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História

O dia em que eu e meus amigos fomos roubar mexerica do vizinho

História de: Neneca
Autor: Juliana Figueiredo
Publicado em: 12/06/2018

Sinopse

Edison Evangelista é o segundo dentre os nove filhos que seus pais tiveram. Todo dia, depois de voltar da escola e cuidar da casa, encontrava seus dois amigos para brincar. Em um desses dias, resolveram invadir a chácara do vizinho para pegar mexericas do pé, mas foram surpreendidos pelo cachorro que cuidava do terreno. Uma travessura que hoje lhe rende boas risadas.

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História completa

Essa história que eu vou contar foi na minha infância, no ano de 1979. Em 79, eu tinha por volta de 15 anos e a minha mãe e meu pai tinham nove filhos. Eu era, de cima pra baixo, o segundo filho mais velho. Então, devido ao fato de eles terem que sair para trabalhar todos os dias, eu que cuidava dos outros menorzinhos.

Eu levantava por volta de 6h30, ia para a escola, as aulas terminavam por volta de 11h30 e eu vinha para casa para preparar almoço para os meus outros irmãos que eram menores. Então dava almoço para eles, lavava a louça – porque naquela época tinha que ser responsável mesmo, o pai e mãe saiam e a gente tinha que limpar a casa, lavar banheiro, lavar a louça, enfim, para quando eles chegassem no fim da tarde estivesse tudo prontinho – e, após ter cumprido com minhas obrigações, eu tinha mais dois amigos que, todo dia por volta 14 horas, a gente se reunia na rua que era pra gente ou jogar bola ou fazer alguma travessura.

Então todo dia tinha aquela hora ali que a gente se encontrava e, próximo de onde eu morava, tinha um terreno enorme que era uma espécie de chácara. Nessa chácara tinha vários pés de mexerica, manga, pé de cana, banana... Então nesse dia, eu e outros dois amigos meus tramamos de invadir essa chácara para pegar fruta. Como eu tinha mais irmãos em casa, eu falei: “Pô, eu entro lá, pego umas frutas e levo para os meus irmãos. Minha mãe e meu pai também vão comer, beleza”. Só que nessa chácara tinha cachorro que cuidava da chácara, cachorro enorme que na época se chamava de Pastor Alemão. Como a chácara era enorme e a entrada da chácara ficava do lado oposto de onde a gente era acostumado a entrar, então: “Bom, os cachorros vão ficar sempre olhando pro lado de lá e a gente entra por trás”. E vai eu e meus amigos. Como eu era o menorzinho e o mais magro para passar por baixo da cerca, eles falaram: “Você entra lá, sobe no pé de mexerica e vai jogando para nós do outro lado da cerca aqui e se o cachorro vim, a gente grita e você pula lá de cima, a gente levanta o arame, você passa por baixo e a gente sai correndo.” Eu falei: “Tá bom” e fui eu. Passei por baixo do arame, olhando assustado, quieto e subo no pé de mexerica. Começo a balançar os galhos para pegar e jogar para eles.

Eu não sei o que houve lá que um desses cachorros resolveu dar uma andada em volta da chácara e me viu em cima do pé de mexerica. E os meus amigos, que já estavam com o saco cheio de mexerica do outro lado da rua, saíram correndo e me deixaram lá em cima do pé. O cachorro debaixo do pé de mexerica e eu em cima. Falei: “Caramba, o que eu vou fazer agora?”. Nisso já era por volta de 16h30 e minha mãe voltava do trabalho por volta de cinco horas da tarde. Naquela época já escurecia cedo e eu quieto lá em cima do pé de mexerica e o cachorro me espiando embaixo. Eu pegava mexerica e jogava para espantar ele e o cachorro nada de ir embora. E eu preocupado com meus outros irmãos que estavam em casa sozinhos, pensei: “Minha mãe vai chegar do serviço e vai ver meus irmãos trancados dentro de casa e eu não estou lá”; “Oh, cachorro, vai embora, vai embora!” O cachorro não ia. Eu jogava, jogava e o cachorro não ia. E ia escurecendo. Eu olhava pra cima e já estava aparecendo até a lua, ela já estava surgindo e eu: “Meu Deus do céu, o que eu vou fazer?” e nada do cachorro ir embora.

Nisso, o dono da chácara chega do trabalho e, toda vez que ele chegava na chácara, ele tinha um sinal com os cachorros que era através de um assobio. Ele assobiava na entrada da chácara e aí os dois cachorros iam pra cima dele o saudando: “Pô, o meu dono chegou”. Então o dono chega, assobia para o cachorro e, nisso que o cachorro foi lá ver ele, eu me joguei de cima do pé de mexerica, passei, rasguei costas, rasguei testa, tudo por baixo do arame e fui pra casa.

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