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O custo de vida

História de: Rubens Ramacciato
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 29/05/2020

Sinopse

Nessa entrevista, Rubens nos conta sua trajetória no DIEESE. Ele narra que foi contratado por intermédio de um de seus 5 irmãos para exercer seu trabalho de entregador de cobrança. Ele conta que, em 1964, o governo militar fechou todos os sindicatos. No dia que ele chegou para trabalhar estava tudo fechado, sem informação do que havia ocorrido. Ele permaneceu sem atividade até o retorno do departamento em janeiro de 1965, permanecendo lá até abril de 1967.

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História completa

P/1 – Sr Rubens, eu gostaria para começar, que o senhor falasse o seu nome completo, o local e a data de nascimento.

 

R –  Meu nome é Rubens Ramacciato, nasci em 23 de junho de 1939, na Bela Vista.

 

P/1 – E qual foi a formação educacional do senhor?

 

R – Eu só tenho o primário completo, só o primário completo, porque meus pais tiveram muitos filhos e nós não tínhamos incentivo para estudar. Hoje já é diferente, tem mais incentivo dos pais.

 

P/1 – E qual foi o primeiro trabalho que o senhor teve?

 

R – Bom, o primeiro mesmo foi no Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos [DIEESE] , que antes eu tinha ajudado meu pai, mas não era fixo. Depois aí, é que eu comecei a trabalhar no DIEESE, em 1960, 4 de janeiro de 1960

 

P/1 – Mas como é que o senhor conheceu o DIEESE?

 

R – Conheci o DIEESE porque um irmão trabalhava lá, de ourives, pegado ao DIEESE, em uma sala, o DIEESE tinha uma sala só. O meu irmão, dois irmãos ourives trabalhavam ao lado do DIEESE.

 

P/1 – Onde ficava o DIEESE?

 

R – Rua do Carmo, 171, ficava o DIEESE, terceiro andar. Quem cedia, era o Sindicato dos Metalúrgicos que cedia um cômodo para o DIEESE funcionar lá. E nós ficamos lá de janeiro de 1960 a 30 de março de 1964.

 

P/1 –  Antes de entrar em 1964, só uma coisinha, como é que o senhor foi contratado?

 

R – Fui contratado porque meu irmão, que trabalhava ao lado, me apresentou ao Seu Albertino e a Lenina. Então eles me aceitaram como... que eu era conhecido, tinha que fazer cobrança na rua. Um rapaz estava saindo, um moço, e o seu Albertino me deu a chance. Eu fiz um teste de datilografia, mas ele falou: - tá muito fraco. Mas, quem sabe, ele simpatizou comigo, não sei, e me aceitou. Eu comecei a trabalhar e fui melhorando um pouco na datilografia, e eu fazia as cobranças. Ele ligava para os sindicatos: no princípio ele que ligava para os sindicatos aí, depois eu passei a conhecer mais o serviço e eu que fazia aquele serviço de entrar em contato com os sindicatos, com os tesoureiros, ia receber as mensalidades com um talão, fazia o recibo na hora. E também entregava trabalhos do DIEESE, boletins do DIEESE, todo mês, fora as cobranças, ia na rua, serviço de rua, ficava pouco no escritório, eu ficava. Mas aí eu fui melhorando um pouco a datilografia: inclusive o DIEESE tinha um boletim, não sei se vocês têm aí, um boletim que eu cheguei a datilografar, o boletim do DIEESE, rodava na Federação dos Metalúrgicos, rodava, em uma máquina Multilet. Rodava o Boletim do DIEESE, que era mensal. Eu que datilografava, daí eu melhorei um pouco a datilografia, a gente levava o boletim num plastiplate, chamava, era uma chapa e tinha que datilografar numa fita especial, era uma fita especial , não era esta fita comum, era uma fita especial que datilografava naquele material, e quando errava tinha que passar um lápis também apropriado, era um lápis que apagava a letra, assim, errada e rebatia de novo. E também usava. Eu também trabalhei com mimeógrafo, datilografava o stencil e usava o mimeógrafo, que era do metalúrgico, eu descia no primeiro andar e ia usar o mimeógrafo na secretaria.

 

P/1 – Como que era, se o senhor fosse descrever um dia de trabalho como seria? O senhor chegava de manhã...

 

R – Entrava às oito e saía ao meio-dia e depois entrava às duas e saía às seis, depois das seis horas, isto conforme o serviço. Até às vezes podia um pouquinho mais das seis horas. Eu ia almoçar em casa porque era perto, eu ia a pé. Da rua do Carmo à minha casa, eu morava na Mooca, eu morava na Mooca,não, agora eu to morando na Inácio Arruda, eu morava na Mooca, era mais fácil eu ir a pé do que pegar condução. E eu fazia, fora o que eu andava para o DIEESE, eu fazia também, ia pra casa e voltava do trabalho tudo a pé. E também, depois também quando mudamos lá pra rua Maria Domitila, rua Maria Domitila, 254, também eu ia a pé porque era perto de casa.

 

P/1 – Quando o senhor ia fazer a cobrança dos sindicatos qual que era o percurso, que sindicatos que o senhor passava?

 

R –Ah! Tinha muitos sindicatos...na Liberdade tinha sindicato, os mais próximos, às vezes...quase não pegava condução. Eram aqui mesmo no centro, eu fazia: eu pegava a Liberdade, tinha muitos sindicatos lá também, Conselheiro Furtado, o Sindicato dos Calçados era na Conselheiro Furtado, que eu lembro. Tinha o Sindicato dos Alfaiates, que era lá na Avenida São João, era na São João, Largo...como é que é? Lá perto da São João...na...era tudo perto, tudo perto: eu andava bastante. Era mais a pé que eu andava. Só quando...às vezes eu ia em Osasco, nos Metalúrgicos de Osasco, ou ia lá no Sindicato de Carnes e Derivados na Lapa, era na Lapa: perto da 12 de outubro, lá, eu pegava condução. Eu ia também no ABC, também, no sindicato do...em Santo André, dos Metalúrgicos lá, a Dona Gertrudes de Lima, na Praça da Estátua, tinha a Praça da Estátua lá, ia em São Caetano...Inclusive uma vez eu fui em São Caetano, e dia 28 de...não sei, de julho, parece, e eu fui lá receber e foi feriado, foi a única vez que eu falhei. Era feriado lá, feriado municipal, se não me engano é 28 de julho que é feriado municipal de São Caetano, no Sindicato dos Metalúrgicos. Tinha os Têxteis, lá perto do Cine Piratininga, o Sindicato dos Têxteis, que era forte. Sindicato do Papel e Papelão que era também na Rangel Pestana. Então era bem, a maioria dos sindicatos que eu recebia era bem perto do DIEESE, do Centro. Só aqueles lá que eram...o ABC, que era mais longe. E até uma vez eu fui em Santos, que eu nunca...a primeira vez que eu fui em Santos na minha vida, eu fui em Santos receber lá num sindicato, que eles...parece que nós tínhamos a revista do DIEESE. Tinha uma revista, que depois não pode editar mais, eu fui receber...acho que uma publicação lá do DIEESE, fui receber lá em Santos. Que eu nunca fui em Santos, a primeira vez na minha vida que eu fui, uma vez só que eu fui em Santos, fui receber lá... em Santos, mas não era “feriado” não. Só fui receber a publicação que saiu na revista.

 

P/1 – Como é que fazia pra conseguir mais filiados?

 

R – Bom, aí...bom esse não era meu papel, não é? Essa função não era a minha. Quem...O Seu Albertino, a Lenina quem entrava em contato com os sindicatos. Bom esse aí,esse aí eu não sei...não sei...por isso que eu já falei, pra você. Eu não sei como é que...o DIEESE agora, o DIEESE ampliou bastante, quer dizer, que eu acho que tem alguma pessoa que deve ter este contato com os sindicatos. Pra adquirir mais filiados.

 

P/1 – Mas quando o senhor ia cobrar, era fácil para cobrar?

 

R – Eu...minha função era só fazer cobrança, não era ... conversar com os presidentes, os responsáveis, para eles também se “filiar” ao DIEESE. Isto não era o meu papel, eu só fazia cobrança, entrega, um pouco de datilografia, mimeógrafo.

 

P/1 – E era fácil a cobrança, chegava lá e já tava...

 

R – Ah! Sim. Quando...Eu sempre fui bem atendido, graças a Deus, sempre fui bem recebido em todos os sindicatos que eu...não tenho queixa não. Eu quero até agradecer, por intermédio dessa conversa aqui, até agradecer se for possível...até...para todos que sempre me atenderam...sempre foi...também eu sempre fui educado. Embora pouco preparo, mas sempre fui educado e sempre fui bem recebido. Em todo lugar que eu ia sempre fui bem recebido. Porque eu ligava antes também. Não era de surpresa. Só aquela vez que eu falhei. No Sindicato dos Metalúrgicos, que caiu no feriado.

 

P/1 – Apesar do senhor ficar mais na rua, como é que era o ambiente interno, assim, o local de trabalho no DIEESE?

 

R – Ah! Sim, bom.Tinha as pessoas que faziam a coleta de preço na feira. Eles ficavam pouco lá, ficavam menos tempo: na parte da manhã eles faziam a coleta e deixavam o material lá, trabalho deles diário. Deixavam pra um rapaz que depois fazia o cálculo do custo de vida. Tinha um rapaz que fazia, que tinha mais escola do que eu. E...tinha, depois, quando....depois, quando a Lenina, quando a Lenina foi embora, nós ...nós contratamos um rapaz, que até parece que ele era de Manaus: Edílson, parece, o nome dele. Ele tava me ajudando nas cobranças. Uma ou outra vez eu saia, conforme a situação, se fosse uma coisa mais difícil, porque ele tava começando, muito mocinho, muito correto também. E ele me auxiliava nas cobranças, e eu tava mais interno. Ficava no serviço de escritório e controlando as cobranças também, porque tinha a relação das cobranças, que era, acho, que o mais importante que eu fazia era... as cobranças. Porque...aí, depois eu pagava os funcionários.

 

P/1 – Como que era feito o pagamento?

 

R – Eu datilografava, datilografava um comprovante e a pessoa assinava, o funcionário assinava e ficava registrado lá no DIEESE. Só que...nós...posso falar? Nós não éramos registrados: de janeiro de 60 a 30 de março de 1964, nós...vários funcionários lá, ninguém era registrado, trabalhava, recebia o integral, não tinha desconto pro INSS. E então aí, depois teve aquele problema. E...Todos...Eu só fiquei, só fiquei eu, só sobrou eu, porque os outros não sei...

 

P/1 – Qual o problema?

 

R – O problema...ah, lá...que fecharam todos os sindicatos. Lá, que houve o...quando o Jânio Quadros foi...O Jânio Quadros saiu do governo. E entrou o [João] Goulart, saiu o Goulart... Aí, depois o Goulart também não ficou mais. O Goulart também saiu e mudou o governo, passou pra um governo militar. Então os sindicatos fecharam. Tanto o DIEESE, o DIEESE fechou. Lógico, a sede era no Sindicato dos Metalúrgicos. Ficou sem, sem funcionar o DIEESE.

 

P/1 – Mas o senhor lembra deste dia, como é que foi? O que aconteceu, o senhor tinha ido trabalhar e teve que fechar?

 

R – É eu fui e tava tudo, é...O Sindicato tava fechado. Não tinha condições de entrar no prédio, nada, nem funcionário do Sindicato, ninguém. Nem acho que associados, nada. Até os associados dos Metalúrgicos, nem...não tinha acesso, não podia mais entrar no prédio.

 

P/1 – Mas tinha uma faixa, tinha alguma coisa que...?

 

R – Não, tava fechado, fechado é...Não lembro de ter faixa não, porque todos os sindicatos fecharam. A maioria fechou...

 

P/2 – Por que fechou?

 

R – Por causa da política... Houve intervenção do governo e o DIEESE fechou...fecharam os sindicatos e o DIEESE automaticamente também ficou sem, sem trabalhar. Aí, depois, aí não sei o quê que resolveu... voltar o DIEESE. Eu ligava para um senhor, que foi presidente da Federação dos Metalúrgicos, Domingos Alvarez, sempre muito atencioso comigo. Porque eu já tava a mais de quatro anos. E eu sempre ligava pra ele, que ele era presidente da Federação dos Metalúrgicos: Rua dos Estudantes, 48, parece que era: pertinho da Galvão Bueno, Federação dos Metalúrgicos. E ele falava: – Oh, o DIEESE:  Ele sempre dava uma notícia do DIEESE, entendeu? Aí, o DIEESE era pra ter começado na Liberdade, aí eles arrumaram uma sala grande, lá na Avenida da Liberdade, o DIEESE era pra funcionar lá, um pouco depois que ele parou. Mas aí houve um problema lá, um atrito. É...que acho que é melhor não falar. Não sei. Houve um atrito acho que...

 

P/1 – Pode falar...

 

P/2 – Fala...

 

R – Houve um atrito, aí, eu não sei se foi o Seu Albertino, que acho que houve um atrito com outro, um outro...outra pessoa que também tava...tava...ia também ajudar também a voltar a funcionar o DIEESE. Então houve um atrito, então, aí, parece que ele levou a chave do local e só nós voltamos a funcionar, só...Aí depois quando liberou a...só voltamos a funcionar em janeiro de 1965. 

 

P/1 – O senhor foi chamado, foi assim, como foi chamado, pra voltar a trabalhar?

 

R – Não, eu, sim, o seu Albertino esteve na minha casa. E nós, em contato com seu Domingos Alvarez, aí, o ...o DIEESE voltou. Porque eu era funcionário antigo...E já conhecia o serviço. Então nós voltamos ...o seu Albertino que colocou o DIEESE na, que ele conhecia o DIEESE, toda a parte administrativa e técnica, né? E ele que deu um novo impulso pro DIEESE, colocou o DIEESE nos trilhos, porque a Lenina já...já...acho que a Lenina tem outra função, acho que ela, ela não veio mais pro DIEESE, a Lenina. Acho que ela trabalhava em outros setores. Era economista, a Lenina, né? Então eu e o senhor Albertino que voltamos com o DIEESE. Aí, foi realizada, oh...as novas eleições do DIEESE, o DIEESE é composto por...a diretoria do DIEESE é formada por dirigentes sindicais não remunerados. No meu tempo não eram remunerados, agora não sei. Então...os diretores de sindicatos eram eleitos: o presidente, o tesoureiro do DIEESE. Eles tinham essa função, tanto que é...o Joaquim dos Santos Andrade, foi o presidente do DIEESE, Leopoldo Brissac era o presidente do Sindicato do Gás e ele também era presidente do DIEESE. Que ele cedeu, também, uma sala grande lá pro DIEESE, depois que o DIEESE voltou, em 65. Nós fomos lá...da Liberdade, levou todo o material lá pra, pro Sindicato do Gás: Rua Maria Domitila, 254. Então nós ficamos...eu fiquei até 1967, de janeiro de 1965 a abril de... “Pode ver a minha profissional?” - Trinta de abril de 1967.

 

P/1 – Uma coisinha. Ele voltou a funcionar em janeiro de 1965, o DIEESE...

 

R – Meia cinco, é...

 

P/1 – Mas com a intervenção que teve nos sindicatos, como é que foram as contribuições?

 

R – Ah, não...Não tinha contribuição nenhuma. Só voltamos em janeiro...Janeiro, fevereiro que começou a normalizar. Nem...num...todo aquele período, aquele período que ficou interditado o DIEESE, até março, eles contribuíram, os sindicatos. Depois nenhum mais contribuiu. Não tinha expediente, o DIEESE ficou interditado.

 

P/1 – E quando voltou a funcionar...

 

R – Voltou a funcionar em 1965, aí com...recomeçamos o contato com os sindicatos, que começaram a contribuir novamente: era uma contribuição mensal dos sindicatos. E foi o que começamos, o DIEESE retornou os trabalhos, tudo já com seu Albertino, que era um idealista, ele gostava de ver o DIEESE funcionando, ele sempre deu uma força pro DIEESE. Ele e a Lenina, mais acho que o seu Albertino, que a Lenina acho que tinha...acho que ela já tava em outra...outra atividade, era economista. Seu Albertino parece que era sociólogo. Ele era professor de sociologia, né? Então, também, acho que...que...sabe, o ideal dele também era...eram as duas coisas, mas que ele tinha que escolher uma. E em 1967 ele saiu do DIEESE. Nem falou nada pra mim. A gente tava há tanto tempo junto. Ele saiu e não conversou comigo...Até admiro que ele não tenha conversado: que ele ia sair, se licenciar, alguma coisa...

 

P/1 – E naquela época que o senhor trabalhava no DIEESE, o senhor sentia que o DIEESE era...Ele tinha uma importância, assim, pra sociedade?

 

R – Ah, no meu ponto de vista sim. Agora, não sei dos outros. Eu sei, é...O DIEESE é reconhecido de utilidade pública. Então, sempre o DIEESE saia nos jornais, também como sai agora. Não sei se tem tanta divulgação agora como tinha antes. Agora tá tendo mais, porque a televisão, dá até o...no...no debate, o debate que eu assisti pouco: o debate que teve, o primeiro debate que tivemos, dos candidatos à presidência. O Joelmir Betting citou o DIEESE, que ele fez uma pergunta, não sei se foi pro Alckmin, ele fez uma pergunta pro Alckmin se baseando em dados do DIEESE. Então, na minha época tinha divulgação, saia no jornal, tinha o Itamaraty Feitosa Martins [Itaboraí Martins], que era da Última Hora. Última Hora depois fechou. Ele fazia cobertura do DIEESE, dos sindicatos também...Ele era...tinha coluna sindical. E às vezes ele vinha lá também, no DIEESE, pra...Quando tinha alguma reunião, ou eleições no DIEESE, que era...de dois em dois anos. Então ele fazia a cobertura, o...: Itamaraty Feitosa Martins [Itaboraí Martins]. Ele trabalhou na Última Hora, depois fechou a Última Hora. A Última Hora foi lá pra Folha, onde eu trabalhei, depois também, acabou.

 

P/1 – Assim. O quê que o DIEESE foi, assim, ele significou na sua vida?

 

R – Ah, sim, foi muito importante porque eu, não conhecia São Paulo, quase, embora nascido aqui. Pra mim foi muito importante. Eu aprendi bastante coisa, melhorei um pouco meus conhecimentos, através da leitura, de pessoas como o seu Albertino que escrevia, então a gente lendo, a gente vai adquirindo mais conhecimento. Não estacionei totalmente. Sempre a gente...Eu teria que ter estudado pra melhorar mais, não estudei por falta de incentivo e...e falta de esforço. A pessoa mesmo tem que ser esforçada, pra melhorar na vida. Mas, o quê que a gente vai fazer? Agora não adianta falar mais. Mas, graças a Deus, eu não me queixo da vida. Sempre fui correto...

 

P/1 – E o quê que o senhor acha de ter participado deste trabalho que o DIEESE tá fazendo, de memória? Pro senhor contar um pouco da sua História?

 

R – Ah, sim, é muito importante pra vida do DIEESE, né? É muito importante. Mas quem sabe assim, é...muito mais pessoas vão ter mais interesse de procurar o DIEESE. Eu não sei se aqui vem muita gente pra pegar informações, como é que é? Vem...vem? Então...O DIEESE assim...ele se torna mais popular. Porque antes tinha divulgação, mas não como agora. Agora tô vendo que já...tá bem mais amplo.

 

P/3 – Senhor Rubens, quais as informações que o senhor acha que o DIEESE faz, presta? Que informações que ele dá para a sociedade, o DIEESE?

 

R – Ah, tinha...Além do custo de vida tem outros trabalhos, porque...Eu não posso responder tecnicamente, eu não sou um diretor...Não tenho o estudo que tem o seu Albertino, a Lenina. Mas eles fazem pesquisa de mercado...O DIEESE faz pesquisa de mercado. E eu lembro que no DIEESE sempre tinha funcionários de empresas que iam lá no DIEESE obter informações, lá. Da FORD, de outras empresas. Até um conhecido meu foi lá uma vez, lá: ele era economista: ele trabalhava na FORD, isso há muitos anos atrás, então ele foi obter informações lá do DIEESE, não que o DIEESE fornecesse pra...não pode, para as empresas, só mais sindical, para os sindicatos. Mas o DIEESE: “– Vocês fazem o salário médio da...através do Imposto Sindical, ou não? Como é que o salário? Como é que vocês obtêm o salário médio dos...”

 

P/1 – Nós trabalhamos num outro departamento. A gente não...

 

R – Ah! Então é porque...eu...tecnicamente também, eu lembro que o imposto sindical lá dos Metalúrgicos, eles forneciam as guias do imposto sindical de cada funcionário e de lá nós tínhamos um funcionário que, ele anotava, acho que, ele anotava todos os dados, lá, e depois parece que de lá. Quem poderia responder melhor acho que é a Lenina. Tem mais...parece que do imposto sindical obtinha o salário médio da categoria. Por que, como é que vai saber o salário médio de uma categoria? É, acho que é através do imposto sindical, que é um dia de trabalho. Mas isso quem poderá responder melhor é um diretor técnico. Que é o...Como é o nome do diretor aqui? Ele é que teria mais capacidade de...

 

P/1 – Clemente...

 

R – Nosso problema não é mais técnico. A gente não pode se aprofundar porque não tem condições. Mas, então, mas o DIEESE é importante. Até um colega advogado foi lá uma vez, até não sei porque que ele foi lá, se ele foi obter informações, também. ..não sei se tem alguma coisa pra ele lá, que ele tava estudando direito, se formou em direito. Ele falou com seu Albertino, lá, lá no Sindicato do Gás, que era onde tava o DIEESE. Então é importante...é importante...Todo trabalho é importante. E esse é, porque o DIEESE é o único órgão particular das entidades sindicais, que...que faz o levantamento do custo de vida. Que os outros são do governo. Então serve de parâmetro para uma discussão, pra uma orientação, pra um dissídio de uma categoria: um dissídio coletivo...Isso aí é muito importante o DIEESE.

 

P/1 – Tá Ok, obrigada. Muito obrigada mesmo. 

 

P/3 – Muito obrigada pela sua participação. Foi muito importante pra nós, viu. Muito obrigada.












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