aché em 1986. Você trabalhava uma semana em determinadas cidades, outra semana em outras determinadas cidades e voltava depois de 15 dias para falar com os mesmos médicos, né? Então, isso aí era o trabalho. Era um setor diferente de hoje, né? Era um potencial menor de médicos, você tinha a faixa de 200, 220 médicos, mas para trabalhar a cada 15 dias.

P/1 – Certo. Como é essa região? Uma região agrícola, são consultórios pequenos, hospitais, como é?

R – São cidades pequenas, né? Até que Cornélio Procópio, que é a maior cidade que eu trabalho, que é cidade sede, tem 45 mil habitantes. As demais é 15 mil, 20 mil, 5 mil habitantes. Tanto é que quando eu comecei a trabalhar nesse setor, eu trabalhava numas cidades que não tinha nem asfalto, que era Sapopemba, Curiúva, Figueira e Ibaiti, então eu passava aí, 120 a 150 quilômetros de terra. Então, chovendo ou não, era uma aventura, né? Você chegava sem a placa do carro, você chegava sem escapamento do carro, mas aquilo motivava, porque a diferença salarial que eu saí do Banco para trabalhar na Indústria Farmacêutica foi muito grande. Então, aqui não tinha barreiras que segurava. Então, você trabalhava com maior prazer. Você andava em estrada de terra, quebrava a placa do carro, você estourava pneu, mas era assim, compensador, né?

P/1 – Teve alguma visita, alguma viagem que te marcou de forma especial?

R – Uma viagem, uma visita? Teve, teve várias visitas que me marcaram. A que me marcou mesmo foi uma visita que eu fiz a uma médica, que é na cidade de Ribeirão Claro e eu fui visitá-la e ela não estava no Posto de Saúde e eu fui na casa dela. Então, como a casa, eu via o muro, eu subi no muro e bati palma, né? Ela estava estendendo roupa, mas não sabia que era eu. Chegou a empregada e falei para ela: “A doutora Latifa se encontra?” Ela virou com um lenço na cabeça: “Sou eu mesma, não recebo representante aqui.” Ela ficou tão envergonhada que ela falou: “Não recebo representante em casa, só no Posto de Saúde!”, que ela estava lavando roupa, estendendo roupa. Então, quando eu cheguei, achei engraçado você perguntar para a empregada assim: “Por favor, a doutora está?” E ela falar que é médica, né? Então, isso para mim, marcou bastante.

P/1 – E em relação aos produtos, teve algum que te chamou mais atenção, alguma campanha que você gostou mais?

R – A campanha que me marcou mais foi a campanha de Notuss xarope, porque a literatura era diferente, tinha um chip dentro, então era uma tosse, né? Então, você abria o remédio, “ham, ham”, tossia a literatura. Então, aquilo marcou muito para mim, marcou para os médicos, a própria concorrência. É uma propaganda realmente que o Marketing que chamou a atenção. Até hoje, ninguém esquece desse marketing, dessa propaganda.

P/1 – Os médicos reagiam como? Gostaram?

R – Gostaram, tanto que eles brigavam porque era uma literatura para cada médico, já queriam levar uma para o filho, outra para o sobrinho, todo mundo queria levar literatura, porque chamou, marcou mesmo a atenção.

P/1 – E em relação a rotina, o tipo de trabalho nesses anos todos, mudou muito o treinamento, o tipo de material, a rotina de trabalho, ela foi mudando?

R – Foi mudando. Quer dizer, mudou sempre para melhor porque quando eu entrei no Aché, no início, em 1986 até 1992, então era o mesmo ritmo de trabalho. Era um material... Quer dizer, tinha uma quantidade grande de amostra, mas o material de subsídio científico, material de literatura era muito simples, muito vago, né? Então, criava uma certa dificuldade para trabalhar porque, às vezes, não tinha subsídio científico, alguma pergunta, alguma questão, que o médico questionava, não tinha como responder. Então, a partir dessa data de 1992 para frente, começou ter a mudança para melhor. Então, você tem o subsídio, próprio São Paulo, Departamento Científico, material mais completo, né? Então, você trabalha com maior tranquilidade, você tem uma retaguarda muito grande por trás. Então, com certeza, mudou sim, uma mudança radical mesmo, para melhor.

P/1 – E a presença da concorrência também mudou?

R – Mudou. A presença da concorrência, ela mudou até nos setores, vamos dizer no sentido que você está perguntando. Então, até nos setores que eu trabalhava, que tinha pouco concorrente, hoje a maioria está indo. Sempre questionava: “Você vai trabalhar na cidade pequena, muito chato, onde não dá retorno nenhum.” Hoje, o Aché cresceu, foi em cima das cidades pequenas. E hoje que eles estão enxergando isso. Hoje, que os concorrentes estão enxergando que o Aché está crescendo em cima das cidades menores. Então, hoje, toda concorrência também está indo nas cidades pequenas.

P /1 – Você falou do Aché, dessa característica do Aché, eu queria te perguntar de outras características da empresa. O que mais te marcou? O que mais te agrada no jeito de ser do Aché?

R – O que agrada muito é essa união que há entre os colegas de trabalho. Essa união é uma união assim, gostosa. Você veja bem, eu participei de reunião em Curitiba, teve uma mudança, estou afastado há quatro anos. Nós estamos encontrando os amigos aqui. Então, você vê essa união de quatro anos longe, você encontrar, então você vê a felicidade, tanto nossa, quanto dos colegas, como ao contrário também, nesse encontro. Então, isso é importante. Há uma união tão grande assim, na empresa que isso motiva a gente, motiva muito.

P/1 – Tem alguma história de coleguismo que você... Que exemplifica bem esse espírito de união, você lembra de algum?

R – Nossa, agora... Agora, não consigo lembrar não.

P/1 – Depois você lembra. A gente já está finalizando, eu queria te perguntar sobre esse Projeto de Memória. O que você acha do Aché ter decidido contar a sua história?

R – Isso, eu acho interessante, uma coisa muito bonita, porque vai resgatar a sua identidade, né? Você tem muitas histórias para contar, você tem muita gente que está passando pela empresa, gente que está... Diretores que estão se aposentando e não tem uma história dos mais novos, do pessoal que está vindo agora para saber. Que eu sei da história do Aché vendeu a indústria pro pessoal, pro Miro, pro Victor, né, então é a única história que eu sei do Aché, quer dizer, então o pessoal novo que está chegando agora, isso é muito importante, pra ter uma raiz, ter uma identidade. Então isso aí vai ser importante, acho que o pessoal novo e o pessoal que está chegando, o pessoal que está vindo, que vai vir, futuro, isso é importante.

P – Deixa eu te perguntar uma última coisa: como você está há tantos anos na empresa, acho que você deve ter pego aquelas épocas do final das aquisições, quando veio a Novaterápica, a Prodome, a Parke-Davis. Você pegou algumas dessas parcerias novas?

R – Peguei. Eu peguei da... quer dizer, a Parke-Davis estava iniciando, quando peguei, aí peguei da Prodome, eu já estava na empresa.

P – E mudou alguma coisa no trabalho de vocês? Você teve alguma novidade a partir dessa aquisição?

R – Não, é assim, uma novidade teve em questão de novos produtos que vieram, e foi importante para o trabalho da gente, porque você trabalha com o sistema de manutenção dos seus produtos para os médicos e quando vem alguma coisa nova, começa a vim produtos novos é interessante, te motiva mais pra você trabalhar. Você está fazendo uma coisa nova para um médico, uma coisa diferente para o médico, então foi interessante, muito bom pra empresa.

P - Gostaria de concluir com outra colocação?

R – Realmente eu fico contente de estar há 16 anos na empresa, então deixar gravada essa entrevista para o acervo do laboratório, eu acho que o laboratório está no caminho certo, sabe? Fico contente mesmo.

P – Tá certo, muito obrigada pela participação.

P – Eu que agradeço.

 

---FIM DA ENTREVISTA---

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