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História

O carteiro, o frango e a alface

História de: DUILIO PANCIERI
Autor: DUILIO PANCIERI
Publicado em: 26/07/2013

Sinopse

As aventuras de um carteiro em uma cidade do interior

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História completa

Ser o que se chama de volante talvez seja a experiência mais enriquecedora que um funcionário dos Correios adquire em sua vida profissional. Volante é o nome popular que se dá, dentro da empresa, ao empregado que fica à disposição de uma gerência para cobrir eventuais substituições de um outro empregado como férias, atestados, participação em treinamento, ou mesmo servir como reforço em agências com um movimento acima do esperado. Foi assim, como volante em uma cidadezinha bem ao norte do estado, cuja lotação da agência era somente o gerente e o carteiro que me aconteceu tal fato. Cidade pequena, sem hotel, sem pousada, surgindo assim a necessidade de “se oferecer” e ficar hospedado na casa do carteiro que se sentiu honrado com tamanho “convite", afinal, era o chefe da agência que se hospedaria em sua casa. Casinha simples, mas acolhedora, toda preparada com carinho por Marlene, esposa dedicada, que se esmerava nos detalhes para agradar seu marido, o carteiro Genésio, funcionário exemplar e estimado por todos da cidade. Só que mantinha a fama de gostar de uns goles a mais somente aos sábados, já que não trabalhava nesse dia. Na sexta feira recomendou ao marido que levantasse bem cedo no dia seguinte e fosse à feira comprar frango e alface para o almoço. Genésio, cumprindo as ordens de Marlene, esteve bem cedo na feira em minha companhia, escolheu um belo frango e um viçoso pé de alface para a salada, mas encontrara um daqueles amigos de bar, destes que nada fazem a não ser atrapalhar os outros e leva-o para o boteco mais próximo e pronto. Não sei se é destino, inconsequência ou uma atração incrível para as coisa erradas, o certo porém é que o Genésio não resistiu e – pimba ! Primeiro vem o convite e depois de umas e outras e o frango para o almoço já ficara a um canto de bico aberto e a alface sobre uma mesa qualquer. Começa o joguinho de sinuca, que para ficar mais excitante, vale uma cerveja bem gelada em melhor de três, uma lasca de losna, para prevenir o estômago, e mais uma cervejinha, e outra e o dia via passando, passando e Marlene esperando o tal frango e a alface. Lá pelas quatro ou cinco horas, talvez Genésio tenha se lembrado do almoço, mas aí já está na hora da janta e, para tapear o estômago cheio de cerveja, mastiga um torresmo, enquanto Marlene continua esperando e eu me despeço de Genésio, deixando-o no bar. Então, ao anoitecer, chega o Genésio. Passos trôpegos, o pé de alface debaixo do braço cada vez mais murcho, e o frango de bico aberto a morrer de sede. Quando chega em casa, joga tudo a um canto e cai na cama sob a saraivada de perguntas e xingamentos da mulher, saindo logo do ar, botando para funcionar o aparelho roncador. Não que o nobre carteiro fosse um “vida torta” como se costuma dizer, ou que Marlene estivesse até o pescoço com as aprontadas do dito cujo. Acostumara-se com tal rotina, só que naquele sábado, perdeu a paciência com o marido, devido ao almoço que teria que preparar para o gerente da agência. Só deu para ver Marlene, espumando de raiva, pegar uma faca afiada e.....matar o frango, sem dó nem piedade, deixando sem almoço (ou janta) o gerente da agência e o Genésio, que dormia o sono dos justos. Pobre vida de frango comprado por um carteiro pinguço!
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