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História

O economista entusiasmado

História de: Alberto de Oliveira Constantino
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Alberto entrou jovem no BNDES, como estagiário, foi se desenvolvendo e hoje cuida na área de bens de consumo não duráveis. Como fez faculdade e tem muito interesse em Economia, tem uma grande preocupação em desenvolver o país. Em seu relato ele conta sobre os diversos setores que trabalhou no banco, algumas viagens que fez a trabalho - e de férias - e como se sente trabalhando no BNDES.

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História completa

P/1 – Bom, eu ia pedir para você fazer uma identificação, dizer qual é o seu nome, o local e a data de nascimento.


R – O meu nome é Alberto de Oliveira Constantino, nasci no Rio de Janeiro, onze do um de 1954... No verão, verão, estava muito quente nessa época. A minha mãe falava isso: “Esse ano foi terrível e esse mês aí de janeiro foi terrível aqui, no Rio de Janeiro”.


P/1 – O que ela falava?


R – Era muito calor, estava fazendo muito calor e eu dei muito trabalho para ela. Foi parto normal, dei muito trabalho para ela para nascer. Eu nasci às dezoito horas, ela disse... O que ela se lembra é que estava tocando o sino de dezoito horas na igreja próxima à maternidade e eu nasci. Foi um alívio.


P/1 – E quando você entrou no BNDES? Quantos anos você tinha e como foi isso?


R – Eu tinha 21 anos. Eu entrei como estagiário... Quer dizer, eu estava fazendo Economia e soube por um colega meu. Eu tinha ido fazer uma entrevista na Embratel e soube por um colega meu lá da faculdade que estava abrindo inscrições também para estágio no BNDES e o BNDES para mim sempre foi assim... Eu tinha uma vontade muito grande de trabalhar porque iria em função do próprio curso que eu estava fazendo, de Economia. Então eu tive o interesse em fazer esse estágio também. Aí eu me inscrevi, aí fui classificado, tanto para trabalhar no BNDES, quanto na Embratel. Eu acabei optando pelo BNDES porque era um trabalho que tinha mais a ver com o meu curso, o curso que eu estava fazendo. Enfim, eu me sentia mais motivado para trabalhar no BNDES em função do trabalho que o BNDES desenvolvia naquela época e vem desenvolvendo aí, ao longo dos... Desses anos todos, desses cinquenta anos.


P/1 – E quando você entrou, você foi fazer estágio em que área?


R – Eu fui fazer estágio na área... Essa área que eu estava falando ontem para você, que tinha análise de projetos. Na época, a área na época era AP1, Área de Projetos Industriais. Era API, depois virou AP1. Então era API, Área de Projetos Industriais, isso em abril de 1976, quando eu entrei. E depois, elas... Ela virou AP1, Área de Projetos 1. Essa divisão de projetos de área AP1, AP2 era em função dos setores das áreas. Aí eu vim fazer o estágio na AP1, API, depois AP1 e numa gerência que lhe dava com empresas de bem de capital. Então tinha naquela época, tinha empresa de fabricantes de equipamentos agrícolas, de implementos agrícolas, equipamento ferroviário, equipamentos navais, navios. Então eu vim trabalhar nessa gerência como estagiário, para fazer análise de projetos.


P/1 – Você tem alguma memória dessa época, dos projetos dessa época, alguma coisa que você tenha participado...


R – Ah não, o primeiro projeto, na verdade, foi um projeto de uma fábrica de tratores e colheitadeiras agrícolas em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. Santa Rosa foi a minha primeira viagem até... Foi a primeira viagem que eu fiz no Banco, foi a primeira vez que eu viajei de avião, foi a primeira vez que eu viajei também. Quer dizer, eu peguei um avião até Porto Alegre, depois de Porto Alegre até a empresa em Santa Rosa foi um aviãozinho pequenininho de seis lugares. Foi a primeira vez também. Cheio de medo porque foi a primeira vez que eu tinha viajado de avião. E foi uma viagem que me marcou muito porque foi a primeira vez que viajei de avião e, na volta, o aviãozinho veio por Foz do Iguaçu, então ele ficou sobrevoando as cataratas do Iguaçu. Tinha um colega meu que estava com uma filmadora para ficar filmando. Então me marcou. Foi uma viagem, além... Quer dizer, a primeira viagem pelo Banco, estava fazendo a viagem como estagiário, isso foi em julho, porque o estagiário só pode viajar no período que está de férias no Banco e a viagem foi em julho e me marcou muito por conta disso. Foi a primeira viagem que eu fiz pelo Banco, primeira vez que eu viajei de avião, ainda teve esse lado agradável da viagem, desse passeio, que é desse vôo que a gente fez pelas cataratas. Ah, o que marcou também, a minha mãe me levou ao Aeroporto. Isso aí que foi um mico danado, como se diz hoje, né? Foi a minha primeira viagem, aí a minha mãe com a família toda foi para o aeroporto. Recomendou lá para contadora que estava indo comigo: “Toma conta do meu filho direitinho”. Aí você imagina (risos).


P/1 – E depois quando você deixou de ser estagiário, você fez algum concurso...


R – Eu não, naquela época, você fazia o estágio, a passagem por um período de adestramento que eles chamavam de adestramento é uma passagem automática, quase que automática, dependia de uma avaliação do seu chefe imediato e avaliação que eu tive foi boa. Então eu fiz o adestramento um e o adestramento dois, que tinha adestrando um e adestrando dois, e você ganhava porque é um percentual bem elevado do salário de técnico. Eu ganhava 80% no adestramento um e 90% do salário do técnico no adestramento dois. E depois a passagem de adestrando para técnico, essa foi um período muito tumultuado aqui no Banco e, particularmente, nessa época que eu fiz, porque a primeira vez é que o Banco fez um concurso. Antes, você para passar de adestrando para técnico, você fazia um curso de uns oito, nove meses na PUC, ia no final do curso, você fazia um trabalho que podia ser um trabalho conjunto, aí você praticamente era aproveitado porque era uma coisa mais tranquila. No ano que eu fiz, eu passei para técnico, o Banco fez um concurso interno. Então era um concurso. Na realidade, você não competia com ninguém, mas você tinha que tirar um mínimo de 75 nas provas, nas diversas cadeiras que você fez, você tinha que tirar um mínimo de 75 para poder ser... Ficar no BNDES, permanecer no BNDES, ser aproveitado no BNDES. Isso foi um período muito tumultuado, porque a gente ficou no nível de stress muito grande. Tinha vários colegas meu... Eu era casado, mas não tinha filho, mas tem vários colegas meu que já eram casados, já tinham filhos. Aí havia aquela perspectiva de sair do buraco, como foram. Na minha carreira, por exemplo, Economia, foram três economistas que não conseguiram obter o mínimo de 75 e saíram do Banco, foram mandado embora. E advogado também saiu bastante gente. Então foi um período meio que tumultuado aqui, internamente, no Banco, e especificamente na minha vida, no meu momento naquela época.


P/1 – Isso foi em que ano?


R – Isso foi 1984, se eu não me engano, 1984. Quer dizer, nós viemos para cá em 1982 para esse prédio aqui, isso eu acho que foi em 1984, foi em 1984. Não tenho bem certeza... 1982 ou 1984, porque eu sempre confundo o ano que eu vim para esse prédio e o ano que teve esse concurso. Se você souber, com detalhe, o ano que a gente veio para esse prédio aqui, que isso daqui eu não sei se alguém já falou.


P/1 – Eu acho que foi em 1984.


R – Foi em 1984. Então, o concurso foi em 1982, 1982 foi esse concurso.


P/1 – Aí, teve esse concurso, aí você passou?


R – Aí eu passei para técnico do Banco, dentro do cargo, dentro do plano de carreira do Banco e estou aí, esse tempo todo. Estou fazendo, esse mês agora, 27 de abril, vou fazer meu último biênio aqui no Banco, a gente dentro do plano de carreira, a gente tem há cada dois anos, a gente vai ganhando um biênio no meu quadro. Agora em abril, 27 de abril, eu estou fazendo o décimo terceiro biênio, significam 26 anos de BNDES. Eu estou fazendo o meu último biênio agora.


P/1 - De todo esse tempo que você trabalhou, fora esse primeiro projeto, você se lembra de outros projetos que foram significativos para a sua carreira, ou para você por outras razões?


R – Não, quer dizer, a gente... Como eu sempre trabalhei com projeto, é claro que eu passei por vários projetos, várias empresas. Um que me marca muito é um projeto de uma empresa (Hatsuta?) que ela era uma empresa que estava numa dificuldade financeira, naquela época. Ela acabou depois pedindo concordata. Eu acho até que depois faliu, mas ali era uma situação de... Foi uma situação estressante porque a gente tinha que fazer projeções financeiras daquela empresa e ela estava numa situação financeira muito ruim. E naquela época não tinha micro. A gente não trabalhava com micro, era calculadora. Então, a gente fazia planilhas e planilhas de projeções financeiras na mão, com aqueles papelzinhos quadriculado e aí se você queria mudar uma coisa, ou errava alguma coisa, você tinha que... Vim refazendo as contas todas. Isso daí foi uma coisa assim, um volume tão grande de trabalho que eu cheguei a guardar isso durante vários anos comigo, num fichário. A quantidade de planilhas e projeção que a gente fez naquela época para tentar se chegar a uma viabilidade econômica aí, dessa empresa, no financiamento do Banco, e acabou não saindo. Depois a empresa pediu concordata. Então o projeto da Hatsuta foi um projeto que me marcou muito. O Estaleiro Emaq também, foi um projeto que a gente fez aqui também, e que a gente teve que fazer várias projeções, e também foi uma outras coisa que, naquela época, me marcou. A gente fez várias visitas à empresa e também acabou... Só estou falando de coisa que deu errado (risos). A Emaq depois acabou também pedindo concordata, e hoje está praticamente desativado, mas eu passei por vários... Vários projetos... Cobrage também foi um outro projeto grande e que deu um certo trabalho porque eram vários... A empresa fez investimento muito grande em diversas áreas da empresa, então também era um projeto muito grande que a gente tinha que estar indo lá para fazer o acompanhamento, quase que mensalmente a gente ia na empresa... Enfim, eu trabalhei em diversos setores. Eu trabalhei com bem de capital, que é o caso aí de marketing, implementos agrícolas por causa da Ideal. Depois eu trabalhei com fundição, trabalhei com forjaria, trabalhei com... Essa parte de bens de consumo não durável, que eu estou trabalhando agora. Eu trabalhei em diversos setores aqui no Banco. O interessante é isso porque como você tem essa possibilidade de mudar, e o trabalho é um trabalho em que você praticamente trabalha viajando, para quem gosta de viajar não tem problema, é bom, porque você sai um pouco daqui do ambiente do Banco, vai visitar a empresa que te acrescenta muito, te dá uma experiência importante profissional. E aí, depois, você volta aqui para o Banco, faz, desenvolve o trabalho, relatório, e você tem oportunidade de visitar a empresa de fabricante de margarina, dependendo do setor que você estava, fabricante de margarina, fabricante de bebida, fabricante de navio, fabricante de trem. Então são diversos setores da economia que você tem oportunidade de visitar e ficar lá, um ou dois dias na empresa para conhecer. Então eu acho que te dá uma... É uma experiência profissional importante e deixa de ter aquela monotonia de você estar sempre fazendo a mesma coisa, visitando a mesma... Assim, o mesmo projeto. Eu acho que é importante. Quer dizer, eu sempre gostei tanto que eu estou há 26 anos nessa área.


P/1 – Eu queria te fazer mais uma pergunta: na sua vida, o que o BNDES é?


R – Olha, eu acho que o Banco foi muito importante na época em que eu entrei... Quando eu comecei a fazer o estágio, ele sempre foi uma lição, para mim, muito importante, ética e moral de trabalho. É claro que eu já tinha esses conceitos éticos e morais que já veio... Que eu já vim com ele de casa, até porque ela... Até pela origem dos meus pais portugueses, rígidos na educação, disciplinados. Então eles sempre foram moralmente, eticamente, muito rigorosos com relação à nossa conduta. E o Banco me acrescentou muito isso, o lado profissional. As pessoas com que eu trabalhei aqui, o meu primeiro gerente... Quer dizer, os gerentes e os colegas sempre passaram para mim uma questão ética e moral muito elevado, muito grande. Isso o Banco me ajudou muito a formar, a deixar essa coisa ética e moral mais forte ainda, dentro de mim, desde de coisa assim, de horário, de cumprimento de horário, de dedicação ao trabalho, até... E até mesmo uma preocupação grande com o país. É uma preocupação grande. O Banco sempre teve uma atuação muito grande nessa área de desenvolvimento econômico, mais no início econômico, e social recentemente, mais esse lado do desenvolvimento econômico, porque ele procurou sempre desenvolver essa preocupação com o país, com a distribuição de renda, com a desigualdade sociais, isso é uma coisa que quando eu entrei no Banco, sempre me marcou muito. Uma coisa que eu via muito isso, no dia-a-dia das pessoas, no dia-a-dia do trabalho ali das pessoas. Isso foi uma coisa... Quer dizer, deixou muito forte em mim essa preocupação com o país, essa preocupação de desenvolver o país. Eu acho que foi uma coisa que deixou isso muito forte em mim.


P/1 – E para finalizar, eu queria te perguntar; o que você achou de ter participado dessa entrevista e ter contribuído para o Projeto cinquenta anos do BNDES?


R – Ah, eu achei legal. Quer dizer, é uma coisa que até deixa a gente assim, um pouco emocionado, porque a gente entrou com o Banco há 26 anos aqui, trabalhando. É um lugar que eu gosto muito de trabalhar, sempre gostei muito de trabalhar. O Banco, para mim, sempre foi aquele tipo de lugar que você vai trabalhar com satisfação, sabe? Você chegava a ponto de, às vezes, de férias, de sentir saudade de voltar para o Banco. De férias, numa boa, passeando, mas de vez e quando lembrava do Banco, sentia saudade do convívio aqui, dentro do Banco, do trabalho, do dia-a-dia. Sentia saudade disso nas férias. Então é o lugar que você... Eu acho que eu sempre me senti muito realizado profissionalmente por causa disso, porque é um lugar que sempre me deu satisfação de trabalhar e que eu sentia saudade de... Quando estava de férias de vir trabalhar. Eu acho que é, digamos assim, eu acho que é uma benção muito grande você ter a oportunidade de trabalhar num lugar em que você gosta e que você sempre sente vontade de ir trabalhar. Acordar pela manhã e sentir vontade de vir trabalhar. Eu acho que são poucas as pessoas, infelizmente, que tem essa situação, tem essa condição. O Banco para mim sempre foi isso. Sempre tive vontade de vir para o Banco, de trabalhar no Banco. E agora estar participando desse projeto aí, de cinquenta anos, é uma coisa que me deixa emocionado, feliz demais de estar participando.


P/1 – Está bom. Obrigada.


R – De nada.

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