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História

O Casarão dos Prazeres, o balé, e a perseverança

História de: Rosa de Fátima dos Santos
Autor: Valdir Portasio
Publicado em: 13/06/2021

Sinopse

Rosa destaca o papel do Casarão dos Prazeres, que disponibiliza aulas de balé para a comunidade, na vida da filha, Letícia, que possui uma deficiência que é suavizada com a prática de dança. Rosa pondera também sobre o incentivo que dá à filha sobre a necessidade da perseverança e proatividade para o atingimento de seus objetivos.

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Projeto Morro dos Prazeres – Esse Morro tem história Realização Museu da Pessoa Entrevista de Rosa de Fátima dos Santos Entrevistado por Paula Ribeiro Rio de Janeiro, 07 de julho de 2002 Código: MP_CB029 Transcrito por Elisabete Barguth Revisado por Gabriela Viana P1 – Boa tarde Rosa, muito obrigada pela sua presença. Eu gostaria de começar o depoimento pedindo o seu nome completo, local e data de nascimento. R – Meu nome é Rosa de Fátima dos Santos, eu nasci no dia 17 de julho de 1957 em Minas Gerais, Juiz de Fora. P1 – Quando é que veio para o Rio? R – Eu vim para cá com 16 anos, para o Rio de Janeiro, e aqui eu comecei a trabalhar em casa de família e para mim foi tudo muito difícil. Eu fiquei dos 16 até os 24 anos no trabalho, com 24 anos eu pedi liberdade e saí porque não dava mais, arrumei esse meu namorado que está comigo há 20 anos, vai fazer 21 anos agora, e tive uma filha com ele, que está com 7 anos, vai fazer 8, chamada Letícia. P1 – Conta um pouquinho como é que você conheceu o Casarão, você mora em que bairro? R – Eu moro em Santa Tereza. Eu conheci o Casarão através do administrador do Centro de Santa Tereza. Foi o seguinte: a gente tinha aula de balé no Centro Cultural, só que lá não tinha espaço para tantas crianças, tinha que ficar na fila de espera. Eu conversei com Vânia e começamos a “agitar” um local grande para as crianças. Fui até o administrador do Centro de Santa Tereza, e ele ligou para o Casarão dos Prazeres. Então ela veio visitar, gostou, depois marcou reunião com todas as mães e viemos para cá, para o Casarão dos Prazeres. E até então, a minha filha sempre precisou do balé, porque ela tem um defeito na perna, ela tem uma perna menor que a outra, e o balé já diminuiu bastante esse processo dela. Inclusive o médico falou: “deixa ela continuar na dança, no balé e na natação”. Mas a natação eu ainda não consegui para ela, estou desesperada procurando uma natação, porque em vez dela fazer fisioterapia, ela faz uma aula que ela gosta, uma coisa que ela ama. Aí então eu conheci aqui e fiquei apaixonada pelo Casarão, então eu falei: “minha filha vai continuar no balé, Vânia. A gente vai correr atrás das coisas”. E tudo que eu posso fazer pelo balé, eu corro atrás, peço ajuda aos comerciantes, converso, peço a eles para ajudar. Tanto é que eles sempre me ajudam no que eu preciso, nunca me negaram nada, e minha filha está aqui, adora fazer a dança dela e está tranquila. Eu adoro esse Casarão aqui, se eu pudesse morava nele. P1 – Você está sempre aqui também? Você vem trazer a Letícia, está sempre aqui? R – Sempre, de terça e quinta feira eu estou aqui das 2 ás 4 horas da tarde. Aí eu venho para cá, trago a Letícia, ficou fazendo o meu crochê, fazendo os meus trabalhinhos. P1 – Conta um pouquinho então, você faz trabalho? R – Faço trabalho de bolsa, broche, “bondinho” também, assim em broche... e faço esse trabalho aqui também, dos bonequinhos, e boto para vender. Dessa vez não deu para trabalhar muito em cima, para Arte de Portas Abertas, que eu sempre vendo na Arte de Portas Aberta. E faço brigadeiro, empadinha... faço de tudo um pouquinho, tudo que dá para entrar dinheiro, para ajudar, né, porque eu pago aluguel, então eu tenho que correr atrás para ajudar minha filha e tudo. P1 – E onde você aprendeu fazer essas coisas assim manuais? R – Eu aprendi com minha mãe, era nova ainda. Eu sei bordar, fazer ponto segredo, fazer vários tipos de pontos no crochê... bordar também, vários tipos de bordado, e outros artesanatos também. Faço jardineira de bambu grande para plantar jasmim, aquelas coisas pequenininhas, violeta. Faço várias coisas e correndo atrás sempre para manter a minha filha no que ela gosta, e para cuidar da parte de moradia também, porque eu sempre procuro morar ela num lugar mais confortável, porque ela tem problema de asma também, aí sempre eu procuro correr atrás no que eu posso. P1 – E uma coisa interessante aqui no balé, é que tem crianças magras, gordas, altas, negras, brancas... isso é muito bacana na turma que a Letícia faz parte. R – Nesse balé aqui, a turma, o grupo da minha filha, é uma turma grande que faz balé... ela se entrosou com o pessoal, ela veio lá de baixo, de um outro grupo que era menor do que daqui, e ela se entrosou. Ela fez amizade, gosta das meninas daqui do Morro, então ficou uma união, uma coisa bonita das crianças, e ela fala “mãe, a fulana está sem rede, a gente tem que ajudar, tem que comprar as coisas”, e desde a apresentação do teatro Gonzaguinha, ela está juntando em dois porquinhos, esses porquinhos que a gente quebra, de louça. Ela está juntando tudo que ela pode ali para comprar uma sapatilha de ponta, o sonho dela é dançar na sapatilha de ponta e ela está juntando. Ela faz desenho, os desenhos dela são maravilhosos... E ela não botou aqui não, a Bernadete já convidou ela pra botar aqui, a exposição dela de desenho, só que ela ainda não fez assim, com um tema pra botar aqui, mas ela faz a exposição dela de desenho lá no Centro Cultural e vende a 50 centavos, e vai guardando esse dinheirinho dela. Eu acho bonito, porque é uma coisa que ela está lutando para conseguir aquilo, e eu a incentivo a ser econômica. P1 – E a mãe é batalhadora também. R – É, tem que correr atrás, e sempre ser amiga e poder ajudar as pessoas. Correr atrás, ajudar fulano... se não deu para ajudar de uma maneira, manda para um lugar para ver se consegue, porque na vida nunca vem nada de graça para a gente, então a gente tem que correr atrás. P1 – Então hoje para a gente encerrar: vai ter a festa junina, a Letícia vai dançar? R – Vai dançar sim, está lá toda de vermelho, toda pronta. Ela mesma que se enfeitou. O vestido dela é de pipoca, ela fez uma panela de pipoca e enfeitou o vestido dela todinho de pipoca e está lá esperando a dança. P1 – Está bom, eu agradeço o depoimento e muito obrigada pela participação. R – Obrigada a você. (fim do cd 62 min.) -----FIM DA ENTREVISTA -----
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